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Capítulo 6: "Se Shiva arma o tigre com presas, Brahma deu asas ao pombo" (Teratologia)
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"Dizer 'Eu te amo'
Não são as palavras
Que quero ouvir de você
Não é que eu não queira que você as diga
Mas se você somente soubesse
Quão simples seria demonstrar para mim
O que você sente
Mais que palavras
É tudo que você precisa fazer
Para tornar isto real
E então você não teria de dizer
Que me ama, porque eu já saberia
O que você faria
Se meu coração fosse esmagado em dois?
Mais que palavras
Para mostrar seus sentimentos
Que seu amor por mim é real
O que você diria
Se eu acabasse com essas palavras?
Aí você não poderia tornar as coisas diferentes
Simplesmente dizendo 'Eu te amo'
Mais que palavras, mais que palavras
Agora que eu tentei falar com você
E te fazer entender
Tudo que você precisa fazer é fechar os olhos
E explorar com suas mãos
E me tocar
Me segure bem perto
Jamais me deixe ir embora
Mais que palavras
É tudo que eu sempre precisei que você mostrasse
E então você não precisaria dizer
Que me ama
Porque eu já saberia"
Extreme - More Than Words (linda! ^_^)
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- Está se divertindo?
- Hu-hum. - Gio fez uma pausa, olhando para o sakê em suas mãos - Tokyo é bastante interessante.
- Sei.
- Ah, que isso, Fred. Ânimo. Tem tantas coisas bonitas ao seu redor! Por exemplo, este restaurante aqui, "Akabeko". Muito legal, boa comida. Pára de pensar nessa proibição estúpida.
Fred deu um salto do futon com violência e disse, irritado:
- Estúpida?!? Absurda!! Absurda!!!
- Fala baixo! - Gio tapou a boca do irmão com força - Fala baixo, porra!!
Ele silenciou por alguns instantes, e então começou a chorar:
- Por que Soujirou disse que eu só poderia me drogar uma vez por semana? Por quê? Eu já não agüento mais...
- Fica assim não. - ele consolou o rapaz que abaixava a cabeça de encontro à mesa, em meio a soluços - Soujirou fez isso prá tentar te livrar um pouco dessa dependência. Sabe que nós precisamos nos concentrar nessa nova missão. Aliás, estamos em Tokyo por ela. Faltam só dois dias, cara. Pensa em outras coisas, que te façam esquecer a... - Gio se deteve por longos instantes, então suspirou - Nossa.
Os olhos de Gio se perderam ao vislumbrar uma jovem que andava com graça pelo restaurante, servindo fregueses aqui e ali, com uma doçura inimaginável, angelical. Por um segundo, vieram à sua cabeça imagens, memórias de necrofilia. Mas ele não a queria morta. Queria-a viva.
Ele ergueu a mão, chamando-a. Enquanto observava ela caminhar de maneira dócil, articulou todo o plano em sua mente.
- O que deseja, senhor?
- Huh, bem... A verdade é que, meu amigo aqui não está muito bem, como você pode ver...
Ela examinou o homem com o rosto enterrado na mesa, chorando e soluçando de maneira desesperadora e que às vezes resmungava alguma coisa sem sentido, o que a fez imaginar que ele estava delirando. Estava vestindo uma capa de chuva - era uma forte noite de tempestade - que o cobria por completo, logo não conseguia ver seu rosto. Ela então retornou o olhar para o rapaz ruivo e de sotaque estranho que falava com ela.
- Então, você poderia preparar uns bolinhos de arroz, embalar e levar para mim lá fora, enquanto eu selo o meu cavalo e o levo para lá, Srta... ?
- Tsubame, senhor.
- Ah, sim, Tsubame. O meu é... Fred! Bem, tudo certo, então?
- Está bem. - ela sorriu - Eu levo lá fora.
- Ah, ótimo. - Gio saiu, carregando o irmão, trôpego e completamente alheio à realidade como efeito da abstinência das drogas, enquanto Tsubame foi para a cozinha preparar os bolinhos.
A tempestade ricocheteava brutalmente no chão. Gio levantou Fred, o prendeu na sela, e montou no cavalo. Olhou para os arredores: a rua estava absolutamente deserta, o vento uivava, quaisquer gritos seriam abafados ali fora. Tsubame veio, uma capa de chuva nos ombros e uma marmita delicadamente embrulhada nas mãos.
Ele pediu a ela que se aproximasse do cavalo, ao que ela correspondeu. Quando chegou perto o suficiente, Gio se abaixou e sussurrou:
- Perfeito. Mas ainda não é o suficiente.
Tsubame teve um estalo do perigo que corria ao ver como os olhos dele faiscavam de forma demoníaca, largou o embrulho e tentou voltar, enquanto gritava, em direção ao Akabeko. Mas não deu tempo. Gio a agarrou pela cintura, e carregou, a galope, a menina que gritava e se debatia.
- Aaah!
O copo se desfez em cacos na mão de Tae. (PS: para quem não sabe, quando um copo se espatifa ou trinca quando está na mão de uma pessoa, os japoneses consideram isso um *mau* presságio!) Ela gelou por alguns instantes, e então tentou confortar-se com a idéia de que não passava de superstição. Foi atrás de Tsubame para que ela servisse os pratos já prontos, mas não a encontrou. Murmurou baixinho para si enquanto servia a um cliente, "Onde estará Tsubame-chan?", ao que o cliente disse:
- Está procurando pela menina-garçonete? - Tae balançou a cabeça esperançosa - Eu a vi pegar uma capa de chuva e sair com um embrulho nas mãos... Mas acho que ela ainda não voltou.
Ela sentiu seu coração descer ao estômago. Teria acontecido alguma coisa a ela? Correu em direção a porta, não viu nada nem ninguém. Só a chuva e o vento a esfriarem seu corpo. Pensou instintivamente em gritar por Yahiko, mas então se lembrou que ele havia ido jantar no dojo.
- Ah, meu Deus... Tsubame, onde está você?
- Acho que vou até o Akabeko.
- Está louco, Yahiko? Está um temporal horrível, você pode pegar uma pneumonia! Fica aí, oras!
- Não sei, Kaoru... Estou com um péssimo pressentimento... Tem alguma coisa errada, alguma coisa errada.
- Que foi? Tá doente? - Sano apareceu na varanda do dojo, onde eles estavam.
- Não, Sano, não é nada disso. Yahiko está preocupado com Tae e Tsubame, quer ir ao Akabeko.
- Tá tão preocupado assim? É só uma chuvinha de nada. Mas se você quiser, eu vou contigo.
- Ah, ótimo!! Agora são dois malucos querendo ficar doentes!
- Não se preocupe, mamãe Kaoru! Eu e Yahiko voltamos vivos, pode deixar!
Sano piscou para ela enquanto saía, junto com Yahiko, até o Akabeko.
- Amanheceu.
- É verdade.
- Eles ainda não voltaram... Estou preocupada. Deve ter acontecido alguma coisa, Kenshin. O que a gente faz?
- Poderíamos it até o Akabeko, mas e se Aoshi e Misao chegarem e encontrarem o dojo vazio? Eles já devem estar vindo...
- É mesmo. Mas se nós não...
- Ei, olha! Tem alguém vindo, é... Tae-san!
Kenshin e Kaoru levantaram e foram correndo até o portão. Tae estava chorando quando segurou Kenshin e disse:
- Kenshin, me ajude, por favor!! Tsubame-chan desapareceu! Sano e Yahiko estão procurando ela desde ontem à noite, mas até agora nada!!
- Ah, não! Então é por isso que eles ainda não voltaram!
- Kaoru, pegue Kenji e Yuki, e volte com Tae-san para o Akabeko. É preciso que alguém esteja lá caso ela apareça. Vou deixar um bilhete na porta do dojo, assim Aoshi e Misao podem ir até lá caso isto ainda não esteja resolvido. Eu vou procurá-la também, certo? E fique calma, Tae-san, nós vamos encontrá-la.
- Ai, você tem que encontrar Tsubame, Kenshin! Sano e Yahiko, eles já...
- Fique calma, Tae. Vamos, entre, eu vou te dar um chá e acordar as crianças, e então vamos para a Akabeko. - Kaoru se voltou para o marido - Boa sorte, Kenshin.
Ele esboçou um sorriso e disse:
- Já volto...
"Já volto... Há cinco horas que eu estou procurando por Tsubame-chan e até agora nada!" Kenshin abria caminho com sua sakabatou pela floresta, a mesma em que Aoshi havia enterrado as cabeças dos membros da Onniwabanshuu e também a mesma que Sano tinha atravessado a pé, derrubando árvores, para chegar até Kyoto. "Tsubame... Tsubame... Onde está você, menin..." Ele ouviu soluços. Apurou os ouvidos e foi correndo silenciosamente até o lugar, para não abafar novos ruídos. Novamente, soluços, mais altos, mais próximos, e...
- Tsubame-chan!
Ela tinha o kimono rasgado, manchado de sangue, e soluçava. Tsubame abraçava os joelhos numa posição fetal e tinha o olhar fixo, perdido, e parecia ignorar a presença de Kenshin ou mesmo sua voz. Ele se abaixou, com todo o cuidado. Ela estava machucada, e ele não tinha dúvidas do que tinha acontecido. Mas quem teria coragem de fazer isso com Tsubame? Todos gostavam muito dela, e... Todos sabiam que ela e Yahiko sempre tiveram planos de um dia se casarem. Como ele reagiria a isso, ele próprio começava a enfrentar no coração um misto de ódio e dor pelo desgraçado que teve a coragem de violentar uma menina tão dócil e pura quanto Tsubame? E além de reagir violentamente... E se ele não a quisesse mais? Se a rejeitasse pelo que aconteceu, mesmo não sendo culpa dela? ... Kenshin sentiu a cabeça pesar pelo torpor de idéias e tentou conversar com Tsubame:
- Está me ouvindo, Tsubame? Fala comigo... Sou eu, Himura Kenshin. Nós nos conhecemos há muito tempo, lembra? Você está bem?
- Yahiko-chan... socorro... - uma longa pausa, que transtornou Kenshin - Eu não queria... Não foi culpa minha... Você me perdoa? Você me ajuda? ... Socorro...
- Tsubame, vem comigo, vamos lá...
Ele pegou a capa de chuva que deveria pertencer a ela, e que estava pendurada num galho daquela pequena clareira escondida do mundo, e a cobriu com ela. Tsubame não esboçou nenhuma reação, e deixou ser carregada no colo por Kenshin, com olhar perdido, murmurando pedaços do que havia acontecido naquela noite tempestuosa. Ao sair da floresta, ele já havia compreendido ao menos o seguinte: um homem ruivo a havia conduzido para fora do Akabeko, a cavalo, por causa de um... maluco? Um delinqüente? Tentava pensar logicamente, mas quem sabe a lógica que há no coração de quem havia acabado de sofrer tanto? Ele estava se aproximando do restaurante, sempre pegando caminhos mais desertos, para que o acontecido não se espalhasse, até que viu uma pequena multidão perto do Akabeko, formada por policiais, transeuntes curiosos, conhecidos mais íntimos de Tae, além de Kaoru e seus filhos, Yahiko, Sanosuke. Yahiko berrava com um policial, dizendo que ele era um inútil imprestável, que não se metesse se não soubesse nem mesmo se impor, e outras besteiras que todos falam quando estão muito nervosos. Tae chorava, consolada por Kaoru. Sano estava um pouco mais afastado, tentando maquinar o que haveria acontecido. Kenshin tentou chamar sua atenção, balançou a sakabatou de maneira frenética e ridícula, até que ele o viu. Sano se aproximou, entrou na ruela em que Kenshin estava e viu que ele carregava Tsubame enrolada em sua capa de chuva:
- Kenshin, ela...! Você...!?
- Sano, presta atenção. Temos que dispersar essa multidão. Tsubame, ela foi.... Acho que não gosto nem de falar isso. Ela foi...
Sanosuke olhou fundo nos olhos violetas do amigo à sua frente, e então para a menina enrolada na capa de chuva. Ela balbuciava coisas incompreensíveis, tinha o rosto arranhado, e dava para ver as pontas rasgadas do kimono despontando pela capa. Então ela pendeu a cabeça para trás, como um suave desmaio.
- Kenshin! Kenshin, alguém estuprou Tsubame! - ele botou as mãos na cabeça - Cacete!! E o garoto?? Como Yahiko vai reagir a isso, Kenshin? Temos que fazer alguma coisa! Mas o quê?? E também temos que achar o filho da puta que fez isso!!!
- Calma, Sano, calma! Não me deixe mais nervoso do que já estou!!
- Certo, certo, certo, certo. - Sano começou a falar nervosamente - Faz o seguinte. Vai pro dojo. Me espera lá. E... prepara uma cama, um banho prá ela. Eu vou arrastar Kaoru e Tae pra lá, vou me livrar desses policiais, não importa como. Vai lá, espera lá, e fica de olho nela, entendeu. Fica de olho nela, tenta... tenta conversar com ela! Isso. Vai lá, vai, vai. Já tamos indo.
Himura balançou a cabeça afirmativamente e seguiu para o dojo Kamiya. Já havia preparado um quarto para ela, a deitou ainda enrolada na capa no futon, e foi esquentar água. Estava acendendo o fogo quando apareceram Kaoru, Kenji, Yuki, Tae, Sano e Yahiko. Yahiko voou para cima de Kenshin, dizendo:
- Onde ela está?? Onde?? - ele o sacudia, já que não havia resposta - Kenshin, o que houve?? Fala!! Fala, porra!!
- Calma, Yahiko! - Kenshin o segurou - Calma, tá ouvindo? Vamos entrar, eu preciso... Preciso ter uma conversa séria com você. - ele se voltou para Kaoru - Ela está num dos quartos lá dentro...
Kaoru e Tae foram para um lado do dojo, atrás de Tsubame, enquanto Kenshin e Yahiko foram para o outro lado, e Sano permaneceu lá fora, observando a água aquecer ao estalar da madeira que queimava. Ele pulou de susto ao ouvir um grito estridente vindo do portão:
- Eeeeeeeeeeeeeeeei, Sanosukeeeeee!!!!
Ao olhar, Sano não conseguiu conter o sorriso. Era Makimachi Misao - ou melhor, Shinomori Misao -, que apesar de parecer uma respeitável e bem-comportada senhora num kimono que nem de longe lembrava as antigas roupas curtinhas, continuava a mesma menina de sempre. Atrás dela, Shinomori Aoshi, sério e inexpressivo como sempre e com um garotinho dormindo em seu ombro, que aliás era extremamente parecido com ele. Ele se levantou e foi abrir o portão. Quando ele se aproximou, Misao disparou:
- Sanosuke!! Há quanto tempo, não é mesmo? Kaoru tinha me dito que você andava sumido! Voltou para o dojo, então? Que legal! E Kenshin? Os pimpolhos dele, como estão? E Yahiko? Já está tão bom quanto Kenshin?
- Huh... Estão todos bem, Misao...
Aoshi reparou o óbvio ar desolador de Sano e perguntou antes que Misao abrisse a boca de novo:
- Alguma coisa errada, Sagara?
- Bem... É uma longa história.
Ao baque da história, ele levou as mãos à cabeça, completamente abalado, desequilibrado. Tinha dúvidas se chorava, gritava, ou se matava. Ele então recobrou a voz e gritou:
- NÃO!! Não pode ser! Eu não acredito... Quem?? Quem foi o bastardo filho da puta?!? FALA!!
- Yahiko, eu não sei. Já te contei tudo que aconteceu desde que eu a encontrei na floresta, e tudo que ela deixou passar pelos murmúrios. Um estrangeiro ruivo, uma desculpa esfarrapada... Mas tente se acalmar, reações extremas não levam a lugar nenhum, como numa luta você não pode deixar o ódio tomar conta de você...
Ele deu um murro num vaso de flores a seu lado:
- NÃO SE TRATA DE UMA LUTA ESTÚPIDA!! Há anos que venho me dedicando e o que eu ganho?!? Uma punhalada nas costas!!! Sou bonzinho, bonzinho e o que eu ganho?!? NADA!! PORRA NENHUMA!! Só me sacaneiam, só isso!! Ah, Tsubame... Ela agora... Ah, não!! ...
Yahiko caiu no choro e Kenshin o abraçou, consolando-o. Após algum tempo, ele disse, silenciando os soluços:
- Eu... preciso ver Tsubame.
Kenshin sentiu um calafrio ao ouvir como a voz de Yahiko saiu, no mínimo, gutural. Teve medo do que ele poderia dizer a ela, mas ainda assim assentiu:
- Está certo.
De longe, Kaoru, Tae e Kenshin, todos agora sentados na parte lateral do dojo, viam Sanosuke contar a Aoshi e Misao o que havia acontecido. Misao estava completamente chocada e até mesmo Aoshi parecia levemente incrédulo. Kenshin então perguntou:
- Como ela está, Tae-san?
- Ela... Está melhor, eu acho. Conversou comigo. Já tomou banho, está com roupas limpas. Acho que... Ela precisa esquecer.
- É.
- Eu só... Não sei o que Yahiko vai fazer. - enquanto Tae falava, Kaoru engoliu um soluço - Eu espero que ele reaja bem e que... não a maltrate. Sei que agora ela não é mais... bem, a futura esposa ideal... Mas...
Ele sentiu que ela não sabia mais o que dizer, então colocou a mão em seu ombro e disse:
- Acho que... Tudo vai sair bem no final.
A porta se abriu com uma violência contida. Tsubame, sentada no futon aberto no chão, se encolheu um pouco mais na dúzia de lençóis que a cobria além do kimono fino que usava, e não quis olhar para trás. Ela já sabia quem era, e seus olhos se encheram d'água.
- Tsubame, sou eu.
Ele fechou a porta, e andou até ficar de frente para ela.
- Yahiko-chan, e-eu... Ah, não, é, Yahiko... Eu... - as lágrimas não obedeciam mais, rolavam fácil por sua pele.
Ele se sentou no futon, de frente para ela:
- Escuta... Você sabe que eu faria de tudo para evitar esta situação, esta conversa, mas... - Tsubame o interrompeu.
- Yahiko-chan, vá embora!! Esqueça os nossos planos!! - ela soluçava - Eu não mereço mais casar com você, está ouvindo?
- Não, não diga isso!! - ele a abraçou, e ela chorou ainda mais - Eu daria minha vida para que isso jamais acontecesse com você, mas agora é tarde. Mas presta atenção. Não me importa o que tenha acontecido, eu te amo, Tsubame, sempre vou te amar. Então não diga bobeiras. Nós vamos nos casar SIM. E o mais rápido possível, está ouvindo?
- Ah, Yahiko-chan... Mas eu não sou mais...
- Não me interessa. Não me importa. O que me importa é você. Você sempre foi muito especial para mim, Tsubame. Então enxugue as suas lágrimas, pare de chorar, porque eu te amo. Eu te amo...
- Eu também te amo...
Eles ficaram abraçados durante algum tempo, até que ela fechou os olhos e dormiu no ombro dele. Yahiko a deitou no futon, acariciou seus cabelos e disse:
- Agora tem algo que eu preciso resolver... Algo muito importante, e eu não volto até terminar isso.
Ele levantou e fechou delicadamente a porta.
- Mas que coisa horrível! Não consigo acreditar... Que tristeza.
- É verdade, Misao. - Kaoru retrucou - Uma pena que a visita de vocês tenha justamente esbarrado com tudo isso.
Todos agora estavam na parte dos fundos do dojo, que dava para um jardim.
- Bem, Aoshi, vocês já guardaram suas bagagens?
- Sim, Himura. Está tudo num quarto, mais para lá. Inclusive deixei também meu par de kodachi, como seus filhos estão aqui - Shinomori levantou os olhos para o jardim, Kenji jogando uma bolinha para a pequena Yuki... - e Asuku também, - ... e então para seu filho, que dormia despreocupado no colo de Misao - acredito que não haja nenhum perigo.
- Ah, sim, é verdade. Mais tarde lhe mostrarei onde...
Kenshin foi interrompido pelo barulho do portão batendo com violência.
- ...Yahiko!
Ele, Aoshi e Kaoru foram até a frente do dojo, agora deserta. Kaoru levou as mãos ao rosto e disse:
- Ah, não! Ele está tão de cabeça quente, o que será que ele vai fazer?
Aoshi fechou a porta de um dos quartos:
- Acho que sei responder à sua pergunta.
Kenshin e Kaoru se voltaram para
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