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Obesidade Uma doença que Mata!

 Como o cérebro pode ajudar a emagrecer

“Cientistas de Harvard, entre eles um brasileiro, descobriram quais são os genes que produzem as proteínas que estimulam a queima de caloria.”
Carolina, de 20 anos, passa o dia inteiro comendo besteira. E não engorda. Enquanto isso, sua irmã, Daniela, de 28, passa o dia todo tentando evitar a tentação. E engorda só de olhar a irmã comer. "É um absurdo, ela come sem parar e continua magra do mesmo jeito", afirma Daniela Mangini. "E eu tento me controlar, mas acabo engordando por ela mesmo comendo bem menos."

O problema de Daniela, no entanto, pode estar perto do fim. Cientistas da Faculdade de Medicina de Harvard conseguiram desvendar como funciona o mecanismo do cérebro que decide que parte da comida será transformada em gordura e qual irá virar calor. "Quando você ingere alimentos, o cérebro percebe que há calorias chegando", explica um dos autores do estudo publicado na Revista Science, o fisiologista brasileiro Antonio Bianco, que é diretor de pesquisas da Divisão de Tireóide do Brigham and Women's Hospital, em Boston. "É então que o hipotálamo - uma pequena estrutura que fica na base do cérebro - decide se vai guardar essas calorias em forma de gordura no corpo ou se vai jogá-la fora na forma do calor."

Assim, uma parte dos obesos não consegue perder peso porque o corpo guarda mais calorias do que necessário. "Cada organismo funciona de uma maneira.

Não há uma regra: vamos guardar 30% e queimar o resto", afirma Bianco. "Essa porcentagem varia muito e não sabemos por que alguns obesos guardam muita gordura."

Mas a equipe de Bianco já sabe como esse processo de guardar a caloria ou jogá-la fora funciona. "Descobrimos como ocorre cada etapa e quais são os genes que produzem as proteínas que estimulam a queima das calorias."

Na pesquisa, o grupo de Harvard criou camundongos que não respondem ao hipotálamo e, portanto, engordam demais. "Nesses camundongos, três genes que possuem a proteína que estimula ou não a queima de calorias foram desativados e, quando damos a mesma quantidade de comida dos camundongos nomais, eles engordam mais", diz. "Provamos que os genes são muito importantes para que os tecidos possam responder ao comando cerebral e queimar as calorias. Os resultados são animadores porque conseguimos definir esses genes e é muito improvável que o funcionamento deles nos camundongos seja diferente no ser humano."

Sabendo quais os genes, os cientistas têm certeza de que não há outro caminho para que o cérebro queime calorias. "Isso vai impulsionar a indústra farmacêutica a pesquisar substâncias que estimulem as proteínas desses genes a queimar mais calorias do que guardar. Antes, não se sabia quais eram os genes e se havia caminho diferente para o hipotálamo estimular a produção de calor. Agora, as empresas sabem que podem apostar em um novo remédio."

O fisiologista afirma que já há pesquisas de grupos farmacêuticos em busca dessa nova substância. "É claro que uma disfunção no hipotálamo não é a única causa da obesidade e nem temos como saber se um paciente apresenta esse problema porque não há exames para isso", diz Bianco. "Mas mesmo que o problema do obeso não esteja na falta das proteínas codificadas por esses genes, ele irá emagrecer porque estará jogando mais caloria fora com um novo remédio."

O fisiologista também lembra que não se pode sonhar com uma substância que só elimine as calorias. "Não se pode jogar tudo fora. O organismo tem de guardar energia para dormir, para os períodos de jejum. A reserva também é muito importante. O que queremos é apenas que ela não ocorra em excesso."

O chefe da disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo, Antônio Roberto Chacra, tem certeza de que um dos caminhos para o tratamento da obesidade seja esse. "Já tínhamos conhecimento de que havia um mecanismo no cérebro que queimava as calorias, mas não sabíamos como ele funcionava", afirma. "Quando começamos a entender melhor os mecanismos de uma doença, damos um grande passo para o desenvolvimento de novas drogas."

 

(DANIELA TÓFOLI - Fonte: Jornal da Tarde)

 

 

 

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