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_Nossa!
_E é isso. Está preparada?
_A-acho que estou. Foi ele que pediu para vir aqui, não foi?
_Sim, há dois ou três dias atrás. Parecia realmente preocupado quanto a este, digamos: detalhe. Outra coisa, se não quiser um bebê por agora, trouxe isto pra você também, talvez...
_Não, prefiro não esperar muito. Kenshin adora crianças, não percebe como ele trata Ayume e Suzumi? Está na hora de eu e ele termos uma verdadeira família, a nossa família.
_Então está bem, vou deixa-la com a Tae e receber os convidados, já estão chegando sabia?
_Será que, que Seijuro Hiko virá? Ken-Kenshin ia ficar realmente feliz se o mestre dele estivesse aqui para vê-lo.
_É algo imprevisível, mas a noite está somente começando...
_É verdade.
Kenshin não estava menos excitado, portanto com dedos trêmulos acabou por de um gole sorver um trago de saquê, ou pelo menos o que restava da noite anterior. Era um torvelinho de emoções para um único homem, compromisso, amor, prazer, sexo, dia seguinte, luta, sangue, abandono?
Bem, em pouco tempo teria que cumprir o seu destino, mas prometera a si mesmo que pelo menos durante uma noite, uma simples e singela noite seria a criatura mais feliz e plena de todo o mundo. Ele que já fora o mais forte, queria fenecer como o mais fraco. Portanto ao correr os dedos finos e longos pela divisória, e aspirar o vento fresco da noite num jardim pontuado por milhares de lanternas e fogos de artifício, que em dimensões gigantes lhe lembravam muito apropriadamente seus vagalumes secretos, sentiu-se tranqüilo, em paz.
Que bonito!
Em volta de um arco coberto por sakuras, Sano o aguardava ao lado de Megumi e Yahiko. Ao fundo estavam Misao, Okina, Tsubame, Dr. Gensai e todos os amigos do dojo Kamya.Mas, mas...Aquela silhueta que cruzava o portão, não, não podia ser!
_Mestre?
_Achava mesmo que ia perder essa festa por algum motivo, Kenshin?
_Mestre! _Ele repetiu, não mais uma pergunta, e sim uma feliz afirmação.
_Acho que terei de dar uma forcinha para sua noiva, ou vai querer deixa-la esperando?
_Não.
_Então venha. Espero que seja tão bom nessas coisas, como no hiten mitsurugi ryu.
Tudo bem, sutileza nunca fora o forte de Seijuro Hiko, e timidez sempre fora uma característica de Battousai. Logo não era surpresa se sentir corando da cabeça aos pés.
Os chinelinhos se arrastaram satisfeitos, em passos leves e curtinhos, até o arco onde devia esperar pela chegada de Kaoru. Se seguisse a tradição, ela deveria surgir coberta por um fino véu acompanhada pelo pai, um tio, ou irmão mais velho. No caso da solitária Shinandai, quem faria ás vezes de zelador da pureza seria Seijuro.
Certa vez ele insinuara que Kenshin devia descansar, unir-se a alguém; e era por esta razão, somente por esta razão que sem dúvida alguma, estaria ali. E a noite era tão especial, que nem ele, nem ninguém fora capaz de divisar uma carruagem requintada estacionada do outro lado da rua, e de onde uma fina fumaça serpenteava na brisa suave e se expandia no escuro.
As atenções daqueles belíssimos olhos lilases tinham apenas um alvo...
_Kaoru. _Ele sussurrou ao vê-la surgir entre a alameda de pétalas róseas de sakura que Tsubame, Ayume e Suzumi lançavam para o ar.
Kaoru, desculpe por tê-la feito esperar tanto tempo...
Se o tempo parasse naquele instante mágico seria uma dádiva dos deuses, por ela enfrentaria um exército de Makotos Shishios, por ela caminharia satisfeito na escuridão sem a luz dos olhos para se ater a cada detalhe daquele rosto jovem, delicado, e inocente. Por ela sairia ileso, voltaria do Havaí, e enfim seriam felizes com a sakabatou a descansar eterna nalgum lugar secreto do dojo. Por ela, e somente por ela seria capaz de matar, morrer, ou viver e apenas viver.
_Kenshin... _Sua noiva sussurrou ao lhe estender os dedos finos, e passar dos braços de seu antigo mestre, o único pai que realmente conhecera, para seus próprios aflitos e solitários.
Esta noite morre um Rurouni, como certa vez morreu o Battousai.
Em quinze minutos estava tudo terminado, e entre vivas, e alegria de todos que sabiam as dificuldades que haviam enfrentado até ali...Himura nem por um instante fora capaz de afastar um eco, um eco quase maldito a tilintar em sua mente complexa.
"...Como previ não trago boas novas. Terá um filho em breve, senhor Himura, e ao contrário do que pensa ele será motivo de muitas lágrimas...Lágrimas de uma mulher em especial: a sua! Pobre alma, não gostaria de estar na pele desta jovem...Amará a dois homens, dois únicos homens: pai e filho, e nenhum dos dois lhe trará qualquer coisa além da completa, e total infelicidade. Lamento muito Shinta.Sua vida não foi nada feliz, mas... Esta não será como a outra, é mais corajosa, mais jovem, menos inteligente é verdade...Entretanto seu amor também é muito maior, e mais puro. Não será uma nova bainha, fique tranquilo..."
_Ka-Kaoru, importa-se de ir na frente? Preciso conversar um instante com o mestre.
_Está bem...E você falou com o Aoshi?Não o vejo por aqui.
_Shinomori resolveu voltar para Edo, tinha umas coisas urgentes para resolver, nos encontramos na cidade esta tarde.
_E o que ele queria?
_Nada de importante, creio que apenas me desejar sorte.
_Mesmo? _Kaoru parecia desconfiada.
_Mesmo. _Ele repetiu sorrindo, enquanto seu peito queimava por dentro.
_Então eu, eu já vou indo.
_Não demoro. _Battousai assegurou ao pressionar os dedos finos entre os seus.
_Tá.
Era para estar feliz, radiante, contudo aquela eterna sombra de mistério e melancolia envolvia todo o espírito do antigo hitokiri. Enquanto nalguma parte do jardim Sano e Yahiko se empanturravam com doces e guloseimas, a contragosto de Megumi e Tae, Seijuro silencioso o aguardava junto á sala de treinamento.
_Estou aqui.
_Dessa vez quem trouxe o presente fui eu, tome, beba, vai gostar.
_Não, obrigado. Não creio que Kaoru apreciaria, que o marido dela estivesse cheirando a saquê bem na noite de núpcias.
_Quase havia me esquecido de como é virtuoso e comportado.
_Mais a mais, já comemorei o bastante ontem á noite com o Sano.
_E aí, não vai me perguntar?
_Imagino que já saiba sobre os problemas em Hokkaido. É por isso que está aqui, não é?
_Vim para seu casamento Kenshin, pode não acreditar, mas tenho você como um filho. Um filho rebelde, mas ainda assim um filho.
_E o que então?
_Sei que aceitou a missão, e não acho que deva declinar, é seu dever como adepto do estilo hiten mitsurugi. Contudo tenho um pedido muito especial a lhe fazer...
_E o que seria?
_Não creio que irá voltar do Havaí, e mesmo que isto aconteça, certamente irá se afastar por um tempo demasiado longo.
_É verdade.
_Quando me procurou durante os conflitos de Edo, eu lhe confessei que precisava de um novo discípulo para levar adiante as técnicas do estilo hiten.
_Eu me lembro muito bem, eu o venci na amakakeou ryu no hirameke, mas não aceitei o manto de décimo quarto Seijuro Hiko.
_Você disse que gostaria de criar seu próprio estilo, e não era verdade, dado que o tempo passou e nada fez que apontasse que isto seria mesmo a sua resolução final. No entanto eu ainda preciso de um pupilo, Kenshin...
_E o que tenho com isso? Não consigo entender aonde pretende chegar com tais insinuações, mestre.
_Quero que me dê o filho que irá conceber nesta noite. Quero que ele possa completar com honra, o que o pai dele me negou por duas vezes, quero que ele se torne o décimo quarto Seijuro Hiko.
_Entendo. Mas esta não é uma decisão que compete somente a mim, concorda?...
_Garanto que a senhora Himura não irá se opor, visto que as circunstâncias que terá de enfrentar sozinha, não serão nada fáceis.
Kenshin se virou escondendo o rosto na larga manga da camisa escarlate, enquanto se escorava contra a parede de papel e bambu. _Queria ser uma folha e desaparecer na noite, ou mesmo sumir num precipício mil vezes, a permitir qualquer outro tipo de sofrimento a Kaoru...Mas dei minha palavra, e não posso voltar atrás!
_Então a empenhe novamente aqui Himura, e prometo que irei ajuda-lo quando não mais estiver por perto.
Seria o melhor? Sim. Ele sabia.
Com um suspiro: _eu concordo.
_Jure.
_Juro que darei meu filho, para que crie dentro da tradição hiten, e ele se torne o décimo quarto á usar a capa ritual. _ Pronto, falar fora difícil, mas pior era amargar a dor lacinante que o retalhava em milhares de fragmentos. Realmente o Battousai estava morto. _Agora é sua vez mestre, o que me aconselha?
_Este pó branco, coloque-o no chá que deverá servir a Kaoru amanhã á tarde, ela cairá em sono profundo por umas doze horas. _Por um instante Kenshin transpareceu um ar de pânico, qualquer sinal de risco em sua amada, era como manda-lo para o pior sacrifício uma centena de vezes seguidas. _Mas não se preocupe, estarei por perto quando ela acordar.
_Então eu deixarei uma carta.E nela direi que sou um Rurouni, e que meu tempo no dojo chegou ao fim...
_Será senão o mais digno, o menos doloroso, á de convir Kenshin.
_Tem razão.
_Agora vá, ela já o espera por tempo demais.
_Obrigado.
Já era tarde quando enfim Kenshin fora se recolher, primeiro seguira o ritual de todas as noites, verificar se não havia sinal de inimigos cercando o dojo, trancar as portas, encher um balde com água, e enfim apagar as lanternas da varanda.
Era sua casa, sim sua casa, seu lar, o único que conhecera em toda a vida, e que não compreendia um esconderijo, ou base de combate.No entanto, quando enfim parecia pronto para se entregar a uma nova vida, o destino lhe surgira novamente, e desta vez de uma maneira ainda mais cruel. Seria o castigo para seus crimes? Talvez sim, talvez não, talvez ironia, talvez, talvez e talvez...
Um vestígio de sorriso varou o rosto lindo quase afeminado, Sano deitado junto ao poço, agarrado a uma garrafa de saquê com Yahiko deitado em seu colo.
Seus amigos, os verdadeiros, algum dia o perdoariam? Temia que a resposta fosse negativa, mas enfim, era ela quem importava acima de tudo! E durante aquela noite, ela seria a mulher mais feliz do mundo, na verdade a única mulher do planeta se dependesse dele!
Era mais que uma promessa, mais que uma dívida, apenas a verdade.
Quando finalmente correu a porta de papel branco que separava seu quarto do salão principal, encontrou Kaoru adormecida. Pobrezinha, podia deixa-la assim e desaparecer. Desse modo acharia que nada fui além de um pesadelo em sua vida...Mas antes que de impulso se virasse, e transformasse tamanho pensamento em realidade, ela despertou.
_Kenshin, é você? _A voz estava lânguida, e Kaoru se espreguiçou debaixo das cobertas, vindo a se sentar com os joelhos dobrados para trás como de costume.
_Sim, sou eu.
Puxa, como está linda meu amor...
_Desculpe se demorei, detesto faze-la esperar numa noite tão especial como esta...
_Não faz mal. _A voz dela estava levemente trêmula, ansiosa, cortada. E o kimono? Oh kimono branco virginal, que revelava mais que escondia uma curvatura quase que inexistente de seios intocados, e um par de pernas que muito traziam ainda da leviandade infantil.
Mas o que era aquilo nos lábios afinal? Somente naquele instante percebera e não gostara. Megumi sempre usava tal artifício para realçar sua beleza madura e aristocrática. Tamanho truque era desnecessário numa flor silvestre, ele achava.
_Como está bonita, Kaoru Dono...Mas tire este carmim dos lábios, prefiro você como sempre a conheci...Singela.
_Kenshin.
_Fico feliz de ter tomado a iniciativa e me esperado. _Ele disse com a voz reta, e doce, firme e segura, enquanto pela primeira vez em anos desembainhava a sakabatou e a deixava recostada a parede fina. _Imagino o que esteja pensando, mas não tema, garanto que estou tão ansioso quanto você.
Ele prosseguia num ritual lento, e a camisa foi retirada com suavidade, uma naturalidade simples que denotou um belíssimo corpo tatuado com diversas e pequenas cicatrizes de batalha.
Kaoru não conseguia desviar os olhos, mas os dedos estavam cravados na seda cara, quase pressionada até que sangrassem as palmas das mãos.
_Creio que esteja ciente do que irá nos acontecer hoje á noite...
_Me, Me-Megumi me disse algo a respeito, não se preocupe.
_Fico feliz, fui eu mesmo quem pediu a ela, não queria causa-la qualquer tipo de decepção meu amor.
_Kaoru..._Himura sussurrou ao se ajoelhar aos pés do tatame, e toma-la nos braços subitamente. Sua pele não estava quente, ardia em febre, e a dela em nada diferia da própria. Podia senti-la tremer além do tecido fino.
Seus dedos hábeis correram para a fita azul, a linda fita azul que lhe era tão característica, e com a destreza de um homem que sabe matar, mas que também é um mestre na arte da sedução, o laço foi desfeito. Uma manta negra e brilhante, escorregadia; portanto, deslizou pelas costas de Kaoru envolvendo todo o ombro de Battousai. _Gosto deles assim, devia usa-los soltos mais vezes, são tão irresistíveis ao toque...Nossa e o aroma? O aroma de banho de imersão me deixa inebriado, e nem imagina quantas vezes fui obrigado a disfarçar o quanto queria senti-los entre meus dedos, Kaoru.
Havia alguma palavra no mundo? Bem, Kaoru se esquecera completamente o que era falar, estava resumida apenas a emoção, amor, e desejo.
Mas ela também guardava em si um impulso, ver aquela cascata ruiva reluzindo contra as lanternas, e imitando o gesto de seu marido fez o mesmo, desatou a estreita tira que prendiam os cabelos de Kenshin...E isso? Isso o levou a emitir um estranho som de prazer, quase um miado felino, e no outro instante...Pela primeira vez na vida, seus lábios pousaram sobre os dela, não o beijo dócil e gentil que tanto Kaoru imaginava. Mas um roubar arfante, amargurado, um contato que parecia trazer em si toda a paixão do universo.
_Kaoru, Kaoru, Kaoru... _Kenshin repetia, enquanto numa sucessão de beijos ininterruptos, aos poucos ia afastando a seda do corpo dela, abrindo caminhos, brechas, fragmentos sempre escondidos de pele...
Quando enfim não suportava mais adiar o desejo, Himura apenas a fitou nos olhos, de uma maneira que a esposa jamais vira até então...Um brilho intenso, mas totalmente diverso de qualquer outro que teria demonstrado, mesmo nos momentos mais cruciais da batalha.
_Kenshin... _Ela consentiu.
_Não vou machuca-la, prometo.
Então ela cerrou as pálpebras e permitiu que Battousai lhe tomasse o corpo, a alma, a virgindade.
Lentamente Kenshin deitou-a sobre o chão protegido pelo fino colchão de esteira, não antes de cobri-la com uma delicada manta, não antes de cobri-la com o próprio corpo.
Então a brisa fizera vezes de pudor, e soprando suave apagou a única luz bruxuleante de todo o quarto, a lanterna perfumada presa ao teto.
_Fiz questão de arrumar nosso quarto.
_Percebi.
_Espero que tenha gostado.
_Kenshin, por favor...
Ele sabia muito bem o que queria dizer implicitamente aquele apelo.
_Eu te amo, Kaoru, e te amei desde a primeira vez que a vi. Portanto me perdoe se for rude, sou assim, escondo-me em pequenos detalhes para refrear minha violência interior.
_Então me tome, e se liberte.
Era o momento, o único.
Kenshin amou Kaoru, amou Kaoru até que lágrimas silenciosas vertessem dos olhos azuis, amou Kaoru até que suor escorresse por seu rosto, amou Kaoru, até ouvi-la tímida porém feliz ,produzir ronronados escondidos contra seus ombros desnudos. Amou Kaoru, até gritar o nome dela independente do que os outros poderiam pensar, amou Kaoru até a exaustão total, amou Kaoru até a satisfação plena, amou Kaoru, amou Kaoru.
CONTINUA...
Theme: (Heart of Sword)
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"Qualquer semelhança terá sido mera coincidência"
PRODUTORA EXECUTIVA
A RETALHADORA
ESTRELANDO
Himura Kenshin Yahiko Miojin Misao Makimachi
Kamya Kaoru Aoshi Shinomori Tae
Sanozuki Sagara Seijuro Hiko Megumi Takani
E Apresentando: Najima Watsuki
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