Koishii II



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"Hei, Kenshin", a voz de Sano cortou a quietude. "Pensei que fosse algum malandro...", Kenshin relaxou a m�os do cabo da sakabatou e encobriu sua m�o na manga de sua vestimenta. Curvou levemente a cabe�a, fazendo com que a franja dos cabelos ruivos ocultasse os olhos dele que ainda ardiam como desejo de batalha. Era preciso se controlar... "O que voc� est� fazendo aqui?", indagou Sano emergindo da escurid�o, parando ao lado do amigo.

"Estava voltando para o dojo, parei para pensar um pouco", o tom dele era sereno, n�o revelando a batalha em seu intimo. "E voc�? N�o tinha um jogo com seus amigos?".

"Ah, passei no dojo para saber do Jo-Chan. Eles ainda n�o voltaram".

"Est� preocupado com algo?", a voz de Kenshin soou baixa, t�o suave quanto uma l�mina que corta quieta e velozmente sua v�tima.

"N�o exatamente, quero dizer, estou. Kaoru pode se deixar levar pelas palavras doces de um bonitinho qualquer. Sabe como s�o tolas as mo�as".

"N�o a achou tola quando aquele pintor se interessou por ela".

"Era diferente, eu sabia que o que ela sentia por voc� era forte".

"E agora n�o sabe mais isso?".

"N�o � isso, claro que sei que Jo-Chan � louca por voc�, por�m, de uns tempos para c� tenho notado que ela anda ansiosa demais, depois da batalha com Shishio, Enishi, a verdade sobre Tomoe, tudo isso mexeu com as id�ias dela, deixando-a com uma expectativa muito grande sobre a rela��o de voc�s, o que pode deix�-la suscet�vel �s emo��es", ele fez uma pausa. "Ela tem estado todo esse tempo temendo que voc� um dia parta".

"N�o partirei. Preciso da Kaoru, viver sem ela me seria muito penoso".

"Ent�o por que diacho n�o a deixa saber disso? Se continuar a impedir o amor dela, ela pode se cansar e acabar arrumando outro para amar".

"Algu�m como Tojo?".

"Talvez. N�o quero admitir mas ele � um bom rapaz, andei perguntando por ai".

"Eu tamb�m sinto isso. E por isso gosto t�o pouco dele", Kenshin suspirou melanc�lico. "Ele � um cara que poderia fazer Kaoru feliz, sem que a qualquer momento aparecesse algum louco querendo uma batalha para ser o mais forte. Sou velho demais para mudar, velho demais para Kaoru. Ela precisa de algu�m que ainda possa sonhar, sem um passado sangrento, ou lutas internas para travar...".

"Est� falando do Battousai?".

"Tamb�m", Kenshin ergueu o rosto, fitando a lua solit�ria no c�u sem estrelas, somente o escuro do c�u da noite. "Sempre digo que estou lutando contra ele em meu intimo, mas cada batalha que travo alimenta a sede dele de sangue, eu o mantenho vivo cada vez que uso minha sakabatou, mesmo que eu n�o mate e a ele que satisfa�o com a velocidade dos meus golpes, com a adrenalina da briga... N�o, eu n�o sou o cara certo para Kaoru, vi isso hoje quando aquele rapaz a fez sorrir, permitindo a ela ser uma garota comum, despreocupada, terna... Viver comigo est� endurecendo o cora��o dela. O que mais preciso tirar dela para saber o quanto eu lhe sou nocivo?".

"Ent�o vai deixar o rapaz conquistar Jo-Chan?".

"Vou apenas aceitar o que ela escolher, n�o posso fazer mais do que isso".

"Ent�o, partir�?".

"Se eu pudesse...", ele suspirou. "Kaoru est� em cada poro do meu corpo, � como se fosse parte de mim, eu a desejo e a quero como minha, mas h� tanto para ela longe de mim...".

Sano nada disse, ele entendia Kenshin, pois quantas vezes ele mesmo n�o considerou as mesmas coisas quanto estava com Megumi? E ele n�o tinha metade do passado de Kenshin... Se mais nada para lhe dizer, Sano bateu de leve no ombro de Kenshin numa muda solidariedade. As escolhas de Kenshin selariam para sempre a vida dele.

A queima de fogos foi maravilhosa. O lago parecia banhado pelas figuras coloridas em fogo e luz. Muitos casais apreciavam a alegria do momento, assim como crian�as e adultos. Tsubame e Yahiko tinham se sentado muito pr�ximos perto do lago, e a mocinha sorria com contentamento enquanto ambos mantinham uma conversa em tom baixo. Tae, Tojo e Kaoru ficaram um pouco afastados, apreciando o espet�culo com anima��o. Quando tudo terminou, Tojo acompanhou as mo�as para casa, deixando primeiro tsubame e Tae, depois ele insistiu em acompanhar Kaoru e Yahiko para o dojo. O garoto caminhava alguns passos � frente, as m�os cruzadas atr�s da nuca, assobiando uma can��o com anima��o.

"Ele parece que se divertiu bastante", falou Tojo quebrando o sil�ncio entre ele e Kaoru. Ela lhe sorriu.

"Sim, � verdade".

"Voc� me pareceu um tanto distante...", Kaoru abaixou os olhos, suas m�os se encontraram na frente de seu corpo num gesto inconsciente de prote��o.

"Desculpe, mas tenho alguns problemas que preciso resolver...".

"Voc� e Kenshin est�o envolvidos? Ele a corteja?", ele perguntou de repente. Ela suspirou.

"Eu e Kenshin temos um relacionamento especial, mas ele n�o me corteja. Kenshin � um homem com muitas amarguras e lembran�as em seu passado...".

"Tae me contou que ele foi um monarquista e que matou muitos homens".

"Eram outros tempos", disse Kaoru em defesa de Kenshin. "Mas ele � um homem bom e gentil", completou com ardor.

"Mas n�o tem sido gentil com seus sentimentos", comentou Tojo com um tom quase sombrio.

"N�o sabe como Kenshin me trata", o tom dela era quase amea�ador. Tojo se calou, estavam agora no port�o do dojo.

"Bem, obrigada pela noite agrad�vel", disse kaoru com polidez, pronta a entrar.

"Espere!", disse Tojo tocando de leve em seu ombro. Yahiko havia sumido na escurid�o do dojo, nem seu assobio se ouvia mais.

"Quero me desculpar", disse Tojo num tom doce. "N�o queria ser indiscreto, mas... Quero que saiba que estou interessado em voc� e que muito me honraria se me aceitasse".

"N�o posso aceita-lo, meu cora��o pertence a Kenshin", declarou Kaoru com do�ura.

"Mas talvez ele n�o a queira", comentou Tojo de pronto, Kaoru o olhou com dureza.

"Talvez, mas mesmo assim, meu afeto sempre ser� dele, seria injusto prometer-lhe algo que jamais poderei compartilhar com voc�".

"Kaoru...", Tojo se aproximou, tocando-lhe audaciosamente as m�os. "Reconsidere...".

"Sinto muito, n�o posso. N�o estrague nossa amizade insistindo nisso", finalizou Kaoru, afastando as m�os dele das suas.

"Entendo", ele abaixou a cabe�a. "Mas quero que saiba que eu a aceitarei a qualquer momento, caso mude de id�ia".

"N�o mudarei. Boa noite", Tojo ainda a fitou sobre a luz da lanterna que ele carregava presa numa pequena vara. Os olhos azuis dela estavam resolutos. Ele ent�o, inesperadamente, tocou-lhe o rosto com os l�bios num terno beijo roubado. Kaoru recuou surpresa, os l�bios dele se afastaram na rispidez do movimento, soprando-lhe um desajeitado pedido de desculpa.

"Desculpe-me Kaoru-san por tamanha ousadia, por�m, agora tenho algo de voc� para lembrar. Aceite minhas desculpas e meus sincero afeto por voc�", disse Tojo num sussurro suave. Os olhos azuis banhados pelas l�grimas. Ela lhe tocou o rosto com os dedos numa grande ousadia, surpreendida pela gentileza dele e querendo de certa forma confort�-lo. Ela sabia o quanto do�a � rejei��o, desejar sem pode ter...

"Eu as aceitarei com carinho, meu amigo. Agora deve partir", Tojo concordou e curvou-se em despedida, ent�o, lentamente come�ou a caminhar iluminado pela luz da lanterna que carregava e a cada passo adentrava mais e mais na noite escura e silenciosa. Kaoru ficou presa na quietude da noite, encoberta pela escurid�o, n�o viu a lua iluminar os olhos cor de �mbar que a espreitavam friamente entre as sombras.

Kaoru suspirou e ent�o caminhou para dentro do dojo. Seus passos soavam melanc�licos no ch�o assim como seus pensamentos. Pisou no primeiro degrau da entrada quando o som da voz de Yahiko rompeu o silencio, quebrando-o em pequenos peda�os, arrastados pela brisa noturna.

"Por que deixou que ele beijasse voc�?", indagou o garoto surgindo na claridade difusa de uma vela acesa.

"N�o deveria ficar me espionando, Yahiko", bronqueou Kaoru com brusquid�o.

"Voc� ainda ama o Kenshin?", a pergunta era levemente ansiosa.

"Sim, aquilo foi apenas um tolo adeus", ela murmurou abaixando os olhos.

"Ent�o n�o deixar� Kenshin partir?".

"N�o nunca, mas talvez ele o fa�a um dia...", sussurrou Kaoru sem erguer os olhos para o garoto. "Kenshin, disse-me que talvez partisse".

"Sei que me acha muito crian�a para entender dessas coisas, mas saiba que n�o sou cego, Kenshin ama voc� Kaoru", afirmou Yahiko com seu jeito indiferente.

"N�o, ele n�o me ama. Ele ama Tomoe, sou apenas uma garota tola que ele tem considera��o...", ela suspirou. "�s vezes, penso que Kenshin pode ficar comigo apenas por gentileza ou... Pena", ela abaixou os olhos, a franja de seu cabelo ocultando-lhe os olhos em sombras. "E o pior que eu n�o me importaria, pois quero apenas ficar com Kenshin, nada mais...".

"Voc� � t�o corajosa e valente, como pode ficar tolamente insegura sobre uma mulher que j� morreu?", indagou Yahiko num tom mais brando.

"Por que ela inda vive no cora��o dele. Vive mais do que eu um dia viverei no cora��o dele".

"N�o importa o quanto ele possa am�-la no cora��o dele, ela est� morta e � voc� que est� aqui e agora com ele. Por que voc� precisa ser a �nica no cora��o de Kenshin?".

"Eu...".

"Ora, Kaoru, seja forte e valente como voc� � com todas as coisas, Kenshin precisa de voc� e voc� dele, o passado n�o pode ser maior e mais assustador do que temos enfrentado nesses �ltimos tempos. Al�m do mais, se voc� pode conviver com o passado hitoriki dele, poder� conviver com as lembras de Tomoe. Uahhhhhh...", bocejou Yahiko espregui�ando-se. "Estou morrendo de sono, os fogos estavam muitos bonitos... Boa noite Kaoru", disse Yahiko deslizando o shoji, fechando-se no interior de seu quarto, deixando Kaoru na penumbra, s� com seus pensamentos.

Ela se sentou no degrau do dojo, os ombros levemente curvados, quase vencida... Por quanto tempo ela ficou ali ela nunca soube, pois apesar do cansa�o sentia-se eletrizada quando ouviu os passos de Kenshin soar na quietude da noite. N�o demorou e ele surgiu diante dela, os olhos sombreados pela noite, o rosto s�rio.

"Srta. Kaoru, o que faz acordada?", ele perguntou com a aparente costumeira cortesia.

"Estava esperando por voc�. Quando cheguei voc� n�o estava, fiquei preocupada...".

"Lamento que tenha ficado aqui fora esperando por mim, faz um tempo que estou por aqui", o vento soprou movendo os cabelos ruivos dele que dan�aram nas vagas, revelando a Kaoru os olhos violetas sombreados pelo fogo que ardia dentro de Kenshin. �mbar, feroz... "Eu a vi com Tojo", surpresa ela ficou muda. "Voc� vai aceita-lo como pretendente?".

"N�o".

"N�o?", Kenshin fez uma pausa. "Ent�o, por que voc� deixou ele beijar voc�?".

"Perdoe-me Kenshin, mas isso � um assunto meu e dele, do qual n�o pretendo discutir com voc�".

"Como queira", ele respondeu-lhe, a voz dele soou veloz como a l�mina de espada dele, s� que diferente da sakabatou, o toque frio da voz dele cortou mortalmente as emo��es de Kaoru.

"Kenshin...", ela ergueu os olhos para ele e a lua fez brilhar as l�grimas que desciam pelo rosto dela.

"Srta. Kaoru... Por que voc� est� chorando? Se aquele rapaz lhe causou algum...", o tom perigoso dele a fez avan�ar alguns passos, tocando-lhe a m�os que j� segurava o cabo da sakabatou.

"N�o � nada, apenas estou cansada demais. Estou bem, de verdade", tranq�ilizou Kaoru com um sorriso. "Esteve no rio?", perguntou ao notar que Kenshin trazia consigo um solit�rio vaga-lume que parecia ter se afei�oado a ele.

"Sim, estava pensando".

"Ah...", ela juntou as m�os na frente do corpo, os olhos baixos. "Estava pensando no passado?".

"Estava", a resposta dela foi sincera e direta.

"Em Tomoe?", indagou kaoru num fio de voz.

"Tamb�m".

"Ah, entendo...", ela disse com um aperto no cora��o. Sempre haver� Tomoe. Poderia viver sabendo que a outra era �nica para Kenshin, s� n�o poderia ficar sem t�-lo perto de si. Serei forte e valente. Ergueu os olhos azuis escuros para Kenshin, as l�grimas querendo se libertar, um sorriso tr�mulo nos l�bios, forte e valente. "Se voc� est� bem, ent�o est� bom", disse Kaoru num sussurro enrouquecido. Kenshin a fitou em sil�ncio por um tempo e Kaoru sem querer que ele visse suas l�grimas virou-se lentamente. "Ent�o, a gente se v� amanh�...", ela falou seguindo com seus passos pequenos, forte e valente...

"Kaoru-dono...", a voz de Kenshin a fez parar, mas ela n�o voltou para olha-lo. "Quero que saiba que amarei Tomoe por toda minha vida...".

As l�grimas desciam pelo rosto de Kaoru, que se desmanchava em sua dor, pungente, devastadora... Forte e valente...

"Eu sei Kenshin", ela disse numa cortante e solit�ria anu�ncia. "N�o deve se preocupar comigo ou com minhas tolas e incomodas pretens�es, eu n�o o incomodarei, dou-lhe minha palavra que vou melhorar, apenas... N�o me deixe. Fique, por favor".

"Kaoru-dono...", sem que ela percebesse, ele estava atr�s dela, abra�ando-a suavemente, a cabe�a apoiando-se na curva do pesco�o dela. Kaoru estremeceu com o contato intimo. Kenshin a tocava t�o pouco... A doce e inebriante sensa��o de t�-lo a enchia de felicidade.

"Jamais partirei", ele sussurrou junto ao ouvido dela. "Ou poderei deixa-la, pois voc� � muito importante para mim. Voc� � minha Koishii... Amo Tomoe, pois ela me ensinou a amar, amadurecer, suportar os dias de tumulto da restaura��o. E por causa dela eu pude amar voc� Kaoru, meu cora��o se permitiu abrigar os bons sentimentos que tenho por voc� e meus amigos".

"Kenshin...", solu�ou Kaoru.

"N�o chore, minha koishii...", pediu ele num sussurro suave. "Sei que n�o sou o cara certo para voc�", disse Kenshin numa dolorosa declara��o.

"Por que n�o?", perguntou Kaoru num tom quase sereno.

"Sou um assassino, tenho muitas mortes em meu passado e h� um retalhador que existe em mim, feroz, desesperado para sair... N�o posso permitir que seja machucada por quem eu fui e de certa forma ainda sou".

Ent�o, inesperadamente, Kaoru se soltou do abra�o de Kenshin, antes que os olhos de Kenshin buscasse os dela, Kaoru deu-lhe um soco na cara com toda for�a (e olha que ela tem bastante!).

"Oro?", balbuciou Kenshin vendo tudo rodar.

"Oro que nada! Como se atreve a me dizer o que pode ou n�o me machucar? E por que eu n�o posso amar o assassino que vive dentro de voc�?", gritou Kaoru sacudindo Kenshin.

"Kaoru...", tentava Kenshin se livrar dos solavancos que ela lhe dava, furiosa.

"Ainda n�o terminei! Voc� amou Tomoe e se deixou amar por ela mesmo sendo um assassino! Por que n�o faz o mesmo comigo?".

"Porque voc� � apenas uma menina", disse Kenshin segurando-lhe as m�os, pondo fim aos solavancos que ela lhe dava. "Voc� � uma pessoa inocente, doce, que nada tem haver com um hitokiri como eu".

"Doce? Inocente? � por causa disso que voc� n�o me quer?", ela riu de forma nervosa. "Posso ainda ser uma menina, mas posso aprender a viver com um hitoriki que voc� �, posso am�-lo, porque voc� n�o � apenas esse assassino, � tamb�m um homem gentil, bondoso com os outros, preocupado com todos que estima. Voc� n�o � apenas o retalhador, mas tamb�m Kenshin Himura, o homem que aprendi a amar nesses �ltimos anos em que estamos juntos. Eu n�o sou t�o doce assim, afinal brigo o tempo todo com Yahiko, tenho as m�os cheias de calos do treino constante com a espada, nem sei cozinhar direito ou sou prendada com os servi�os dom�sticos. Eu tamb�m n�o sou t�o perfeita como uma mo�a deve ser. Somos o que somos Kenshin", ela soltou as m�os das dele, usando-as para afastar a franja dos cabelos de Kenshin, revelando-lhe os olhos violentas. "Sei quem voc� foi e quem ainda pode ser e sinceramente, eu amo cada pedacinho de voc�, bom, mau, retalhador,...", os dedos dela acariciaram seu rosto com carinho. "Eu amo voc�, Kenshin Himura".

"Kaoru... Voc� seria mais feliz se...".

"Shiii", disse ela tocando-lhe os l�bios com a ponta do dedo. "Nada me faria mais feliz do que estar com voc�. Deixe-me tentar faz�-lo me amar. D� uma chance aos sentimentos que temos um pelo outro", ela usou uma das m�os para puxar a fita que prendi os cabelos dele, soltando-os, permitindo que a cascata ruiva descesse pelos ombros dele, dan�ando ao sabor do vento. "Se voc� me quiser e se permitir me amar, eu serei imensamente feliz", ela sussurrou, correndo os dedos pelas mechas rubras, num carinho doce, inocente.

"Eu quero voc� Kaoru, mais do que tudo, eu quero voc� como minha esposa, minha mulher, amiga e companheira. Ent�o n�o estarei mais s�, n�o sentirei mais a chuva, frio ou solid�o, pois voc� me ter� e eu terei voc�, juntos numa nova vida".

"Kenshin...", emocionada, Kaoru o abra�ou, encostando o rosto dela no peito dele, tomada pelo amor dele. Kenshin envolveu o corpo de Kaoru com seus bra�os, amparando-a junto de si, sentindo-lhe o cheiro doce de chuva em dias de primavera, aquecido no calor terno dela como nos dias quentes de ver�o. As m�os dele a seguravam com firmeza, t�o forte e velozes quando empunhava a espada. Pronto para retalhar as defesas de Kaoru, amolecer os joelhos dela, aquecendo-lhe a carne... Ele curvou levemente a cabe�a e gentilmente os l�bios dele tocaram os cabelos negros dela num c�lido beijo. Ent�o, Kaoru ergueu o rosto para fitar os olhos violetas, apoiando as m�os no ombro dele, mesclando seus dedos com os fios de cabelos de Kenshin, rubros como a pele de Kaoru aquecida pelo beijo dele. Kenshin suspirou e nos olhos dele uma chama dourada cintilou. �mbar. O mesmo brilho de quando o Battousai surgia nas batalhas, e naquele momento Kaoru olhou Battousai e n�o o temeu, pois n�o era apenas o retalhador que estava ali, mas tamb�m Kenshin Himura, o andarilho que era gentil e protetor. Tal como sua sakabatou, dois lados que se completavam, a�o e l�mina para matar e um lado que nada cortava ou feria. Assim era Kenshin, um hitoriki com alma de andarilho. Seu... Ela tocou a cicatriz no rosto dele com as pontas do dedo.

"Incomoda?", ela perguntou num sussurro.

"N�o mais", a resposta n�o era mais do que um murm�rio.

"Tomoe est� aqui para sempre".

"E voc� est� aqui", ele tocou o pr�prio cora��o. "Para sempre, minha koishii...".

"Kenshin...", suspirou Kaoru, timidamente ro�ando seus l�bios nos dele num ousado contato intimo, entregando-se por completo, assim como Kenshin se entregava ao amor de Kaoru, para n�o mais sentir a chuva, frio e solid�o, pois ela seria o abrigo dele, nos bra�os dela ele se aqueceria e no brilho dos olhos dela ele afugentaria os dem�nios de alma dele...

N�o estava mais s�, estava finalmente junto de sua Koishii... Juntos com apenas um caminho diante de seus p�s...



FIM

Vocabul�rio:

Hitoriki = assassino.
Koishii = amada.

Nota da autora: E ai pessoal? Deu pra suportar? N�o? Por favor, escrevam-me. Gostaria muito de receber noticias de voc�s.

At� mais

Primulla.

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