ANGÉLICA MARIA LIMA MANSANO GARCIA

Assuntos Teológicos


Os Cinco Pontos do Arminianismo em contraposição aos do Calvinismo e

Conceitos sobre Eleição de Deus na Salvação do Homem.
 


PELÁGIO

AGOSTINHO

ARMÍNIO

CALVINO

Os Cinco Pontos do Arminianismo em contraposição aos do Calvinismo e

Conceitos sobre Eleição de Deus na Salvação do Homem.


Pelágio

Monge britânico que viveu cerca de 354 a 415 d.C, a quem se atribui a declaração de que o esforço e o mérito humanos podem operar a salvação sem necessidade da graça divina. Enfrentou forte oposição de seu contemporâneo Agostinho (354-430), nascido no norte da África e considerado um dos 'Pais da Igreja'.


Agostinho (Santo Agostinho)

Agostinho (345-430), filho de mãe profundamente cristã, nasceu no norte da África.
Tinha uma vida devassa e vergonhosa, tendo se convertido à Cristo lendo Romanos 13. 13 e 14.
Posteriormente, oito anos após sua conversão, foi proclamado Bispo de Hipona, na época, uma das mais importantes cidades africanas.
É considerado um dos maiores teólogos, entre Paulo, o Apóstolo e Lutero.

Exerceu grande influência no cristianismo ocidental com esclarecimentos sobre as doutrinas da Trindade, do Pecado, da Predestinação e da Igreja.
O Agostinianismo começa com a absoluta pecaminosidade do ser humano (Depravação Total) o que o torna incapaz de corresponder com fé diante de Deus.
Dessa maneira, afirma que é Deus quem predestina (PREDESTINAÇÃO) aqueles que recebem capacitação para se arrepender e crer (e serem salvos).
Integrou à teologia as categorias de pensamento da filosofia de Platão.
 


Arminius

(James Arminius) - (1560-1609), professor de teologia e pastor holandês.
Sua morte ocasionou que seus seguidores subscrevessem sua forma de pensamento em oposição - como forma de protesto, ao sistema Reformado das Igrejas Holandesas que adotavam a Confissão de Fé Belga e o Catecismo de Hildelberg (Alemão), ambos firmemente embasados nos ensinos da Reforma.
Seu sistema teológico se opunha às visões luteranas e calvinistas a respeito da Predestinação, que ensinava que essa tinha por base a presciência de Deus, o qual sabia se um indivíduo aceitaria ou rejeitaria livremente a Cristo.
Como implicação, resultava que do mesmo modo que a Salvação era escolhida livremente (ou seja, o ser humano não é tão 'depravado' (caído pelo pecado) que não possa escolher o 'bem' espiritual - ou a Deus), também poderia ser perdida da mesma maneira (significa também que ele mesmo não tem capacidade de manter-se salvo por si mesmo, até o fim).

 

  Sua teologia se baseava em cinco pontos básicos:

 

1. LIVRE-ARBÍTRIO, OU CAPACIDADE HUMANA;

2. ELEIÇÃO CONDICIONAL;

 3. REDENÇÃO UNIVERSAL OU EXPIAÇÃO GERAL;

 4. OBRA DO ESPÍRITO SANTO SENDO LIMITADA PELA AÇÃO DO SER HUMANO; 

 5. CAIR DA GRAÇA.

 

  Arminius cria que o homem embora debilitado pela queda não era tão incapaz de escolher o bem espiritual, não era tão 'caído' pelo pecado, e poderia exercer fé em Deus de forma a receber o evangelho e assim tomar posse da salvação para si mesmo.

 

  E que Deus impunha suas mãos sobre aqueles indivíduos que Ele sabia - por ter 'antevisto'- que responderiam favoravelmente à pregação do evangelho, 'por quererem' ser salvos pela sua própria capacidade (arbítrio) e em seu estado natural caído (sem necessidade da regeneração ou ação do Espírito Santo).

  Assim, uma pessoa poderia resistir ao Espírito Santo quando Este inicia Sua obra numa pessoa querendo trazê-la a Cristo, assim, frustrando o Espírito de Deus em Seus propósitos.

 

 E uma vez tendo sido salvo, o homem poderia cair da graça e perder a salvação: se cabe ao homem tomar iniciativa por sua salvação, cabe a ele então, assumir a responsabilidade pelo resultado final.

 

 E quanto à morte de Cristo, Sua expiação foi para salvar a todos os homens, permitindo a Deus perdoar os pecadores (generalizadamente) na condição de que estes cressem (por si mesmos).

 

 (Note que, se a salvação é assim, decorrente de uma expiação universal, segue-se que a morte de Cristo seria um insucesso e fracasso totais, pois muitos morrem em pleno pecado e não alcançam a salvação).

 

 Esses cinco pontos da teologia arminiana foram apresentados ao estado holandês, e assim, convocado um Sínodo Nacional da Igreja para avaliação desse ensino à luz das Escrituras, na cidade de Dort, 1668.
Por sete meses, reuniram-se por longas e demoradas 154 sessões ao fim das quais não conseguiram harmonizar o ensino arminiano com os ensinos da Sagradas Escrituras.

 

 Assim, o Sínodo de Dort reafirmou sua posição sustentada inequivocamente pela Reforma, e pela teologia de João Calvino, e assim formulou os "Cinco Pontos do Calvinismo" (mais adiante) para fazer frente ao ensino Arminiano.
 


João Calvino

 Nascido na França (1509-1564) Calvino foi um dos grandes teólogos e estudiosos da Reforma Protestante (1517), cuja base de sua teologia sustenta-se na SOBERANIA DE DEUS e descrita nas suas Institutas da Religião Cristã.

 

 A súmula do seu pensamento se baseia, assim, em cinco pontos totalmente opostos ao que posteriormente se chamou ensino arminiano (note que quando Calvino morreu, Arminius tinha 4 anos de idade):

 

 Os Cinco Pontos do Calvinismo (cuja sigla em inglês é TULIP):

 

 1. DEPRAVAÇÃO TOTAL;

 2. ELEIÇÃO INCONDICIONAL;

 3. EXPIAÇÃO LIMITADA;

 4. GRAÇA IRRESISTÍVEL; 

 5. PERSEVERANÇA DOS SANTOS.

 

 Assim, de acordo com o ensino reformado calvinista o homem (ser humano) é totalmente incapaz de salvar a si mesmo, devido à queda no Jardim do Éden ter sido total: corpo, mente e alma (espírito).
Ou seja, o homem não vai a Cristo espontaneamente; seu pecado o afasta de Deus e ele age como Adão e Eva no paraíso: sempre 'escondendo e tremendo atrás da moita' na condição de pecador, o que implica que Deus toma atitude por ele: já no Éden Deus providenciou uma vestimenta para cobrir o casal criado, vestindo-os com pele de cordeiro; ou seja, Deus já sacrificou um animal naquela ocasião, como conseqüência do pecado ter entrado no mundo, e com ele, a morte.

 

 Se o homem não pode salvar-se, significa que Deus 'tem' que salvá-lo, e Deus ser livre para salvar a quem quer.
Deus não é obrigado a salvar ninguém, assim como não foi o causador da desobediência e pecado do ser humano; o ser humano peca livremente, apesar de ser  dotado de 'razão' e de noção entre 'certo e errado'.

 

 Assim, como os ensinos bíblicos mostram que Deus predestina e elege de antemão a quem quis, segue que a expiação de Cristo é para estes a quem o Pai determinou e elegeu para tal (Efésios 1.11-13).
De modo que, então, o Espírito Santo fará uma chamada eficaz destes a quem Deus separou para salvação.
Sendo o processo todo de Deus é lógico admitir que o final será da vitória de Deus, e estes salvos, perseverarão em júbilo eterno. (Leia Romanos 8.29, Efésios 1. 3-14, para citar algumas passagens).

 

 Dessa forma, o sacrifício de expiação de Cristo na cruz é totalmente eficaz e plenamente satisfatório, pois os que são de Cristo e estão em Cristo são salvos na sua totalidade. Essa é a misericórdia com que Deus se revela perante uma humanidade pecadora, e também revela a sua Justiça:

 

 Tanto uns quantos outros são pecadores - a uns usará de Misericórdia retribuindo com graça (favor imerecido) o que esses deveriam receber (morte por seus pecados) pelos méritos de Seu Filho Jesus, e aos outros exercerá sua Justiça retribuindo com o salário do pecado, a morte (Romanos 6.23).

 

 Usando a analogia de Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) - Pastor inglês Batista considerado "O Príncipe dos Pregadores", no seu livro "Eleição" colocaria assim a questão:

 

 Num grande presídio estão todos os condenados por seus delitos, grandes ou pequenos. A benevolência do Governador lhe agrada dar indulto de fim de ano a alguns e libertá-los. Os que ficaram e continuaram presos não têm o que reclamar, pois estão ali por merecerem tal castigo, por terem quebrado a lei, e recebendo com justiça aquilo pelo qual praticaram.

 

Assim,
- no Arminianismo o mérito pela salvação e o ‘ir’ a Cristo pertence ao ser humano, através do seu ‘livre arbítrio’;
- no Calvinismo o ser humano não tem nada do que se gloriar, exceto em Cristo (1 Corintios 1.31; 2 Corintios 10.17), pois pelos Seus méritos (seu sacrifício expiatório) é que o ser humano é salvo (Colossenses 1.14, 21; Efésios 2.1).
Por causa deste sacrifício, da obediência perfeita de Jesus a Deus até a morte, “e morte de cruz” e pela total confiança no Pai (Hebreus 12.2), aprouve a Deus que nele, Jesus, residisse toda a plenitude (Colossenses 1.19) dando-lhe “toda honra, toda glória, todo o louvor” cabíveis (Judas 25, Apocalipse 5.12), pois também que, através do seu Sumo Sacerdócio é que temos acesso ao Pai (Hebreus 4.14-16; 7.26,27; 9.24).

 

*

 

Felizmente, todos os que se aproximarem de Cristo jamais serão rejeitados, como Ele mesmo disse, e jamais poder-se-á dizer que Deus recusou um pedido de misericórdia sobre a vida de alguém. Pois Deus jamais deixará que alguém que tenha buscado a Cristo, pereça.

 

 E Deus nunca permitirá que um pecador possa alegar que buscou a Cristo e Este o rejeitou!

 

 No entanto, se buscou é porque o Espírito Santo o moveu! E se moveu, e foi, é porque é eleito de Deus!

 

 Como diz o Salvador:"Ninguém vem a mim se o Pai não o chamar."

 

 Para terminar, nada melhor que as Palavras do Senhor e Salvador Jesus:

 

 "É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus... Pai santo guarda-os em teu nome, que me deste..."

 

 "Quando estava com eles, nenhum deles se perdeu..." (João 17. 9,11,12).

 

 "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (João 6.37)

 

 (Porque) "a vontade daquele que me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia" (João 6.39)

 

 ..."Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16)

 

 "De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia".

 

 (João 6.40).


Referências Bibliografias:

Grenz, S.J; Guretzki,D;Nordling, F.C - Dicionário de Teologia.  São Paulo, Ed. Vida, 2001;

 

Seaton, W.J - Os Cinco Pontos do Calvinismo, São Paulo,  Ed. PES 1987;

 

Spurgeon, C.H – Eleição. São Paulo,  Ed. Fiel 1996

 

Bilbia Sagrada, ARA. São Paulo,  2ª Edição, Co-Edição Sociedade Bíblica do Brasil/Casa Editora Presbiteriana, 1999.
 


Dra. Angélica Maria Lima Mansano Garcia

13/06/2005

 

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