Edições Pôr-do-Sol
Angela Lara

 

 

Meu Senhor
Angela Lara


Ninguém nunca será como ele, neste planeta de absurdos.
Um espião de matas, um navegador cósmico,
Uma bebida que não embriaga, mas consome e me come,
Antes que eu adormeça.

Há um quê que o separa do real.
Enquanto toco o teu rosto que eu ainda lembro,
Respiro a falta de argumentos que me põe em pé
E faz das manhãs, um pesadelo ilícito, mas que motiva.
Ele nada em meu oceano nem um pouco pacífico.
Minha liberdade o escraviza, mas eu o percebo de longe.
Ninguém terá este desligamento irreversível,
Que reverto pra mim.
É um espelho, às vezes quebrado, colado com fita durex, estilo Bukovski.
Este é meu cenário predileto: "As escavações no palco".

As noites que eu não durmo e visito todos os bares,
Num sentimento de culpa,
Outro de perdão.
Ninguém nunca mais me levará a loucura mais doce do sofrimento, esta condição é visceral e absoluta.
Todos os nossos momentos estão crucificados em mim e eu aceito.
Meu Senhor, tenho mais mistérios do que a natureza,
O meu motivo de amor tem mais ou menos um milhão de anos-luz
E eu te amo infielmente, pra que sejas eterno enquanto eu viva.

 



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