| VAMOS COMEÇAR? - dia 06/08 |
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| Olá amigas e amigos, Maio é o mês das noivas, junho é das quadrilhas, julho é férias, agosto é o quê?? Para nós, será o mês em que terminará o ciclo Naiara. Nesta semana, para ser exata. E começamos a semana com uma jovem mulher de chapéu de sol e óculos escuros soltando os cabelos ao vento no convés de uma balsa de passageiros que se aproxima do micro-porto de uma ilha. É fim de semana, o barco cheio de turistas, o piloto dá ordens, cordas voam ao cais, guias atacam com ofertas de passeios. A jovem confere as duas sacolas, saca um espelhinho confere cabelos e make-up. Quem é ela? Maria Teresa, a Têtê, saiu de canudo debaixo do braço de psicologias de faculdade há oito anos, enfurnou-se em mestrados, mas sempre se considerou avançada, não-convencional e sem-preconceitos, como ela mesma dizia. Das suas muitas pacientes lembrava muito de uma, que resolvera morar numa ilha, chamada Naiara. Deu vontade de visitar, pegou ônibus e barco e foi. No caminho o barco passou por um bote a motor. Ela notou o marinheiro negro, sem nada da cintura para cima, músculos ao sol, black is beautiful. O bote cheio de depósitos de isopor com gelo. Admirou para que tanto gelo, admirou mais ainda os músculos do rapaz. O barco muito mais rápido deixou o bote para trás pelas ondas macias. Não poderia saber que o nome dela era Mariano. Quem lembra do começo do ciclo Naiara? Um homem e uma mulher que não se conhecem. Qual o eixo da história desta semana? a) quero muitos casais, mesmo ambiente, tipo sessão love-in; Beijos, Beatriz Eu acho que a novelinha devia continuar assim... |
| PRIMEIRO CAPÍTULO - dia 07/08 |
| Teresa não lia, comia livros. Onívora, devorava dois ou mais ao mesmo tempo. Para a ilha sentia que estava em busca, assim trouxera a Busca do Tempo Perdido, de um francês chamado Marcel, ou Marcelo Proust. E misturou com “O Amante de Lady Chatterley”, de um inglês desadaptado ao mundo chamado Lawrence. O amor como lembrança, dizia o primeiro, madeleines e tudo. O sexo como salvação, dizia o segundo. Pulou do barco e dessas elucubrações, mala-e-frasqueira na mão. O porto - recordação do tempo em que a ilha era prisão, ou sofrimento. Óculos escuros e chapéu de sol, sentiu-se gringa chegando em país colonizado. E como estrangeira, pediu informação a uma mulher na venda. Péssima informação. A kombi para as bandas da Ferradura já partira. Agora era se arrastar por seis quilômetros com peso. Ou... Mariano!, a mulher gritou. Comunicação energética. Mariano veio, vinte anos reais e presumíveis, vinte centímetros mais alto que Teresa, bermuda branca de marinheiro. A mulher negociou a carona pelos dois. Ele ia mesmo para a praia da ferradura, podia levar passageira. Ele abriu sorriso como quem diz É uma honra, recusou quaisquer cédulas que Teresa pensou em lhe oferecer. A mulher da venda fechou: É um bom menino. Meia dúzia de minutos depois o tup-tup da lancha a motor balançava sobre as ondinhas macias de um palmo. - Você teve sorte, o mar está ótimo. E pouco falou além disso. Abriu os dentes muitos brancos ao falar. Sotaque autêntico e fabricação original de Madureira, com pitadas de Campinho e um discreto molho de Padre Miguel, a Zona Norte carioca falava todinha por ele. Teresa se divertiu ao comparar com os seus seteinta e duzeintos tipicíssimos do Bixiga. Olhava a Serra do Mar, segurava o chapéu. O rapaz tinha aquele jeito de ser simpático mesmo sem discursos. Ela nem soube por que disse Se eu cair na água... - Eu lhe pegaria – disse ele. E disse calmo, como quem toma leite quente e faria o que diz. Ela nem soube por que se sentiu seguríssima naquele barquinho com alguém que trinta minutos atrás não existia. Chegaram a uma linha de plásticos azuis, ondulando pelas águas. Ele explicou. Cada bóia era uma corda, os mexilhões se agarravam nelas. Mês a mês ele vinha colher. - Como você vai... – e antes que ela chegasse à metade da frase ele já estava a dois metros de profundidade, tendo num milésimo tirado a camisa e mergulhado. E sumiu, sem barulhos, nada. Ela esperou. Quase teve um aperto no coração, teve aperto. Três gaivotas passaram exatamente acima, as ondas de um palminho de altura continuavam como se nunca um marinheiro chamado Mariano tivesse existido. Ela chegou a pensar que ele fora um sonho. Quando atrás dela ouviu um Oi, as ostrinhas comeram muito esse mês! Cresceram – e aliviada viu os dentes brancos e a mão se agarrando à lateral do barco, duas cordas de mariscos nas mãos. Meia dúzia de mergulhos depois ela via os músculos fortes e negros das costas se movendo ao arrumar as fieiras nos depósitos de gelo. Sentiu-se à vontade:- Não tem medo dos perigos do mar? Ele se voltou, os dentes brancos: - Não tem medo dos perigos da terra? Ela sorriu. Realmente, o trânsito, a confusão, etc. Muito mais arriscada era vida dela. O barco retomou o tup-tup, a faixa de areia de uma pequenina praia se aproximava rápida. Ela ficou mais à vontade ainda: - E os teus amores em terra? Ele sorriu de novo. - Que amores? João Solitário! Foi a vez dela sorrir. Ele lhe partiu o sorriso ao meio, apontou uns peixinhos que tinham vindo com a fieira e que pulavam no fundo do barco. Ela gritou: - Vamos salvar! E com a mão em concha pegou uma manjubinha, como ele falou. Ele trouxe água do mar e a colocou na mão dela. O peixinho de dois centímetros começou a nadar no mar formado pelas mãos de Teresa. - Tão lindo! – disse ela – E quer nadar, viver! Mariano sorriu, ela fez menção de jogar o peixinho no mar, mas ele pegou suas mãos e as baixou com carinho para as águas. O peixinho, livre, foi embora. Mãos nas mãos, Teresa olhou nos olhos do rapaz, e fechou os olhos e avançou lábios e língua e só pensou quando suas bocas se beijavam como se sempre tivessem se beijado assim. [Amigas e amigos, para quem gosta de pouco romantismo e muita ação, confesso que hoje foi um dia péssimo. Agradeço a quem comentou na semana passada. Ricardo, Karen (Fada), Casal, Run, e a quem leu o relatinho de minha infância. Agora, continua o romantismo, amanhã quarta, ou queremos algo mais pesado? a) romantismo, romantismo! No que vai dar essa história de
amor?? Beijos, Beatriz] Eu acho que a novelinha devia continuar assim... |
| Votos e comentários [Comentário de um cavalheiro] Eitxaaa Extremamente romântico, mas q nessa hora nada de bju, sabe akelas cenas bem cômicas, onde a mulher decidida da cidade encontra com o caipirão, q demora a agir por respeito, vi essa cena qndo a Tetê ficou a imaginar o bju com o Mariano. Mas é bom mesmo, Maiano deixa Tetê na praia, e sabe lá q ela vai visitar a Naiara. Amiga tbm dele... Melhor seria um atake de ciúmes de Naiara ao ver sua psicológoca com um de seus súditos... Aí tem coisa melhor, pitada de romantismo com ciúme e depois muito prazer, por enquanto resguardo-me apenas com esses cometários, os prazerosos deixo a disposição de vcs. |
| SEGUNDO CAPÍTULO - dia 08/08 |
| Teresa e Mariano tossiram, olharam lados, de desentendidos se fizeram. Falaram de marés e lua, e em meia dúzia de minutos ela acenava na areia, segurando o chapéu, ele sorrindo, o motor fazendo tup-tup a se afastar. Teresa pegou mala e frasqueira, era a praia da casa de sua antiga paciente. Naiara a recebeu com entusiasmo, mas diferente, sem que Teresa soubesse exato a diferença. Em pouco fora apresentada ao sobrinho, um garoto alto chamado Danilo, e a um adolescente de cabelo negro dessas de fechar o trânsito chamada Raeka. E a uma alegre comunidade de moças na praia vizinha que achavam que o futuro era das mulheres. Lembrou de suas idéias sobre si mesma, de aspas ser moderna e sem preconceitos aspas, e de se imaginar dançando uma música lentíssima com outra mulher, as duas jovens e românticas, e vestindo apenas delicados perfumes e brinquinhos de prata. Não fizera nada disso, mas fora curiosa. Contra todos os códigos de ética, imaginara a sua companheira de dança como sendo sua antiga paciente, Naiara, sua decisão, sua simpatia e suas pernas nas bermudas curtinhas esfiapadas com as quais ia às sessões. Lembrava disso e sorria. Dias seguintes na beira do mar procurava algo e não sabia o que era. Na verdade sabia muito bem. Apurava ouvidos, fez-se crer que ouvia, ouvia na verdade. Era o tup-tup que parecia já velho conhecido. O barquinho zanzava pela baía atrás de filas de pontinhos azuis, ela acompanhava com olhar macio. Acenou para ele meia dúzia de vezes, em uma ele respondeu, nas outras o barco era um pontinho ao longe, não deu para ver. Rolaram dias assim, praia com óculos de sol e Proust debaixo do braço nas manhãs, o jogo de buraco na comunidade lés de noite. Na terceira noite Raeka estava lá na casa, com Danilo e Naiara. Pareceu que pararam a conversa ao chegar ela, mas não deu importância. Disse boa-noite e eles pareceram aliviados. Dormiria cedo. Ajeitou-se com dois lençóis, curtiu o barulho das marolas, abençoou a decisão de passar as férias ali. Resolveu contar as marolas, uma, duas, dez, vinte e duas... Estava em sessenta e nove quando resolveu abrir os olhos e checar em quantos minutos chegou a esse número e teve susto: Tinham-se passado quase quatro horas, o relógio marcava quase meia-noite. Sono pesado. O ar salino entrando pela janela. Saiu para um copo d´água. Tomou água na cozinha, repetiu a dose. Na volta ouviu um chiado, suspiro, algo. Pensou nalgum bichinho, besouro. Não, era no quarto de Naiara. Experimentou a maçaneta, ela se abriu. Pensou, ela esqueceu de trancar, vou travar por dentro e fechar. E viu... [O quê, amigas e amigos? O que Teresa a psicóloga de férias viu no quarto de sua amiga e ex-paciente Naiara numa casa à beira do mar quase à meia-noite? a) Naiara e Raeka; Beijos, Beatriz] Eu acho que a novelinha devia continuar assim... |
| Votos e comentários [Comentário de um cavalheiro] Naiara sozinha e... pra surpresa de todos, dormindo. S� que nua. Seu bumbum delicado e bem contornado era lambido pela luz p�lida da lua cheia. Diante de tal cena a mo�a atacou-a sem o menor pudor numa atitude insana, pr�pria de quem, em algum momento da vida, resolveu apertar o bot�o do foda-se. |
| TERCEIRO CAPÍTULO - dia 09/08 |
| A fresta era pequena, Teresa se esfor�ou para na penumbra as coisas fazerem sentido, os claros-e-escuros se arrumarem. O que via era um peda�o de corpo de um homem deitado, as coxas grossas, no encontro entre elas uma mata alourada, e no meio dela como que um coqueiro, n�o muito grande mas firme a apontar o c�u como todo coqueiro. O homem olhava a sorrir orgulhoso para o pr�prio falo tremer sem perder a pose. Teresa reconheceu o garoto, Danilo. Uma m�o entrou no campo de vis�o, m�o de unhas rosa-fraquinho. Reconheceu aquela m�o direita, ela a vira a gesticular sobre o div� durante um par e meio de anos. Naiara fez tubinho com os dedos, envolveu o coqueiro, apertou, foi para cima, mudou de id�ia, apertou agora para baixo. E mudou de id�ia de novo, foi para cima e continuou a indecis�o, r�pido, cada vez mais. Danilo fez biquinho, trancou olho. Teresa quase se surpreendeu quando o movimento caiu pela metade, depois mais. E mais ainda ao notar que os dedos da antiga paciente estavam meio-cobertos de um molho branco, que escorria por eles e ca�a em gotinhas nas coxas do rapaz. O garoto desabou, o falo ainda engrossado pela m�o da amante mas agora ca�do na barriga, meio coberto de branco. Teresa ouviu voz de mulher: - Limpe. N�o era Naiara. Desviou-se meia d�zia de cent�metros, viu que era quem desconfiava que fosse, a garota, Raeka, falando como dona-da-casa-e-do-mundo. Uma toalhinha manipulada por Naiara percorreu o falo ca�do, as coxas e bagos do rapaziinho, e os dedos da pr�pria Naiara. O instinto profissional de Teresa farejava algo, Naiara era mais escrava que amante, quando viu o corpo inteiro de Naiara. Corpo do qual no consult�rio ela s� vira e mal as pernas. Estava acostumada a ver a alma nua de seus pacientes, e agora via seu corpo nu. Nua estava Naiara, mas n�o s�. Apareceu a adolescente, muito alta, vestindo um colar de p�rolas de Maiorca e talvez um perfume delicado, e n�o mais. Teresa sentiu uma dor, real. Uma cena que bem poucas pessoas no mundo gostariam de perder, mulheres ou homens, por desejo ou curiosidade: uma bela mulher alourada de trinta e cinco, os olhos azuis a chamar a aten��o na penumbra, as coxas grossas a vinte cent�metros se tanto das coxas de uma outra mulher, de dezenove, morena, cabelos lisos ro�ando a cintura, as m�os enla�ando a cintura da outra e seu pesco�o a ser enla�ado de volta. Os l�bios grossos da menina Raeka chegaram a tr�s dedos de dist�ncia dos l�bios mais finos de Naiara, esta de olhos fechados, entregue. Se se beijaram ou n�o, Teresa n�o soube, fechou a porta, a dor crescia e a fez sair. Assustou-se, lembrou das aulas de anatomia, pesou temores e possibilidades, infarto, esofagite, c�lculo renal. N�o, concluiu. De certa forma era pior. Uma doen�a que uma psic�loga n�o podia ter por uma paciente, mesmo uma ex. Ci�me. Acordou tarde, evitou a Naiara e a Danilo, saiu a passear na praia, chap�u de sol e toalha-de-praia fininha. O sol meio coberto por nuvens esfiapadas era macio. E ouvia o ru�do ritmado do motor que para ela era car�cia. L� estava ele, longe e nu da cintura para cima, sempre com seus mariscos, sua vida livre e cheia de sa�de, sua meia�ingenuidade, ou completa. Acenou para Mariano, estava longe mas acenou de volta. Adivinhou-lhe o sorriso. Teve quase inveja dele. Abriu sorriso e pensou: Se eu fosse livre... e imaginou coisas que faria se fosse livre, coisas que uma boa mo�a do Bixiga n�o faz com um cara que conheceu h� um par de dias. Um homem talvez, pois homens s�o diferentes, fazem sem amor, mas as mulheres...Acenou pra ele, sorriu, ele acenou de volta. Quando pensou, j� fazia dois minutos que acenava diferente: pedia para ele vir. O pontinho que era o barco virou exclama��o, depois frase. O barco logo cortava as marolinhas a tr�s metros da areia, o mesmo sorriso, o mesmo Mariano, imut�vel. Sentiu-se segura, o mundo era uma loucura, mas aquele rapaz, ele era porto seguro, n�o mudava. Sorriu para ele e em meio segundo teve id�ia boba: Mariano era t�o obediente que era um homem capaz de uma mulher mandar que ele tirasse o cal��o, verificar o material e seu calibre, mandar ele se vestir de novo, e ele faria tudinho isso e ainda ficaria feliz. Foi s� fantasia. Ele agarrou a �ncora numa pedra, saltou para a �gua a um palmo de profundidade, gritou, Oi Teresa!, feliz de te ver! Ela sorriu, pensou num cumprimento amistoso mas tudo saiu de seu controle, a cabe�a pensou nas tr�s camisinhas novinhas que trazia dentro da bolsa e a boca, a falar independente dela, apenas disse, e nem disse alto: - Tira o cal��o. [Amigas e amigos, agrade�o a Roberto e aos que comentaram outros t�picos. Este � o �ltimo cap�tulo do ciclo Naiara. E como toda novela, termina com casaizinhos, mesmo que no nosso caso possam ser casais de dois, duas, tr�s, muitos ou muitas. Que casais sugerem para o final? a) Raeka e Danilo; Beijos e beijos, Beatriz] Eu acho que a novelinha devia continuar assim... |
| Votos e comentários [Comentário de uma dama] T� ficando �tima essa novelinha, minha alternativa � a letra C, Tereza e Mariano, ... Como ela pediu para ele tirar o cal��o, ... antes de obedecer, ela manda-a tirar a bermuda, saia, biquini, ou seja l� o que ela estiver usando. Os dois fazem um joguinho, brincadeirinhas, e conforme vai esquentando eles se agarram, mas de uma forma rom�ntica, e ao mesmo tempo, "quente". Sai um pouquinho do eixo, mas ....... acho que iria ficar legal. Ah... est� t�o bom, n�o termine agora n�o... mas se terminar, comece a outra com a hist�ria desse novo casal. Beijos.. |
| QUARTO E ÚLTIMO CAPÍTULO - dia 10/08 |
| Naiara escancarou a janela do quartinho de cima. Esperava ver o sol se encaminhando para se p�r, mas viu mais. No come�o n�o entendeu, depois n�o quis entender. Um barco, ancorado; a dez passos dele um homem jovem, alto, negro, de joelhos. Na frente dele uma mulher jovem, que n�o olhava para ele. Estava de quatro na areinha macia, e o branco-quase-sem-sol que Naiara via por todo o seu corpo indicava que n�o ali n�o havia nenhum pedacinho de lycra, estava nua. O rapaz, o corpo negro sem nenhuma estampa de tecido, tamb�m estava vestido de Ad�o. Ele a tocava com as m�os na cintura fina da garota, e a aproximava e afastava, ambos a fechar olhos e dizer palavras pela metade. Naiara fechou a janela, a cena era linda mas n�o para ela. Golpe duplo: Mariano era seu brinquedo e Teresa, bem, sempre fantasiara que Teresa tinha alguma quedinha por ela. Pensava brincando que se algum dia quisesse provar um gata-com-gata, j� tinha uma � disposi��o. Mas tudo dera para tr�s. Teresa voltou flutuando, n�o andando. Cumprimentava-se por ser previdente: das tr�s camisinhas, gastara duas e ainda tinha uma inteirinha, novinha e embaladinha. �Mam�e sempre dizia que a previd�ncia � uma virtude� � pensava ao empurrar a porta e ver sua ex-paciente. Viu um par de l�grimas fazendo caminho nas bochechas. Abra�adas meia hora depois, Naiara confessara: era escrava sexual daqueles dois adolescentes. Sempre dizia que era a �ltima vez mas sempre voltava a sess�es com eles nas quais o prazer era na mesma medida da dor. Danilo n�o estava e demoraria ainda umas tr�s horas. Quando veio era noite. Empurrou a porta da frente, a sala tamb�m em penumbra. Ia acender a luz quando viu movimento, parou. Apertou os olhos, ficou quieto. Algu�m meio-deitara numa c�moda, esse algu�m uma mulher. Danilo ia passar adiante quando seus instintos de menino-de-dezoito deram um pulo ao notar o umbigo descoberto, as coxas descobertas, e entre elas uma faixinha colada de pano branquinho que de t�o pequena exigia um pouco de boa vontade para ser chamada de short. Sentiu a rea��o involunt�ria t�pica da idade, rea��o essa que perigou arrebentar um ap�s o outro os bot�es da bermuda branca quando viu uma m�o de unhas escarlate se imiscuir entre o corpo esguio e o shortinho-de-mulher, os dedos fizeram volume, e se moveram, leves, com ritmo. Era a primeira vez que via uma mulher fazendo aquilo, e Danilo delirou. E tomou susto quando os dedos pararam, a m�o saiu, a mulher se ergueu e antes que pudesse inventar uma desculpa entend�vel e acredit�vel viu o rosto de Teresa a um palmo do seu. O rosto, o corpo, os p�s nus e os seios grandes, pois tirando a tirinha de pano que fazia de short, Teresa estava nua. Danilo mascou palavras, sem saber o que dizer achava que tinha o que dizer. Teresa lhe p�s o dedo na boca, disse Vamos a uma festa e Danilo carneirinho se deixou levar pela m�o macia para perto do aparelho de CD, que Teresa apertou e um saxofone hiper-rom�ntico fez concorr�ncia �s marolas. Teresa sorriu, abriu os bra�os, convidou � dan�a. Danilo entendeu: aquela festa exigia traje adequado. E com euforia adolescente empilhou bermudas, sapatos, camisas, como um raio enfiou-se e ensaboou-se e saiu do chuveiro para se entregar fresquinho � amante, e ao voltar encontrou a m�sica, Teresa sentada num banco alto do bar, e Naiara e um homem negro o qual nunca vira antes. Teresa j� dobrara com cuidado a bermudinha num canto, a suave tira de pelos entre as coxas rimando com a penumbra agora meio-quebrada por um abajur. Naiara e o outro cara felizes, m�os-dadinhas-de-namoradinhos, s� que os bicos r�seos e tudo o mais do corpo de Naiara estavam bem oferecidos � sua vis�o, e ele n�o p�de deixar de ver uma floresta negra no corpo do outro, floresta da qual se erguia uma s� �rvore, de talo bastante grosso. - Vai ficar com vergonhinha ou vem para a festa? � e Teresa abriu os bra�os, Kenny G j� atacava a terceira e os casaizinhos se formaram, dan�a apertada e dificultada por algo que insistia em ficar entre os pares. Por pedido de Naiara j� feliz de novo os casais trocaram, Naiara com Danilo e Teresa com Mariano, e destrocaram e trocaram de novo. J� estavam na terceira dan�a quando a porta se abriu duma vez, e a rec�m-chegada ficou mais surpresa do que quem recebeu a visita. Raeka n�o conseguia fechar a boca. E Teresa n�o permitiu que fechasse: - Ent�o: vai ver, vai se roer, vai planejar vingan�as pela vida toda para daqui a quatro d�cadas ou vai se divertir tamb�m? A jovem de cabelos negros fez cara de preocupada, depois s�ria, depois raivosa, e depois todas as emo��es e meia como se considerasse as vantagens de cada alternativa. Depois abriu sorriso, aumentou o sorriso, avan�ou meia d�zia de passos, trouxe rosto a seis dedos do rosto de Danilo, menos ainda, e o beijou, ro�ar de l�nguas e de mulher, um pouquinho diferente do que aconteceu meio minuto depois quando sua l�ngua ro�ava na l�ngua de Teresa, um beijo n�o mais delicado mas pelo contrario, mais forte. E assim com Naiara e Mariano. E dan�aram os cinco, e mais que dan�aram. Raeka e Naiara e Danilo faziam dan�a muito especial, sem escravos nem vingan�as, com a adolescente envolvendo com a boca o falo muito duro do rapaz, enquanto afastava as coxas o m�ximo que podia para que Naiara, tornada gatinha, lambesse mais fundo ainda o delicado colar de rubis entre as suas pernas, enquanto a pr�pria Naiara fazia o mesmo para a l�ngua sedenta de Danilo. O sol nascia. Teresa e Mariano j� tinham feito dan�a muito especial duas vezes, da porta olhavam o sol fazendo trecho dourado na �gua do mar. Um navio da Marinha atracava perto da costa. Teresa apertou a m�o do amante. Mariano falou, veludo na voz, sorriso como sempre: - Vamos a uma l� perto d��gua? Teresa sorriu, apertou-lhe a m�o, correram para a areinha fria do mar. [Amigas e amigos, com esse toquinho rom�ntico terminamos o ciclo Naiara. Agrade�o a quem colaborou na trama, Ricardo, Fada, KsalJF, Mr. Run, Roberto e outros, e a quem leu. Espero que a Segredos sempre colabore para trazer um pouco de divers�o e prazer para a vida da gente, e espero todos na segunda dia 13, para novo ciclo, novas vidas, novas sugest�es. Beijos e beijos, Beatriz] Eu acho que a novelinha devia ter terminado assim... |