ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA

Assuntos Teológicos


O NOSSO CULTO TEM AGRADADO A DEUS?
 


O
NOSSO CULTO TEM AGRADADO A DEUS?

Dra. Angélica Mansano Garcia (*)

“... importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. (João 4.24). 

A adoração praticada nos cultos tem preocupado a muitos teólogos mesmo antes da Reforma Protestante. Muitas igrejas evangélicas da atualidade vêm perdendo o foco da adoração e têm se prostrado diante das vontades humanas, fazendo com que a base bíblica para a adoração pública venha se diluindo sob diversos disfarces.

As Escrituras testificam que adoração é devida única e exclusivamente a Deus. O homem desde a sua criação foi chamado a adorar a Deus e a prestar-Lhe culto. Essa verdade é enfatizada no primeiro e segundo mandamentos [1] e reiterada por Jesus quando tentado por Satanás. Jesus venceu-o apoiado nas Escrituras ao dizer: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e a Ele darás culto” (Mt 4.10). Satanás continua sendo o inimigo de sempre, que tenta nos desviar da verdadeira adoração.

Andrew Fountain fala em caos na adoração nas igrejas contemporâneas.  [2]   O Rev. Geoffrey Thomas tem “abundantes evidências de que a adoração se encontra em declínio”.[3]   Ocorre que a igreja que descuida dos princípios estipulados pelas Escrituras perde o foco da adoração, corre o risco de praticar um culto baseado em teologias antropocêntricas, e torna o culto em desarmonia com o padrão divino. Como resultado, teremos uma falsa adoração e um culto superficial.

Harrison diz quenenhum ultraje a Deus é comparável com a negação da Sua singularidade e com a transferência a outro do reconhecimento devido a Ele”.[4]  Devemos sempre ensinar queadorar a Deus é atribuir-lhe o valor de que é digno”.[5] A nossa prática deve mostrar esse ensino. A adoração deve serlevada a efeito por alguém que deseja ser revestido da santidade de Deus”, pois “a perversão da adoração vê-se no esforço ávido de Satanás em obter para si aquilo que pertence corretamente apenas a Deus (Mt 4.9)”.[6]

Devemos evitar os extremos entre os cultos contemporâneos como forma de protesto aos cultos tidos como legalistas, mas o culto simples e centrado em Deus, estipulado pela Palavra, que foi resgatado pela reforma protestante com grande empenho e muito sacrifício, não pode deixar de ser praticado.

Calvino ao dizer quemesmo que o coração seja puro e o motivo justo, as ações externas empreendidas em função da religião” (referindo-se a vigílias, jejuns prolongados, prostração em terra, etc), afirma que essas coisas não foram desdenhadas como censuradas por Paulo (em 1 Timóteo 4.7-8, e Colossenses 2.21, respectivamente).[7]  Ou seja, foram proibidas pela Palavra inspirada. Assim, não são aceitas por Deus. As coisas acrescidas ao culto também não o são.

Devemos prestar atenção para que o culto e a adoração modernos não percam o foco na Pessoa a ser adorada, fugindo do padrão estipulado pelas Escrituras. Existem princípios que regulam o culto. “Um dos maiores inimigos do cristianismo atual é o modernismo ou liberalismo”.[8]   O culto e a adoração têm se revestido de uma natureza antropocêntrica, e corre o risco de servir mais a uma atividade social e de bem estar para alívio das tensões, que a uma oportunidade de submeter-se à pregação e à exposição da Palavra de Deus, para o moldar do nosso caráter.


REFERÊNCIAS:

[1] Eu sou o Senhor, teu Deus... Não terás outros deuses diante de mim... não farás para ti imagem de escultura... não as adorarás, nem lhes darás culto” (Ex. 20, 2-5).

[2] FOUNTAIN, Andrew. O que significa adoração? [Adoração]. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/adoracao/adoracaosig.pdf

[3] THOMAS, Geoffrey. A Natureza da Verdadeira Adoração. [Adoração]. Disponível em http://www.monergismo.com/textos/adoracao/natureza_verdadeira_adoracao_geoffrey.htm>

[4] HARRISON, E. F. Adoração. In:  ELWELL, W. A. (Ed.). Tradução de Gordon Chown. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Editora Vida Nova, março de 1993. p. 20-21.

[5] RAYBURN, R.G. ibidem. p. 21.

[6] HARRISON. op. cit., p.21.

[7] CALVINO. As Pastorais. São Paulo: Edições Paracletos. 1998. p. 117.

[8] SCHERTLEY. O Modernismo e a Inerrância Bíblica. Os Puritanos, São Paulo, ano XIII, n. 1, p. 34, 2005.


(*) Dra. Angélica Maria Lima Mansano Garcia

Médica Especializada em Pediatria, Pós Graduada em Bíblia e Mestranda em Teologia & História pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, SP.
 

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