História

Nos meados do ano de 1864, um grupo de portugueses maçons, movidos por um mesmo ideal, resolveram erigir um templo à virtude onde pudessem se reunir e por em prática o trabalho colimado. E assim, aos 26 dias do mês de outubro de 1864 reuniram-se em um lugar coberto onde reinava a paz e o silencio. Após o reconhecimento de suas qualidades maçônicas, organizaram a primeira administração da Loja a ser fundada. Em escrutínio secreto foram eleitos os seguintes irmãos:

Para Venerável - Jerônimo José de Freitas; 1° Vigilante - Francisco Paiva Loureiro; 2° Vigilante - Manoel Antonio Pereira e Joaquim Soares da Costa para representante da Loja junto ao Grande Oriente do Brasil. Nessa mesma reunião, por sugestão do Venerável eleito, foi proposto o titulo de "Amor ao Trabalho" para a Loja recém criada, o que foi aprovado por unanimidade.

Surge assim a Loja Amor ao Trabalho, que passa a funcionar provisoriamente.

Completada a sua administração, requerem ao Grande Oriente do Brasil a sua regularização.
Deflagrada a Guerra com o Paraguai (12/11/1864), seus membros dispersaram-se, voltando a se reunir após o termino da mesma em 01/03/1870.

Restabelecida a Loja, seu representante, irmão Joaquim Jose Soares da Costa, solicita uma audiência ao Grão Mestre Geral da Ordem, Dr. Joaquim Marcelino de Brito, o qual relata as dificuldades encontradas para regularizar as atividades da Loja, uma vez que foi entregue no dia 29/10/1864 ao então Grão Mestre Bento da Silva Lisboa (Barão de Cairu), o processo da primeira reunião da "Loja Amor ao Trabalho".

Com o inicio da Guerra do Paraguai e a posterior morte do Grão Mestre (16/12/1864), agravou-se a situação no Grande Oriente do Brasil, ficando o processo por cinco anos sob malhete. Sensibilizado pelo relato, sugere o Grão Mestre que a Loja fizesse uma nova petição, comprometendo-se de imediato a resolver a questão com a máxima urgência. E assim, no dia 18/06/1870 era instalada a "Loja Amor ao Trabalho" pelo soberano Grão Mestre Geral Joaquim Marcelino de Brito, cuja administração provisória constava dos seguintes irmãos:

Venerável - Bernardino Alves Barbosa Santarém; 1° Vigilante - Francisco de Paiva Loureiro; 2° Vigilante - Jose Maria Branco; Orador - Padre José Leite Mendes de Almeida e Secretario - Francisco Barroso da Silva Guimarães.
Finalmente aos 17 dias do 7° mês do ano de 5780 da VL (17/07/1870) é regularizada, recebendo o n° 23, em 1896 este cadastro foi mudado para 204, e finalmente em 1899, para 202.

Em sessão realizada em 23/10/1870, seu Venerável Mestre Bernardino Alves Barbosa Santarém, fez ver a necessidade da fundação e instalação de um Capítulo do Rito Escocês Antigo e Aceito que ajude e acompanhe o desenvolvimento da Arte Real.
Analisada a proposta foi à mesma aprovada por unanimidade. É então fundado o Capitulo provisório com o titulo "Amor ao Trabalho". Em 30/11/1870 é realizada uma sessão com a presença do Grande Inspetor Geral do Rito Escocês Antigo e Aceito, Dr. Luis Antonio da Silva Nazareth, na qual, por carta datada de 03/11/1870 é regularizado o seu Capítulo com o titulo distintivo de "Augusta Loja Capitular Amor ao Trabalho".

A Loja Capitular Amor ao Trabalho foi muito atuante, tomando parte seus membros, em muitos acontecimentos relevantes da historia de nossa pátria. No começo de sua existência foi distinguida com titulo de Benemérita pelo Liceu de Literário Português, ainda em 1870, foi redigido manifesto Republicano por irmão da Loja e outros, no qual constavam como signatários Quintino Bocaiúva, Saldanha Marinho, Aristides Lobo, Lopes Trovão, Salvador Mendonça, Cristiano Otoni, Correa Câmara, Flavio Farmasse e outros irmãos.

Na noite de três de dezembro do mesmo ano, na saída do Capitulo, num ágape costumeiro, os irmãos da Loja fundaram o Clube Republicano e o jornal "A República". Ainda neste mesmo mês, na sessão n° 18 é recolhido um tronco no valor de sessenta mil reis destinado à libertação de um escravo.

Em 1872 é eleita a sua administração efetiva que constava dos seguintes irmãos: Venerável - Francisco de Paiva Loureiro; 1° Vigilante - Antonio Rodrigues Duarte Mesquita; 2° Vigilante - Domingos Fernandes da Cunha; Orador - Antonio Pereira Bispo; Secretario - Francisco da Silva Barroso Guimarães e Tesoureiro - Joaquim Antonio Martins.
Ainda constavam de seus quadros como membros honorários os irmãos: Jose da Silva Paranhos (Barão do Rio Branco), Jose Maria Pereira, Luis Antonio da Silva Nazareth, Antonio César de Melo Andrade, Pedro Antonio Gomes, Dr. Alexandre Freire do Amaral, Dr. João Pizarro Gabizzo, Pedro Isidro de Moraes, Padre Jose Luis de Almeida Martins e Rui Gemark Possolo.
Em 1872, possuía a Loja 150 obreiros ativos.

Em sessão de 21/06/1897, o GOB aprovou a criação de uma medalha para a Loja homenagear seus membros. Destas só se conhecem três exemplares: uma em prata está no museu Mariano Procópio em Juiz de Fora - MG, e duas de cobre.
Em 27/05/1901 foi criada outra medalha de Mérito Maçônico em ouro, ofertada depois ao Venerável Mestre João Rabelo Gonçalves, 33°, iniciado em Loja em 03/11/1887. Ainda no mesmo ano recebe do GOB o titulo de Benemérita.
Foi membro benemérito da Loja o Marechal Deodoro da Fonseca, que por ela também foi elevado ao 33° em 1/1/1909. Era membro muito ativo, e 3 dias antes de sua posse como Presidente da Republica, em 12/11/1910, lhe fez uma visita.
Pouco antes do termino da 1ª Guerra Mundial, em sessão realizada em 08/07/1918, foi aprovada a proposta de se conceder ao irmão Dr. Wenceslau Brás Pereira Gomes, o titulo de Membro Honorário pelos relevantes serviços prestados à pátria e a humanidade.

Foi ainda a Loja Amor ao Trabalho a primeira a protestar contra o famoso tratado de 27/10/1926, assinado arbitrariamente pelo Grão Mestre Fonseca Hermes, e para poder se esquivar das perseguições de Mario Bhering, decidiu em sessão realizada em 14/03/1927 (sessão 2589), adotar o Rito Adonhiramita. No dia 04/04/1927 realiza a sua primeira sessão neste Rito, tendo como Venerável o Ir Manoel Ribeiro Gonçalves. O Grande Secretario do GOB, Amaro Albuquerque, partidário de Mario Bhering, quis recorrer dessa decisão chegando a censurar a Loja. Entretanto o Venerável Manoel Ribeiro Gonçalves, em prancheta de 08/04/1927 reagiu com firmeza, não restando senão ao Secretário autorizar a Regularização em 02/05/1927 de conformidade com a legislação em vigor.

Afastados os motivos que levaram a Loja a adotar o Rito Adonhiramita, isto é, o afastamento de Mario Bhering do GOB, a Loja em sessão realizada em 02/05/1928, aprova por unanimidade a sua volta ao Rito Escocês, sendo tal decisão comunicada ao Grande Oriente do Brasil. E no dia 21/05/1928, é realizada a sessão Magna de Regularização no Rito Escocês Antigo e Aceito, com o ato presidido pelo presidente da comissão regularizadora Mario de Castro Pinto sendo o Venerável da Loja na ocasião o irmão Ottelo de Souza. Em carta datada de 10/10/1928, parabenizava-se a Loja com o Grão Mestre Otavio Kelly pela participação da Maçonaria Paulista nos termos do tratado de 08/10/1928 e a conseqüente reincorporação do Grande Oriente de São Paulo a Federação.

Na sessão n° 2673 datada de 26 de novembro de 1928 é lida a prancha enviada pelo GOB e assinada pelo Grande Secretario Francisco Prado, no qual externa seus agradecimentos ao Grão Mestre pelos termos generosos com que a Loja congratula-se com este pela assinatura do acordo com o Grande Oriente de São Paulo.

E finalmente no ano de 1956, deixa a Loja de ser Capitular, passando a denominar-se Augusta Respeitável Benfeitora e Grande Benemérita Loja Simbólica Amor ao Trabalho n°202.

Autoria do Ir Oswaldo Xavier - CIM 100646

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