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OSCAR WILDE Frank Harris (1856-1931), um dos melhores bi�grafos de Oscar Wilde, certa vez observou: "A maior pe�a teatral de oscar Wilde foi sua pr�pria vida. Uma trag�dia em cinco atos, com implica��es gregas, da qual o pr�prio Wilde era o mais ardente espectador". Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde nasceu em Dublin, na Irlanda, em 15 de outubro de 1856. Era o segundo filho do Dr. William Wilde (1799-1869), um m�dico de reputa��o brilhante, especialista em olhos e ouvidos. A m�e de oscar era jane Francisca Speranza Elgee (1826-1896) que, durante muitos anos, animou o mais famoso sal�o liter�rio de Dublin. Em 1864, Jane publicou um volume de poemas sob o pseud�nimo de "Speranza", seguindo-se numerosos outros trabalhos sob o seu pr�prio nome. Ela tamb�m tinha grande interesse pela pol�tica, tendo escrito artigos e manifestos para The Nation, o jornal do partido "Jobem Irlanda". J� no primeiro ato da trag�dia de que fala Frank Harris, h� ind�cios do g�nio pervertido e dispersivo de Oscar Wilde. Quando ele tinha dez anos, juntou-se ao seu irm�o na Portora Royal School, e logo ficou evidente que os seus gostos e h�bitos diferiam dos outros meninos. Oscar amava a solid�o, detestava todas as formas de exerc�cio f�sico, e refugiava-se dos aspectos menos interessantes dos estudos lendo poesia e os cl�ssicos gregos. Nem por isso o seu curso foi prejudicado, pelo contr�rio, ao longo de toda a sua carreira acad�micaos seus amigos nunca deixaram de proclamar que Wilde, embora nunca parecesse estudar a s�rio, obtinha sempre distin��o em todas as mat�rias. Em outubro de 1871, Oscar ganhou uma bolsa de estudo para o Trinity College, de Dublin, onde ficou tr�s anos e ganhou diversos pr�mios, especialmente por seu aproveitamento em grego. Em 1874, ganhou outra bolsa, desta vez para o Magdalen College, na Universidade de Oxford, e ali ele passou os anos mais felizes de sua vida. Tornou-se o ap�stolo do chamado "Movimento Est�tico", que se inspirava no poeta Keats e representava uma esp�cie de rebeli�o contra os gostos da maioria e os maneirismos ent�o dominantes nas letras e nas artes. Em Oxford, Wilde era uma figura popular, muito apreciado por seu anticonvencionalismo, sua generosidade e sua conversa brilhante. � bem verdade, contudo, que os seus h�bitos efeminados e o g�nero de vida que levava irritavam um grupo de seus colegas, levando-os certa vez a praticamente demolir o apartamento que ocupava na universidade. Em 1876, Oscar visitou a It�lia, tendo sido recebido em audi�ncia pelo papa. Em 1877 foi � Gr�cia, em companhia do professor Mahaffy, um dos seus antigos tutores no Trinity College, e no ano seguinte atingiu o cl�max da fase inicial da sua carreira ao conquistar o pr�mio Newdigate pelo seu poema "Ravenna". Diletante O ato dois da trag�dia come�a com Wilde no papel de diletante, de brilhante conversador que se transformou num dos atrativos principais da sociedade de Londres, o iconoclasta que denunciava os velhos valores com ardor fan�tico. A cena muda para um epis�dio nos Estados Unidos - onde Oscar esteve em 1881 fazendo confer�ncias - e que d� bem a medida da sua irrever�ncia e da sua personalidade. Chegando a Nova York, aos 26 anos, na for�a da idade e do talento, ele foi interpelado pela alf�ndega: "O senhor n�o tem nada a declarar?" E Oscar Wilde: "Nada, sen�o o meu g�nio". A viagem foi um estrondoso sucesso, com Wilde sempre na ribalta, dominando o palco e desempenhando o seu papel com insuper�vel eleg�ncia e distin��o. Na volta � Europa, no fim daquele ano, passou tr�s meses em Paris, onde conheceu as grandes figuras da �poca, como Mallarm�, Verlaine, Zola, Paul Bourget, Victor Hugo e os pintores Degas e Pissarro. Em maio de 1884, Wilde casa-se com Constance Lloyd, filha de um rico advogado de Dublin, e passa a morar em Chelsea. Tiveram dois filhos: Cyril, nascido em 1885 e Vivian, nascida em 1886. Tornou-se editor do Woman's World, lugar que ocupou por dois anos. Nessa altura, j� havia publicado v�rias pe�as, como "A Duquesa de P�dua" e "Vera", narrativas como "O Fantasma de Canterville", "O Pr�ncipe Feliz" e outras. O Ato tr�s come�a, uma vez mais, com o brilho da sociedade de Londres e o reconhecimento de Oscar como um escritor de grande import�ncia. Os fulgurantes di�logos de "O Cr�tico como Artista", o romance "O Retrato de Dorian Gray" (1890), as pe�as "O Leque de Lady Windermere", "Salom�", "O Marido Ideal" e "A Import�ncia de Ser Honesto" - esta �ltima considerada por muitos como sua obra-prima - pertencem a esta �poca. Wilde dizia que "colocava o seu g�nio na sua maneira de viver e o seu talento no que escrevia", mas os seus contempor�neos, embora reconhecendo as suas qualidades extraordin�rias de autor teatral e conversador, j� percebiam as influ�ncias malignas que determinavam o seu comportamento e que conduziriam � sua queda ignominiosa em 1895. Os �ltimos dois atos da trag�dia nos mostram a prova��o do processo em que ele foi envolvido e condenado, em 1895, por conduta imoral e pervers�o sexual. A sua pris�o por dois anos, com trabalhos for�ados, o ostracismo em que caiu, em Londres, a deteriora��o de sua sa�de e da sua fortuna, e a sua morte, em Paris, em 30 de novembro de 1990, com 44 anos de idade. Os anos na pris�o, para um homem com a sensibilidade de Wilde, foram sombrios. No in�cio, n�o prometiam mais do que desespero. Agora o ator n�o tinha mais p�blico, mas a solid�o, aos poucos, o conduziu do amargo ressentimento � toler�ncia, ao remorso e a uma aceita��o da realidade. De Profundis A pris�o inspirou a Wilde a sua poderosa "Balada do C�rcere de Reading" (1898), um documento de profunda sinceridade e de comovente humanidade. � o artista que abre a sua alma, o esteta que proclama que a metaf�sica e a moral o interessavam muito pouco e que o pecado e o sofrimento eram belos, coisas sagradas e caminhos para se chegar � perfei��o. Eis, num r�pido retrospecto, a trag�dia existencial de Oscar, filho de Sir William e de Lady Wilde, de Dublin. Ele inventou o seu pr�prio m�todo de tornar-se famoso e o seu n�o menos individual m�todo de tornar-se infame. As gera��es que vieram depois passaram a julg�-lo com mais toler�ncia do que os seus implac�veis contempor�neos, guardi�es de uma sociedade de preconceitos e hipocrisia. Hoje somos menos interessados no que um indiv�duo faz do que em por que ele o faz. E incorporamos aos nossos julgamentos uma compreens�o mais madura e equilibrada. Oscar Wilde, por tr�s da sua fachada magn�fica, sua pose de esteta, sua irrever�ncia e aud�cia, tinha uma intelig�ncia excepcional e dotes liter�rios incomuns. Alguns cr�ticos consideram que "as com�dias divertem mas n�o comovem, que os poemas s�o aguados, os ensaios vazios, e que mesmo a famosa "Balada" revela muito artificialismo e premedita��o, comprometendo a espontaneidade da comunica��o". Mas a verdade � que a contribui��o de Wilde para a literatura do seu tempo n�o pode ser julgada assim superficialmente. Devemos considerar Oscar Wilde, pelo contr�rio, como um grande individualista rom�ntico, um mestre do epigrama, uma personalidade que marcou - talvezpara o mal - os padr�es de conduta de toda uma gera��o de intelectuais. Se � exato que, na sua mocidade, a sua sede de conhecimentos era estimulada pelo desejo de adquirir um brilho intelectual que estivesse a servi�o da sua vaidade, que nos anos adultos desejos insaci�veis corromperam a sua vontade e contribu�ram para mutilar o seu g�nio. � exato tamb�m que o sofrimento trouxe sabedoria e compreens�o, fazendo-o escrever: "N�o h� nenhuma degrada��o do corpo que eu n�o deva tentar e transformar num fator de espiritualiza��o da alma". Em seguida: "Acredito que no come�o Deus fez um mundo para cada homem separadamente e � nesse mundo dentro de n�s que devemos procurar viver". Bibliografia 1854 - Nasce em Dublin, na Irlanda, Oscar Fingall O'Flahertie Wilde. 1871 - Freq�enta o Trinity College, de Dublin. 1874 - Ganha uma bolsa de estudos e entra para o Magdalen College, de Oxford. 1876 - Publica seus primeiros poemas em revistas universit�rias. 1877 - Viaja � Gr�cia. 1878 - Conclui seus estudos e recebe o t�tulo de bacharel em Artes. 1879 - Fixa resid�ncia em Londres. Colabora em v�rios jornais e revistas. 1880 - Publica no peri�dico In the World sua primeira pe�a, Vera ou Os Niilistas. 1881 - Publica seu primeiro livro, Poemas, contendo v�rios trabalhos in�ditos e outros j� divulgados na imprensa. 1882 - Contratado para fazer uma s�rie de confer�ncias nos Estados Unidos, passa todo este ano viajando pela Am�rica do Norte. 1883 - Regressa a Londres. Visita Paris e liga-se aos c�rculos intelectuais franceses. 1884 - Casa-se com Constance Lloyd e exerce intensa atividade cr�tica. 1885 - Nasce seu primeiro filho. 1886 - Nasce seu segundo filho. O comportamento exc�ntrico e avan�ado de Wilde come�a a causar inc�modo aos meios conservadores. 1887 - Assume a dire��o da revista The Women's World. Entre ano e o de 1889 �blica alguns de seus mais famosos contos. 1891 - Aparece em livro O Retrato de Dorian Gray, que no ano anterior fora divulgado no Lippincott's Magazine. 1892 - Sua pe�a O Leque de Lady Windermere estr�ia em Londres com grande sucesso. 1893 - Outras pe�as suas s�o encenadas. O prest�gio de Wilde cresce cada vez mais. 1895 - Pouco depois da estr�ia de Um Marido Infiel e de A Import�ncia de Ser Prudente, que o confirmaram como o autor da moda, Wilde � envolvido numa das mais deplor�veis batalhas judiciais de nossa �poca, que se desenrola por todo este ano e terminaria por arruinar sua vida. Acusado de "crimes de natureza sexual" pelo Marqu�s de Queensberry, pai de Alfred Douglas, o jovem a quem estava ligado, � condenado a dois anos de pris�o com trabalhos for�ados. 1896 - Da pris�o, escreve sua conhecida carta ao Lord Douglas, o De Profundis. 1897 - Ap�s cumprir a pena, viaja para a Fran�a e adota o pseud�nimo de Sebastian Melmoth. Come�a a escrever a Balada do C�rcere de Reading, sua �ltima obra. 1900 - Morre em Paris, assistido por seu fiel amigo Robert Ross. 1