“Os céus proclamam a glória de Deus, e o
firmamento anuncia as obras das suas mãos.” Salmo 19.1.
Há questões sérias que envolvem
esses temas.
Embora pareçam frutos de mentes brilhantes, e de considerações
aparentemente modernas, perdoem, não passam de coisas extremamente
antigas e frutos da falta de conhecimento da verdade, ou de misturas de
conhecimentos.
Não que não haja sinceridade e até zelo nas colocações dos que
delas fazem uso, e mesmo que aparentemente corretas aos olhos humanos, não
passam de atitudes cujo centro está na justiça própria e na força
humanas, que nada, em si mesmas, representam aos olhos da justiça
requerida por Deus.
Mas o conhecimento é e está na verdade de Deus. Disso não se pode
fugir.
Até os céus com toda a sua beleza testemunham contra nós da Sua existência,
e todos os astros lá colocados, para tal podem ser chamados, e assim
responderão. Sim! Deus já existia.
Eles estão lá por terem sido criados por Deus, “o Criador”, pois
assim está escrito: “no princípio criou Deus o céu e a terra”
–(do nada! “creatio ex nihilo”) e que a “terra estava sem forma
e vazia, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gênesis
1.1,2).
E então, Deus disse: “Haja luz” e ela passou a existir, e Ele
separou a luz das trevas, e depois disse “Haja firmamento...”, e
este passou a existir. E assim foi criando todas as coisas, visíveis e
invisíveis. E depois, criou o ser humano, e lhe deu a gerência de toda
a criação. “E viu que tudo era bom”!
Porquê lembrar dessas coisas simples,
do “princípio”, do Livro de Gênesis?
Em primeiro lugar porque “tudo era bom” na criação, e não
havia mistério nenhum por lá porque Deus trabalhou (e trabalha) às
claras, chamando a luz à existência, e, de quebra, revela-se aos seres
humanos que criara, e com eles fez uma aliança, na qual estes não
entraram com nada, pois, se tudo pertencia a Deus, o que lhe poderiam
oferecer?
Por causa de tal aliança havia comunhão entre o Criador e eles;
portanto, nada tinham a temer, e o próprio Deus os visitava “na
virada da tarde”, e ali conversavam.
O medo (assim como a morte), entrou nessa história após,
e somente após, terem eles desobedecido Àquele que os havia
criado, quebrando a primeira aliança.
A partir daí, se esconderam, pois viram a sua “nudez”, ou seja, a
condição de miserabilidade deles em relação ao Deus supremo,
auto-existente, contra o qual ousaram.
E fugindo da luz esconderam-se do Criador atrás de arbustos, como se
estes ou outro lugar qualquer, fossem suficientes para os esconder, e
jogaram a culpa na serpente, e um no outro, e, finalmente, não exitaram
em culpar a Deus (“a mulher que me deste por esposa... me deu da árvore,
e comi”).
Daí passaram a ter medo! Imaginaram que tais atitudes poderiam lhes
justificar, porém, foram expulsos da presença de Deus, tão
simplesmente porque desobedeceram, pecando, e esse pecado fez separação
entre eles e Deus, e a partir daí, a morte entrou no mundo.
Foram expulsos, outrossim, para que não comessem da árvore da vida, e
vivessem eternamente (em pecado, Gn 3.22).
Em segundo lugar, porque a
natureza já se curvava diante o Altíssimo, porém, os primeiros
representantes da raça humana, e muitos ainda hoje resistem a sua
soberania!
Pode-se dizer que o Salmo 19, do qual usei o primeiro verso como introdução,
nos envergonha, pois até a natureza “sabe” que foi criada por Deus
e que Ele existe: “um dia discursa a outro dia e uma noite revela
conhecimento a outra noite”, e apesar deles “não emitirem sons e nós
não lhes ouvirmos a voz, no entanto, por toda a terra se faz ouvir sua
voz e suas palavras até os confins da terra”!(v. 2,3).
É esse conhecimento em questão.
Em terceiro lugar, vamos separar
“ateísmo” de “deísmo”, pois, não crer é uma coisa,
biblicamente redunda em ofensa a Deus igualmente; e imaginar que Deus
está lá em cima ao seu belo prazer, vendo a terra se corromper, e não
se importar, é outra, mas que também não deixa de ofender a Deus.
(Diga-se de passagem, toda a terra foi corrompida na mesma época em que
entrou o pecado no mundo).
É famosa a analogia dos pensadores deístas em cujas mentes e ensinos,
Deus é comparado a um relojoeiro, que tendo fabricado relógios com
toda perfeição de detalhes e toda aferição, dá-lhes corda, e fim:
andem por si mesmos!
Li há muitos anos atrás pensamentos assim nos livros de vários
autores, prósperos pregadores do pensamento positivo, e conseqüentemente,
centrados exclusivamente na capacidade humana.
A literatura cita como famosos deístas os americanos George Washington,
Benjamin Franklin e Thomas Jefferson.
Não, Deus, não está lá sentado ou dormindo ou surdo que não
possa ouvir, nem cego que não possa ver, simplesmente deleitando-se em
si mesmo!
Deus se importa com o mundo e com cada um dos seus.
Contudo, na sua santidade não convive com o pecado. Tanto é verdade
que ele se importa que providenciou meios em si mesmo, para religar
(‘religião’ vem de ‘ religare’) o ser humano consigo, e dando a
conhecer isso desde o “princípio” (Gênesis 3.15), pois, como está
escrito, “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele
crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16). Isso, através
do sacrifício expiatório completo e eficaz, do seu unigênito, o Deus
Filho, o Verbo encarnado, que se chama Jesus.
Não importa o que digam, se aceitam isso como verdade ou não, porque
escrito está: “Todo joelho se dobrará, e toda língua confessará...”
Também está escrito que somos salvos pela graça mediante a fé, em
Cristo.
Assim, veja quão importante é o papel
da fé.
Todavia, nenhuma dessas coisas, salvação e fé,
vêm de nós: são dádivas, dons
de Deus (Efésios 2.8-10).
O que fugir dessas verdades bíblicas é “correr atrás do vento”.
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