ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA

Assuntos Teológicos


ATEÍSMO x DEÍSMO

Publicado no jornal "O Regional" de Dracena, SP em 31/08/2003


“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” Salmo 19.1.


Há questões sérias que envolvem esses temas. 
Embora pareçam frutos de mentes brilhantes, e de considerações aparentemente modernas, perdoem, não passam de coisas extremamente antigas e frutos da falta de conhecimento da verdade, ou de misturas de conhecimentos.
Não que não haja sinceridade e até zelo nas colocações dos que delas fazem uso, e mesmo que aparentemente corretas aos olhos humanos, não passam de atitudes cujo centro está na justiça própria e na força humanas, que nada, em si mesmas, representam aos olhos da justiça requerida por Deus.
Mas o conhecimento é e está na verdade de Deus. Disso não se pode fugir.
Até os céus com toda a sua beleza testemunham contra nós da Sua existência, e todos os astros lá colocados, para tal podem ser chamados, e assim responderão. Sim! Deus já existia.
Eles estão lá por terem sido criados por Deus, “o Criador”, pois assim está escrito: “no princípio criou Deus o céu e a terra” –(do nada! “creatio ex nihilo”) e que a “terra estava sem forma e vazia, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gênesis 1.1,2).
E então, Deus disse: “Haja luz” e ela passou a existir, e Ele separou a luz das trevas, e depois disse “Haja firmamento...”, e este passou a existir. E assim foi criando todas as coisas, visíveis e invisíveis. E depois, criou o ser humano, e lhe deu a gerência de toda a criação. “E viu que tudo era bom”!

Porquê lembrar dessas coisas simples, do “princípio”, do Livro de Gênesis?

Em primeiro lugar
porque “tudo era bom” na criação, e não havia mistério nenhum por lá porque Deus trabalhou (e trabalha) às claras, chamando a luz à existência, e, de quebra, revela-se aos seres humanos que criara, e com eles fez uma aliança, na qual estes não entraram com nada, pois, se tudo pertencia a Deus, o que lhe poderiam oferecer? 
Por causa de tal aliança havia comunhão entre o Criador e eles; portanto, nada tinham a temer, e o próprio Deus os visitava “na virada da tarde”, e ali conversavam.
O medo (assim como a morte), entrou nessa história após, e somente após, terem eles desobedecido Àquele que os havia criado, quebrando a primeira aliança. 
A partir daí, se esconderam, pois viram a sua “nudez”, ou seja, a condição de miserabilidade deles em relação ao Deus supremo, auto-existente, contra o qual ousaram.
E fugindo da luz esconderam-se do Criador atrás de arbustos, como se estes ou outro lugar qualquer, fossem suficientes para os esconder, e jogaram a culpa na serpente, e um no outro, e, finalmente, não exitaram em culpar a Deus (“a mulher que me deste por esposa... me deu da árvore, e comi”).
Daí passaram a ter medo! Imaginaram que tais atitudes poderiam lhes justificar, porém, foram expulsos da presença de Deus, tão simplesmente porque desobedeceram, pecando, e esse pecado fez separação entre eles e Deus, e a partir daí, a morte entrou no mundo.
Foram expulsos, outrossim, para que não comessem da árvore da vida, e vivessem eternamente (em pecado, Gn 3.22).

Em segundo lugar, porque a natureza já se curvava diante o Altíssimo, porém, os primeiros representantes da raça humana, e muitos ainda hoje resistem a sua soberania!
Pode-se dizer que o Salmo 19, do qual usei o primeiro verso como introdução, nos envergonha, pois até a natureza “sabe” que foi criada por Deus e que Ele existe: “um dia discursa a outro dia e uma noite revela conhecimento a outra noite”, e apesar deles “não emitirem sons e nós não lhes ouvirmos a voz, no entanto, por toda a terra se faz ouvir sua voz e suas palavras até os confins da terra”!(v. 2,3).  
É esse conhecimento em questão.

Em terceiro lugar, vamos separar “ateísmo” de “deísmo”, pois, não crer é uma coisa, biblicamente redunda em ofensa a Deus igualmente; e imaginar que Deus está lá em cima ao seu belo prazer, vendo a terra se corromper, e não se importar, é outra, mas que também não deixa de ofender a Deus. (Diga-se de passagem, toda a terra foi corrompida na mesma época em que entrou o pecado no mundo).
É famosa a analogia dos pensadores deístas em cujas mentes e ensinos, Deus é comparado a um relojoeiro, que tendo fabricado relógios com toda perfeição de detalhes e toda aferição, dá-lhes corda, e fim: andem  por si mesmos!
Li há muitos anos atrás pensamentos assim nos livros de vários autores, prósperos pregadores do pensamento positivo, e conseqüentemente, centrados exclusivamente na capacidade humana.
A literatura cita como famosos deístas os americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. 
Não, Deus, não está lá sentado ou dormindo ou surdo que não possa ouvir, nem cego que não possa ver, simplesmente deleitando-se em si mesmo!
Deus se importa com o mundo e com cada um dos seus.
Contudo, na sua santidade não convive com o pecado. Tanto é verdade que ele se importa que providenciou meios em si mesmo, para religar (‘religião’ vem de ‘ religare’) o ser humano consigo, e dando a conhecer isso desde o “princípio” (Gênesis 3.15), pois, como está escrito, “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16). Isso, através do sacrifício expiatório completo e eficaz, do seu unigênito, o Deus Filho, o Verbo encarnado, que se chama Jesus.
Não importa o que digam, se aceitam isso como verdade ou não, porque escrito está: “Todo joelho se dobrará, e toda língua confessará...” Também está escrito que somos salvos pela graça mediante a fé, em Cristo.

Assim, veja quão importante é o papel da fé.
Todavia, nenhuma dessas coisas, salvação e fé,  vêm de nós: são dádivas, dons  de Deus (Efésios 2.8-10).
O que fugir dessas verdades bíblicas é “correr atrás do vento”. 


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