Dentro do terceiro, que era de ouro, estava a múmia de Tutankhamon. Sobre o caixão havia uma coroa de flores que ainda conservava todo seu colorido, jóias fantásticas, estátuas, peitorais e amuletos de ouro, pérolas, espelhos de prata, anéis e colares com pingentes de ouro na forma de flores de lótus.
Entre os muitos móveis luxuosos havia camas, cadeiras, bancos, mesas retiradas do palácio, o maravilhoso trono de ouro de Tutankhamon, vasos de alabastro, ceptros, arcos e flechas, leques de plumas de avestruz, um painel que era o retrato do jovem rei e da sua rainha com o símbolo de Áton e uma taça e uma lâmpada a óleo, de alabastro.

As paredes e os tectos do túmulo eram revestidos de cenas religiosas, pinturas representativas de alguns dos deuses, como por exemplo a de Osíris.

Ao entrar na câmara mortuária, os explo-radores notaram a existência de outra sala que foi nomeada "sala do tesouro". À porta desta sala, voltado para a câmara, havia uma estátua do deus Anúbis sob a forma de um chacal negro. Estava deitado sobre um cofre a olhar para os intrusos. Entre as patas de Anúbis, encontrava-se uma pequena paleta

de escriba com o nome da princesa Meritaton (sobrinha e cunhada de Tutankhamon, filha de Akhenaton e Nefertiti).

No interior do cofre havia uma série de objectos de culto funerário: escaravelhos, um peitoral, amuletos e simulacros de oferendas. Atrás do cofre, uma cabeça de vaca evocava a deusa Háthor. Tinha chifres feitos de cobre. Por trás dessa imagem, três copos de alabastro continham restos de substâncias que haviam sido utilizadas nos rituais de sepultamento. Mas os verdadeiros tesouros desta sala eram as vísceras do rei. Por trás de todos os objectos anteriormente descritos, havia um tabernáculo de madeira chapeada de ouro, colocado sobre um trenó, que era guardado por quatro imagens divinas: Ísis, Néphtis, Neith e Selket. As quatro deusas estendiam os seus braços contra o cofre num gesto de protecção. Dentro do tabernáculo havia um outro cofre, feito de alabastro finamente esculpido. As deusas, agora, apareciam nos cantos do cofre, com o mesmo gesto protector. Dentro do cofre, em quatro divisões, estavam os quatro vasos canopos do rei. Também eram de alabastro e as suas tampas mostravam o rosto do faraó ao invés dos rostos dos quatro filhos de Hórus. Nos vasos, quatro pequenos ataúdes mumiformes acondicionavam as vísceras mumificadas de Tutankhamon.

Curiosamente, o sarcófago que contém a múmia de Tutankhamon é o único a ser mantido nos dias de hoje no seu exacto local de origem, ou seja, a sua própria tumba no Vale dos Reis!
1285 quilos do mais puro ouro e pedras preciosas não repousam num museu, como seria de se esperar. Superstição, ou não, o facto é que as dezenas de mortes e também os inexplicáveis "acidentes" que atingiram as mais variadas personalidades ligadas à descoberta da Tumba de Tutankhamon e que chegaram a vitimar algumas autoridades egípcias levaram o governo, desde a década de 80, a mantê-la fechada ao público.

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