| VOLTAR |
| Vulto na Ponte |
| No sub�rbio pobre da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, existe uma vila de miser�veis que se formou ao longo da linha do trem. Essa comunidade vive em condi��es bizarras ocupando ilegalmente um terreno da prefeitura. Um amontoado de casebres foram constru�dos no fundo de pequena ravina que � cortada pela linha f�rrea. Assim sendo, as casas ficam espremidas entre as paredes do terreno e a linha. � impressionante ver um trem de 4 locomotivas e centenas de vag�es de min�rio passar � 1 metro das portas das casas. Obviamente, dezenas de acidentes envolvendo principalmente crian�as, j� marcaram de sangue as paredes dos barracos. Num epis�dio documentado pela TV local, v�-se um carro da prefeitura -que havia ido at� a vila para prestar alguma assist�ncia humanit�ria-, dar marcha r� desesperadamente pela via principal da vila para n�o ser esmagado pelo mostro de metal que apitava freneticamente. Mas por mais estranho que seja para a grande parte da popula��o morar num lugar t�o insalubre, as pessoas do local se recusam a sair de onde foram enterrados seus mortos. Uma dessas pessoas, conhecida como Dona Chepa, viu sua filha Matilde e seu neto serem literalmente partidos no meio depois de terem sido atropelados pelo trem. Ao se preparar para sair de casa, Matilde e seu filho (um beb� colo) ouviram o barulho do trem se aproximando. N�o disposta � esperar alguns minutos para atravessar a vila, decidiu sair correndo com a crian�a no colo. Uma tentativa est�pida que acabou se transformando em trag�dia ao trope�ar no pano de ch�o que estava na porta, fazendo m�e e filho a ca�rem exatamente no meio o trilho. Dona Chepa, que estava na cozinha, viu tudo e ficou louca depois do acidente e passou a viver da caridade dos vizinhos. N�o tendo pra onde ir e se recusando a ir para qualquer institui��o de assist�ncia, a velha anci� que ficara com a sa�de f�sica tamb�m muito debilitada, acabou por ter o mesmo fim da filha e do neto na linha f�rrea numa sexta feira noite, durante o ver�o. N�o se sabe at� hoje se foi mais algum infeliz acidente ou se foi suic�dio. Mas essa hist�ria de morte e tristeza acabou alimentando mais um daqueles casos folcl�ricos caracter�sticos das comunidades mais simples. Dizem que toda sexta feira � noite, durante o ver�o, na ponte f�rrea que fica logo ap�s a ravina, um vulto de uma velha senhora fica sentado cantando uma triste ladainha at� a chegada infal�vel do trem. Hist�ria retirada do folclore da regi�o citada . |