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SALVADOR DALI

     Quando se trata de Salvador Dali, qualidades (ou defeitos?!) é o que não faltam para caracterizar sua personalidade. Exibicionista, extravagante, arrogante, excêntrico, magnífico, brilhante... De quem a modéstia passava longe, bem longe; em seus 84 anos de vida nunca conseguiu passar despercebido, nem mesmo fez questão disso. “Surrealismo? Eu sou o surrealismo!”. Afirmava Dali.

      Dali era espanhol, nascido a 11 de maio de 1904, sob o signo de touro; na pequena cidade de Figueiras, numa família de classe média. Primeiro Dali sonhou ser cozinheiro, em seguida, resolveu que seria Napoleão, mas quando pintou pela primeira vez aos seis anos teve certeza do que seria.

     Aos 13 anos ingressou na escola municipal de desenho para aprender técnicas de pintura e escultura, cinco anos depois foi aceito na Escola de Pintura e Escultura da Academia de São Fernando em Madrid.

     Em 1926, foi expulso, por recusar-se a prestar o exame oral final, sobre o italiano Rafael; ele se recusou alegando que, sabia mais sobre o pintor que o próprio examinador.

    Depois de uma breve crise mental, Dali conheceu Gala, por quem se apaixonou perdidamente. Ela não era bela nem simpática ou carismática, mas foi a musa inspiradora de três homens: o poeta Paul Éluard, o pintor alemão Max Ernest e finalmente, o mestre do surrealismo Salvador Dali.

     Quando se conheceram, Gala ainda estava casada com o poeta, com quem tinha uma filha, e mantinha um romance paralelo com Ernest. Dali tinha então 25 anos e ela, 35. Foi uma paixão fulminante, fez com que Gala rompesse o casamento de 12 anos e o relacionamento extraconjugal, além de deixar a filha com os avós paternos para casar-se com Dali.

     Desde então a vida do artista passou a ser movida e inspirada pela presença de sua mulher, que foi retratada em várias pinturas, na verdade ela orientava todas as suas pinturas. Ela também foi a única mulher com quem Dali conseguia se relacionar sexualmente. Foi sua musa e mulher por 52 anos.

     No final da década de trinta, Dalí e Gala foram morar nos Estados Unidos em virtude da segunda guerra mundial. Lá teve oportunidade de usar e mostrar seu talento, despertando seu lado exibicionista; tornando-se uma supercelebridade, um showman e apareceu até mesmo em comerciais de TV. Dalí com seus bigodes arrogantemente arrebitados tornou-se uma figura conhecida por milhares de pessoas que nunca foram numa galeria de arte.

     Quando retornaram 40 anos mais tarde, estavam muito doentes. Gala morreu dois anos mais depois. Desiludido, o pintor resolveu se enclausurar em seu Castelo de Pubol, em Figueiras, de onde só saiu em 1984, depois de um incêndio que quase o matou. Os problemas de saúde agravaram-se, até que, em 23 de janeiro de 1989, o artista morreu de insuficiência cardíaca e respiratória.

 

SUA OBRA: DELÍRIOS DE INTERPRETAÇÃO

     Os primeiros trabalhos de Dali datam da segunda década do século, quando o artista não chegara nem mesmo a adolescência. Aos 18 anos, ele já somava mais de oitenta telas construídas. A primeira fase de sua carreira foi marcada pela forte influência de suas origens e seu amor pela região onde nascera, a Catalunha, na Espanha, e os primeiros trabalhos podem ser classificados com impressionistas. Essas características foram mantidas até que ele começasse a freqüentar as aulas da Academia de São Fernando, em Madrid.

     Precoce, em 1923 começou a desenvolver trabalhos cubistas, enquanto a maior parte de seus colegas iniciava pinturas com base em técnicas impressionistas. Mas o gosto pelo surreal, pelo bizarro, iria determinar uma nova e definitiva fase da carreira de Dali, que o tornaria o principal nome do movimento surrealista, mesmo tendo sido expulso do Grupo de Surrealistas de Paris em 1934.

     Foi então que Dali desenvolveu sua própria teoria da Atividade Paranóica Crítica, definida por um conhecimento irracional das coisas, um delírio de interpretação. Com isso, o artista encontrou uma forma única de enxergar o mundo a sua volta, no qual múltiplas imagens tinham apenas uma configuração.É uma sensação semelhante à que temos ao olhar fixamente pelas nuvens no céu e percebemos num ponto fixo, diferentes formas e interpretações. Era esse o exercício que Dali praticava em suas pinturas.

     Em sua obra ele foi capaz de trazer para as telas muitas de suas desilusões e alucinações paranóicas, além de reproduzir fantasias e torná-las reais com ajuda dos pincéis. Os motivos de suas pinturas se repetiam: fantasmas da morte, do erotismo, da infância, da passagem do tempo. Em 1935, o artista afirmou que “a crítica paranóica organiza de forma exclusiva as possibilidades de associação sistemática entre o significado subjetivo e objetivo do irracional“. Novamente, e com muita ironia, sua intenção era mais confundir que explicar. Dono de técnica excepcional podia dar-se ao luxo de manifestações polêmicas cujo único objetivo era chamar a atenção para seu trabalho, criando um rol extraordinário de inimigos.

     Nos anos 30 teve, talvez, sua fase mais importante, até que, no início da década de 40, foi convencido por sua mulher, Gala, de que toda a glória do surrealismo não valia mais nada. Foi quando sua obra passou a ter alguns toques clássicos, além de estar envolvida tradicionais e universais. Nos anos 50, e a partir de então, Dali desenvolveu seus princípios do Misticismo Nuclear, uma eclética combinação de todo seu trabalho artístico com influências filosóficas e pólos opostos como ciência e religião, além de psicanálise.Calcula-se que mais de 700 telas tenham sido assinadas por ele.

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