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Reflexão
sobre Vizinhanças |
| Fernando
Muratori |
O homem é um ser social. Fato facilmente perceptível no hábito de se
aglomerar. Em Teresina, cresce o n° de condomínios cada vez mais, com
apartamentos apertadinhos e caríssimos. Ou seja, nossa cidade está crescendo.
E com isso, ganhando algumas características de metrópole. Por exemplo: a
maioria dos moradores de condomínios não conhece seus vizinhos ou só fala com
eles para reclamar do barulho ou do cheiro de seus apartamentos. Quando se
encontram na porta ignoram um ao outro, ou cumprimentam-se com formalidade
executiva.
Por outro lado, em comunidades mais pobres, as pessoas conhecem seus
vizinhos e, freqüentemente são amigos. Isso porque o dinheiro afasta as
pessoas. Isso mesmo: o dinheiro! Ele aumenta os muros de nossas casas, põe
cercas elétricas, nos dá aparelhos de som, televisão de “videogame”,
computador, etc., produzindo um resultado altamente solitário.
Podemos observar que indivíduos de classe média e alta sofrem muito
mais de solidão. E é impressionante como podemos conhecer pessoas
(pessoalmente ou pela internet) que moram do outro lado da cidade, mas não
sabemos sequer o nome de quem mora ao lado. E, curiosamente, este último é quem poderia
nos socorrer numa emergência, tipo taquicardia.
A melhor forma, portanto, de se livrar da frieza de nossas vizinhanças
é passar por nossos cães raivosos, atravessar as muralhas de nossas próprias
casas e fazer algo que é muito pouco presente em nosso dia-a-dia: conversar com
nossos vizinhos. Caso contrário, em caso de enfarte, corremos o risco de morrer
de solidão.
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