O Despertar de um Amor



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Antes de come�ar a ler...

OK, essa � a primeira fic que escrevo, n�o me matem se a hist�ria for ruim ou coisa parecida...

Algumas legendinhas b�sicas para essa hist�ria ser lida com algum entendimento:

- ... { fala

"..." { pensamento

'...' { tom sarc�stico na narra��o ou na fala da personagem

(...) { situando lugar e tempo

� s�, espero que voc�s gostem, e o e-mail pra contato � [email protected]

O Despertar de um Amor I

(T�quio, dia presente)

Tudo tinha um tom de cinza-azulado opaco. Uma n�voa pouco espessa parecia envolver cada cent�metro daquele lugar. Um vulto tornou-se vis�vel. Era uma, e ao mesmo tempo, duas mulheres. Uma tinha fei��es am�veis, era linda e doce, com um sorriso encantador. A outra, era o oposto: tinha um rosto guerreiro, suas m�os, junto com sua pose de luta, pareciam as patas de um animal selvagem...e mesmo assim, ainda era linda. Sem aviso, elas se tornaram uma �nica, e ela se revelou ainda mais maravilhosa. Ela abriu a boca, como se quisesse falar e...

SAGARA!!!!! Ou voc� me paga hoje ou voc� est� fora daqui e...!

Sano deu um gemido baixo de "hug?" e se levantou sonolento de seu futon.

"Ah, qual�, o Nagawa t� maluco? Quando eu tenho um sonho ele tem a capacidade de estragar!" -ele olhou para a janela, de onde vinha a claridade de onze horas da manh� de uma primavera. - " P�, o que ele pensa, que eu levanto junto com o sol? Mas que droga, ele me acordou por causa do aluguel, ele num aprendeu que eu atraso?"

Ele foi catando suas roupas pelo ch�o do quarto, e saiu se vestindo atravessando os c�modos da pequena casa de alojamento, at� que chegou com algum alinho � porta.

O Sr. Nagawa, dono do alojamento, continuava berrando um monte de coisas sobre seu pagamento atrasado quando Sanosuke abriu a porta.

SAGARA! Ou voc� me mostra o dinheiro AGORA, ou voc� est� fora daqui HOJE!

Segura a onda a�, Nagawa. Eu te pago, � s� voc� esperar umas horas...

Pois muito bem! Voc� tem at� o p�r-do-sol para me arranjar o aluguel, sen�o...

Sen�o voc� me p�e pra fora daqui. J� ouvi essa hist�ria antes, e, por mais que voc� queira, eu ficaria aqui de qualquer jeito, � o �ltimo alojamento de pobre que me aceita...

Humpf!- o Sr. Nagawa saiu da porta da casa de Sano com cara de quem levou desaforo pra casa.

" �timo! Agora s� tenho que achar um cassino e arrastar o Kenshin pra l�."

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Sano?! - um molequinho de uns sete anos, extremamente parecido com Kenshin, abriu a porta do dojo Kamiya.

Ih, Kenji, qual o problema, h�?

Nenhum, � que j� faz um m�s que voc� n�o vem, mam�e achou que voc� tinha morrido.

Sano estava pronto para rir quando Kaoru e Kenshin tamb�m apareceram na porta.

Sano! Entre, entre, por favor. - disse Kenshin, que por mais que deixara de ser s� um h�spede, nunca perdera a etiqueta.

Devidamente acomodados, Kenshin perguntou:

Ao que devemos sua vinda? J� faz algum tempo que voc� n�o aparece.

� que...

N�o precisa dizer nada, Sanosuke. - o pequeno Kenji o interrompeu categoricamente. - Todos n�s sabemos que voc� s� vem aqui por dois motivos. Um � filar comida, o outro, � levar o papai pra algum cassino. E se voc� veio pelo primeiro motivo, est� com bastante sorte; hoje vamos ao Akabeko. Agora se veio pelo segundo, acho melhor pensar em um jeito melhor de arranjar seu aluguel, porque hoje � tarde o senhor e a senhora Shinomori dever�o chegar de viagem e ir�o se hospedar aqui.

Que droga! Era justamente pra levar o Kenshin pro cassino que eu vim, mas... j� que voc� falou em Akabeko, acho que vou comer com voc�s. Eu ia almo�ar aqui de qualquer jeito, mas j� que n�o vai ser a Kaoru quem vai cozinhar, muito melhor...

COMO ASSIM???!!!!!

Kenshin estava escondendo a shinai de Kaoru, enquanto ela berrava de seu modo habitual, e Sano e Kenji preparavam seus est�magos pra comida que viria.

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Ol�, Kaoru! Tae! Bom-dia! Vou lev�-los a uma mesa, acompanhem-me.

TAE!!!- uma voz feminina veio da cozinha do restaurante.- Tae! Vem aqui, tem pedidos demais, assim eu n�o dou conta!!!!

Ai, me desculpem!!!- disse a gar�onete- A cozinheira � nova e o restaurante est� muito cheio, hoje!!!! Vou chamar outra pessoa para atend�-los. Kini!! Kini, vem c�!!

Uma garota de uns 15 anos, meio magricela, deixou um pedido numa mesa e veio at� eles dizendo meio cansada "Sim?"

Kini, leve-os at� uma mesa e pegue seus pedidos. - disse Tae.

Claro.- disse ela, de um jeito que era quase sonolento. Ela estava evidentemente exausta. - Por favor, me sigam.

U�, onde t� a Tsubame?

Voc� n�o soube, Sano?- disse Kaoru, com a voz ressentida e a cara fechada.

Yahiko e Tsubame fugiram fazem alguns dias. - disse Kenshin rapidamente, pois ele j� conhecia o berreiro que Kaoru fazia a cada vez que contava a hist�ria. - Os pais de Tsubame n�o concordaram com o casamento, e Yahiko n�o � uma pessoa que gosta de ouvir n�o como resposta.

Sano estava em choque.

Esse lugar est� vago. Por favor, se acomodem - a garota parecia saber seu discurso de cor. Eles se sentaram - O que gostariam de pedir?

Eles fizeram os pedidos, enquanto ela repetia cada pedido baixinho.

- Trarei os pedidos daqui a pouco.

Ap�s uns dez minutos de espera, veio da cozinha um som de coisas se quebrando, e depois a voz irritada de Tae:

Miritsuna! Voc� faz a melhor comida que eu j� comi, mas � desastrada demais! Leve esse pedido enquanto eu arrumo essa bagun�a!

A porta da cozinha se abriu, e de l� saiu uma mo�a carregando seus pedidos. "� ela!"- Sanosuke petrificou. Era ela, a mulher impressionante do sonho. Ou melhor, uma de suas faces. Ela tinha aquele rosto gentil e am�vel, que era ainda mais encantador pessoalmente. Ela vinha trazendo o almo�o deles, mas � essa altura Sano j� tinha esquecido da comida.

Quando ela passou � frente da porta, sua outra express�o veio a tona. E o motivo se tornou �bvio. Um homem, portando uma espada, entrou no restaurante berrando que queria todo o dinheiro. A gar�onete jogou a bandeja no ch�o. O assaltante n�o deu aten��o ao gesto, pensando que era s� uma rea��o do medo, e passou sem dar-lhe maior aten��o. Foi seu maior erro.

Antes que Kenshin ou Sano pudessem sequer levantar, a gar�onete acertou no ladr�o um chute na base do pesco�o. O efeito foi imediato: o assaltante caiu desacordado. Mas o chute tamb�m causou uma les�o nas roupas da mo�a: um rasg�o at� o meio da coxa se formou em seu uniforme e na saia que usava por baixo.

Sua outra express�o voltou ao seu rosto, e junto com ele veio um rubor fenomenal. Ela saiu correndo para a cozinha, fechando o rasg�o at� onde podia com as m�os.

Vamos v�-la - disse Kenshin, subitamente se levantando, com o rosto muito s�rio.

O qu�?! - Kaoru parecia dividida entre espantada e louca da vida.

Ela n�o � uma pessoa comum.

O Despertar de um Amor II

( Arredores de Kyoto, dois dias antes)

Misao, pare de andar.

H�?

Pare. Algu�m andou acampando por aqui, mas n�o � muito cuidadoso.

Ih, � mesmo, agora eu t� vendo! Marca de fogueira, monte de folhas, pegadas... Isso aqui � um acampamento pra dois, n�o, Aoshi?

Sim. Vamos verificar. � estranho demais duas pessoas atravessando de T�quio para Kyoto no meio de uma floresta.

Por que muito estranho? Estamos fazendo a mesma coisa, s� que na dire��o inversa!

A resposta de Aoshi para o coment�rio de sua esposa foi o sil�ncio.

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Tsubame e Yahiko n�o estavam indo para nenhum lugar espec�fico. Contudo, pelos planos de Yahiko, eles fariam uma parada mais comprida em Kyoto. Eles sabiam que, por mais pobres que fossem, os pais de Tsubame n�o iriam parar de procur�-los; por isso, resolveram ir at� Kyoto pela floresta. J� faziam dez dias que eles haviam fugido, e j� estavam bastante perto de Kyoto. Yahiko teria chegado bem antes, mais Tsubame era muito fr�gil e tinha um ritmo muito mais lento. Eles estavam levantando o acampamento de sua �ltima parada na floresta, quando uma moita se mexeu de um jeito esquisito.

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Aoshi e Misao demoraram menos de quinze minutos para achar uma mo�a e um rapaz que estavam levantando acampamento. Misao teve a indiscri��o de, ao inv�s de se esconder atr�s de uma moita, se enfiar estrepitosamente dentro o arbusto.

N�o foi esse o treinamento que lhe dei. - disse Aoshi num sussurro quase inaud�vel, de tr�s de uma �rvore.

Enquanto Misao baixava a cabe�a, envergonhada, o rapaz pegou uma shinai dentro de suas bagagens e gritou, olhando para todos os lados:

Quem t� a�?! Aparece!

Aoshi...-Misao parecia estar se esfor�ando para se lembrar de algo - Esse n�o � o ...

Sucessor do Kamiya Kasshin Ryuu, Yahiko Myoujin. E a garota � sua noiva, Tsubame. Na �ltima carta Himura me avisou que eles tinham fugido, e pediu para verificar se eles n�o estavam vindo para Kyoto. Vamos nos revelar, Himura me pediu um favor que n�o custa nada fazer.

Ele saiu de tr�s da �rvore, e depois foi seguido por Misao, que estava coberta das folhas do arbusto onde tinha se enfiado.

H�? Shinomori? Misao...-sama?- Yahiko estava de olhos arregalados. E estava evidente que n�o gostava de usar tratamento respeitoso para falar com Misao.

N�s mesmos. E voc�s s�o Yahiko e Tsubame. Soubemos que fugiram; v�o morar em Kyoto? - perguntou Misao, j� prevendo a resposta.

Yahiko e Tsubame trocaram olhares significativos, e ent�o a jovem falou baixinho, com o rosto corado e olhando para o ch�o:

� o que pretendemos fazer, senhora. Pelo menos durante alguns meses.

Um alojamento ou pens�o dentro de suas posses n�o � o lugar mais adequado para um jovem casal que n�o est� acostumado a viver sozinho.- disse Aoshi - Durante o tempo que ficarem em Kyoto, ser�o h�spedes da Aoiya.

Mas, Shinomori... - Yahiko parecia mais atordoado do que quando os dois apareceram.

Sem mais! - respondeu Misao, pensando: "Ent�o foi ESSE o pedido de Kenshin. Vigiarmos os dois. Realmente, n�o custa nada." - Eu vou escrever um bilhete para Okina, entreguem para ele quando chegarem a Kyoto. E se eu souber que voc�s n�o apareceram l�, voc�s dois v�o se ver comigo!

Ela remexeu sua leve bagagem, at� que achou um pincel, tinteiro e papel. Ela escreveu o bilhete rapidamente, e o entregou para Yahiko. Ap�s algumas despedidas r�pidas, os dois casais tomaram seus rumos.

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(T�quio, dia presente)

Oh! Senhor Himura! Por que o senhor quer ver Miritsuna?!

Digamos que �...uma curiosidade sobre o chute que ela deu no assaltante. - Kenshin obviamente n�o queria falar nada a Tae.

Querem me ver? - veio uma voz de dentro da cozinha - Tudo bem. S� pe�a para que esperem que eu termine de costurar minha saia.

...Se ela pr�pria n�o faz obje��o...-disse Tae, meio contrariada - Com licen�a, vou limpar aquela sujeira.

Sem se passarem muito mais que cinco minutos, a mo�a veio � porta. - S�o os senhores que queriam falar comigo?

Sim, somos n�s que gostar�amos de falar com a senhorita...h�...

Miyata. Miritsuna Miyata.

Oh, muito bem! Meu nome � Himura Kenshin. Essa � minha esposa, Kaoru, e esse � Sagara Sanosuke.

Prazer. O que gostariam de falar comigo?

Sobre o chute que deu naquele ladr�o...por que segurou sua for�a?

Como assim, Himura-sama?- um suave sorriso intrigado apareceu em seu rosto, o que deixou Sano quase babando.

Para uma pessoa comum, poderia parecer que a senhorita usou toda a sua for�a...Mas este servo sabe que n�o � assim. A senhorita mediu sua for�a antes de golpe�-lo, por que poderia ter matado o sujeito se n�o tivesse feito isso.

Himura-sama, o senhor realmente tem uma percep��o fant�stica.- seu sorriso mudou, se tornou mais pontudo, e tra�os de sua express�o guerreira afloraram em seu rosto. - O senhor mesmo j� deu resposta para sua pergunta: eu poderia ter matado aquele cara se tivesse usado toda a minha for�a.

E por que um chute, se sendo que com menos de um soco ele cairia desmaiado?

Himura-sama, acho que n�o � dif�cil de perceber que a maior parte das pessoas n�o espera que uma "indefesa mulher"- seu tom foi imensamente sarc�stico ao pronunciar essas palavras - consiga abater um homem armado com um s� soco, n�o � verdade? Quando aquele fracote entrou aqui, meu primeiro impulso foi mesmo o de dar-lhe um soco no meio da cara, tanto que larguei a bandeja no ch�o. Mas da� me lembrei que deveria manter as apar�ncias, por isso, dei-lhe um chute.

Como imaginei. A senhorita � uma pessoa treinada. E muito bem treinada.

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Aoshi e Misao chegaram a T�quio pouco antes do que esperavam; ao inv�s de chegarem no final da tarde, como tinham previsto, chegaram na hora do almo�o, e n�o encontraram ningu�m em casa.

Mas que droga! Por que � que raios eles tinham que sair justo agora?!- Misao estava fula depois de passar mais de dez minutos chamando por Kaoru e Kenshin.

Misao, n�o fique nervosa. N�s avisamos que chegar�amos tarde, eles t�m o pleno direito de sa�rem para almo�ar. Mas, quando saem, eles sempre v�o ao mesmo restaurante. Acho que os encontraremos l�.

Quando chegaram, o restaurante estava vazio, dois homens sustentavam um outro que parecia ter acabado de acordar de uma pancada feia, e uma gar�onete limpava um monte de comida que tinha ca�do no ch�o.

"Certamente Himura andou por aqui." - Com licen�a, o senhor Himura Kenshin est� aqui?- Aoshi perguntou para a gar�onete que limpava o ch�o.

- Oh, sim, sim, ele e mais umas pessoas est�o l� atr�s, perto da cozinha.

O casal se dirigiu at� o corredor que levava � cozinha, e encontraram Kenshin, sua fam�lia e Sanosuke conversando com uma mo�a. Aoshi deu duas batidas no ombro de Kenshin, o que o fez olhar para tr�s.

Antes eu Kenshin pudesse fazer uma exclama��o de "Shinomori!", a gar�onete, Miritsuna, fez isso, acrescentando um "Mas que bosta!" na frase.

O Despertar de um Amor III

Miyata!!! Sua grande...!!! - ningu�m ali jamais tinha visto Aoshi amea�ar xingar algu�m, por isso ficaram ainda mais surpresos, somando-se o fato de que eles se conheciam.

AOSHI!!! QUEM � ELA???!!!- Misao estava tendo um explicito ataque de ci�mes.

Algu�m que eu n�o esperava ter que encontrar de novo na minha vida!

Eu digo o mesmo, Shinomori!- disse a gar�onete, com olhos raivosos.

MAS QUE MERDA � ESSA QUE T� ACONTECENDO AQUI???!!!- �s vezes a falta de educa��o de Sano vinha a calhar.

H�...Voc�s se conhecem? - disse Kaoru de um modo que pretendia ser apaziguador

Se nos conhecemos?! - Aoshi estava a ponto de perder a raz�o - Ah, sim, n�s nos conhecemos!

Infelizmente! - acrescentou Miritsuna.

SER� QUE ALGU�M AQUI PODERIA ME EXPLICAR O QUE EST� ACONTECEEEEEENDO?????????!!!!!- Kenji berrou de modo agudo.

Diante da indigna��o de uma crian�a, Aoshi e Miritsuna se acalmaram um pouco.

Agora que os �nimos se esfriaram - disse Kenshin lentamente. - ser� que um dos dois poderia nos explicar por que essa indigna��o toda?

Voc� explica!- disse Miritsuna, com o dedo quase na cara de Aoshi. - eu n�o estou nem um pouco disposta a explicar aquela hist�ria!

Pois muito bem. Miritsuna era a minha melhor aluna de luta quando tinha 12 anos. Contudo, como Misao era neta do antigo Okashira, eu tinha que dar prioridade a ela. Miritsuna era estupidamente ciumenta quando se tratava do seu treinamento; nada poderia entrar em seu caminho para ser uma Oniwaban de primeira linha. E 'nada' queria dizer nada de Misao interferindo em seu treino com o novo Okashira. Ela quase jogou Misao num po�o.

Pera um pouquinho a�! Eu quase joguei a pirralha no po�o porcaria nenhuma! Nos pediram para buscar �gua, eu j� tava segurando dois baldes d'�gua, ent�o eu falei pra fedelha pegar o �ltimo! S� que tava muito pesado! E ela tava debru�ada sobre a borda do po�o! Eu me desequilibrei e bati na pirralha sem querer! Ela quase caiu, mas a sorte era que Shinomori estava passando por perto. Sorte pra ela, por que essa anta pensou que eu tinha feito de prop�sito e saiu brigando comigo adoidado! Como eu n�o levo desaforo pra casa, fugi da Oniwabanshuu pra nunca mais voltar!

Voc�...voc� era aquela menina pedante! Aquela que sempre implicava comigo! - Misao estava embasbacada. - A que quase me jogou no po�o!

QUASE JOGUEI NO PO�O O CARAMBA!!!! Ah, d� licen�a, eu vou indo! Kini! Kini!

A menina magricela que tinha levado-os at� a mesa veio e disse sem emo��o : - Sim?

Vamos embora. Depois a gente paga hora extra pra compensar.

S� uma perguntinha. - disse Sano, curioso - Por que a garota tem que ir junto?

Ela � minha filha adotiva.- disse Miritsuna, j� entrando na cozinha para depois sair pela porta dos fundos.

Cen�a! - disse Sano alguns instantes depois, ap�s computar que aquela mulher fenomenal tinha uma filha adotiva. "Eu n�o vou perde-la. N�o mesmo."

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"Aquilo foi muito estranho... Mam�e jamais daria alguma informa��o sobre n�s a qualquer pessoa... Se ela estiver ca�da por algu�m outra vez vamos ter problemas... E o pior � q eu j� desconfio quem seja..."- ia pensando Kini, a filha adotiva de Miritsuna.

Antes que virassem a segunda esquina em dire��o � sua casa, o tal cara de cabelo espetado apareceu. "Porcaria! Todas as minhas suspeitas se confirmaram!"

Oi!

Ol� - disse Miritsuna.

" Ah n�o!!! � verdade!!! Se ela n�o estivesse interessada, ela j� teria dado um belo murro na cara dele..."

� verdade mesmo aquele neg�cio de Oniwabanshuu?

Eu n�o sairia berrando com as pessoas sem um motivo decente.

Voc� n�o jogou mesmo a peste no po�o, n�o?

H�... seu nome � Sanosuke, certo? Estou vendo que voc� conhece a pe�a... Eu tive vontade sim, de jogar aquela fedelha no po�o... mas eu tinha sanidade suficiente para n�o fazer isso.

Realmente, a Misao � uma peste.

Voc� n�o a conhece para falar isso... voc� n�o imagina como era conviver com ela...se eu era ciumenta com meu treinamento, ela era ciumenta com todo o resto. Ah, mas vamos falar de alguma coisa mais interessante! Quantos anos voc� tem?

"Ferrou!!! Ferrou tudo!!! Hora de pegar qualquer sa�da improvisada!!!" - Ah, m�e, lembrei! Estamos sem shoyu! Eu vou comprar um pouco! Te espero l� em casa!

Sem shoyu? Mas eu comprei on...

N�o, n�s ESTAMOS SEM SHOYU!!! Com licen�a- e se enfiou na primeira loja que viu.

Ah, � mesmo... Mas, voltando ao nosso assunto... ai meu Deus! Minha casa � ali na frente!

A gente pode se ver mais tarde?

Claro! Me pegue aqui na minha casa l� pelas 6... Tem um cassino hoje que eu n�o posso perder!- e saiu correndo at� um alojamento onde Sano j� havia morado fazia algum tempo.

O Despertar de um Amor IV

(T�quio, dia presente)

Sano parou � frente do alojamento � seis em ponto. Ele passara a tarde inteira tentando tornar sua apar�ncia melhor, mas acabou ficando naquela mesma hist�ria de cabelo espetado e camisa aberta. Ele pensara seriamente em levar flores, mas milagres desse tipo n�o acontecem. Ele bateu na porta, meio receoso, o que foi uma sensa��o nova para ele. De imediato a porta se abriu e Miritsuna saiu, s� que 'completamente diferente' era pouco para se referir � sua apar�ncia. Ao inv�s do lindo cabelo longo, um cabelo curto completamente detonado e espetado pra cima. Ao inv�s de um kimono bem arrumado, uma camisa fechada e um par de cal�as bem surrado e costurado em todos os cantos.

Prontinho!- disse ela, com um sorriso inconfund�vel.

...� vo... � voc� mesma?

Claro que sou! Esta aqui � a verdadeira Miri! Ah, falando em Miri, pode me chamar assim, Miritsuna � muito comprido!

Ce...certo.

Estranhou, foi?

�.

Vai se acostumando! Mas vamos logo pro cassino, vai come�ar daqui a pouco!

Beleza.

Ela saiu guiando-os por vielas escuras em dire��o � parte mais 'barra pesada' da cidade, e parou na frente de uma casa com jeito de restaurante.

Rumbora pra dentro, que eu preciso assegurar meu aluguel!

'c� tamb�m?

Ah, eu comecei a trabalhar no Akabeko esse m�s, num v� receber t�o cedo... Fora que aquilo l� � s� um quebra-galho, eu n�o trabalho assim, realmente. Minhas habilidades n�o seriam bem honradas se fossem usadas pra cortar verduras!

Porque c� usa aquele cabelo comprido? Ali�s, como c� faz aquilo, Miri?

Peruca. E eu j� disse que gosto de manter as apar�ncias. Mas j� que voc� j� sabe mesmo da minha hist�ria verdadeira, n�o tem sentido eu me enfiar debaixo daquele monte de cabelo .

Vamo entrar? Parece que j� v�o lan�ar os dados.

Bora.

Eles passaram a noite inteira ganhando bolada atr�s de bolada. J� eram quase duas da manh� quando eles decidiram parar e tomar um sak�. N�o � surpresa para ningu�m que Sano bebesse demais, mas se esperava um comportamento mais 'digno' de uma mulher. S� que n�o era bem assim. Ambos sa�ram mais que b�bados do cassino, apoiados um pelo outro, o que era quase ajuda nenhuma. Eles sa�ram vagando sem rumo cidade � fora, no que era quase quatro da manh�. Depois de muito rodarem, foram parar na frente da casa de Sano, numa conversa de b�bado que nem vale a pena citar.

�pa! Minha 'cassssss' � aqui!

Mesmo? Ah, ent�o vamo entrar.

Voc� tamb�m?

Qual o *ic!* 'provlema'? - disse ela com um sorriso malicioso na medida do poss�vel, com a cara de beb�m que estava.

Nenhum. - disse ele, entendendo perfeitamente.

Sem mais uma palavra, eles entraram, j� indo pro quarto.

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Miri acordou antes de Sano, e sem prestar l� muita aten��o, se enfiou nas roupas dele ao inv�s das suas. Quando percebeu, viu que as roupas n�o ficavam t�o grandes assim nela, mas ela gostava mais da sua cal�a, detonada como era. Se enfiou, de novo sem aten��o, nas suas roupas, e se sentou do lado do futon, olhando para o rosto calmo de Sano, t�o diferente de quando estava acordado.

"Por que? Hein?" - pensava ela de um jeito dengoso - "O que � que voc� tem que me deixou t�o ca�da? Quer saber, dane-se! Dane-se o que voc� tem de especial, eu me sinto t�o diferente... Ah, mas que efeito � esse!? Eu nunca fui assim... Mas do seu lado...n�o posso deixar de ficar desse jeito." - e, delicadamente, deu-lhe um beijo na boca e se levantou.

Hora de voltar a ser eu mesma... Ih, � mesmo, eu prometi pra Kini que voltaria antes das duas da manh�... Falando nisso, que horas s�o?- ela olhou pela janela, onde viu uma claridade forte.- Droga! J� devem ser dez da manh�! Faz uma hora que eu devia estar no Akabeko! Mas... eu queria tanto esperar ele acordar... Oh droga, o que � que eu estou dizendo? Tenho que voltar ao meu ritmo normal... N�o � s� porque eu achei um cara lindo, m�ximo, meu am... Droga! Eu nunca fui de apaixonites! Vou deixar um bilhete, se ele gostar mesmo de mim, sabe onde me procurar.

Ela pegou o primeiro papel que viu, escreveu o m�ximo que p�de no menor tempo poss�vel e saiu atravessando a cidade at� sua casa, com a maior velocidade que seu treinamento e habilidades permitiam.

Chegou em casa r�pido, dando de cara com uma Kini com uma fei��o muito s�ria, t�pica de quando estava nervosa ou decepcionada com sua m�e.

Por mais que eu gostasse de saber pela sua boca o que � que aconteceu, tenho certeza do que foi, ent�o n�o diga nada. Entre, m�e, vou te ajudar a colocar a peruca.

" Mas que droga! �s vezes tenho a impress�o de que ela � mais adulta que eu!" - Pensou Miri, com certa raz�o.

Ela se vestiu r�pido com a ajuda de Kini, que continuava muito calada. Ambas sa�ram correndo at� o Akabeko, chagando r�pido, afinal, Miri tinha um treinamento excelente, e vinha treinando Kini com rigor desde que a adotara. Ap�s enfrentar o discurso de uma Tae enfurecida por terem sa�do mais cedo no outro dia e por chegarem atrasadas aquela manh�, elas come�aram seu trabalho, mas n�o sem antes prometerem que iriam compensar as horas de trabalho n�o feitas com um dia de folga abatido.

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Sano se levantou e viu um peda�o de papel grudado na parede, bem na altura de seus olhos, e nada de Miri dormindo do seu lado, como esperava. Se enrolando no len�ol, pegou o papel e come�ou a l�-lo:

' Sanosuke,

Desculpe eu sair sem nem te dar um beijo de despedida, mas eu j� estou atrasada para o trabalho. Eu s� queria que voc� soubesse que... acho que n�o tem jeito de explicar tudo que eu estou sentindo por voc�...se bem que, se eu n�o estou completamente enganada, voc� tamb�m sente o mesmo, n�o preciso nem falar o que �, voc� sabe. V� se me procura, por que eu n�o sou o tipo que corre atr�s de homem...se bem que eu te perseguiria at� a morte. Voc� sabe onde eu moro e onde eu trabalho, trate de vir me ver!

Quantos beijos voc� achar que eu poderia te dar em um m�s inteiro,

Miri'

Com certeza n�o era o bilhete mais rom�ntico do mundo, mas Sano acreditava piamente que n�o faria melhor. Com o sorriso mais largo que j� dera na sua vida, ele pensou: "E voc� ainda tem d�vidas que eu vou ir te ver custe o que custar?"

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