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BELA LUGOSI

O ator mais identificado pela opinião pública com a imagem de Dracula e o vampiro, nasceu Bela Blasko em 20 de outubro de 1882, em Lugos, Hungria. Quando de seu nascimento, Lugos era parte do Império Austro-Húngaro e estava localizado cerca de 80 quilômetros da Transilvânia. Lugosi estudou na escola local.

Era ainda bastante jovem quando uma companhia teatral ambulante chegou a Lugos. Ele decidiu entrar para uma profissão que lhe proporcionasse uma vida inteira no palco. Começou a escrever e a promover produções teatrais amadoras e em 1893 saiu da escola de vez. também saiu de casa procurando um emprego como ator, não encontrando nenhum, conseguiu vários empregos como trabalhador nas minas, numa fábrica e numa ferrovia. Quando teve a oportunidade de representar, suas primeiras experiências foram negativas. Sua falta de instrução fazia com que parecesse um tolo. Começou então um programa de auto-instrução e leu de forma voraz.

Seu primeiro papel formal no palco foi como o Conde Konigsegg na peça "Ocskay Brigaderos", em 1902. No ano seguinte representou Gecko, empregado de Svengali na peça "Trilby", seu primeiro papel numa produção de horror. Durante aquele tempo tentou uma série de nomes artísticos, mas se decidiu finalmente por Lugosi, que significa "o que veio de Lugos". Em 1910 atuou em "Romeu e Julieta", tendo recebido boas críticas, partindo então para se tornar um ator regular nos palcos húngaros. Em 1911 transferiu-se para Budapeste para trabalhar no Hungarian Royal Theatre e dois anos mais tarde ingressou no National Theatre de Budapeste, embora seu salário tivesse aumentado, o jovem ator não recebeu nenhum papel de destaque.

A carreira de Lugosi foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial. Retornou ao teatro em 1917 e naquele mesmo ano arriscou sua  carreira aceitando um emprego com a Star Film Company e apareceu no seu primeiro filme, "The Leopard". Para o filme, adotou um novo nome artístico, Arisztid Olt. Seu segundo papel foi em "Az Elet Kiralya", baseado em "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde. Estrelou em vários filmes até que o caos após o fim da guerra forçou-o a deixar a Hungria. Estabeleceu-se na Alemanha, onde apareceu em diversos filmes, incluindo "Sklaven Fremdes Willens" e "Der Januskopf" (baseado em Dr. Jekyll e Mr. Hyde). Havia uma tendência de colocar Lugosi no papel de vilão, embora seu último papel tenha sido o de um romântico em "Der Tanz alf dem Vulkan".

Banido da Hungria por causa de suas posições políticas, decidiu emigrar para os Estados Unidos em 1920. Escapou por pouco da morte quando sua identidade foi descoberta por membros húngaros da tripulação no navio em que atravessou o Atlântico. Embora estrangeiro ilegal, foi-lhe dado asilo político e permissão para trabalhar. Organizou uma companhia teatral com repertório húngaro que representava para a comunidade húngaro-americana. Conseguiu uma abertura em 1922 quando lhe foi oferecido um papel em "The Red Poppy", se pudesse decorar o papel. Sem falar inglês, não obstante, memorizou o texto e estreou para sua primeira platéia de língua inglesa em dezembro de 1922 no Greenwich Village Theatre. Lugosi recebeu críticas melhores que as da peça, que ficou apenas seis semanas em cartaz na Broadway antes de fechar. "The Red Poppy" levou Lugosi ao seu primeiro filme em Hollywood como o vilão em "The Silent Command" (1923), um filme de espionagem.

Sem poder obter outros papéis em Hollywood, a despeito das críticas positivas, Lugosi voltou para New York e fez diversos outros filmes. Também apareceu em diversas peças e conseguiu voltar à Broadway por pouco tempo em "Arabesque". Os eventos que mudariam sua carreira e sua vida para sempre ocorreram em 1927. naquele ano, a versão de Hamilton Deane da peça "Dracula" estreou em Londres. O produtor Horace Liveright percebeu possibilidades para a peça nos Estados Unidos e negociou a compra dos direitos. Tinha também contratado John L. Balderston para revisar o roteiro por completo. O diretor John D. Williams, familiarizado com o trabalho de Lugosi em outras peças, colocou-o no papel-título. Lugosi encaixou-se no papel que Balderston tinha criado como se tivesse sido feito sob medida para ele. Seu rosto, especialmente os olhos e o movimento das mãos, e seu sotaque húngaro, contribuíram muito para o sucesso da peça, que estreou em 2 de outubro de 1927 no Fulton Theatre. Ficou em cartaz quarenta semanas na Broadway, após o que várias companhias excursionaram com a peça.

Lugosi continuou com seu papel na produção de "Dracula" na costa oeste. De volta ao sul da Califórnia, conseguiu várias pontas em filmes. Em 1929, um ano importante, fez sua estréia no cinema sonoro com "Prisoners" e trabalhou com o diretor Tod Browning em "The Thirteenth Chair". Em 1930, a Universal Pictures comprou os direitos de "Dracula". A companhia usou Lugosi para negociar um acordo com a viúva de Bram Stoker. Ficou um tanto insultado por não ter sido escolhido imediatamente para o papel. Pelo contrário, Lugosi estava entre cinco atores em consideração para o papel. Browning queria Lon Chaney, mas esse morreu logo depois que a Universal terminou suas negociações com Florence Stoker. Lugosi foi finalmente contratado por US$ 500 por semana. Sua tarefa mais difícil foi adaptar a parte que ele tinha executado centenas de vezes no palco para a mídia do cinema.

"Dracula" estreou em 14 de fevereiro de 1931 e se tornou um sucesso inesperado. O filme influenciaria todos os filmes de vampiro produzidos após aquela data e o Dracula de Lugosi se tornaria o padrão pelos quais todos os vampiros posteriores seriam julgados. Lugosi se tornou astro, com 97% de sua correspondência de fãs enviada por mulheres. Reagiu a isso sugerindo que gerações de sujeição tinham dado às mulheres um interesse masoquista, um prazer do sofrimento experimentado na tela por outras pessoas.

Depois de Dracula, Lugosi representou um místico oriental num filme de Charlie Chan, "The Black Camel" e em seguida começou as filmagens de "Frankenstein". O monstro provou ser um papel não-adequado para ele, portanto, foi substituído por Boris Karloff. No lugar desse filme, Lugosi estrelou "Murders in the Rue Morgue",  que ele representou bem como cientista louco. Saiu da Universal em 1932 para filmar "White Zombies", no qual fez o papel de um feiticeiro, retornando em seguida ao palco em Los Angeles numa peça de horror, "Murdered Alive". A essa altura, já tinha sido atacado pelo castigo de ator, a estereotipagem. Os estúdio lhe ofereciam continuamente papéis para levar terror às platéias.

Em 1933 Lugosi voltou a New York para uma breve (e última) aparição na Broadway como o vilão na peça "Murder of the Vanities". Da Broadway foi para uma companhia de vaudeville excursionante na qual fez o papel em "Dracula". Retornava periodicamente ao papel na equipe teatral fixa de verão sempre que seu trabalho cinematográfico não estivesse sobrecarregado. Em 1934 fez um de seus melhore filmes, quando a Universal o juntou com Boris Karloff em "The Black Cat". No final daquele ano Lugosi e Browning se transferiram para a MGM para se juntarem novamente em "Mark of the Vampire". Lugosi fez o papel de Conde Mora na refilmagem da versão muda de Browning, "London After Midnight". Durante o resto da década e no início dos anos 40 Lugosi atuou em uma série de filmes de horror e apareceu como vilão em filmes de mistério. Desses, sua parceria com Boris Karloff e basil Rathbone em "Son of Frankenstein" (1939) é possivelmente o mais memorável. A publicidade para o filme "The Devil Bat" (1941), um filme de mistério rotineiro, fez uso da identificação de Lugosi com o vampiro em sua propaganda.

Durante o início dos anos 40 Lugosi fez cerca de cinco filmes por ano, a grande maioria como vilão ou em papéis de monstro. Fez um papel do tipo Dracula na comédia "Spooks Run Wild" (1941) e finalmente representou Frankenstein em "Frankenstein Versus the Wolfman" (1943). Fez seu primeiro e genuíno papel de vampiro desde "Dracula" no filme da Columbia Pictures "Return of the Vampire" (1944). Lugosi foi escalado como Armand Tesla, um vampiro quase idêntico a Dracula e, como seria de se esperar, a Universal processou a Columbia por infringir seus direitos.

Em 1948Lugosi voltou à Universal para o seu próximo papel de vampiro. Estando o tema de horror quase esgotado, como pensavam muitas pessoas na Universal, surgiu a idéia de reunir os principais monstros com os artistas cômicos do estúdio, Bud Abbott e Lou Costello, para uma farsa de monstro. Lugosi recriou seu papel de Dracula em "Abbott and Costello Meet Frankenstein". Representou o papel com a maior dignidade e deve ter gostado de seu desempenho, pois repetiu a dose para o show de Abbott e Costello na televisão em 1950.

A decadência dos filmes de horror deixou Lugosi desempregado. Fez um pouco de televisão e em 1950 começou a se apresentar pessoalmente nos cinemas mostrando seus velhos filmes de horror. Em 1951 viajou para a Inglaterra para uma nova produção de Dracula, mas a peça foi um fracasso e ele se viu sem dinheiro para voltar para os Estados unidos. Um amigo providenciou para que ele fizesse seu próximo filme, "Old Mother Riley Meets the Vampire" (também conhecido como "My Son the Vampire"), lançado em 1952.

O retorno de Lugosi aos Estados Unidos não foi espetacular. Sua habilidade em obter papéis era muito limitada e uma decadência o colocou num programa de reabilitação de drogados em 1955. Lugosi fez alguns filmes adicionais e em 1956 foi contratado pelo diretor Edward Wood Jr. para fazer o papel de vampiro em seu filme "Plan 9 from Outer Space". Ele e Vampira deveriam representar um casal de vampiros retirados do túmulo por alienígenas extraterrestres. Uma semana após o início das filmagens, em 16 de agosto de 1956, Bela Lugosi morreu. Outro ator, fazendo cenas com a capa do vampiro escondendo o rosto, preencheu o filme no lugar de Lugosi até o final. "Plan 9" é reconhecido como um dos piores filmes de todos os tempos, mas tem um substancial número de admiradores.

Os últimos anos de Lugosi foram de solidão e abandono pela indústria para a qual tinha trabalhado tanto. Não viveu para ver a aclamação de uma nova geração de fãs, apreciadores do gênero de horror que compreendiam a contribuição que Lugosi tinha dado. Somente na última geração, com o reavivamento dos filmes de horror em geral e dos filmes de vampiro em particular, é que o impacto de Lugosi tem sido compreendido.

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