Série (III) - Rumo a Terra Longínqua



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Kenshin havia cumprido as ordens de Yamagata, e pelo visto Aoshi também, há cerca de quatro horas já estavam em alto mar, e o doce balanço do navio o apaziguava de seus pensamentos, numa misteriosa e inebriante letargia.

_Hei, você! Como veio parar aqui? _Uma voz soou amiga logo ao lado de Kenshin.

_Oro? _ Com a súbita partida de Tókio, e os detalhes apenas superficialmente combinados, Battousai de repente dava-se conta de que não havia pensado sobre o que dizer, caso alguém lhe perguntasse exatamente aquilo: o motivo de estar num navio de escravos.

_Olá ruivo, falei com você!

_Desculpe._Pausa. _ Ah, sim...Sou lavrador, e tenho trabalhado nos campos de arroz a leste de Edo, desde a Restauração Meiji.

_Ah, bom...Como se chama? Eu sou Usuki Makagashi, e também sou camponês, e você?

_Himura, Kenshin Himura.

_Estranho! Este nome me parece tão familiar...

Também conhecido como Battousai O Retalhador...

_Por acaso já nos encontramos antes?

_É que durante muitos anos fui um andarilho, e estive em diversos lugares, talvez seja a razã...

_Shh, o agente do governo encarregado da migração vai fazer a inspeção!

_Todos de pé, por favor.

A voz de Saitou soou seca, dura e desprovida de qualquer sentimento ou simpatia, enquanto com o cabo da espada japonesa, ele ia estocando um a um os homens magros e alquebrados, até que formassem duas filas simétricas.

Os olhos de Kenshin passaram de Aoshi, portanto perfilado um pouco mais á esquerda, até pousarem em Hajime Saitou.

Estranhamente aquele papel parecia perfeito para ele, e poderia soar como loucura a ouvidos desavisados, mas tudo indicava que até prazer o Lobo de Mibu estava experimentando com aquela terrível incumbência.

_As regras são as seguintes: Dormir demais - calabouço, comer demais-calabouço, feder demais-calabouço, falar demais - língua cortada, rebelião- a morte.

Logo se eu vir o menor sinal de qualquer uma das indicações acima, garanto não terei piedade em fazer cumprir as regras, entenderam?

_Hai.

Os trinta e nove homens responderam em uníssono, e naquele segundo, numa mínima fração de segundo, Shinomori fitou Kenshin com cumplicidade.

_A propósito, sou Gorou Fujita, delegado de polícia...Designado para acompanha-los até seus destinos finais no Havaí. _E logo em seguida, após apenas três passadas com suas pernas longas, Saitou lançou a ironia: _Fique esperto, Himura, não vá querer se tornar um mártir nas minhas mãos... _Fora a confissão explícita de Saitou, quando chegara a vez do espadachim, ser por ele inspecionado.

Maldito, não sei se serei tão complacente em nosso duelo!

Cruzar um oceano era sempre uma aventura, mas o desconforto do porão de um navio em nada acrescentava romance ou emoção, aquela jornada. Kenshin estava acordado, mesmo que seu corpo delicado, suplicasse terminantemente que era momento de parar, e recobrar forças para mais um dia de viajem; ele persistia em alerta, como um ex-integrante Ishin Shishi sempre pronto para o combate.

Parecia uma eternidade, mas só contavam três dias, três terríveis e intermináveis dias, que singrava a superfície do mar encapelado até um estranho arquipélago no Pacífico, Honolulu.

Na embarcação existiam os mais diversos tipos de rumores, especulações e boatos. No entanto, o que indicava ser mais concreto era que seriam remanejados até uma tal de plantação de abacaxis, uma fruta muito estranha, extremamente doce e cítrica, com inúmeros espinhos em sua casca, além de uma exótica coroa verdejante como talo.

_Abacaxis, nós vamos plantar abacaxis...Pelo que dizem senhor Himura, ela cresce no chão como uma raiz, e durante a colheita nossas mãos ficam tão inchadas de arranca-las da terra fofa, que mal conseguimos fechar os dedos depois do trabalho.

Essa não, se isto acontecer como poderei manejar uma espada?

_Senhor Himura? _Usuki desde que embarcara parecia ter nutrido uma simpatia imediata por Battousai, que no entanto, permanecia frio, e arredio ás tentativas de aproximação daquele pobre coitado. Jurara para si mesmo quando aceitara aquela missão, que não mais se tornaria suscetível á condição humana, ou permitiria ligar-se por vínculos afetivos a qualquer outra pessoa como fizera no dojo Kamya. _ Por quê tenho a impressão de nunca ouvir o que falo?

_Não sei se devo contar, é que estou, estou com saudades de alguém muito especial...Alguém que eu deixei em Tókio.

_Sua esposa?

_Sim, como sabe?

_Nesta madrugada quando estava dormindo, chamou o nome dela umas duas, ou três vezes : Kaoru, se não me engano.

_...

É Himura Kaoru.

O dojo Kamya havia se tornado um lugar extremamente triste e vago, como se a essência da paz e da alegria, houvesse sido roubada por algum espírito malévolo.

Entretanto Kaoru estava decidida, não ia se deixar abater, e se uma vez Kenshin partira e retornara de uma perigosa batalha...Algo dentro dela fazia-na acreditar piamente, que esta possibilidade, poderia se repetir mais uma vez.

Ele era um homem cauteloso, que ansiava em preservar os amigos acima de tudo, e ao analisar esta condição de uma maneira mais racional; aquela carta que Himura escrevera num momento de dúvida, só teria uma explicação: não molestar ainda mais aos que amava.

Durante os conflitos da Era Tokugawa, sua fama viera do fato de que sempre enfrentara as batalhas sozinho, mesmo quando a missão implicava a defesa dos Ishin Shishi.

Esta era a réstia de esperança com o que se agarrar, a réstia de coragem para prosseguir e aguardar, aguardar, aguardar...

Com os dedos correndo pela cabeleira, ela tocou a base da nuca, onde o fervor dos beijos de Himura ainda persistiam.

A shinai estava em riste, em pose de combate a um inimigo invisível.

" Uma espada é uma arma, kenjutsu uma técnica de assassinato..."

_Não! O estilo Kashin prega a espada pela vida, e assim será Kenshin!Defenderei com honra o seu nome. Sei que um dia irá voltar, e alguma coisa me afirma isso!

_Kaoru?

_Estou aqui, _ela respondeu ao ver que Sanosuke parecia cauteloso, cheio de dedos e dúvidas, tinha sido assim desde o dia que Himura havia partido; e ela precisava provar que ficaria tudo bem, _se veio pedir dinheiro emprestado pode dar meia volta, agora que Kenshin foi embora, estou com reservas só até o fim do mês.

_O que pensa de mim, hein? Vim convida-la para ir até a cidade, está trancada no dojo há cinco dias! Não pode ficar se lamentando, e...

_Quem está se lamentando, _ela explodiu enquanto avançava com a shinai, _ por acaso está vendo algum bebê chorão por aqui?

_Eu apenas...

_É melhor me dizer logo o que quer!

_Calma Kaoru, espere, todos nós sabemos o quanto está sendo difícil a vida no dojo sem Kenshin, mas só queria mesmo ajudar, pega leve!

Kaoru baixou a guarda afinal.

_Desculpe, tem razão. E está bem, aceito ir a cidade; estou mesmo precisando comprar missô. Volto num segundo.

O sol matinal estava frio, com nuvens que prenunciavam uma torrencial chuva de monção, Kaoru seguia silenciosa pelas ruas da cidade com o vento a assanhar-lhe os pensamentos. Todos os detalhes daquela alameda de prédios coloridos, com suas bandeiras repletas de ideogramas, que iam do Akabeko até a praça central, relembravam grande parte das aventuras que desfrutara ao lado de Himura.

"_Battousai, O Retalhador!

_Oro?

_Finalmente o encontrei!

_...

_Foram dois meses de mortes, mas seus assassinatos terminam hoje, prepare-se!"

O lugar era aquele ela sabia, podia passar milênios, mas jamais esqueceria daquela ruela...Onde há três anos Kaoru o encontrara como um mendigo, um andarilho sem lugar para ir.

_Kaoru? Kaoru você tá legal? _Sano insistiu, enquanto a jovem permanecia estática fitando o nada, ou pelo contrário...O tudo que conhecia.

_Sim, sim, estou bem...É que foi aqui, bem neste lugar que eu o conheci, e...

A frase de Kamya ficara subitamente suspensa no ar, porque de uma das pequenas acomodações em cortiços, surgira uma moça gritando a plenos pulmões.

_Seus desgraçados, eu vingarei meu irmão!

Ela não era muito mais alta que Kaoru, o rosto marcado numa profunda tristeza, escondido por trás de uma massa de cabelos presos em longa trança, que caíam de uma touca improvisada feita com trapos.

Estranhamente estava vestida como um menino, calças curtas, sapatilhas e uma gi de luta. Trazia na mão a espada japonesa com a lâmina partida; mas o que realmente impressionava era mesmo seu olhar.

Vazio, sim vazio. Sem brilho, e que parecia fitar em todas direções!

_Macacos me mordam, ela é cega Kaoru!

_Precisamos ajuda-la, vamos faça alguma coisa Sanosuke!

_É pra já!

E assim soltando o par de baldes presos por uma tipóia ás costas, Sanosuke fechou os punhos. Eram três oficiais do governo, e um deles ostentava a insígnia de capitão.

Nunca topei com caras de uniforme...

_Hei, rapazes! Que tal enfrentarem um sujeito do tamanho de vocês só pra variar?

Então o líder deles falou afinal: _Ora, ora...Eu conheço você! É o fanfarrão do alojamento para vagabundos, que usa o ideograma "mal" nas costas, um dos filhotes da Sekihoutai.

_Não ouse a difamar o nome do capitão Sagara na minha frente, ou... _Com um estalar de dedos, a mão direita de Sano ficou lacrada como uma grande concha.

_Ou o quê? Acredita mesmo que uma luta com punhos, vai se comparar com o fio de uma katana?

_Garanto, já derrotei gente muito melhor que você só com o meu indicador!

Kaoru parecia apreensiva, mas suas atenções naquele instante não estavam unicamente voltadas para o brutamonte irritadiço, que todos conheciam como "Crista de Galo". Precisava mesmo era saber o que de tão errado aquela garota havia feito, para provocar a ira de três oficias do governo, de uma maneira tão absurda!

_Olá, o que está acontecendo por aqui? Posso ajudar nalguma coisa?

_Pode! É só me largar moça, que já terá feito o bastante! _A garota se debatia tal um peixe apanhado numa rede. _Não preciso de ninguém para intervir na minha vida! Saia da frente, por favor, preciso terminar o que vim fazer nesta cidade!

_Vamos, acalme-se, parece muito bravinha para alguém do seu tamanho!

Oh, oh, a rota falando da mal trapilha?Ela mesma não era um exemplo a ser seguido, mas...

_Quem é você?

_O meu nome é Makagashi, Kamy Makagashi, e vim a Tókio vingar o meu irmão!

_O seu irmão?

_Aqueles três o arrancaram de nossa casa em Hokkaido, disseram que iriam leva-lo para trabalhar numa tal de ilha chamada: Havaí, e desde então não temos mais ninguém para cuidar de mim, e dos outros pequenos. Usuki era a única pessoa que nos restava, desde que Battousai matou toda nossa família, durante os conflitos da Era Tokugawa.

_Battousai? Battousai O Retalhador?

_Ele mesmo! Quem mais?

Kenshin!!!

Sanosuke Sagara em 1880 tinha 21 anos, numa época em que a desnutrição imperava, e a maioria dos nipônicos com o próprio Kenshin, não passavam de um metro e sessenta...Ele destacava-se na multidão com sua altura imponente, arrogância desmedida, e cinismo perene.

Se todos já sabiam que o ideo de "mal" , que ostentava nas costas tratava-se apenas de um disfarce, suas técnicas como lutador de aluguel haviam se aprimorado...Principalmente no futai no kiwame, aprendido com o Monge Anji durante a guerra de Edo.

De fato as coisas andavam meio pacíficas para Sagara, há mais de dois meses que não se envolvia numa boa briga, nem mesmo por diversão! Portanto comprar aquela luta era mais que uma obrigação, seria um verdadeiro prazer!

_Aaaaaahh!!!

Sano mal podia esperar por um contra-ataque, por isso com toda a excitação necessária á uma boa batalha, ele correu em direção ao adversário com a respiração arfante, os olhos flamejantes, e o coração acelerado, como se mil cavalos corressem sobre chão batido naquele minuto.

_Chegou a hora de sua morte!!!

Com o polegar sobre a bainha, o capitão da guarda oficial sacou a katana, enquanto Sano o fitava atentamente entre os olhos...No entanto o primeiro soco de Sagara fora prontamente defendido, com um golpe lateral que com o corte do vento, fez com que Sano fosse projetado para um monte de lixo, recostado atrás duma barraca de frutas.

_Hei, vocês estão loucos? Quem vai pagar meu prejuízo? _O feirante gritou, mas não obteve qualquer resposta.

_Sano!!! _ Era a vez de Yahiko surgir na história, pois saindo do Akabeko ele viu o amigo alquebrado, caído sobre um monte de cascas de batata.

_Dê o fora daqui Yahiko, esta é uma luta de gente grande, sim?

_Ya-hi-kooo!!! _Kaoru o chamara, mas parecia inútil, pois armado para a luta o pequeno e destemido discípulo do estilo Kashin , partira no contra-ataque aos outros dois oficiais subalternos, que pareciam se divertir com a briga de Sanosuke e o capitão.

_Estilo Kamya Kashin!!! _A shinai se fez respeitar, quando com velocidade aperfeiçoada, Yahiko voou por cima dos rapazes de uniforme, num salto que o fez alcançar o telhado baixo de uma pequena loja de tecidos, não antes de os derrubar com um golpe nas costelas, não antes de roubar a atenção do capitão tempo o suficiente, para Sanosuke se recuperar e voltar ao combate.

_Bom trabalho Yahiko, é isso aí!

Então ele se reergueu, a perna direita estava levemente flexionada, enquanto a esquerda se estendera numa posição que denotava toda a flexibilidade do guerreiro. E assim ele correu, correu contra o ataque da katana voraz, com lâmina tão afiada capaz de cortar papel, e não deixar nem ao menos um vínculo. E com um giro rasteiro, ele conseguiu se desviar do rastro de poeira que a espada descrevera ao seu redor, e se aproveitando da própria condição do adversário desferiu um soco bem no estômago do capitão.

Que atordoado, caiu ao chão jogando uma lufada de sangue no rosto de Sanosuke Sagara, o temido lutador zanza dos guetos de Tókio.

E a chuva começou á dar seus ares, aos poucos as pessoas correram para se esconder, apenas Kaoru, Sano, Yahiko além da jovem misteriosa permaneciam no meio da avenida enlameada.

_Ah , á propósito esqueci de me apresentar, eu me chamo Himura, Kaoru Himura, este é Sanosuke Sagara, e o menino é o Yahiko Miojin, discípulo do dojo Kamya...

Com a ponta dos dedos Kamy tocou o rosto de Yahiko, sentido sob seus dedos os contornos quase engraçados do rosto do menino, que já começava a se tornar um homem. Então Sanosuke sentindo todo o peso do mundo, e o cansaço satisfatório se aproximou.

_Se me der licença senhorita?... _Segurando o pulso fino da donzela, ele a ajudou a sentir as nuances de seu rosto, e por um fragmento de minuto houve química no ar, ou mágica quem sabe? Porque ela, a mulher misteriosa simplesmente sorriu.

_Sagara San, você se parece com meu pai.

Quando Aoshi Shinomori aceitara a missão, sabia muito bem dos riscos que teria de enfrentar, entre eles o mais aterrador não dizia respeito a alguma luta sangrenta, e sim :tratava-se de sua própria saúde, há menos de um ano durante uma batalha em Edo, Shinomori fora encontrado desacordado por Misao. Ela ficara subitamente atordoada, e se vira ás pressas tendo que chamar um médico, na tentativa de salvar a vida do okashira.

Sorte ou azar, quem estava na cidade para o socorrer, era uma antiga rival! Uma mulher que nutria um estranho sentimento dúbio por Aoshi, Megumi Takani.

Não era segredo que nem Misao, e muito menos Kaoru topavam com a médica. Mas naquele momento ela viera a calhar, estava fazendo uma espécie de estágio com o cônsul Lester em técnicas ocidentais de cura, e fora quando a doutora descobrira...

_Não queria ter sido eu a pessoa á lhe dizer isto, mas sinto que somente agora vou ter alguma justiça, pelo que fui obrigada a fazer quando era sua refém na Oniwabanshu...Você está com tuberculose, Aoshi Sama, e suponho que deva saber que para tamanha enfermidade, ainda não se ouviu falar em cura.

Se Takani esperava ou não algum sentimento, ou qualquer sinal daquele intrigante par de olhos verdes, ela não obteve vestígio de resposta. Shinomori limitou a vestir-se com o sobretudo, e cruzar a porta de saída.

Mas ali, em alto mar, com o constante balançar de um navio que não oferecia a menor condição de salubridade, a umidade, o mau cheiro, o suor, além duma alimentação irregular o levavam a único destino: agonizar em febre.

Fora num dos turnos de Hajime Saitou ,que o policial percebera: deveria estar acontecendo algo de errado. Passava pouco mais das oito da noite, e todos já deviam estar dormindo, incluindo Himura que também dava ares de visível fadiga, que ele o vira estendido no chão.

Aoshi trazia a tez clara, ainda mais pálida, o suor embebia seu rosto fino de traços aristocráticos, como se acabasse de sair de um ofurô, e os olhos? Olhos ainda que semicerrados, fitavam um infinito perdido, tal a expressão débil de algum louco em seus momentos mais críticos, ou apenas a visão dum homem que delira arduamente.

_Henya, Beshimi, Misao, Misao... _Aoshi repetia sem parar, subitamente tão frágil, subitamente tão indefeso, ainda mais belo.

Entre seus dedos estava um pequeno frasco, que continha um líquido negro pela metade, e mesmo com a mão trêmula Aoshi continuava á apertar a embalagem com tamanha energia, que Saitou desistiu de saber do que se tratava.

Era praxe que quando um homem caía doente nalguma embarcação escrava, o mesmo deveria ser atirado ao mar, e ser devorado por tubarões. Mas o que fazer naquele caso em particular? Aoshi Shinomori não era um mero escravo. Era o mentor do plano para a libertação dos lavradores de Hokkaido, o único que conhecia a fundo toda a trama de Mya Hikoburi, e sacrifica-lo seria sem dúvida uma grande perda.

Mas Hajime Saitou nunca ligava para perdas fossem elas consideráveis ou não. Era inteligente o suficiente para virar o jogo sozinho, no entanto ainda havia uma terceira pedra naquela partida, a última e mais importante cartada: Battousai Himura, que certamente não ficaria nada satisfeito em saber qual atitude seria obrigado a tomar com Shinomori, caso o mesmo persistisse enfermo.

Então num repentino momento de lucidez: _Saitou, faça comigo o que for necessário...

Shura era uma antiga pirata, que descendia de uma famosa linhagem, durante muito tempo ela liderara um grupo voraz, até que fora joguete do destino e se envolvera com Kenshin Himura, numa batalha em seu próprio navio "O Dragão do Mar".

Não era segredo pra ninguém, que ela nutria uma paixão intensa por Battousai, uma jovem extremamente forte e talentosa, que desprezava o fato de ser mulher até o dia em que fizera o espadachim de refém, e o mesmo nobremente se recusara a lutar com ela em combate aberto.

Certamente trazia para a pirata algum tipo de comoção, o detalhe de ambos estarem mais uma vez de mesmo lado, portanto quando á espreita presenciara o estranho ataque de Aoshi, Shura resolvera que enfim era chegada a hora de agir.

_Kenshin?

_Ahm, o quê? _Ele despertou meio atordoado, os olhos lilases piscando duas vezes, antes de se abrirem em lindas órbitas luminosas sob cílios longos e curvados.

_Temos problema...Vamos, acorde.

_O que foi? Por acaso fomos descobertos? _Ambos sussurravam, não queriam chamar a atenção de ninguém; e para auxiliar ainda mais o disfarce Shura, servia água nos lábios ressequidos de Kenshin numa estranha cuia de madeira com cabo longo.

_Nada disso, é com o Shinomori. Parece que ele teve um ataque!

_O quê? _Súbito a voz de Himura se elevou mais do que devia, provocando uma considerada agitação entre os prisioneiros, num mar de assovios críticos e imprecações negativas. _Obrigado Shura, agora saia! Acho que vamos ter barulho!

_Foi por isso que trouxe isto aqui, _ela sacou a sakabattou, que até então permanecia escondida entre as dobras de sua capa larga_ Agora acabe com eles Himura!

_Saitou! Deixe que um médico cuide de Shinomori!

_Himura, não sabe o quanto estava esperando por isso...

_Então venha, estou pronto!

Entre olhos assustados, e uma estranha atmosfera de tensão no ar, um círculo se fechou. E ao centro dele estavam Battousai e o Lobo de Mibu.

Enfim nossa hora chegou..._Himuraaa!!!!!!

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