ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA

Assuntos Médicos


Obesidade na infância
Recente e crescente preocupação médica

 



Obesidade na infância
Recente e crescente preocupação médica


De alguns anos para um evidente nível epidêmico de obesidade acometendo a faixa pediátrica, principalmente decorrente de erros alimentares.
As crianças têm comido mais e gastado menos energia. Trocaram as brincadeiras ao ar livre pelos jogos em computadores.
Os americanos consideram isso como uma praga dos dias modernos, associando-a desde a facilidade de se comprar coisas prontas (devido mães que trabalham fora, e o de não se fazer refeições em casa) à publicidade alimentícia e à rotina da vida moderna
Os termosobesidade e sobrepeso’ são os termos preferidos pela American Academy of Pediatrics, e dos Centers for Disease Control and Prevention que visam com isso chamar atenção para o problema.
A Associação Americana de Diabetes passou a alertar para a situação da obesidade e sobrepeso na Infância, dado o aparecimento crescente de Diabetes tipo 2 nessa faixa, e do aumento desse mesmo diagnóstico em adultos mais jovens.
Os dados de estudos americanos dão conta que 20% dos pré-escolares estão com sobrepeso, mais que o dobro observado em 1970, e 10% dessa faixa etária são clinicamente obesos
Os dados mais recentes do III Estudo de Exames Nutricionais e Saúde Nacional Americano sugerem que 22% de crianças e adolescentes estão acima do peso (sobrepeso) e 11% são obesas. 

A obesidade materna foi o fator preditivo mais importante na obesidade infantil num outro estudo americano.
Outros fatores influenciam: baixo nível de estímulos familiares e de caráter cognitivos, crianças que vivem com mães solteiras, crianças negras, pais que não trabalham e que não têm profissão.
(Influence of the Home Environment on the Development of Obesity in Children, Pediatrics. 1999;103(6):e85).
 

Preocupa, além disso, saber que crianças obesas aos 10 anos de idade têm de 70 a 80% de chance de se tornar um adulto obeso, havendo real preocupação com os distúrbios cardiovasculares precoces existentes quando estas atingirem a idade adulta.
Os problemas são arteriosclerose e hipertensão, diabetes, derrames e outros transtornos relacionados ao excesso de peso. 
De acordo com outras entidades médicas americanas, as crianças obesas passam a ser menos sociais que suas companheiras de mesma idade e de peso normal, sendo que muitas desenvolvem depressão e outros problemas emocionais até mais graves (como suicídio), motivos de sobra para qualquer um ficar alerta. 

O problema é levado tão a sério nos Estados Unidos que em Novembro de 2004 a Associação Americana de Saúde Pública no seu 132º Encontro Anual posicionou-se em prol de uma maior mobilização e atenção em relação ao problema.
Dados do Institute of Medicine Report, "Preventing Childhood Obesity: Health in the Balance (‘Prevenção de Obesidade na Infância: Saúde na Balança’) enfatizam a importância de se usar o termo ‘obesidade’ para se referir a crianças de 2 a 18 anos de idade que excedem ao percentil 95 do índice de massa corpórea (IMC). 

Um Professor de Pediatria da Universidade de Michigan, EUA (Dr. Howard Markel) escreveu já em Julho de 2003 um artigo para uma Revista Pediátrica mostrando sua preocupação com a alimentação hipercalórica e rica em gorduras que via ser distribuída pelos corredores do Hospital daquela universidade.
Além disso, mostrava seu descontentamento por esse tipo de alimentação ser distribuída por fast foods instaladas dentro de hospitais, contrariando a idéia de hospital como “templo de saúde”.

Ele observou também que em 98,2% das Escolas Americanas os estudantes podem comprar alimentos muito calóricos e ricos em gorduras (batatas fritas, refrigerantes, barras de doces, chocolates, etc) que não contribuem nem para a educação nem para a saúde nutricional dos alunos, com evidentes implicações na saúde comunitária. 

Aqui no nosso país vemos que as coisas são bem semelhantes: há tempos crianças vem sendo distraídas com a ‘babá eletrônica’ (a TV) e também têm gastado seu tempo dentro de casa com jogos eletrônicos, comendo fora de hora (pois não percebem o tempo passar) e comem mais guloseimas e alimentos ricos em carboidratos e refrigerantes, para satisfação rápida.
As escolas particulares, por sua vez, oferecem nada mais do que estes mesmos tipos de alimentos nas suas lanchonetes. Muitas públicas oferecem refeições muito calóricas, e quase nunca oferecem frutas, hortaliças e vegetais, não tendo, no geral, preocupação com orientação e educação nutricional.

 
Nesse sentido há um estudo interessante desenvolvido numa escola de 1º grau no Estado do Paraná que pretendeu focalizar os hábitos alimentares de crianças, para tentar corrigi-los com orientação educacional, objetivando a formação de hábitos alimentares corretos e favorecendo uma valorização do alimento.
Com uma atividade que apelava para “Pinte o que você mais come”, os pesquisadores tendo classificado anteriormente as crianças em saudáveis, obesas e desnutridas notaram que a maioria pintou o suco artificial (46%), 21 % o sanduíche, 21% frutas e sucos naturais, 6% pintaram bolachas, 5% o salgadinho de saquinho, e apenas 2% pintaram verduras e legumes.
Após atividades de educação nutricional observaram um aumento no consumo de verduras e legumes para 46% e de frutas e sucos naturais para 32%, com significativas alterações nas escolhas dos alimentos.
Concluíram quão importantes são a orientação e educação da criança para estes aspectos principalmente por terem sido as atividades realizadas com metodologia simples e de baixo custo, que ‘podem ser trabalhadas paralelamente à programação curricular enriquecendo o ensino escolar e promovendo melhora no aprendizado e na qualidade de vida das crianças’.
(Educação nutricional - método simples e eficaz na promoção da saúde).

Em um de vários editoriais dos Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine de Agosto de 2003, um autor sugere 4 pontos práticos para ajudar a prevenir  os problemas de peso:
- amamentação ao seio materno, 
- limitação do tempo em frente à TV (incluímos vídeo-games, computadores, videotapes etc),
- encorajamento de atividades ao ar livre e
- limitação da ingestão de carboidratos.


Dra. Angélica Maria Lima Mansano Garcia
Médica Especializada em Pediatria, Pós Graduada em Bíblia e Mestranda em Teologia & História pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, SP. Aluna do 1º termo de Psicologia das Faculdades Unidas de Dracena, UNIFADRA. 
 

[HOME]

Hosted by www.Geocities.ws

1