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ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA |
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Assuntos Médicos |
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Pelo grande número de telefonemas que tenho recebido nas últimas 2 semanas trazendo à tona as preocupações de pais, mães e demais interessados no assunto relacionado a dois casos recentes de meningites (bacterianas) na nossa região penso ser de alguma ajuda trazer o assunto também a nível mais amplo. Essas pessoas me procuram perguntando por "vacina contra meningite", buscando vacinarem seus filhos ou a si mesmas contra "meningites", imaginando que exista uma vacina (específica) capaz de evitar a ocorrência destas "meningites", em qualquer época e em qualquer idade. Muitas pessoas, levadas por algum sopro de engano, imaginam assim mesmo: que exista uma vacina contra toda "meningite", e muitas lamentam não terem tido ocasião de a ter recebido, imaginando ser coisa exclusiva de clínicas particulares. No meu dia-a-dia acostumei-me a mostrar nas carteirinhas de vacinação das crianças as vacinas que lhes foram dadas pela rede pública que tiveram interesse na prevenção de "meningites". Embora muitos desconheçam, tais vacinas da rede pública, contribuíram para que muito raramente hoje vejamos meningites no nosso meio, causadas por patógenos que antigamente eram o terror da Saúde Pública. Com isso em mente gostaria de "acalmar os ânimos" e orientar a um maior número de "concidadãos" interessados. As meningites são mais comuns nos primeiros anos de vida, fase em que os seres humanos têm menor resistência às bactérias, -e sem necessidade de se entrar muito em detalhes-, são menos resistentes às bactérias Gram-negativas (Bacilo da Tuberculose, Hemófilos Influenza, Meningococo, para citar as de interesse aqui) que causavam verdadeiros "desastres" naqueles pacientes acometidos. Assim atenção maior foi dada, portanto, à faixa pediátrica. As pessoas adultas costumam ser mais resistentes às doenças infecciosas de um modo geral, e raramente são vacinadas contra tais bactérias, fora do período pediátrico, exceção feita atualmente à vacinação dos idosos. As bactérias Gram-positivas (entre elas os Stafilococos, Estreptococos, Pneumocos, de interesse a esse assunto) são as bactérias que acometem mais preferencialmente de 4-6 anos de idade pra cima, e adultos, não existindo vacinação específica contra os dois primeiros, e assim mesmo, a vacina contra Pneumococo protege por um período de 5 a 6 anos, não sendo rotina de saúde pública no nosso meio. Ademais, um ou outro caso isolado de meningite, seja por esta ou aquela bactéria, não significa "alarme de epidemia" como chegaram a mencionar. A ação intensiva das autoridades em Saúde Pública no País tem mudado aquele quadro antigo descrito acima, não só devido à vacinação, mas também por outras ações básicas de saúde, como Puericultura, Orientação Nutricional, Aleitamento Materno, Atenção Sanitária etc. Vejamos agora contra quais "meningites" o seu filho tem sido protegido: (tenha em mãos agora a carteirinha de vacinação): 1- as crianças são vacinadas logo nos primeiros dias de vida com a vacina BCG -olhe a marquinha no bracinho direito do seu filho- que tem interesse contra o bacilo da Tuberculose. No entanto, o alvo primordial desta não é apenas a doença pulmonar, e sim a meningite tuberculosa, gravíssima, se não fatal, com danos e conseqüências desastrosas. Descanse, porque tanto uma como outra não são mais comuns nos nossos dias na faixa pediátrica, mas continuem vacinando seus filhos! 2- De alguns anos para cá, a vacinação contra outra bactéria grave que acometia crianças ainda no seus primeiros meses de vida, com possibilidade de acometê-las até os seus 4-6 anos de idade, o Hemófilus Influenza -o já conhecido "Hib"- (essa que o público tem imaginado proteger contra todas "meningites"...) vem sendo 'subtraído' por vacinação à partir dos 2 meses de idade, com doses a cada 2 meses até o 6º mês de idade, com reforço aos 15 meses. Esse tal Hemófilus não é só responsável por meningites, mas também por outras afecções sérias e graves nos primeiros anos de vida, como respiratórias, porém, a vacinação tem-se mostrado eficaz e, graças a Deus, o número de meningites dessa natureza e nesta faixa etária tem caído drasticamente, o que conta positivamente a favor da vacinação empregada. A duração da proteção conferida por esta vacina coincide com o tempo em que as crianças são suscetíveis a ela, ou seja, protege pelos primeiros 5-6 anos de vida. Assim, com essas duas medidas preventivas todas as crianças da nossa cidade, como do País inteiro, estão praticamente fora do risco de contrair as doenças graves que antes eram comuns e que a vacinação em massa se propôs prevenir. Quanto ao meningococo (terror dos telefonemas!) causador de também grave meningite, apesar de temida pelos pais, a doença não é comum e a vacinação não é de rotina, e quando feita é tardia, bem depois de 1 ano de idade, com duração de proteção bastante curta, e de custo bastante elevado. Felizmente, a doença responde rapidamente aos medicamentos usuais quando suspeitada e diagnosticada a tempo. 3- Quanto às meningites virais as mais comuns foram protegidas: Aos 9 meses seus filhos são vacinados contra "Sarampo", doença em si mesma grave que pode levar à complicações meningoencefálicas graves e com seqüelas igualmente graves, mas essa doença, o Sarampo, graças a Deus, tem sido vencida e eliminada do nosso meio através de vacinação séria e rotineira. As crianças receberão reforços desta vacina aos 15 meses de idade. Além desta, recebem também a vacina contra a "Caxumba" (a vacina SCR, na carteirinha -a antiga "MMR" das clínicas particulares, para quem as recebeu) que apesar de ser doença benigna, costumeiramente leva a uma meningite asséptica, benigna, que se cura na imensa maioria das vezes restabelecendo a normalidade assim que a doença de base se vai. Por fim, vale ressaltar que quanto aos outros agentes bacterianos que podem concorrer para infecções meníngeas, fora das faixas etárias comentadas acima, para os quais não existem vacinas específicas, o risco de se adquirir tais doenças é praticamente o mesmo de se adquirir qualquer outra doença, em condições normais. Portanto, até prova em contrário, não há nenhuma razão para se relacionar casos isolados com epidemias, nem de se vacinar crianças fora de faixa etária de risco nem adultos hígidos, contra doenças de acometimento casual, até porque, contra muitas não existem vacinas específicas. E ainda, reafirmar que as vacinas são de proteção específicas: a de Hemófilos protege apenas contra as doenças causadas por este patógeno, a de Pneumococo só contra o Pneumococo, e assim por diante, não tendo eficácia nenhuma contra outros tipos de bactérias; e que não existe até o momento, vacina contra Estreptococo nem contra Estafilococo. Atenciosamente. Dra. Angélica Mansano Garcia. (Publicado em 20/11/2003) |