Não se encontra nos registos ou nos livros disponíveis sobre a ilha o estudo mais aprofundado acerca das estruturas tradicionais de Timor-Leste. Deve-se notar algum registo acerca do (LIURAI) D. Boaventura que liderou a revolta de Manufahi, (LIURAI) D. Jeremias de Luka que não aceita receber ordem do governador e os feitos do (LIURAI) D. Aleixo Corte Real no tempo da ocupação japonesa.
O LIURAI é a figura que aparece com muita frequência nos livros sobre Timor quando o assunto a tratar é sobre a estrutura tradicional. Fala-se muito pouco sobre os DATU’s, os ASU’UAIN, KATUAS ou outros como LIA-NAIN. Estes assuntos relega-se muitas vezes para o plano antropológico. A questão que se coloca é saber como uma estrutura monocéfalo liderado por um LIURAI se organiza, sem interferência das forças exógenas? Para a compreender temos que reconstituir, no imaginário, a forma como uma sociedade tradicional se organiza no seu dia-a-dia.
A realidade social e política timorense está, segundo Luís Costa, estruturada num sistema com características democráticas, em que o chefe eleito, neste caso o LIURAI, tem o poder limitado pelo consenso geral dos velhos – KATUAS – e normalmente, sem possibilidade de sucessão hereditária. Enquanto a influência europeia se não se faz sentir, a organização timorense estruturava-se num feudalismo primitivo chefiado por um LIURAI.
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