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Capítulo 5: Propósitos da Paz (Teratologia)
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"A batalha não necessita de um objetivo,
ela própria é o objetivo.
Você não pergunta porque uma peste se propaga ou
porque um campo queima,
então não me pergunte por que eu luto."
Trecho da carta Cavaleiro Negro, Magic: The Gathering
"Se eu disser que não preciso de ninguém
Eu posso dizer estas coisas pra você
Porque eu posso excitar qualquer um
Exatamente como eu deixei você
Minha língua é como uma navalha
Um canivete suíço de lâmina dobrável
E eu posso até fazer as tuas vontades
Mas depois você vai fazer tudo o que eu quiser
Cá estou eu
E você é uma Rainha Foguete
Posso até ser um pouco jovem
Mas querida, não sou ingênuo
Cá estou eu
E você é uma Rainha Foguete, ah, sim
Eu posso até ser demais
Mas querida, você é um pouquinho obscena
Já vi tudo que é imaginável
Passar diante destes olhos
Já tive tudo que é tangível
Querida, você ficaria surpresa
Sou um insinuador sexual
Neste paraíso escaldante
Se você pode me excitar com qualquer coisa
É melhor que faça isso hoje à noite
Eu vejo você parada
Completamente sozinha
É um lugar solitário demais para você
Para você ficar
Se você precisar de um ombro
Ou precisar de um amigo
Estarei aqui esperando
Até o amargo fim
Ninguém precisa de tristeza
Ninguém precisa de dor
Odeio ver você
Andando aí fora
Aí fora na chuva
Então não me castigue
Ou pense que eu, eu queira te machucar
Aqueles que te pegaram
Te deixaram com a corda no pescoço
Longe disso, querida, longe disso
Nunca me deixe
Diga que sempre estará lá
Tudo que sempre quis
Foi que você soubesse
O quanto eu me importo"
Guns N' Roses - Rocket Queen
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- Mãe?
Kenji ouviu um barulho estranho na frente da casa. Foi andando na ponta dos pés até que pudesse ver o portão de entrada e, conseqüentemente, sua mãe. Estava bastante escuro, mas o garoto pôde ver sua mãe... sendo agarrada por um estranho encapuzado?!
Sentiu-se tonto por uma fração de segundo, e então saiu correndo atrás do pai. Às vezes, dizia para si mesmo, "Himura Kenshin, um ex-hitokiri, lavando roupas no quintal como um empregado qualquer", mas no fundo, Kenji acabava entendo a docilidade dele.
- Papai! - Kenshin levantou os olhos, atento, ao ver o nervosismo do filho - Largue essas roupas! Tem alguém raptando a mamãe lá na frente!
Kenshin ergueu-se numa fração de segundo e pegou a sakabatou com as mãos ainda molhadas e com sabão. Correu silenciosamente, coração batendo rápido, na cabeça as lembranças de um passado cruel, mortes desnecessárias, um casamento encerrado por um rapto e uma morte. Estancou, preparou a espada na clássica posição do battou-jutsu e visou o inimigo. Mas ele ainda estava ali? Com Kaoru? Que tipo de seqüestrador que...?
- Sanosuke?! Sano, é você?
O estranho encapuzado virou-se para ele, tirou a capa e foi com os braços abertos em sua direção:
- Kenshin! Háhá, Kenshin! - os dois se abraçaram com força - E aí, cara? Putz, quanto tempo, senti saudade! Tava aqui conversando com a Jou-chan, e... Acho que assustei teu garoto, não?
O pequeno Kenji olhava assustado para a cena.
- Kenji, querido! - Kaoru adiantou-se - Este é Sagara Sanosuke! Lembra-se, já falamos várias vezes dele!
O olhar não deixava de ser desprezível. Um vagabundo de roupas velhas, remendadas e encardidas, cabelo comprido e barba por fazer, além da expressão no rosto confirmar as histórias de que ele era um sujeito briguento...
Observando o olhar de desdém do garoto, Sano deu um alto assobio e... Um belo cavalo marrom se aproximou a galope, parando bem ao lado dele, o que arregalou e fez cintilar os olhos de Kenji:
- U-um cavalo! Que lindo! Você tem um cavalo, tio Sano? Onde conseguiu? Como se chama? Posso andar nele? Você me ensina a montar? Como...?
- Ei, calma aí, moleque! Uma pergunta de cada vez! Respire um pouco!
Kenshin riu com o entusiasmo do filho, o pegou no colo, e disse:
- Vamos entrar, temos muito o que conversar, não é mesmo?
A noite já estava alta e Sanosuke já estava na vigésima garrafa de sakê quando o pequeno Kenji não agüentou mais e se entregou ao sono, apesar do fascínio da noite. O garoto dormia a sono solto no colo de Sano quando ele lhe afagou os cabelos ruivos e disse:
- Uma gracinha o moleque... E é a tua cara, Kenshin! Aposto que deve ser um excelente espadachim também!
- Claro que sim! - vibrou Kaoru de orgulho - Eu e Yahiko treinamos com ele às vezes! Sei que Kenji é muito pequeno ainda, mas já demonstra ter talento!
- Falando nisso, cadê o Yahiko? Ele ia gostar de te ver.
- Ah, sim, me esqueci de falar. O garoto mandou avisar que tá lá no Akabeko. Já encontrei com ele, Tae e Tsubame. O tempo passa, né? Tsubame cresceu à beça... Aliás, o Yahiko também, talvez nem dê mais pr'eu chamar ele de garoto!
- É, sim... - Kaoru lançou um olhar para Kenshin, que o devolveu, e então ambos passaram a olhar para Sanosuke - Sano...
- Iiiih... Mal cheguei, já tão tramando! Acho que vou viajar por mais uns dois anos, hein?
- Não é nada demais! - disse Kaoru - É que Misao e Aoshi nos enviaram uma carta, inclusive foi Kenshin que recebeu, né? ... - Kenshin balançou a cabeça, concordando - ... E eles vêm nos visitar!
- Também! A Misao cansou de fazer convite pra vocês irem lá! Vai ver ela enjoou de esperar, né, Jou-chan?
Kaoru corou levemente:
- É, eu sei... Mas é complicado, sabe... - seu olhar demorou-se um pouco em Kenshin - Bom, a Yuki ainda é muito pequena para viajar, enfim, queremos que você justamente fique aqui, sabe, acho que eles iram gostar de te ver!
- Bom, era só uma visita rápida...
- Vamos lá, Sano. - sorriu Kenshin - Fique mais um tempo conosco!
- Bah, está certo! Eu fico!
Sanosuke sorriu e ergueu a garrafa de sakê como um brinde.
- Falta pouco para o Ano Novo. Tem certeza que vai dar tempo?
- Tenho. Já estamos em Kyoto, não há mais como perder tempo.
- Sim, nós já estamos. Mas e os outros?
Soujirou virou-se para Ilka com seu habitual sorriso no rosto, e começou a contar nos dedos, silencioso, "um... dois... três...", e então a porta se abriu com um ruído estrondoso, revelando Gio, Fred e Mei-Lin.
- Gio, Fred, eu esperava vocês, mas... Mei-Lin?
- Os meninos me encontraram na estação e me explicaram o que aconteceu. Foi até bom, porque você não correu o risco de ter a cabeça separada do corpo! Aaah, se você realmente estivesse me traindo, eu...
Soujirou a silenciou com os dedos e a encarou, olhos injetados:
- Mesmo que eu estivesse te traindo, você jamais separaria a minha cabeça do meu corpo, Mei-Lin.
- Bem, eu... - Gio começou, desviando a atenção de Soujirou - ...vou levar Fred pro hospital.
- Sim, faça isso. A perna dele está ficando horrível.
Giorgio estava prestes a sair quando Ilka o chamou:
- Alguma notícia dos outros?
Ele balançou a cabeça negativamente.
- Tá, esquece... Vai lá, que o Frederico já está pálido...
Era meia-noite do dia seguinte e todos os membros sobreviventes do Juppongatana estavam reunidos naquela espelunca de beira de estrada com pretensão à prostíbulo que Soujirou havia escolhido para ser o ponto de concentração deles. Seta Soujirou, Sawagejou Chou, Honjou Kamatari, Mei-Lin, Giorgio e Frederico Ricelli, além dela própria, Ilka. Isto a fazia se perguntar se Soujirou era muito sortudo, se ele tinha um pacto com o demônio, que sempre conspirava a seu favor, ou se ele a havia enganado com toda aquela lorota de saber quem era o traidor. Agora que tudo estava esclarecido, ela preferia acreditar numa das duas primeiras possibilidades.
Foi uma reunião estúpida, mais uma confirmação de que todos haviam chegado. Ilka tinha nítida impressão de que havia alguém ali mesmo, no Japão, que era o grande comparsa de Soujirou. Aliás, desde o princípio ela já vinha dizendo a ele que era algo muito grandioso para um homem só, já que a Juppon era simplesmente um bando de capachos interessados em dinheiro a obedecer o líder, Soujirou. Naquela noite, ele dispunha de informações pela metade, planos não confirmados, nada certo. Provavelmente, ainda não havia se encontrado com seu sócio...
Ilka pensava nisto tudo enquanto vagava sozinha pelas ruas desertas da Kyoto noturna. Com exceção dos bairros de prostituição, tudo era muito quieto. Ela então alcançou um riacho, cujo nome ela desconhecia. "Em pensar que eu nasci aqui...", ela censurou a si mesma. Aproximou-se mais dele e viu sua imagem refletida nas águas calmas. Via uma menina que cresceu cedo demais, de longos cabelos negros jogados displicentemente sobre suas costas, vestida com uma longa bata de manga comprido que cobria do pescoço até o tornozelo, com uma cor marrom que combinava com o castanho salpicado de tristeza de seus olhos. Olhou para este reflexo e sentiu... ódio. A água turvou-se com um movimento brusco, para então acalmar-se de novo, e revelar um novo reflexo. Ilka segurava a bata na mão esquerda, e revelava o verdadeiro uniforme, que em comparação à bata era um tanto indecente. As correntes, sua arma clássica - poderia matar, roubar, fugir ou fazer o que quisesse com elas -, mesclavam-se com o escasso tecido negro, apertando aqui, afrouxando ali, e moldando, com a pressão ao longo dos anos, um corpo sedutor. Esta estranha mágica parecia fazer seus seios já grandes ainda maiores e deixava suas coxas completamente nuas - ousadia impensável! -, já que o resto de suas pernas era coberto por botas de couro bruto com largas fivelas ao longo de todo o seu comprimento, como um precioso toque final. Agora sim, ela sorria. Tinha apenas 15 anos, mas ninguém desconfiava... Ninguém. Ela vestiu a bata com tranqüilidade e rumou de volta ao hotel decadente em que era obrigada a hospedar-se.
- E então? Chegaram todos?
- Sim, chegaram. Devo confessar que duvidei que você fosse conseguir, mas...
Ele estalou a língua repetidamente.
- Não duvide. Meus planos são ambiciosos. Falando nisso, já adiantou alguma coisa para a sua "trupe"?
- Somente que tudo será feito no dia do Ano Novo. Todos acharam muito arriscado, que haverá muita segurança, mas fora isso eu não entrei em maiores detalhes. Eu queria confirmá-los com você antes.
- Fez bem. Esse novo grupinho é muito idiota, Soujirou. A antiga Juppon já não era brilhante, mas a nova... Que horror! Alguém desconfia que você não está sozinho nesta?
- Ninguém, com exceção de...
- Com exceção de??
- Ilka. Acho que ela já deve ter pensado nesta possibilidade. É a única que é esperta o suficiente para sacar alguma coisa desse tipo.
- Então mate-a! Este plano está sendo financiado por mim e mais um grupo de interessados, mas a ordem expressa é que ninguém além de você saiba disso!
- Fez fortuna rápido, hein? - Soujirou bateu palmas - Meus parabéns! Não sei como conseguiu, talvez até faça idéia, mas a verdade é que isso não me interessa... Estou sendo bem pago. E não vou matar Ilka. Confio nela. Jamais delataria nada, ela não acredita muito nas pessoas, com exceção de mim.
- Não me apronte, Soujirou. Eu posso até ter me dado muito bem nestes últimos anos, mas com a morte do Imperador... Verdadeiramente, alcançarei poder e fortuna! Ele tem sido um enorme empecilho político, logo quero-o morto, mas não quero correr riscos! Estou apostando alto neste esquema. Aliás, deixe-me explicá-lo. Amanhã mesmo, vocês irão para Tokyo, que como já sabemos, se tornou capital do Japão desde a instauração da Era Meiji, e com isso, passa a abrigar também o enorme palácio real.
- Que é extremamente bem-guardado!
- Exato. Mas qual a única época do ano em que qualquer um pode entrar no palácio?
Os olhos de Soujirou se arregalaram:
- No Ano Novo, é claro!
- Exato de novo. Agora é minha vez de bater palmas. No Ano Novo, Sua Majestade abre os portões do palácio para seus súditos, o que já é uma tradição. É óbvio que haverá segurança excessiva, já calculei tudo. Como meus planos estão obviamente correndo bem, o Imperador já sabe de tudo e está precavido, graças à falsa espiã - aquela piranha da Farrah - que eu mesmo contratei através de intermediários.
- Certo. Então você mexe seus pauzinhos, infiltra seus homens, sujeitos de confiança, e a gente mata o Imperador.
- Um plano perfeito, não?
- S-sim... - Soujirou começou a ter um ataque repentino de tosse.
- O que foi? Não sabia que você tinha alergia à cigarro, Soujirou.
- E realmente não tenho, mas o ar já está irrespirável, você fuma demais!
- Eu e mais um terço da Terra! Mas tudo bem, essa reunião já acabou. Já sabe então, amanhã, à primeira oportunidade, viaje para Tokyo. Aqui tem ienes suficientes para isso. - entregou a ele um envelope polpudo - Eu mesmo farei isso em breve. Até mais.
- Não há mais nada a acertar por enquanto? - Soujirou disse com um tom que oscilava entre o zombeteiro e o desafiador.
- Não, não. Há certas coisas sobre as quais preciso conversar com você, relacionado à figuras do passado, mas...
- Ao passado? - Soujirou interrompeu, um sorriso cínico - Finalmente, não é mesmo, caríssimo senhor Saitou Hajime?!? Lembre-se, eu não seu empregado, não sou um assassino profissional contratado em meio à névoa, eu tenho meus objetivos e você tem os seus. Eu concordei em te ajudar a matar o Imperador em troca de receber uma oportunidade de matar Himura Kenshin. Já tenho contatos aqui no Japão, eu sei que você já visitou Shinomori Aoshi. É a primeira fase do plano de envolver a todos, não? Mas preste atenção!
Saitou o encarou com olhos apertados, enquanto Soujirou se aproximou dele e disse, devagar:
- Eu não vou tolerar interrupções suas na morte de Himura!!
- Digamos que... Tudo se tornou uma corrida agora. Uma competição. Vamos tornar as coisas mais divertidas...
Soujirou se levantou de um solavanco, e começou a andar pela sala, dizendo:
- Fique fora disto, Saitou. Quem vai lutar com Kenshin sou eu! Este é o único motivo pelo qual eu meti neste plano suicida de matar o Imperador do Japão! E apesar dos pesares, a Juppon já está reduzida, e tenho certeza de que se não tiver mais baixas até o final disto tudo, será um milagre! Então, você não ouse ficar de brincadeira... Você pode ser o comandante da polícia especial, pode ser um fudido qualquer da vida, um rounin, um monge ou um deus, seja lá o que for, não vai ficar me usando como um joguete qualquer! Ou então, eu pego as minhas coisas e a minha equipe e volto para a Europa amanhã mesmo!
Foi a vez de Saitou se erguer, com a mão na bainha da espada:
- Você não ousaria fazer isto, Soujirou. A não ser que queira voltar para a Europa sem cabeça.
Soujirou fez uma debochada expressão dócil:
- Ahhh... Fiquei com medo agora... Deixe de ser patético! Você pode até manipular os outros, mas a mim, não! Você precisa de mim agora, Saitou Hajime. Você já gastou muito dinheiro, e já mobilizou muita gente. Você sabe que este plano precisa ir até o fim. E também sabe que não existe mais ninguém no mundo disposto a fazer o que eu quero fazer, não é mesmo? Sei que você procurou muitos assassinos profissionais antes de recorrer a mim, Saitou. Todos riram na sua cara, todos disseram que "não, não tenho tendências suicidas, obrigado".
Tanto Saitou quanto Soujirou sentaram-se de volta em suas cadeiras, e permaneceram em um silêncio mórbido por alguns instantes, como se analisando os fatos. Até que Saitou disse:
- Na hora veremos, Soujirou. Se você for completamente eficaz, terá a chance de lutar com Kenshin. Senão, eu luto, e finalmente resolvo meus problemas do passado.
- Definitivamente, você tem um problema de pontualidade... Já se passaram mais de quinze anos, você já teve tantas oportunidades não-aproveitadas...
- Não discuto meus motivos com você.
Soujirou deu de ombros e disse:
- Certo, eu aceito. É uma condição justa. Agora, diga... Qual foi o resultado da sua visita a Shinomori?
- Bem... Devo confessar que ele não é nenhum ingênuo. Desconfiou de meus objetivos, mas algumas fontes me disseram que ele vai viajar para Tokyo, provavelmente quer contar pessoalmente a Himura a respeito da minha visita bizarra. O que significa que, de um modo ou de outro, ele vai cumprir a parte dele, ou seja, chamar Himura para a bagunça.
- E se ele disser que não vai querer se meter, que ele está numa boa...
- Bobagem, babaquice dele. Himura Kenshin, o sujeito da empatia. Ele enrola, enrola, mas sempre se mete, sempre vai ajudar... Se tornou um assassino por causa dessa mania absurda. Então, mais uma vez, ele vai se meter, e tudo vai dar certo.
Soujirou alargou seu sorriso, e se levantou:
- Eu espero que sim. Até Tokyo, Saitou!
- Até Tokyo.
Saitou acompanhou com os olhos Soujirou sair da sala e bater a porta, depois sorriu e disse para si mesmo:
- Não reze por mim agora, Soujirou, espere até o dia de amanhã...
- Kenshin?
- Hmm? - o ruivo espadachim levantou os olhos de sua comida e encarou o amigo à sua frente.
- Aproveitando que a Kaoru não está aqui e... - ele olhou para os lados, o murmurante restaurante Akabeko, com fregueses entretidos e Tae, Tsubame e Yahiko correndo para lá e para cá a servir os outros - ...E que ninguém está realmente prestando atenção na gente e me diz uma coisa... Tem algum motivo extra nessa visita de Shinomori e Misao, não é? Eu tou sacando, você está meio nervoso, às vezes fica com esse olhar perdidão, de peixe morto... Qualé, pode falar. Sabe que pode confiar em mim.
Kenshin inspirou fundo e começou:
- Como Kaoru falou, eu recebi a carta. Tinha uma mensagem de Misao, a que Kaoru leu, e eu mostrei para você, e um postscriptum à parte de Aoshi. Ele disse que... Recebeu uma estranha visita de Saitou Hajime.
Sano quase engasgou com seu peixe:
- Quê?? Saitou Hajime?? Esse desgraçado ainda não morreu? Mas que merda! Eu esperava fazer uma visita agradável, e não ter que ficar convivendo com aquele policialzinho de merda metido à besta! Cacete...
- Calma, Sano, calma. Saitou o visitou para dizer o seguinte: parece que a Juppongatana está de volta.
Agora foi a vez de Sano cuspir o sakê:
- Caralho! Eu devia ter esperado pra conversar contigo quando não tivesse comendo! Juppongatana? Essa definitivamente tinha que estar morta! Shishio já era, metade do grupo já era, e o Soujirou tinha se convertido e provavelmente deveria estar colhendo flores e cantando no meio de passarinhos dóceis agora!!
- Sim, eu também acho, mas... Saitou foi chamado para conversar com o Imperador, porque agora ele é comandante da polícia especial, sabe. E parece que a Juppongatana estaria de volta, sob uma nova formação liderada por Soujirou, com o propósito de matar o Imperador!
Sano explodiu numa ruidosa risada, chamando a atenção do restaurante inteiro.
- Sano! - Kenshin coçou a cabeça - Não era pra gente chamar a atenção, lembra?
- Ahhh... Desculpa... - Sano ainda estava controlando a risada, e o resto do restaurante esqueceu os dois - Cara, acho que o Soujirou pirou de vez... Se duvidar, tá se vestindo com hakamas de florezinhas coloridas... Hahahaha... Matar o Imperador? Prá que diabo ele ia querer matar o Imperador? Não tem motivo, sem contar que é suícidio! Ninguém é mais bem protegido que ele, e ninguém ia querer matá-lo em uma época em que o Japão cresce a passos largos, o que deixa a popularidade dele em alta! Ah, não, me dá um tempo... Acho que o Saitou tava afim de sacanear o Shinomori, é isso.
- Aoshi acha a mesma coisa que você, mas disse que como Misao já vinha insistindo a um tempo que eles viessem nos visitar, ele disse que nos explica melhor quando chegar aqui.
- E além do mais, porque Saitou Hajime, o grandiosíssimo senhor rei da cocada preta, ia se dar ao luxo de ir falar isso tudo prá Shinomori? Tem alguma coisa mal contada aí...
- Também acho, Sano, e não pode ser boa coisa...
Kenshin olhou pela janela, distraído com a visão enevoada do Monte Fuji, e pensando na tranqüila felicidade dos quatros anos que se seguiram ao nascimento de Kenji... Poderia ela ser perturbada, depois de tanto tempo, tantas coisas enterradas?
Próximo Capítulo(todo o resto só mesmo lá em baixo)
Himura Kenji, numa belíssima fanart feita por Laine.
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