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Obesidade na
infância
Recente e crescente preocupação médica
De
alguns
anos
para
cá há
um
evidente
nível epidêmico de
obesidade acometendo a
faixa pediátrica,
principalmente decorrente de
erros
alimentares.
As
crianças têm comido
mais e gastado
menos
energia. Trocaram as
brincadeiras ao
ar
livre
pelos
jogos
em
computadores.
Os
americanos consideram
isso
como uma ‘praga
dos
dias
modernos’, associando-a
desde a
facilidade de se
comprar
coisas prontas (devido
mães
que trabalham
fora, e o de
não se
fazer
refeições
em
casa) à
publicidade
alimentícia e à
rotina da
vida
moderna.
Os
termos ‘obesidade
e sobrepeso’
são os
termos preferidos
pela American Academy of Pediatrics,
e dos Centers for Disease Control and Prevention
que visam
com
isso
chamar
atenção
para o
problema.
A
Associação
Americana de
Diabetes passou a
alertar
para a
situação da
obesidade e sobrepeso na
Infância,
dado o
aparecimento
crescente de
Diabetes
tipo 2 nessa
faixa, e do
aumento desse
mesmo
diagnóstico
em
adultos
mais
jovens.
Os
dados de
estudos
americanos dão
conta
que 20% dos
pré-escolares estão
com sobrepeso,
mais
que o
dobro
observado
em 1970, e 10% dessa
faixa
etária
são clinicamente
obesos.
Os
dados
mais
recentes do III
Estudo de
Exames Nutricionais e
Saúde
Nacional
Americano sugerem
que 22% de
crianças e
adolescentes estão
acima do
peso (sobrepeso) e 11%
são obesas.
A obesidade materna foi o fator
preditivo mais importante na obesidade infantil num outro estudo
americano.
Outros fatores influenciam: baixo nível de estímulos familiares e de
caráter cognitivos, crianças que vivem com mães solteiras, crianças
negras, pais que não trabalham e que não têm profissão.
(Influence of the Home
Environment on the Development of Obesity in Children,
Pediatrics.
1999;103(6):e85).
Preocupa, além disso, saber que
crianças obesas aos 10 anos de idade têm de 70 a 80% de chance de se
tornar um adulto obeso, havendo real preocupação com os distúrbios
cardiovasculares precoces existentes quando estas atingirem a idade
adulta.
Os problemas são arteriosclerose e hipertensão, diabetes, derrames e
outros transtornos relacionados ao excesso de peso.
De acordo com outras entidades médicas americanas, as crianças obesas
passam a ser menos sociais que suas companheiras de mesma idade e de
peso normal, sendo que muitas desenvolvem depressão e outros problemas
emocionais até mais graves (como suicídio), motivos de sobra para
qualquer um ficar alerta.
O problema é levado tão a sério nos
Estados Unidos que em Novembro de 2004 a Associação Americana de
Saúde Pública no seu 132º Encontro Anual posicionou-se em prol de
uma maior mobilização e atenção em relação ao problema.
Dados do Institute of Medicine Report, "Preventing Childhood Obesity:
Health in the Balance (‘Prevenção de Obesidade na Infância: Saúde na
Balança’) enfatizam a importância de se usar o termo ‘obesidade’ para se
referir a crianças de 2 a 18 anos de idade que excedem ao percentil 95
do índice de massa corpórea (IMC).
Um Professor de Pediatria da
Universidade de Michigan, EUA (Dr. Howard Markel) escreveu já em Julho
de 2003 um artigo para uma Revista Pediátrica mostrando sua preocupação
com a alimentação hipercalórica e rica em gorduras que via ser
distribuída pelos corredores do Hospital daquela universidade.
Além disso, mostrava seu descontentamento por esse tipo de alimentação
ser distribuída por fast foods instaladas dentro de hospitais,
contrariando a idéia de hospital como “templo de saúde”.
Ele observou também que em 98,2% das Escolas Americanas os estudantes
podem comprar alimentos muito calóricos e ricos em gorduras (batatas
fritas, refrigerantes, barras de doces, chocolates, etc) que não
contribuem nem para a educação nem para a saúde nutricional dos alunos,
com evidentes implicações na saúde comunitária.
Aqui no nosso país vemos que as coisas
são bem semelhantes: há tempos crianças vem sendo distraídas com a ‘babá
eletrônica’ (a TV) e também têm gastado seu tempo dentro de casa com
jogos eletrônicos, comendo fora de hora (pois não percebem o tempo
passar) e comem mais guloseimas e alimentos ricos em carboidratos e
refrigerantes, para satisfação rápida.
As escolas particulares, por sua vez, oferecem nada mais do que estes
mesmos tipos de alimentos nas suas lanchonetes. Muitas públicas oferecem
refeições muito calóricas, e quase nunca oferecem frutas, hortaliças e
vegetais, não tendo, no geral, preocupação com orientação e educação
nutricional.
Nesse sentido há um estudo interessante desenvolvido numa escola de 1º
grau no Estado do Paraná que pretendeu focalizar os hábitos alimentares
de crianças, para tentar corrigi-los com orientação educacional,
objetivando a formação de hábitos alimentares corretos e favorecendo uma
valorização do alimento.
Com uma atividade que apelava para “Pinte o que você mais come”, os
pesquisadores tendo classificado anteriormente as crianças em saudáveis,
obesas e desnutridas notaram que a maioria pintou o suco artificial
(46%), 21 % o sanduíche, 21% frutas e sucos naturais, 6% pintaram
bolachas, 5% o salgadinho de saquinho, e apenas 2% pintaram verduras e
legumes.
Após atividades de educação nutricional observaram um aumento no consumo
de verduras e legumes para 46% e de frutas e sucos naturais para 32%,
com significativas alterações nas escolhas dos alimentos.
Concluíram quão importantes são a orientação e educação da criança para
estes aspectos principalmente por terem sido as atividades realizadas
com metodologia simples e de baixo custo, que ‘podem ser trabalhadas
paralelamente à programação curricular enriquecendo o ensino escolar e
promovendo melhora no aprendizado e na qualidade de vida das crianças’.
(Educação
nutricional - método simples e eficaz na promoção da saúde).
Em um
de vários editoriais dos Archives of Pediatrics and Adolescent
Medicine de Agosto de 2003, um autor sugere 4 pontos práticos para
ajudar a prevenir os problemas de peso:
- amamentação ao seio materno,
- limitação do tempo em frente à TV (incluímos vídeo-games,
computadores, videotapes etc),
- encorajamento de atividades ao ar livre e
- limitação da ingestão de carboidratos.
Dra. Angélica Maria
Lima Mansano Garcia
Médica Especializada em Pediatria, Pós
Graduada em Bíblia e Mestranda em Teologia & História pelo Centro de Pós
Graduação Andrew Jumper, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, SP.
Aluna do 1º termo de Psicologia das Faculdades Unidas de Dracena,
UNIFADRA.
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