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 Vestuário - Pudor X Desejo

A moda está diretamente ligada ao comportamento humano e o vestuário é uma das mais ricas fontes de estudo da trajetória da humanidade. Ele retrata a época de uma sociedade refletindo suas necessidades, vaidades, fetiches, evolução histórica, comportamental e tecnológica.

Entende-se por vestuário um conjunto de objetos e peças de roupas que se veste, atendendo as exigências do pudor, porém o adornar-se é o uso de acessórios que satisfaçam o senso estético, a vaidade e o erótico pois o pudor não é um sentimento inato ao homem, e sim algo convencional de cada cultura de uma determinada época. (Note que em nossa cultura, atualmente, o pudor está "fora de moda").

Entre os maometanos, a que se entenda ao pudor, basta a mulher cobrir seu rosto. Na China, as mulheres acham indecente mostrar ou falar de seus pés, pois este é o maior fetiche dos chineses, os pequenos pés das mulheres os enlouquecem.

E eis algumas contradições no modo de encarar o nudismo entre ingleses e japoneses: japoneses se banham despidos, homens, mulheres e crianças juntos em termas públicas, enquanto que para os ingleses, banhos em conjunto mesmo com trajes apropriados eram proibidos até o séc. XX. E agora pasmem! O nu artístico, muito apreciado na Inglaterra era censurado no império do Sol Nascente, como indecente!

Sendo o pudor algo tão convencional e paradoxo entre uma cultura e outra, concluímos que o ornamento seja o estímulo, a sensualidade, a vaidade, a liberdade e criatividade de se destacar dos demais. Nos vestimos e nos adornamos na maioria das vezes para atrais e estimular o sexo oposto, ou o mesmo sexo, fazemos isso naturalmente, pois a sensualidade e a sexualidade são sentimentos natos do ser humano.

Adoramos saber que somos desejados, que despertamos estímulos e este não é um pensamento contemporâneo, a sexualidade sempre esteve presente na humanidade, o erótico não é uma novidade dos dias de hoje, taras e fetiches sempre fizeram parte dos hábitos dos seres humanos, vejamos alguns a seguir:

Podofilia

Um dos fetiches mais comuns, a admiração ou tesão incontrolável pelos pés. Massagear, lamber, ser pisoteado ou até se masturbar com essa parte do corpo sempre foi apreciado em diversas civilizações. Para se ter uma idéia, na China da dinastia Tang (618-960 d.C.) até a década de 30 do século passado, o poder de sedução dos pés foi tão forte que os homens não davam a menor atenção a ícones ocidentalmente festejados como bundas e seios. As chinesas só arrumavam um bom casamento se conseguissem ter pés pequenos e delicados, quase como os de um bebê.

Preocupadas em garantir um bom partido para suas filhas, as mães chinesa tinham o costume de amarrar os pés das meninas, para que permanecessem minúsculos, satisfazendo assim os fetiches de seu futuro marido. Durante o processo de crescimento muitas garotas chegavam a morrer de tanta dor. As que conseguiam chegar à vida adulta com pezinhos de anjo, além de arrumar um bom partido, proporcionavam aos seus digníssimos esposos as mais delirantes noites de luxúria. Não havia ato erótico mais orgásmico para os chineses que desenfaixar os pés atrofiados de suas mulheres.
Apesar do enfaixamento ser extremamente doloroso, o costume permaneceu em uso por mais de mil anos, só sendo abolido com a invasão da China pelos japoneses em 1937.

Cintura de Vespa

No século XIX, não havia nada mais sexy do que uma mulher com corpo em formato de ampulheta. Na Europa, a ordem era apertar os espartilhos e deixar a cintura tão fina a ponto de caber entre os dez dedos de um homem. Para conseguir um "cintura de vespa" e atrair os olhares do machos da época, as mulheres não mediam esforços. Não eram raros os casos de perfuração de órgãos, quebra de costelas e até morte.
Em 1859, um jornal parisiense relatou o seguinte fato: "Uma jovem mulher, da qual todas as rivais admiravam a cintura fina, morreu dois dias após o baile. A família quis saber a causa dessa morte súbita, em tão tenra idade e decidiu praticar a autópsia. O resultado foi surpreendente: o fígado havia sido perfurado por três costelas!". Apesar do perigo, as mulheres usaram espartilhos de 1870 até 1914, quando os homens, finalmente cansados dos corpos torturados, passaram a ridicularizar as mais exageradas.

 

 

Cinto de Castidade

Durante a idade média, o cinto de castidade, além de uma forma de evitar traições, era também um grande fetiche. Ter em mãos as chaves de um cinto era sinal de poder e estimulava muitas fantasias sádicas. Enquanto os homens partiam para as Cruzadas, as mulheres ficavam trancadas em corpetes de ferro e as chaves eram confinadas a guardiões de idade avançada. Como já naquela época o proibido era mais gostoso, esses velhos eram subornados e acabavam proporcionando noites ardentes entre mulheres casadas e jovens ansiosos em iniciar a vida sexual. Ao voltar, os maridos nem desconfiavam da traição, certos de que o torturante cinto de castidade havia garantido sua exclusividade e o respeito dos súditos.

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