Pegando
um gancho do tópico da Gisele B.
Para a imagem do Brasil, falta divulgarmos as "Roofless Girls":
Pattye: Lutadora de caratê, Taikendô, Aikidô e capoeira. Massacra os bandidos
com charme e sensualidade. É a especialista em informática e alta tecnologia.
Lara Croft: é a "esquentadinha" do grupo e a que luta com mais
paixão. Apanha um pouco, mas sempre cai em pé. Finge desprezar os homens mas,
no meio da trama, se entrega por uma noite ao mocinho do filme, em uma tórrida
cena de sexo.
Tina: usa seu poder de sedução para entrar no esconderijo do vilão. É mestre em
hipnose e usa sua voz pausada e sensual para fritar o cérebro dos malvados.
Fadinha: Faz o papel da intelectual gostosa, que não briga, mas encontra as
pistas para matar a charada.
Lili: Faz a linha frágil e carente, mas é indispensável para o sucesso do
grupo. É a especialista em línguas vivas. O mocinho se apaixona por ela, mas
acaba transando com a Lara.
Byte: faz o tipo mocinho-coroa-quase-acabado-mas-que-ainda-dá-um-caldo. No
início parece ser o vilão. Mas é um espião enviado por uma potência estrangeira
para salvar o mundo. Chega a ser preso, junto com Lili, pelo vilão. Mas a jovem
de aparência frágil consegue salvá-lo. É quando então, pendurados em uma janela
do vigésimo andar, trocam aquele olhar que diz: "fomos feitos um para o
outro, mas nossas vidas não nos permitirão viver este amor".
Alucard: é o vilão. Faz longos discursos aparentemente inteligentes, mas
absolutamente incompreensíveis. Seu plano é destruir o Brasil e o samba e se mudar
para os Estados Unidos.
Prinz Mauritz - é o chefe mascarado das "Roofless Girls". Não
participa de nenhuma cena de ação. Aparece apenas em seu escritório, no nº1 da
Avenida Rio Branco. É secretamente apaixonado por uma das meninas - segredo
este que esconde o grande mistério da trama.
Como todo bom filme de ação, a trama de "Roofless Grils" começa com
uma seqüência de fatos totalmente incompreensíveis e aparentemente sem ligação:
1- As meninas da Irmandade Vagabonds desaparecem misteriosamente;
2- Werner abandona o grande amor da sua vida e se apaixona por outra mulher;
3- Lua decide fazer uma cirurgia para diminuir os seios, o que causa uma
rebelião mundial;
4- O presidente Lula aparece na TV e faz um longo discurso, sem nenhuma
analogia com futebol e sem tropeçar no português.
O misterioso Prinz Mauritz, sentindo que aqueles fatos assinalam para o fim dos
tempos, convoca então as "Roofless Girls para uma reunião.
Cenas 5 e 6, serão postadas no futuro como flashback.
Cena 7:
Um banheiro de hotel. Pattye, com toda calma, retoca a maquiagem diante do
espelho. Em segundo plano, vê-se a cama do quarto, onde três homens nus e
semi-conscientes estão estirados como trapos velhos, respirando com
dificuldade.
O celular toca. Pattye o atende com calma. É o Prinz que a convoca para a
reunião. Ela fecha o celular, coloca sua bolsa no ombro e, dirigindo-se aos
homens, fala:
- Da próxima vez, espero que vocês consiiiigamm aguentar pelo menos seis horas.
Hoje não deu nem para tapar o buraquinho.... do dente.
Cena 8
Um homem de cueca, com um corpo meio fora de forma (estilo pêra) caminha pela
sala recitando um trecho "Du côté de chez Swan" de Marcel Proust.
Fadinha passa por ele apressada, muito bem vestida, usando os óculos escuros
como se fosse um arco de cabelo.
O homem se assusta:
- O que houve ?
- Tenho uma emergência no trabalho. A reeeebimmboca da parafuseta do computador
do meu chefe quebrou e precisam do meu back up.
- Mas hoje é sábado... e eu preparei laggggostta ao escabeche...
- Sinto muito, amor... Se eu demorar, poooode ir se amarrando na cama, que eu
continuo de onde você parar.
Ela bate a porta. A câmera fecha no rosto confuso do homem.
Cena 9
Close no rosto da Tina. Ela diz:
- Agora, meu queridinho, repita para a ttttitiia: "o rato roeu a roupa do
rei de Roma e Rússia".
Close no rosto de um menino, muito assustado e suado. Ele repete:
- O lato loeu a loupa do lei de Loma e LLLLússsia.
A câmera se afasta. Vê-se uma espécie de um consultório médico, muito amplo e
bem decorado, mas com uma mesa de tortura no centro, à qual o menino está
amarrado (esticado) pelos braços e pernas.
Tina, com roupa de dominatrix, comenta com doçura:
- Boa tentativa, meu queridinho. Agora aaaa tiitia vai esticar mais um pouquinho
os teus bracinhos, para melhorar a funcionalidade da tua respiração...
Nisto, entra Lili, com um blusinha colada no corpo e um lenço vermelho no
pescoço. Ela grita:
- Rápido, rápido ! O Prinz lançou um aleeeertaa ! Coisas muito estranhas estão
acontecendo !
- Eu já suspeitava ! - disse Tina - O Luuuula acaba de dizer na TV que vai
diminuir a alíquota do Imposto de Renda !!!
As duas entram dentro de um armário e puxando um cabide, são içadas por um cabo
de aço até o telhado do edifício. Lá Lara Croft as aguarda, dentro de um
helicóptero.
Cena 10
Câmera sobrevoa a cidade do Rio de Janeiro, vindo do Maracanã, passando pela
Presidente Vargas até focar no imponente edifício de granito e vidros
espelhados da Avenida Rio Branco, nº 1.
Homem alto, cabelos castanhos, nariz greco-romano, óculos, usando terno azul
escuro impecável, atravessa a passos largos e firmes (atenção sonoplastas para
o ruído dos passos) o longo corredor onde outras pessoas o cumprimentam com
respeito e admiração.
Ele empurra as portas da sala de reuniões e encontra as cinco deliciosas
Roofless Girls sentadas ao redor de uma mesa de madeira com tampo de mármore de
Carrara.
Pattye e Tina, debruçadas diante do mesmo Laptop, trocam idéias. As outras três
(Fadinha, Lili e Lara) cumprimentam o homem:
- Olá Prinz !
- Olá meninas ! Já examinaram o último ddddisccurso do Presidente ? Aquele em
que ele prometeu aumentar o teto das aposentadoria ?
- Sim - respondeu Fadinha.
- Ele está hipnotizado ? - perguntou o ccccheffe.
- Não - respondeu Lara, com segurança. - CComo não ? Você está querendo dizer
quue eele resolveu agora cumprir as promessas de campanha ?
- Não - retorquiu Fadinha.
- O que acontece - completou Lara - é quuuue aaquele homem não é o Presidente
Lula.
- Hummm...
- Pattye vira então o Laptop na direção ddde Prinz, mostrando uma cena congelada
do discurso.
- Já fiz uma análise da iris dele, e elaaaa nãão bate com a do Presidente.
- Além disso - completou Tina - a pronunnnnciaa correta deste sujeito vai de
encontro com o defeito congênito de fala do Presidente Lula.
- Então, estamos diante de uma grave criiiise - disse Prinz, franzindo o cenho,
preocupado.
- Enquanto este aí estiver governando meeeelhoor do que o original, podíamos
deixar assim - comentou Lara Croft, com ironia, seguida pelo riso discreto de
umas e o ar de reprovação de outras. Pattye interrompe:
- A situação é séria meninas. Temos que cccommeçar a agir agora.
Prinz queda-se alguns segundo em silêncio e, discretamente, lança um olhar de
canto de olho para Lili, que estivera quieta todo este tempo. A jovem sente a
situação e abaixa o rosto, envergonhada.
Fadinha, impaciente e percebendo que ele perdera a concentração, o chama:
- Prinz ! E então ?
- Desculpe. Continuando... Temos duas liiiinhaas de ação neste momento. Todas
vocês conhecem o megaespeculador Alucard. É uma das figuras mais controvertidas
do país. Pois bem... Este "presidente" falso que temos agora se
convidou para uma festa, na mansão que Alucard tem em São Bernardo do Campo,
hoje à noite. Quero que Tina, Lili e Lara estejam presentes para colher informações.
O doutor Bilau lhes fornecerá os equipamentos adequados para este trabalho.
- E eu ? - perguntou Fadinha.
- Para Fadinha e Pattye tenho outra misssssão,, que explicarei na sala de
projeções. Agora, todas podem sair.
As moças foram saindo, compenetradas, menos Lili. Esta arrumou suas coisas com
desânimo e alcançou a porta de saída por último. Ali Prinz, extremamente
constrangido, a interrompeu.
Os dois ficaram sozinhos na sala ampla. Estavam nervosos e apenas se olhavam.
Ela então disse:
- Me desculpe... Eu acho que naquela horrrra eeu confundi o respeito que tenho
por você com outra coisa... Eu não devia ter aceito aquele beijo...
- Você então não gostou ? - perguntou elllle, segurando-lhe a mão com carinho.
- Não quero que você sofra. Gosto muito ddde você. É melhor esquecermos isso
Prinz...
E, dizendo isso, ela retirou sua mão da dele, empurrou a porta e saiu. O homem,
com o olhar marejado, balbuciou:
- Mas eu não consigo...
Cena 11
Câmera aberta em uma porta que se abre, deixando passar Tina, Lili e Lara. A
câmera gira para a direita, fazendo uma panorâmica da sala, que é uma grande
oficina, com uma mesa comprida, colada na parede, ao longo de toda a sua
extensão. Sobre ela, vários equipamentos (tornos, soldadeiras, ferramentas de
todos os tipos) em certa desordem. Algumas estantes, cheias de equipamentos,
impedem uma visão completa da sala, que parece estar sem ninguém.
- Cadê o Bilau ? - pergunta Lili.
- Estou ouvindo um ruído atrás das estannnntess - comenta Tina.
- Devem ser os ratos - resmunga Lara. Outrra câmera agora nos mostra um homem
escondido entre as estantes, olhando as mulheres, por uma fresta entre as
prateleiras. Ele arruma seu macacão, bate nos ombros para tirar a poeira,
penteia os cabelos com os dedos, testa o hálito soprando o bafo sobre a palma
da mão. Depois, sorridente e fingindo naturalidade, aparece diante delas.
- Olá meninas - diz o Dr. Bilau, esfregaaaandoo as mãos com certa ansiedade. Já
soube que hoje à noite irão em uma festa muito chique. Precisam de companhia ?
Lili e Tina sorriem, mas Lara levanta uma das sobrancelhas deixando
transparecer um certo enfado.
Bilau não perde o sorriso e prossegue:
- Bem. Vocês podem se despir aqui mesmo,,,, quue eu já vou pegar as roupas
especiais que confeccionei para estas ocasiões.
- Ah, Bilau - reage Lili, sem perder o bbbbom humor - deixa de ser bobo...
- Minha cara Lili... Me veja como um méddddicoo. Isto aqui é extremamente
profissional...
Bilau se vira de costas para elas e segue para trás das estantes, balançando a
cabeça, com ar de derrota. Pega desanimado três vestidos, nos seus respectivos
cabides e, quando volta, toma um susto.
Tina está entre as duas amigas, com as mãos na cintura, vestindo apenas uma
calcinha preta e com seus magníficos seios à mostra. Esticando o braço, ela
pergunta, com a sua famosa cara de paisagem:
- E então ? Trouxe o meu vestido ?
- Cla...claro !!! E... considerando o quuuue vvejo... acho que escolhi bem. Este
preto básico, aberto na perna direita, dará um visão estonteante destas tuas
coxas grossas e, como eu direi... generosas ! O colar é realmente de ouro, mas
esta esmeralda é uma câmara fotográfica.
- E isto ? – perguntou Tina, mostrando uuuum bbroche, com contornos dourados e
com um mosaico abstrato de ônix e lapis-lazuli.
- É um GPS, um localizador por satélite....
- E para mim ? – perguntou Lili, ansiosaaaa.
Minha querida... é um crime cobrir o teu corpinho com roupas... Tua pele já é,
por si só, o mais delicado e belo dos tecidos... Mas, le devoir oblige, escolhi
este vestido cor de pérola, brilhante, aberto nas costas até a cintura. Esta
gargantilha é de marfim com fecho de ouro, e tem uma filmadora. O teu relógio
vem com spray paralizante.
Lara olha o que restou e comenta:
- O meu é em duas peças... Por que o preeeeconnceito ?
Preconceito algum... Prefiro você com algo mais jovem, estilo “Dolce &
Gabbanna”: Blusa branca com gola sob jaqueta preta sem gola. Esta saia...
...e botas de cano alto, com cadarço.
- Vejo, Dr. Bilau, que o senhor pensa quuuue mme conhece bem...
- Então não gostou ?
- Para trabalhar está bom... e os meus eeeequiipamentos ?
- Ah, sim... Veja que no punho das tuas mmmanngas tem estes botões cobertos por
uma película. Se você remover a película e encostar o botão em alguém, teremos
imediatamente o DNA desta pessoa. Mas lembre de, imediatamente, recobrir o
botão. Como você tem um botão em cada manga, você terá duas chances para
recolher o DNA do falso presidente.
- Isso é tudo ? – perguntou Lili.
- Não. Vejam dentro das bolsas. Todas voooocêss tem um baton pistola, com apenas
um tiro. É bastante silencioso... Há um dardo paralisante no lápis de olho e um
micro-computador no espelho de maquiagem, com Windows Xp original e com acesso
direto ao site “garotas molhadas”.
- E estes preservativos ? – perguntou Tiiiina..
- Ah, sim... Novas regras da nossa “Imobbbbiliiária” ... Sexo seguro. Duas das
camisinhas são comuns. Mas esta verde tem um gel por dentro que mantém a ereção
por meia hora, mesmo após a ejaculação. Porém, ainda não descobri se tem
efeitos colaterais... E, por fim, o mais importante para mim !
- O que ?
- As roupas são todas feitas com um teciiiido especial anti-manchas... Estou
cansado de recebê-las de volta, após as missões, cheias de sangue, vinho, molho
de tomate e esperma... Vocês precisam ter mais modos !!!
- Dr. Bilau... – disse Lara - o senhor eeeestáá começando a ver as coisas como
uma mulher...
Bilau sorri um sorriso bem cafageste, e responde:
- É pra te enxergar melhor, minha netinhhhha....
Cena 12
Uma sala de projeções, em declive, com cerca de 80 poltronas organizadas em
fileiras. Há uma grande tela ao fundo e uma mesa com um computador. Quando
Prinz entra, Pattye está sozinha. Existem outras duas portas laterais, na
extremidade oposta.
- Onde está a Fadinha ? – pergunta Prinzzzz. Pattye sorri:
- Ah... Você demorou tanto, que ela foi tttommar alguma coisa.
- E o meu secretário ?
- O Tempus Edax ? – pergunta Pattye, dannnndo de ombros – não sei...
- Mas isso não é possível !!! Uma irrespppponssabilidade e...
- Calma chefinho – interrompe Fadinha, eeeentrrando cheia de charme, enxugando o
cantinho da boca com as “costas” do dedo indicador. – Eu só fui tomar uma
coisinha quente. Saí de casa apressada... estava em jejum.
[observação: a entrada da Fadinha deve ser aquela com porte ereto, ombros bem
confiantes, as pernas avançando calmas, porém seguras...um sorriso nos lábios,
meio misterioso... enfim um andar de... Fadinha!]
- Ah... Tá. Mas tinha café aqui...
- Café ? Em jejum ? Prefiro leite... – rrrretrrucou a moça, abrindo seu largo
sorriso.
- Bem... Então está certo. Sente-se aquiiii. MMas... E o Tempus ?
Nisto entra o Tempus, pela mesma porta da Fadinha. Bem vestido, de gravata sem
paletó, mas com uma ponta da blusa pra fora da calça. Está um pouco suado e
caminha com ligeira dificuldade.
- Que modos são estes Tempus. Arrume estttta bblusa. Parece um mendigo !
- Desculpe chefe. Estou um pouco sem ar.... Mee deu uma tontura.
- Tá, tá, tá ! – reage Prinz. – Vá para ooo ccomputador e comece a passar as
imagens.
- O rapaz passa pelas duas moças e Prinzzzz neem percebe que ambas o beliscam.
- Ai !
- Que houve agora rapaz ?
- Nada chefe, nada. Pronto, já sentei. Teeempus mexe no mouse e uma foto surge
no telão da parede. São cinco moças e dois rapazes. Prinz fala:
- Esta é a Irmandade Vagabonds. É uma Orrrrgannização Não-Governamental com
ligações muito suspeitas. Alguns a consideravam sem perigo ao tempo em que era
dirigida por Virtuosa. Mas, desde que esta moça (Prinz aponta para uma moça
loura, no centro da foto) entrou para a ONG, as coisas parecem ter mudado.
- Ela se chama Amiguinha – interrompeu PPPPatttye.
- Isto mesmo.
- E eu também já vi aquela outra, com caaaarinnha de criança – disse Pattye. –
Já a vi aqui mesmo, na “Imobiliária”.
- Sim. É a Blair. Ela trabalha, ou deverrrria trabalhar, para nós. Foi
infiltrada para obter informações. Mas...
- Mas ? – perguntou Fadinha.
- Todas elas desapareceram, há cerca de uuumaa semana.
- E o que isto tem a ver com o Presidentttte ?? – quis saber Fadinha.
- Os relatórios de Blair deixam claro quuuue aa ONG é financiada pelo
mega-especulador Alucard.
– Hummm... E o que devemos fazer ? – indagou Pattye.
- Eu quero que vocês vasculhem o apartammmmentto da Blair. Uma das nossas
equipes já fez este trabalho, mas não foi capaz de achar nada de importante,
exceto...
- Exceto...
- Bem... – vacilou Prinz, pegando uma caaaaixaa de dois palmos de comprimento e
mostrando para Pattye, ainda fechada – Eu não sei se isto significa alguma
coisa. Mas foi encontrado dentro do armário do banheiro. É tão estranho que,
talvez, signifique alguma coisa.
Fadinha abre a caixa, mas a câmera não nos mostra o seu interior. As duas
mulheres exclamam, com semblante assustado:
- Ai, que noooojo !!!
Pois é... – concordou Prinz. – É melhor levar com vocês, e ver se faz algum
sentido no local. E por enquanto é só. Podem ir.
Fadinha fecha a caixa apressada:
- Eu vou então lavar minhas mãos lá na mmmminhha sala. Com alcool. Muito
nojento...
Fadinha e Prinz se levantam e saem do auditório. Tempus já ia também se
levantando, quando Pattye colocou a mão sobre o seu ombro, e perguntou:
- E então, já está se sentindo melhor ?&ammp;llt;
> Tempus sorri com o canto da boca:
- Eu? Estou ótimo... muito bem mesmo. - QQQue bom... Mas... Embora eu tenha me
ffarttado no “café da manhã”... hummm... Como dizer... ?
Tempus ri, com ar safado. Ela prossegue:
- Sabe quando dá aquela gulinha ?
– Claro... – anui o rapaz - Aquela gulinha sem motivo.
- Pois é – concordou Pattye, acariciandoooo a parte interna da coxa dele – e eu
querendo tanto um leitinho...
Tempus olha para os lados, ansioso:
- Mas agora ? O chefe está super nervosoooo.... assim eu perco meu emprego...
Pattye se aproxima mais, coloca a mão dentro da calça do rapaz, e sussurra:
- Perde não... Vai ser até promovido. Alllliáss, já está até tendo um
“aumento”... bem substancial, diga-se de passagem.
CENA
13
Noite. A luz do farol de um carro reflete no asfalto molhado. Aparentemente,
choveu há pouco.
Uma mercedes dourada entra em uma rua tranqüila, com mansões e árvores frondosas
dos dois lados. Ao final da rua, o veículo embica em um portão de ferro
gigantesco (cerca de dez metros de altura) que imediatamente se abre para ele.
Seguindo uma alameda de cerca de cem metros de extensão, chega às escadas de um
magnífico palacete, reprodução exata do Palácio de Sans Souci:
Vários
homens vestidos com blusas brancas e coletes vermelhos acolhem outros carros. O
mercedes dourado pára. Quatro dos valetes de coletes vermelhos abrem
gentilmente as portas. Lara sai do veículo primeiro, olha um dos homens de alto
à baixo e sussurra para Tina:
- A sorte deste é que tenho andado de diiiietaa no “quarto setor”.
Tina ri, e comenta:
- Calma. Estes são só o aperitivo. Esperrrre ppara ver lá dentro !!!
As mulheres sobem os três degraus da entrada do Palácio. Lili diz:
- Que desperdício !!! Um palácio destes eeem São Bernardo do Campo !
Elas entram então em um fantástico salão oval, cujo piso é de madeiras de tons
diferentes, formando desenhos. Uma escada de mármore branco e corrimão de
bronze está ao fundo, dando acesso ao segundo andar. Uma centena de convidados
circulam, regiamente servidos por duas ou três dezenas de valetes. As Roofless
Girls logo distinguem Alucard, o anfitrião, mas evitam se aproximar.
- Nenhum sinal do Presidente... – diz Liiiili<
- Calma... – diz Tina. – Eu acabo de connnnfirrmar, pelo meu “espelhinho mágico”
com acesso a Internet, que o avião presidencial posou na pista particular do
Sr. Alucard.
Neste momento o salão, que até então sofria a vibração dos burburinhos e risos,
se cala. Todos voltam os olhos para o alto da escada. Um casal desce. A mulher
é de uma beleza indescritível. Beleza esta realçada pelo belo e quase
transparente Versace [atenção: o vestido foi escolhido pela Lara, diretora de
figurino do filme]:
-
É ela ? – pergunta Lara.
- Sim – responde Tina. – Esta é “A” LLLLua !
- Nossa... – reagiu Lara – até eu que deeeetessto mulher (eca, eca, cusp, cusp!)
estou impressionada !
- Mas essinha daí – reagiu Tina – não é aaaquuela que ameaçou diminuir os seios
em protesto contra a guerra civil na Ossétia do Norte ?
- Essa mesmo.
- Então foi só golpe publicitário ?
- Não, não. É que os homens da Ossétia ddddo NNorte, após esta ameaça,
resolveram fazer as pazes. Ela está até cogitada para o Prêmio Nobel da Paz.
Mas, e você, Lili ? Não diz nada ?
- Desculpe... Mas eu estou de olho é no aaacoompanhante dela. Que homem ! Viram
?
Lara e Tina então passam a olhar o acompanhante de Lua. Um homem de meia idade,
de barba grisalha impecavelmente aparada, olhos azuis, cabelos um pouco cumpridos
e vestindo um terno Armani [não reparei na cor, pois aí seria viadagem
demais... imaginem o que quiserem!!! Cadê Lara, minha personal stilist ?].
- Ai, meus sais – suspira Lili. Este foiiii feeito pro meu número ! Me digam que
ele é um dos suspeitos, e eu irei lá interrogá-lo !
- Na verdade é... como todos os que estãããão nnesta sala – disse Tina. Chama-se
Bytestream. É um marchant em ascensão, nascido na Romênia.
- Hummm... - suspirou Lili - adoro linguuuuas exóticas... E ele está de caso com
essasinha ?
- Não sei... - respondeu Tina - Nem sabiiiia qque se conheciam.
- Ela era modelo. De sucesso - interromppppeu Lara. - Mas, há dois anos atrás
abandonou prematuramente a carreira e abriu uma rede de restaurantes de comida
brasileira no exterior.
- Isso! - exclamou Tina. - A rede se chaaaama "Aquarela". Tem em
Paris, Milão, Nova York...
- Exatamente - prosseguiu Lara. - Quandoooo fuui a Milão acompanhar os
lançamentos outono-inverno do ano passado, passei pela porta de um deles. Mas,
obviamente, não entrei. Não vou à Itália para comer feijoada...
Lili continuou observando o homem, até que, cutucando as amigas com excitação,
disse:
- Olhem, olhem ! A Lua se afastou dele eeee esstá conversando com outras pessoas
!
Em seguida, com um cinismo sapeca, complementa:
- Tadinho... Parece tão deslocado... Achhhho qque vou lhe fazer companhia...
- Vá, vá - disse Lara, um pouco irritadaaaa - Mas veja se consegue arrancar dele
algo de útil.
Lili se vira para a amiga e, fechando o punho (com quem espreme uma fruta) diz:
- Se eu puder... arrancarei tudinho... - ÊÊta, que esta está num fogo danado !
-- exxclama Tina, com um sorriso de cantooo de boca.
Neste instante, Lara parece ser despertada por algo dentro de sua bolsa. Era o
"espelho mágico" que estava vibrando.
- Deve ser um e-mail do Prinz.
Ela o abre discretamente e o mostra para Tina. As duas examinam juntas a
mensagem e, em seguida, voltam a observar os convidados.
A luz do salão vai se enfraquecendo. Um globo de vidro desce do teto e a
música, até então suave, vai se "modernizando".
- Vixi...- reage Tina - que coisa mais iiiinappropriada... coisa de
"nouveau riche"...
CENA 14
Bytestream está em um canto, saboreando um Porto, atento também aos convidados.
Lili se aproxima e, apontando para o copo, pergunta:
- Kas tas ir ?
Byte sorri, e responde com naturalidade:
- Vinho do Porto. Posso pedir um para a sssennhorita ?
- Sim, obrigada.
- A senhorita fala romeno ? Coisa rara...... - Um pouco... Minha tese de
pós-doutorado ffoi sobre as línguas latinas e... bem... o senhor sabe !
- Sim, claro... O romeno é uma líííínguua latina. Talvez a mais exótica.
Mas... Qual o seu nome ?
Ela apanha o delicado copo de vinho que lhe é servido e responde:
- Lili.
Em seguida, prova a bebida e pergunta:
-Mas o senhor não é da região de Bucaresssste....
- E porque a senhorita acha isso ?
- Pelo sotaque. Especialmente pela formaaaa coomo pronunciou a palavra
"pedir".
- E de onde eu sou ? - pergunta ele, semmmm essconder um certo constrangimento.
- Eu não sei - responde ela, mostrando, nnno rosto, que sabe.
[ Lili !!! Aqui vamos precisar do máximo da tua interpretação ! Terá que
fazer aquela cara de mulher que pega o namorado na mentira, mas ainda está
dando corda para ele se enforcar...]
O homem fica pensativo e responde:
- Eu sou da região de Cluj, mais a oesteeee. Lili ri e diz:
- Se o senhor é de Cluj... o senhor é ummmm roomeno, mas de língua materna
húngara... Podemos conversar em húngaro ?
Bytestream a olha com irritação e responde:
- A senhorita está sendo indelicada... eeee nãão imagino o porquê. Peço-lhe
portanto licença, mas tenho aqui várias pessoas que gostaria de conhecer.
Bytestream se afasta. O rosto de Lili se contrai, envergonhado. Ela toma o
último gole e apanha mais um taça, de outro tipo.
[fim da cena]
CENA
15
Lili se aproxima das amigas, que também estão bebendo.
- E então - pergunta Tina - o que você ddddesccobriu ?
- Descobri que não sei lidar com homens......<
Lara [que está uma ironia só neste roteiro!
]
retruca:
- Querida... Nos diga algo que nós aiiiindaa não sabemos !
Lili sorri constrangida. Depois, se recompõe e, em tom profissional, relata:
- Não creio que ele seja romeno, embora ppparreça conhecer o idioma.
- Então é bom ficarmos de olho nele - diiiiz TTina - Pois ele e Lua estão agora
de papo com o Alucard.
- Droga... - resmunga Lili - Não tive neeeem ttempo de "plantar" um
microfone nele. Tentarei me aproximar novamente.
Enquanto Lili se afasta, Tina tira da bolsa um vidro de colírio que, na
verdade, é um monóculo de visão noturna. Ela o aponta rapidamente para um rapaz
que está no alto, no parapeito do mezanino que, no segundo andar, circula todo
o salão de festas. Depois, se virando para Lara Croft, comenta:
- Lembra do e-mail do Prinz com a foto ddddos membros desaparecidos da Irmandade
Vagabonds ?
- Sim.
- Pois veja lá um dos sumidos... Acho quuuue eencontramos o San.
CENA
16
Um carro de passeio estaciona diante de um pequeno prédio de apartamentos. É
noite e chove [Embora as cenas se passem em cidades diferentes, é preciso fazer
o espectador compreender que as cenas 14 e 15 e as cenas 16, 17 e seguintes se
passam na mesma noite, quase ao mesmo tempo].
Fadinha e Pattye descem do carro, cada uma carregando uma grande bolsa de
nylon. Usando uma chave, entram no edifício.
[corta]
CENA
17
Fadinha e Pattye param diante da porta do apartamento e colocam luvas
cirúrgicas que estavam em seus bolsos. Pattye então puxa uma chave e abre a
porta. Quando ela acende a luz, revela um apartamento pequeno, mas bem arrumado
e limpo. Entram e colocam as bolsas sobre uma mesa redonda. Fadinha abre a sua
e, torcendo o nariz, puxa a caixa que Prinz lhe entregara na “Imobiliária”.
Tira ainda um saco transparente e esparrama seu conteúdo sobre a mesa.
- Estes são outros objetos que chamaram aaa aatenção dos nossos investigadores
neste apartamento.
Pattye os examina com cuidado e deles separa dois recortes de jornal. O
primeiro anuncia:
“Risco Brasil cai com estabilidade econômica”.
O segundo recorte Pattye eleva até a altura dos olhos e a câmera, postada por
sobre seus ombros, nos deixa ler algumas linhas:
“Carne Seca vira grife.
Após um mês de maciça propaganda nos meios de comunicação asiáticos, chega aos
supermercados do oriente a carne seca brasileira. Vendido em belas embalagens,
que retratam a exuberância da mulher brasileira, o produto já é encontrado nos
melhores restaurantes de Tóquio...”
- Hummm... E o que é isto ? - pergunta PPPPatttye, apontando para um vidrinho
que também saíra do saco.
- Dentro dele há um pó insípido. O Dr. BBBBilaau examinou uma pequena amostra e
disse ser um poderoso veneno.
- E o que mais temos aí ?
Fadinha remexe os objetos e os descreve em voz alta:
- Metade de uma nota de 1 dólar, um algoooodãoo manchado de sangue, um prego
atado a um laço vermelho, o desenho de um barco à vela em um rio e...
- E ?
- E a caixa fedida.
- Claro. Como esquecê-la ? - resmungou PPPPatttye - Mas, antes de a examinarmos
novamente, vamos dar uma olhada no apartamento.
As duas Roofless começaram pelo escritório, onde logo notaram que o HD do
computador fora retirado. Não havia, ainda, nenhum disquete ou CD-ROM em todo o
apartamento.
No quarto acharam livros sobre massagem tailandesa, exoterismo e magia. Alguns
CDs de música (Limp Bizkit, Marcelo D2, etc...). Quando estavam quase saindo do
quarto, Fadinha notou uma fila de formigas que ia e vinha por trás da cama.
Elas puxaram o móvel e viram que as formigas se concentravam ao redor de uma
substância amarela e viscosa. Pattye pegou uma espátula e recolheu parte do
material.
- Parece um resto de comida... Mas é mellllhorr mandarmos para o Bilau fazer uma
análise.
Fadinha puxou um frasco esterelizado e lá despejou. Depois, comentou:
- Aliás... precisamos ver a cozinha.
> Fadinha abriu a geladeira e disse:
- Se esta menina ainda não morreu, vai mmmmorrrer logo! Aqui só tem bolo, mousse
de chocolate, cuscus, guaraná... A coisa mais saudável é um tomate mumificado.
Em seguida, Fadinha foi para a área de serviço e, com discrição, mas com a voz
ligeiramente alterada, chamou:
- Pattye, venha aqui ! Veja isso.
Quando Pattye chegou, deparou-se com uma gaiola de passarinho vazia e aberta.
- Então, foi daqui que o pássaro saiu...... - disse Pattye.
- É ! - concordou Fadinha. - Não há maissss o que aguardar. Temos que abrir a
caixa.
As duas seguem para a sala. Estão visivelmente cansadas. Pattye, ainda com suas
luvas cirúrgicas, abre a caixa, lembrando:
- A caixa não era da Blair. Ela apenas ffffoi usada pelos investigadores para
guardar isso daqui, que estava no banheiro dela, dentro de um armário.
A câmera, pela primeira vez, mostra o interior da embalagem. Vê-se uma folha de
papel azul, amassada, como um embrulho. Pattye, com todo cuidado, abre o papel
e revela um passarinho morto, já em decomposição.
- O passarinho foi encontrado enrrrrolaado neste papel azul - relembra
Fadinha. - Ele estava exatamente assim.
- Veja - observa Pattye - há um materiallll orrgânico escuro preso dentro do
bico. Provavelmente de origem animal.
- Foi isso que o matou ?
- Não - aduz Pattye. - Ele está com pesccccoçoo quebrado. Talvez Blair o tenha
matado quando sentiu que seria sequestrada.
- Queria nos deixar uma pista - disse Faaaadinnha. - Mas qual ?
As duas continuam a observar o animal. No rosto delas vê-se que o cheiro é
desagradável. Fadinha chama atenção para um detalhe:
- Olha aqui. Tem uma gota de tinta no paaaapell. Parece Liquid Paper [corretor
líquido].
- Terá sido proposital ? Uma gota apenassss ?<
Pattye arranha a tinta até descolá-la.
- Não há nada por baixo - observa Fadinhhhha, pegando dois vidrinhos
esterelizados - melhor levar esta tinta e este pedaço de matéria orgânica para
análise.
- Temos várias pistas, mas não sabemos qqqquaiis delas nos serão realmente úteis
- lamenta Pattye.
Fadinha fecha a caixa e coloca tudo dentro da sua sacola de nylon. Elas dão uma
última olhada na sala e saem do apartamento.
CENA 18
Aparecem as duas saíndo do pequeno edifício. Elas notam três homens conversando
a cerca de 5 metros do veículo. Não há mais ninguém na rua. Elas se olham e,
sem dizer uma palavra, seguem a passos firmes na direção do carro.
A
câmera faz a tomada da seguinte forma: No primeiro plano estão os três homens
conversando. Eles estão no centro da cena, sobre o asfalto da rua. A esquerda
está a linha de carros estacionados (dentre eles, o das meninas). As meninas
estão em um segundo plano afastado. Elas vieram da direita, atravessando a rua,
na direção do carro. Quando elas alcançam a linha de carros, Pattye está na
frente da Fadinha.
Neste instante, um dos homens puxa uma pistola e diz para elas, em voz alta:
- Perderam! Passem as bolsas !
As moças reagem de forma ensaiada. Pattye joga o corpo para o lado esquerdo da
cena, revelando Fadinha. Esta já está com a sua pistola e, friamente, dispara
três vezes.
O ângulo da filmagem muda para outra câmera, pegando a ação de lado. As meninas
e os homens estão no mesmo plano e os carros atrás. Vê-se claramente que um dos
atacantes toma um tiro na testa e cai prostrado no chão. Outro parece também
ter sido atingido, e se ajoelha atirando, auxiliado pelo terceiro.
Pattye solta um grito de dor e rasteja, com sua bolsa, para o espaço entre dois
carros. Vê-se sangue na sua mão.
Os dois lados atiram. O homem ferido se coloca atrás de uma árvore, na calçada.
Fadinha solta a bolsa e recua, ainda atirando, indo se abrigar atrás de outro
carro. Ela solta o pente da pistola e coloca outro.
Uma pausa curta nos tiros, entrecortada de gemidos e alarmes de carro.
Os homens voltam a atirar contra Fadinha, espatifando os vidros dos veículos
estacionados. Ela, contudo, mantém o sangue frio e, ainda que mal protegida
pela lateral do veículo, levanta-se com cuidado e faz mira. O único homem ainda
sadio, assustado, levanta-se também e atira uma vez, antes de ser atingido na
cabeça por um tiro certeiro.
Neste momento, duas motos surgem no fim da rua, por trás de Fadinha. Serão mais
adversários ? Ela hesita e o primeiro motoqueiro, a baixa velocidade, rouba sua
bolsa (que estava no asfalto). O segundo puxa uma arma e é imediatamente
derrubado a tiros por Fadinha. O homem que estava ferido atrás da árvore corre
para longe e acaba subindo na garupa do motoqueiro sobrevivente.
Fadinha atira mais uma vez, na direção da moto que parte. Ouve-se um grito de
dor, mas o veículo faz a curva na esquina e some.
A câmera passeia pela cena, mostrando os três homens baleados e uma moto caída.
- Bosta, bosta, bosta !!! - grita Fadinhhhha, indo socorrer Pattye. Esta tomou
um tiro na perna, mas parece resignada. Sua preocupação é outra:
- Levaram tua bolsa ? O que perdemos ? - PPerdemos o passarinho e os dois
vidross coom as amostras coletadas na caixa.
- E o saco ?
- O saco com as outras pistas e aquela &ammp;aamp;&quoot;meleca"
amarela que estava atrás da cama estão na tua bolsa - respondeu Fadinha,
ajudando a amiga a se levantar e abrindo o carro. - Vamos embora daqui.
CENA
19
Câmera filma do alto o Audi vermelho das meninas, vindo de longe por uma
avenida quase deserta. Quando ele se aproxima, vemos duas marcas de tiros no
vidro à prova de balas.
Mostra-se agora o interior do veículo. Pattye, amarrando um torniquete na coxa,
resmunga:
- Que ódio ! Eu fiquei que nem uma otáriiiia aatrás do carro !
- Bobagem... - consola Fadinha - Você toooomouu um tiro ! Foi tudo muito rápido.
E, o mais importante é que você salvou a tua bolsa. Eu sim estou me sentindo
péssima... Perdemos aquelas pistas.
- Não se preocupe tanto com isso - diz PPPPatttye. - Acho que a principal
mensagem a Blair já nos passou. Só precisamos nos sentar e interpretar os
sinais.
CENA
20
Um quarto muito amplo e ricamente mobiliado. Pelo estilo da decoração e da
janela ao fundo, fica fácil imaginar que se localiza dentro da Mansão Alucard.
Blair está sentada, visivelmente entediada. Amiguinha está à sua frente, em pé,
demonstrando impaciência. Blair fala:
- Quando poderemos voltar para as nossassss caasas ?
- Só quando todas as fases da operação fffforeem completadas.
- Mas e eu ? Não posso nem sair deste quuuuartto... Nem acessar a internet...
Amiguinha olha o relógio e diz:
- Eletric Man está vindo de avião para ccccá. Tudo ficará esclarecido... Ele
acha que vc é um traidora.
- Eu ? Não. Nunca trairia a Irmandade ! HHHá uma semana que eu estou te
dizendo... Eu só acho errado estarmos ajudando o Alucard a ganhar bilhões de
dólares...
- Dinheiro é o que menos importa, Blair.... E nós não o estamos ajudando - reage
Amiguinha, antes de prosseguir em voz baixa - Nós estamos usando o Alucard.
Você ainda não sabe de tudo...
CENA
21
Volta para a festa na Mansão Alucard. Lili faz um sinal de "ok",
dando a entender que plantou um microfone no Bytestream. Tina e Lara,
discretamente, colocam seus pontos de ouvido e começam a escutar a
conversa entre Alucard, Lua e Byte.
A câmera faz um close da Lua e seu sorriso estonteante [antenção cameraman !!!!
Nada de tremer de emoção ou "mirar" no decote transparente...
Mantenha o profissionalismo].
Lua fala:
- A rede Aquarela de restaurantes está uuuum ssucesso. Temos lotado todas as
noites, em Paris, Londres, Roma e Milão . Eu já poderia até estar abrindo
franquias e filiais em outros países. Mas, depois da conversa que tivemos, é
melhor ficar assim mesmo.
- Não há necessidade de ir além - argumeeeentaa Alucard - E, como eu te disse,
você já vai lucrar muito com estes daí.
- É - concorda Lua. - Mas eu investi todddda aa minha imagem. E foi muito
trabalhoso! Eu gosto dos detalhes. Quero tudo muito bonito e de bom gosto. Cada
talher, cada louça, cada tom de tinta na parede,... Fora a escolha da mão de
obra !
- Não fique mais tensa com isso - interrrrromppeu Bytestream. - Você verá que
todo este esforço valerá à pena. No dia 18 os representantes da Comunidade
Econômica Européia estarão no Palácio de Matignon... e comerão a tua comida!
Lua sorri:
- Será um belo boufé... Entrará para a HHHHisttória.
Alucar também sorri:
- Ah... Disso eu tenho certeza...
Lua olha para um canto do salão e diz, radiante:
- Ah! Você convidou a Fernanda Young e aaaa Riita Lee... Estava morrendo de
saudades delas... Vou lá dar uma "tricotada". Já volto, meninos.
Lua
se afasta e Alucard comenta, discretamente:
- O dia 18 será fundamental para os nosssssos planos. Mas o golpe final, o
grande terror, será no dia seguinte, quando o nosso querido Presidente assinar
a Medida Provisória que eu preparei para ele. Então, eu terei dois dias apenas
para agir...
- E agir dentro da lei ! Licitamente - ccccomppletou Byte.
- Exatamente - concordou Alucard, esfregggganddo as mãos - Depois, solto o Lula
verdadeiro... Ele cancela todas estas Medidas Provisórias e, por bem ou por mal
terá que...
Antes que Alucard pudesse terminar a frase, Spock, seu assessor
especial, vem lhe falar ao ouvido.
- Finalmente - regozija-se Alucard - o &ammp;aamp;&quoot;presidente"
chegou. Demoraram muito para aprontá-lo desta vez...
Lara, Tina e Lili, que estavam juntas a escutar toda esta conversa, viram-se
para ver a entrada do "presidente" Lula.
- Aí está ele - comentou Lili.
- Já não era sem tempo - resmungou Lara.... - Achei que o Roteirista
deste filme tinha esquecido de colocar o Lula na cena !
Uma voz, em off grita:
- Como é ? Você está louca ?
É Meiga, a Diretora do filme, que reclama:
- Poxa Lara ! Você estragou a cena... - AAAh, me desculpe... não resisti -
retruucouu Lara - Fiz apenas uma crítica construtiva ao roteiro. Já faz uma
semana que estamos filmando as cenas desta festa, e eu ainda não matei nem comi
ninguém...
- Você tem uma certa razão - completou TTTTinaa - cancelei todos os meus
clientes para poder gravar com calma aqui em São Bernardo... Mas já vi que
estas cenas não vão desengatar tão cedo... Assim eu perco minha clientela !
- Larinha e Tinoca - diz Meiga, com todaaaa a sua meiguice - Nosso orçamento
está apertado. Compraram aquele Audi 8, alugaram esta mansão imensa, teremos
cenas em Paris... Nem sei como vamos pagar a grande explosão do final... Em
suma... Não dá para ficar rodando a mesma cena várias vezes. Então, sejamos
profissionais. Certo ?
- Tá, tá, tá - resmungou Lara - vamos accccabaar logo com isso.
Ouve-se então, por trás das câmeras, a voz da Sonora, que diz:
- Já que a cena está parada, e como sonooooplaasta e continuísta, queria
prevenir que a barba do "presidente" está bem mais branca do que na
Cena 10...
Meiga quase se irrita:
- Querida... Leia o roteiro... É isso meeeesmoo. A barba dele fica mesmo mais
branca. Faz parte da trama. Mais alguém quer fazer comentários ? Alguma crítica
aos salgadinhos da festa ?
Silêncio total.
- Muito bem. Todos de volta às suas posiiiiçõees. Câmera.... AÇÃO !
Lili
respira fundo, e comenta:
- Aí está ele.
- Já não era sem tempo - resmunga Lara. --- EEu estava bem curiosa para ver de
perto este "presidente".
- Estou achando ele um pouco abatido... EEEnvvelhecido - comentou Tina.
Lula se aproxima de Bytestream e Alucard e os cumprimenta. Lua também retorna.
As Roofless Girls voltam a escutar a conversa. Alucard pergunta:
- E então, como está o senhor hoje, Pressssideente ?
- Nada bem. Os teus médicos me examinaraaaam, me passaram uns remédios, e
disseram para eu não me preocupar. Mas me sinto muito abatido.
[A câmera focaliza Bytestream olhando Lula. Bytestream está visivelmente
intrigado. Ele tenta prestar atenção em cada detalhe]
Lula prossegue:
- E se isto não bastasse... O Zé Dirceu eeesttá zangado comigo, pelas Medidas
Provisórias que eu assinei. Eu repeti a ele o que vc me disse, Alucard.
Expliquei que a questão do Imposto de Renda e da Previdência são velhas promessas
do Partido. Eu disse que estou apenas sendo coerente com o meu passado !
- Isso mesmo - concordou Alucard. - Preccccisaamos pensar no que é melhor para o
nosso povo. Governar com o coração. Aliás... já tenho em mãos uma pesquisa
Data-Folha que mostra que estas novas medidas foram muito bem recebidas pelo
povo.
Lula, sem grande entusiasmo, disse:
- O problema é que...
- Pobrema - interrompeu Alucard.&ammp;llt;
> - Pobrema ??? - questionou Lula.
> - Sr. Presidente - explicou Alucard, pacienntemente - não fica bem o
senhor dizer "problema". O Sr. é um homem do povo... Nestes últimos
dias o discurso do Sr. esteve muito intelectualizado... Assim, as pessoas não
vão mais se identificar com o Sr.
- Ah... Compreendo... Mas eu dizia - proooosseeguiu Lula - O pobrema, segundo
o Zé Dirceu, é que estas novas medidas estão diminuindo nossa credibilidade
junto aos credores... Acham que perderemos receita e não teremos como pagar a
dívida.
- Presidente ! Não jogue fora o seu passsssadoo. Lembra ? "Fora Sarney,
abaixo o FMI".
Bytestream continua atento e confuso. Lula comenta:
- Eu sei, eu sei... Mas... Há algo erraddddo.... que eu não sei dizer o que é.
Enquanto esta conversa seguia, Lara se aproximava do grupo presidencial. Mas,
quando ia tocar o presidente, foi segurada por Spock.
- Com licença, senhora. Mas...
Lara finge torcer o pé e desaba sobre Lula. Vários valetes correm sobre ela e a
arrastam rispidamente para longe. Alucard se desculpa:
- Desculpe Presidente. Estas tietes... NNNNão há no mundo muitas mulheres de
classe como a nossa estimada Lua.
Lula olha para Lua, sorri e comenta:
- Ah... Disso eu tenho certeza ! A senhooooritta Lua honra o nosso país com os
seus grandes... grandes...
- Restaurantes ? - pergunta Lua, com finnnna mmalícia.
Todos riem.
Enquanto isso...
CENA
22
Voltamos ao cômodo onde estão Blair e Amiguinha.
San abre a porta. Seu semblante é severo. Ele diz:
- Eletric Man chegou.
Amiguinha, ansiosa, diz:
- Faça ele entrar. Faça ele entrar !
> Eletric entra no quarto. Seu braço direito está com um curativo e a camisa
social está ensangüentada. Blair se assusta. Amiguinha pergunta:
- O que houve ?
- Trocamos tiros com duas mulheres que ssssaíaam do apartamento da Blair.
Tristan e os dois novatos morreram...
Amiguinha fuzila Blair com o olhar. Esta abaixa o rosto e nada diz. Eletric
prossegue:
- Eram Roofless Girls. Eu tenho certeza.... - Isso não é possível – ponderou
Amiguinha – O governo extinguiu este grupo depois da CPI da Lunnah.
Eletric manteve-se convicto:
- As mulheres que eu enfrentei hoje nnnnão< são as mesmas do grupo
original... Pombinha, Lunnah e as outras, eu as conheci pessoalmente...
Trabalhei com elas! Mas estas de hoje são idênticas na forma de proceder, de
reagir, de andar. E o sangue frio... Quando eu percebi isso, confesso que me
coloquei atrás de uma árvore e só pensei em como sobreviver.
Amiguinha ficou pensativa. Eletric continuou, apresentando uma caixa para a
chefe:
- Mas, ao menos, consegui isto daqui. Amiiiguinha a apanha e começa a abrir.
- O que é isso ?
- Talvez seja a prova da traição de Blaiiiir. Uma pista tirada do apartamento.
Amiguinha puxa a tampa e franze o cenho, com nojo:
- Blergh, Blair... Você matou o passarinnnnho??
Blair responde:
- Eu não fiz isso! Imagina...
A líder da Irmandade examina o conteúdo. Apanha a folha azul e os frascos
esterilizados. Espalha tudo pela mesa. Seus neurônios louros começam a
trabalhar.
- Hummm... Isto no frasco é um pinguinhoooo dee tinta? Papel azul...
Blair fica visivelmente nervosa. Amiguinha sorri, e comenta:
- Blair... Nunca pensei que você gostassssse ddeste tipo de música! Uma pista
maravilhosa...
Eletric olha para Blair com profunda decepção e concorda com a chefe por um
gesto de cabeça.
- Gente! Eu não fiz isso!
- San – diz Amiguinha – algeme esta traiiiidorra e a leve daqui.
San puxa uma pistola, a aponta para Blair e a algema. Depois, a tomando pelo
braço, a tira do recinto. Amiguinha pergunta a Eletric:
- Você acha que Blair é uma RG ?
- Não ainda. Se o chefe delas ainda é o PPPriinz, não permitiria. Ela não tem 21
anos... Você vai contar tudo isso ao Alucard ?
- Nããão !!! Ele seria capaz de abortar aaaa miissão... Nem uma palavra sobre
RG’s na frente dele.
CENA
23
Tina está guardando o "espelho mágico" na bolsa. Olha para Lili e
diz:
- Era uma mensagem da Lara. Ela foi expuuuulsaa da festa, mas disse que
conseguiu recolher material genético do "presidente". Eu vou com ela
para o hotel, para acondicionarmos apropriadamente este material. Você fica
aqui mais um pouco, ouvindo a conversa deles. Depois nos encontra no hotel,
para que possamos voar logo para o Rio de Janeiro. Temos uma reunião amanhã
cedo com o Prinz, o Bilau e as outras Roofless.
- Está bem.
Tina começa a se afastar e Lili leva a mão ao ouvido. O presidente,
visivelmente, continua a falar. Mas ela já não ouve, pois Byte se afastou do
grupo. Ela lança um olhar pelo salão, à sua procura. E então se assusta, pois
ele pára diante dela.
- Olá senhorita...
- O...oi ! - responde ela, constrangida.... - Acho que a senhorita ficou com uma
má imppressão minha. Posso tentar me redimir ?
Lili olha para o grupo (o "presidente", Alucard e Lua). Sente-se que
ela está preocupada em cumprir a sua missão. Mas, o transmissor está preso no
Byte, então...
- Redimir ? Não é preciso... O senhor esssstavva tão bem lá, com o Presidente.
Por que não volta ? A senhorita Lua deve estar a sentir a vossa falta...
Bytestream ri.
- Ah, sim... A senhorita bem que gggostaria que eu voltasse para lá...
Mas vamos, venha tomar outra taça de vinho comigo.
CENA
24
Uma câmera fixa em um lugar alto filma a madrugada de uma cidade indefinida.
Sente-se a aproximação do amanhecer. Num canto da tela, um letreiro luminoso
anuncia: "Hotel Turenne". A câmera faz um ligeiro zoom nesta direção.
Vemos agora o interior de um quarto simples de hotel. Tina está dormindo com uma
delicada camisola, que deixa à mostra suas famosas coxas torneadas. O relógio
digital na cabeceira marca 5:00. Um ruído a acorda.
Ao abrir os olhos, Tina vê Lara Croft andando pelo quarto, carregando seu
coldre e vestindo a roupa negra de couro das Roofless Girls.
- O que vc está fazendo ? - pergunta Tinnnna, antes de se dar conta de outra
coisa - Nossa ! Onde está a Lili.
- Ela não voltou, nem responde aos meus ccchaamados... - responde Lara.
- E o que você...
- Estou indo à Mansão Alucard. Cansei deeeestee joguinho.
- Mas não é assim que se faz... Temos quuuue ffalar com o Prinz...
Lara olha Tina de forma incisiva e pergunta:
- E quem fala para o Prinz que a Lili suuuumiuu ? Quem diz a ele que a deixamos
sozinha naquele lugar ?
- Ah... - suspira Tina - Logo a Lili...&ammp;llt;
> - Pois é - diz Lara - Logo a Lili.
- Então eu vou com você!
- Não pode. O Dr. Bilau está esperando ppppeloo material genético. Você tem que
ir agora mesmo para o Rio. - diz Lara, puxando a pistola do coldre e nela
atarrachando o silenciador - Enquanto isso eu tomo as minhas providências.
Tina
se levanta, começa arrumar as suas coisas e comenta:
- Aliás... esqueci de te dizer. Ontem, qqqquanndo eu estava saindo, vi
Bytestream se aproximando dela.
CENA
24
Um longo corredor na Mansão Alucard. Vê-se Amiguinha e San correndo. Ela diz,
esbaforida:
- Que droga, que droga, que droga... Commmmo iisso foi acontecer ?
- Não sei – responde San, chegando diantttte dde uma porta - Mas eles estão
aqui.
Amiguinha e San entram em um dos muitos cômodos da mansão. Três valetes
uniformizados, armados de submetralhadoras, cochicham em um canto. Lili, tal
qual um anjo caído e adormecido, está estendida sobre um divã junto à parede
(uma mão sobre o ventre, a outra caída para o chão). Diante dela, um Alucard
com semblante preocupado conversa com Bytestream.
- É melhor abandonarmos o plano todo. – dddizz Byte, apontando para uma mesinha
onde estão espalhados os objetos pessoais de Lili – Ela ouviu toda a nossa
conversa, gravou e, provavelmente, passou a diante... Não sei se é da Polícia
Federal, da ABIn ou até, quem sabe, da “Imobiliária”...
Amiguinha, ainda arfando pela corrida, interrompe:
- Desistir ? Está louco ? Gastamos dois aaanoos em preparativos, dinheiro,
tecnologia ! Estamos falando em ganhar três bilhões de dólares ! Se pularmos
fora, nunca mais nos deixarão tentar de novo... Surgirão novas medidas, novos
obstáculos...
Alucard concorda com um gesto de cabeça e fala:
- É verdade... As coisas podem ter ficaddddo mmais arriscadas. Mas temos aqui na
mansão um magnífico incinerador de lixo onde podemos jogar esta mocinha...
- Não acho que seja o caso de matar a gaaaarotta... – reagiu Amiguinha.
- Infelizmente – ponderou Alucard – o Byyyyte já pulou esta etapa. Ele a matou.
- Ela está morta ? Por que ?
Bytestream respirou fundo e respondeu:
- Eu percebi o que ela estava fazendo e fffuii até ela. A moça percebeu que
seria detida e saiu para o jardim. Eu a persegui... ela correu... Quando
chegamos sob as árvores ela puxou aquele baton-revólver e atirou na minha
direção. Errou. Eu tentei agarrá-la e acabei usando a única coisa de que
dispunha... Espetei-a com uma droga violenta, que provocou-lhe a morte por
overdose.
- Bem... – refletiu Amiguinha – como dirrrria Lenin: “Não se faz a omelete sem
quebrar o ovo”. Ou, como diria Bush... foi um “dano colateral”.
- Mas não devemos queimar o corpo – inteeeerroompeu San. – Se a morte foi por
overdose, podemos simular algo. Eu teria como desová-la em um Motel, forjando o
registro e o que mais fosse necessário... Policiais também morrem de
overdose...
- Seria o melhor caminho – concordou Byttttesttream. – Mas ainda acho que
devemos interromper tudo. Essa agente não é da Polícia Federal, nem da ABIn. É
uma Roofless Girl...
- Uma RG ? - reagiu Alucard, espantado.&ammp;llt;
> Amiguinha, dissimulada, desdenhou:
- Não, não... Elas acabaram... Estão exttttinttas, casadas, cheias de estrias e
cuidando de seus filhos remelentos... Depois do que a Lunnah fez, a
"Imobiliária" perdeu toda a credibilidade.
- Ah - disse Byte - mas não venha me dizzzzer que os equipamentos que estão
nesta bolsa estão na listinha de compras da Polícia Federal... E se ela é uma
RG, estamos fritos...
- Byte - argumentou Amiguinha - tudo o qqqque nós precisamos é de alguns dias
para completar a missão e colocar os três bilhões no bolso. Com a grana na mão,
compramos a Justiça, o Executivo e o Legislativo...
- É verdade - concordou Alucard - Em Unaaaaí oo sujeito matou três fiscais e
ainda foi eleito prefeito ! Isto aqui é Brasil...
Amiguinha fitou Byte de forma incisiva. Seus olhos brilharam como se
pronunciasse algo mágico, repetindo aquelas palavras:
- Isso aqui é Brasil. Agora, deixa este cccorrpo comigo, que a Irmandade vai
limpar esta sujeirinha num minuto.
Cena 25
Amiguinha e San vão para o corredor. San diz:
- Vou chamar dois vagabonds para me livrrrrar do corpo.
- Certo - disse ela, para depois colocarrrr a mão no ombro do rapaz e no seu
ouvido cochichar - Mas quero também que...
Ele a interrompe, dizendo:
- Nem precisa dizer, chefinha. Você querrrr quue eu fale com nosso contato em
Brasília, para confirmar a reabertura da "Imobiliária".
- Isso. Se o boato for verdadeiro, temossss quue cortar o mal pela raís hoje
CENA
26
Foco no relógio de pulso da Lara: 7 horas da manhã. Agora, visão geral: ela
está dentro do imenso jardim que rodeia a Mansão Alucard, oculta por um punhado
de árvores. Entre ela e a lateral da Mansão há um impecável gramado, de cerca
de 100 metros de comprimento. Ela olha para as várias câmeras de segurança
espalhadas e pensa alto:
- De dia... Como vou passar sem ser vistttta ?
Fica pensativa por três segundos, depois resmunga:
- Ora, dane-se !!!
Levanta-se e, sem correr, avança pelo gramado a passos largos, na direção do
imponente edifício.
CENA 27
Dois valetes barrigudos bebem café diante de seis pequenas telas de televisão.
Em uma das telas aparece uma mulher caminhando com pressa, vestindo uma roupa
de couro e empunhando uma pistola. o valete 1, surpreso, pergunta ao outro:
- Quem é aquela passeando armada diante ddda câmera 5 ?
O outro, ainda mais surpreso, chega a coçar os olhos antes de dizer:
- É alguém da Irmandade Vagabonds ?
> - Não - diz o valete 1 - ela está apontaando a arma para a câmera !
A TV faz um ruído e perde a imagem.
- Ela atirou !!! - diz o 2 - Aponta a cââââmera 4 !
A outra TV também perde a imagem.
- Porra ! Ela tá detonando todas ! Chamaaaa a segurança !
CENA 28
Uma dezena de valetes armados de submetralhadoras surge na lateral do gramado,
apontando suas armas em todas as direções. Quando chegam ao lugar onde Lara
fora vista, são colhidos por uma explosão que mata dois e fere outros três. Uma
fumaça branca se espalha suavemente. Um dos feridos manca até a parede do
prédio e outro é socorrido por um colega. Outros valetes olham atentamente ao
redor. Uma sirene irritante toma conta de toda a propriedade. Lara Croft sumiu.
CENA 29
Edifício nº 1 da Avenida Rio Branco. 20º andar. Sala de reuniões da
“Imobiliária Roofless Ltda”, empresa de fachada e braço secreto da Agência
Brasileira de Informações. Prinz está na cabeceira. Tempus, Fadinha, Pattye e
Bilau estão presentes. No meio da mesa estão espalhados alguns objetos tirados
do apartamento da Blair:
Metade de uma nota de 1 dólar, um algodão manchado de sangue, um prego atado a
um laço vermelho, o desenho de um barco à vela em um rio, dois recortes de
jornal, um vidro com veneno e outro com uma substância amarela e viscosa.
Prinz
fala:
- Antes de mais nada, devo comunicar a vvvvocês que a Lili está desaparecida,
desde a madrugada de hoje. A Lara, sem aguardar por instruções minhas, resolveu
resgatá-la... e estamos sem notícias dela desde às 5 horas da manhã. A Tina
chegará aqui a qualquer momento, mas estamos terrivelmente desfalcados e diante
de uma crise monumental, que ameaça afundar o nosso país no descrédito internacional.
Ele faz uma pausa. O olhar de todos é de surpresa e preocupação. Prinz
prossegue:
- Contudo, penso que já temos os elementtttos suficientes para compreender o que
está acontecendo, quem são nossos adversários e o que eles pretendem. Ainda não
temos em mãos o material genético coletado ontem em S. Bernardo. Mas gostaria
de pedir ao Dr. Bilau que nos fale sobre a análise que fez na substância
amarela:
O Dr. Bilau pigarreia, limpando a garganta. Depois fala:
- A referida substância tem componentes tttradicionais da culinária brasileira.
É um doce que leva ovo, coco ralado, acúcar... como um pedaço de quindim. O que
nos chamou a atenção foi a existência de uma grande concentração de salmonella
ribamarensis, bactéria que provoca intoxicação alimentar.
- Pode matar ? – pergunta Prinz.
- Nos dias de hoje, raramente. A intençãããão parece ser causar uma grande
diarréia. Um efeito moral. Um constrangimento.
- O que nos faz pensar nas pistas analissssadas pela Pattye e pela Fadinha – diz
Prinz, dando a palavra a elas.
Pattye acaricia a perna ferida e, com voz pausada, relata:
- Durante o nosso treinamento, fomos enssssinadas a deixar pistas, quando em
situações urgentes ou de perigo, usando padrões inusitados de associação de
cores, formas e objetos. Foi o que a Blair fez, antes de deixar seu
apartamento. O elemento que mais chamou nossa atenção, nos foi tomado por
criminosos na noite passada. Era um pássaro morto, com comida no bico e
embrulhado em um papel azul. O dito papel tinha uma gota de tinta branca. Agora
temos certeza que esta pista nos remete à uma música...
Fadinha sorri e cantarola:
- ... e se um pinguinho de tinta cai nummmm pedacinho azul do papel, num
instante imagino uma linda gaivota voar no céu...
- Exatamente – prossegue Pattye. – É a ““““Aquarela” do Toquinho. O mesmo nome
da rede de restaurantes da Lua. O passarinho morto é outra alusão à gaivota,
além de nos levar, pela comida no bico, à idéia de alimentação. O que nos
remete a outra pista, este pitoresco barco a vela... É o símbolo de Paris,
cidade onde se localiza um dos restaurantes.
- Somando estas pistas – diz Fadinha – ccccom a análise dada pelo Dr. B. e as
gravações feitas pelas meninas em S. Bernardo, sabemos que Alucard e a
Irmandade pretendem intoxicar os representantes da Comunidade Econômica
Européia no próximo dia 18. Mas, por que ?
- A ação do dia 18 – diz Prinz – parece ssser apenas mais uma no sentido de
ferir a imagem do nosso país no exterior, associando a comida brasileira a algo
insalubre. O que se soma às recentes medidas do falso presidente Lula, estas
sim, bem mais graves. E o objetivo final é econômico... e de grande vulto. O
golpe do século.
-
Ufa... - desabafa Pattye - ainda bem que será o Golpe do Século. Odiaria ter
tomado um tiro na perna apenas para impedir que um grupo de engomadinhos tenha
uma caganeira....
Prinz sorri e depois prossegue:
- As Medidas Provisórias, ao aumentarem ooos níveis de isenção de Imposto de
Renda e ao ampliarem os direitos dos aposentados, criam dúvidas no mercado
internacional quanto à futura capacidade do Brasil em honrar seus compromissos
com os credores internacionais. O Brasil precisa, no próximo dia 24, resgatar
ou renegociar uma divída de 4,5 bilhões de dólares. Os títulos desta dívida,
como geralmente acontece, vinham subindo de valor, ante a iminência de
pagamento e a política inicial deste governo de acalmar os investidores...
- Leia-se: política de abrir as pernas...... - retruca Fadinha.
- Humpf... - resmunga Prinz - Vamos termmmminar logo com isso... Os títulos já
tinham alcançado 96% do valor de face. Mas, depois das Medidas Provisórias,
caíram para 74%. Agora, Alucard deixou escapar que no dia 19 haverá uma outra
MP, bem mais grave. Penso que o seu plano é de jogar total descrédito sobre o
Brasil, lançando os títulos abaixo dos 40%. Ele então os compraria, através de
laranjas e depois soltaria o verdadeiro presidente. Este então cancelaria as
MPs e, para salvar nossa imagem, pagaria a dívida do dia 24... Dando a Alucard
e ao seu grupo um lucro de mais de dois bilhões de dólares...
- Um roubo dentro das leis de mercado. LLLLimpo - Ponderou Pattye.
- Exatamente - anuiu Prinz. - Só que nóssss vamos acabar com eles. Já notifiquei
a ABIn e a Polícia Federal. A mansão será invadida hoje mesmo e a quadrilha
verá amanhã o sol nascer quadrado...
- Simples assim ? - reagiu Fadinha, incrrrrédula.
Antes que Prinz pudesse responder, o telefone tocou. Tempus o atendeu
prontamente. Após ficar alguns instantes em silêncio, passou o aparelho sem fio
para o chefe. Prinz ouve atentamente. Seu rosto se contrai dolorosamente. Ele
se levanta, ainda com o telefone no ouvido, abre uma porta e se fecha em uma
sala anexa.
- O que houve ? - Perguntou Fadinha a Teeeempus.
- Nosso informante na Polícia Civil paullllista está dizendo que o cadáver da
Lili foi encontrado em um motel de São Bernardo....
Pattye leva a mão à boca, horrorizada.
- Ainda não sabem a causa mortis...>
CENA
30
Prinz Johann Mauritz van Nassau-Siegen entra em uma ampla sala de estar, com
uma mesa baixa de vidro ao centro e quatro poltronas ao redor, além de outros
móveis (como estantes) postados junto à parede. A sala está escura, pois as
janelas estão bloqueadas por pesadas cortinas.
Ele se senta em um sofá, de costas para a porta. Desliga o telefone e o larga
sobre a mesa de vidro. Desmancha em agonia o nó da gravata, abre o paletó e
puxa sua pistola. O cano prateado parece brilhar na escuridão.
Cenas passam rapidamente pela sua cabeça [aqui editaremos várias cenas da Lili
e da Lili com o Prinz, ao som da música "My Lover's Gone" . Lili, sentada,
sorrindo em uma sala de aula. Os dois, trocando olhares apaixonados, enquanto
conversam em um corredor, onde estudantes trafegam. Uma outra cena em que ele a
beija no rosto. Ela rindo enquanto passa sorvete no nariz dele. Ele trabalhando
diante do computador enquanto ela lhe traz um chocolate quente]
O homem enxuga as lágrimas que escorrem pelo rosto e fica pensativo por alguns
segundos, mantendo a arma apoiada sobre a coxa. Depois, lentamente, a eleva até
o alcance do rosto e, abrindo a boca, indroduz o cano, encostando a ponta no
céu da boca. Com o indicador, começa lentamente a puxar o gatilho...
CENA
31
Prinz está em um banheiro, com a porta aberta, debruçado sobre a pia, lavando o
rosto. Pattye está ao seu lado, com o olhar tristonho e segurando uma toalha.
Fadinha entra precipitadamente e diz:
- Prinz... Você não vai acreditar! A Inddddiazinha está aqui na
"Imobiliária", na sala de reuniões.
O homem, com o rosto ainda molhado, a olha com surpresa e fala:
- Isso não é possível... Seria uma quebrrrra de segurança muito grave. Ela sabe
que não pode vir aqui.
Pattye pergunta:
- Mas quem é esta "Indiazinha";;; ?
- Ela é a nossa ligação com a Agência Brrrrasileira de Inteligência. É a única
pessoa que sabe de todas as nossas atividades... Pois, para muitos, após o
escândalo da Lunnah, somos apenas um arquivo morto.
- E ela não pode vir aqui ?
- Em tese não. Para não chamar a atençãoooo. E se ela veio, é porque algo muito
grave aconteceu. Vamos ver o que é - finalizou ele, pegando a toalha e
enxugando o rosto.
CENA
32
Prinz entra na sala de reuniões, acompanhado por Fadinha e Pattye. Tina, Tempus
e Bilau já estão lá. Olhando para a janela e de costas para a câmera, há uma
mulher de belos cabelos castanhos, de pé. Ela se vira, quase em câmera lenta...
é a Indiazinha [caraca, ainda não me acostumei com este nick...]. Ela diz:
- Infelizmente, aqui estou !
- Infelicidade, sem dúvida... - concordaaaa Prinz.
- Estou vindo lacrar a "Imobiliáriaaaa". Desta vez fecharemos de
vez...
[A câmera agora mostra Indiazinha e Prinz de perfil - ela a esquerda. Estão a
quase dois metros um do outro. Este espaço nos permite ver, em segundo plano, a
consternação das Roofless Girls com a notícia]
Prinz, sem se abalar, pergunta:
- O que houve ?
- Foram ordens do Tribunal de Contas da UUUnião, que acatou uma denúncia contra
a ABIn...
Prinz ri, com ironia. Ela prossegue:
- Dizem que as Roofless não foram nomeaddddas por concurso público, que a
licitação para a compra de lápis de olho com dardo venenoso foi super-faturada
e que os "espelhos mágicos" foram adquiridos sem licitação. Além
disto, as invenções do Dr. Bilau estariam sendo usadas sem controle prévio do
INMETRO, o que teria causado a morte de mais de 30 pessoas!
- Ué... - reagiu Bilau - Mas foram feitaaaas para matar mesmo...
- Tudo bem - disse Prinz - agora me digaaaa o que importa... Quem conseguiu nos
derrubar ? Quem armou isso ?
- Ao que parece, um dos ministros do TCUUUU tornou-se escravo sexual da líder da
Irmandade, a senhorita Amiguinha. Ela está por trás disso - respondeu
Indiazinha, mostrando uma fotografia.
[a câmera mostra a foto, onde um homem de meia idade está amarrado em uma cama,
vestindo apenas uma meia-calça rosa e beijando a sola do pé da Amiguinha, em pé
no colchão, de calcinha e sutiã e segurando um chicote]
Prinz comenta:
- Mas... Você sabe que não podemos pararrrr... Hoje mesmo a Polícia Federal
deverá invadir a mansão e...
- E nada - interrompeu Indiazinha. - Nãoooo haverá mais invasão alguma. Eles
venceram.
Todos ficam em silêncio. A decepção é palpável. Fadinha reage:
- Prinz, nós vamos deixar ?
Ele diz para Indiazinha:
- Eu só preciso de 15 minutos...
- Para que ?
- Para tirar daqui tudo de que preciso ppppara continuar...
Indiazinha sorri aliviada, mas o adverte:
- Se você continuar, se tornará um fora----da-lei. Será expulso da ABIn e caçado
com um bicho.
- Eu sei - ele responde.
- Nós sabemos! - completa Pattye,,,, acompanhada pelo ar de aprovação dos
demais.
Prinz não perde tempo:
- Tempus e Fadinha, peguem o back up de tttodos os nossos arquivos e levem os computadores
para a sala de informática. Pattye, ajude o Bilau a separar todo o equipamento
útil da oficina. Tina, eu preciso que você prepare um detonador preso a uma
carga incendiária, mas não explosiva.
Dez segundos depois, todos (menos Indiazinha e Prinz) tinham deixado a sala de
reuniões. Ele diz:
- Preciso ainda de um outro favor...
> - O que é ?
- A Lili está no IML de S. Bernardo... - NNão se preocupe - respondeu ela,
desollada - Nós cuidaremos de tudo. A Radical Chic voltou à vida normal,
após o escândalo da Lunnah. Mas certamente ela gostará de prestar às Roofless
Girls esta última homenagem. A Radi, que foi uma das melhores do grupo
original, certamente não se furtará a um pedido para cuidar do translado do
corpo para Minas.
CENA
33
Sala de informática. Tempus, Fadinha e Tina já empilharam de qualquer jeito os
computadores da "Imobiliária" no chão, assim como algumas pilhas de
documentos. Tina espalha um líquido inflamável pelos quatro cantos do recinto e
depois gruda o detonador a um galão de vinte litros contendo a mesma
substância.
Prinz chega carregando uma caixa de papelão e com uma pasta de cartolina rosa
sob o braço. Fadinha aponta para a dita pasta e diz:
- Nossa ! Ela ainda existe... há anos nãããão a vejo.
- Esta - responde ele - eu guardarei porrrr razões sentimentais. Foi minha
primeira investigação.
Fadinha pergunta:
- E você não acha que precisaremos de ummmma outra também ?
- Qual ?
Ela sorri e, vasculhando a caixa, pinça uma pasta onde se lê "contas do
Maluf". Prinz sorri e ela diz:
- Se ele diz que o dinheiro não é dele...... Então acho que uns 10 milhões não
farão falta... E nós vamos precisar.
- Ah, mulheres... - murmura ele com ironnnnia - Sempre esta visão consumista.
Mas você tem razão!
Tina interrompe:
- Da minha parte está tudo pronto. Teremmmmos uma bela fogueira. Marquei 6
minutos no detonador.
- Então vamos embora daqui - fala Fadinhhhha.
- Mas temos que levar a Indiazinha até aaaa garangem e amarrá-la, para que ela
não se comprometa com isso.
Bilau, que vinha chegando, comemorou:
- Opa ! Amarrar é comigo mesmo. Tenho ummmma técnica de bondage que vai realçar
os seios dela... Será que ela deixa eu fotografar depois ?
- Bilau... - reage Tina - Nós só temos sssseis minutos !!!
- Seis minutos ? Até que dá... - retrucaaaa o Dr. - Mas corta todo o barato. Por
que não a levamos como "refém" ? Uns três dias amarrada e ela terá o
álibi perfeito !
CENA 34
O grupo está na garagem do edifício, junto a três automóveis. Em segundo plano,
junto à porta do elevador, Bilau tira fotos da Indiazinha, que está de joelhos,
braços esticados para o chão e para trás, mãos e pés descalços amarrados, tudo
junto. Uma corda passa sob seus seios, realçando-os.
Pattye pergunta a Prinz:
- E agora, para onde vamos?
- Pegamos os três carros e paramos em luuuugares diferentes do Centro. Depois
nos encontramos diante do esconderijo número 3.
- Ah, não - reclama Fadinha - O "Paaaalácio dos Cupins" ?
- Pelo menos teremos o que ler, durante mmmeses - diz Pattye, rindo.
CENA
35
A câmera mostra um salão sem "brilho". Limpo, branco e cinza, muita
fórmica, cadeiras simples de ferro e plástico, com um guichê ao fundo e uma
placa: "Instituto Médico Legal de São Bernardo".
Uma mulher [Radical Chic] entra, vinda da rua, e se dirige à funcionária do
guichê. Pergunta:
- Por favor... Queria confirmar a entradddda de uma moça branca, provavelmente
alta, de cabelos muito compridos... Parece que foi encontrada em um motel.
- Isso mesmo - responde a funcionária - AAA senhora a conhece? Nós ainda não
temos a identificação.
- Acho que sim. Eu posso vê-la ?
- Talvez. Mas acho que neste momento os DDDoutores Weiss e Erótico irão iniciar
a autópsia.
Neste momento, a câmera passa por cima do guichê e do ombro da atendente e
atravessa uma porta onde se lê "Apenas Pessoal Autorizado".
Do outro lado da porta, grandes gavetas de metal cobrem duas paredes de uma
sala. Virando à direita, vê-se seis mesas de metal, uma delas ocupada pelo
corpo de uma moça nua, coberta apenas por um lençol. Ao lado dela, o Dr. Weiss
e o Dr. Erótico conversam. Weiss comenta:
- É uma pena. Uma moça muito jovem... - PPPois é - comenta Erótico - ainda ia
daar um tremendo caldo por muitos e muitos anos... Um pedação de mulher, mesmo.
Desperdício !
- Mas... "Inês é morta", como dddiria Camões. Eu vou dar uma
mijadinha... Querendo, pode começar sem mim.
Weiss sai. Erótico dá as costas para Lili e começa a colocar as luvas
cirúrgicas. Mas ele então ouve um ruído e vê uma sombra se projetando à sua
frente. Ele se treme todo e solta um ganido apavorado. Fica paralisado, sem
coragem de se virar, até que ouve uma sonolenta voz feminina:
- Nossa... Tô morta de frio... Esse é o mmmaior gelo que tá tendo...
Erótico se vira e depara-se com Lili sentada na mesa, ajeitando os cabelos e
enrolada no lençol. Ela pergunta, ainda sonolenta:
- O senhor tem um espelho ? Estou me sennnntindo tão estranha... devo estar
acabada...
Erótico dá um pulo de pavor, treme-se todo. Sua pernas fraquejam, movem-se sem
controle. Ela comenta:
- Nossa, moço ! Parece até que viu um faaaantasma...
É demais para o Dr. Erótico que, desmaiando, cai como uma pedra, de cara no
chão.
[PS: Acalmou agora, Xuxu ? Achou mesmo que eu ia tirar meu xodó da historinha?]
CENA
36
Radical Chic, acompanhada pela atendente do IML, entrou na sala de autópsia e
encontrou o Dr. Erótico ainda desacordado. Ao fundo, sentada sobre outra mesa,
está Lili, enrolada no lençol e em um cobertor grosseiro. Está sendo examinada
por um atônito, porém atencioso, Dr. Weiss.
Não há muita surpresa no rosto da Radical. [Ela já foi uma RG... e já viu muita
coisa estranha] Weiss, virando-se para a atendente, comentou:
- Eu nunca vi isso... Parecia estar mortttta. Nós íamos cortá-la para a
autópsia...
Depois, virando-se para Lili, ele perguntou:
- A senhora sofre de catalepsia ?
- Não sei... - respondeu Lili, bastante ccconfusa. - Eu não me lembro de muita
coisa...
Radical Chic puxa do bolso uma foto de Lili, compara com a moça sentada à sua
frente, e pergunta:
- Você é a Lili ?
- Sim - responde a jovem.
- Você trabalha para a "Imobiliáriaaaa" ?
- Imobiliária ? Não... Eu sou estudante uuuniversitária...
- Já vi tudo - reagiu Radical - Está dessssmemorizada... É melhor levá-la logo
daqui.
Weiss discorda:
- Não! Impossível! Vou ligar para o Hosppppital Municipal. Ela precisa ser
examinada...
Radical, impaciente, levanta sua jaqueta, mostrando a pistola Glock. Depois,
educadamente, explica:
- Meu bom doutor... A questão é um poucoooo mais complexa... Quem tentou
matá-la, não falhará da segunda vez. Precisamos sumir, agora mesmo.
CENA
37
A câmera, estática, mostra um quarto da mansão Alucard. Em primeiro plano há
uma cama bastante confortável, com escrivaninha e abajour. À direita vê-se uma
ponta de armário embutido e, um pouco mais distante, uma porta na mesma parede
do armário. Na parede em frente à câmera, há uma outra porta. É desta porta que
surge Bytestream, enrolado em uma toalha [os pedidos que recebi para que ele
fizesse aqui um nú frontal foram vetados, em nome do bom gosto] e com os
cabê-los úmidos.
Ele se aproxima da cama. A câmera mostra-o agora apenas da cintura para cima.
Percebe-se que ele desenrola a toalha e a joga sobre a cama.
Depois, virando-se, ele se aproxima do armário e abre uma das portas.
Uma mão feminina, segurando uma pistola, se projeta para fora do armário e vai
repousar a ponta do cano na testa de Bytestream. Lara Croft diz:
- Quieto, desgraçado ! Se der um pio, teeeeu cérebro terá que ser tirado do chão
com uma pá de lixo !
Ele, refeito do susto, fala:
- Calma, calma... Pode abaixar a arma...... Eu não vou fazer nada!
Lara lhe dá um bofetão (splash !!!) e resmunga:
- O que houve, seu porco chauvinista ? EEEEstá com medo de um disparo acidental
? Acha que, por eu ser mulher, não sei segurar uma arma ?
- Não é isso... Calma... - responde Byteeee - Só estou dizendo que pode confiar
em mim...
- Assim como a minha amiga, a Lili ?
> - Sim, assim como ela...
Splash !!! (novo tabefe)
- Seu porco ! Ela está desaparecida ! O qqque vocês fizeram com ela ?
Byte passa a mão no rosto e resmunga:
- Caramba ! Que mão pesada ....
Splash !!!! (mais um !)
- É isso mesmo ! - resmunga Lara, se imppppondo - Achou que por eu ser mulher,
não sei dar po**ada ? Quer outra ?
- Olha... em outras circunstâncias era aaaaté capaz de eu gostar... Mas hoje,
realmente... Se ainda fosse terça-feira depois da aula... ou sexta...
Splaaaaaaaash !!! (outro tapão, desta vez bem forte)
- Ca*ete !!! Pára de me bater !!!
- Quero que me diga logo o que você fez cccom a Lili !
Byte
anda de ré [ops!] em direção à cama e se senta. Lara o segue de perto, sempre
apontando a arma para o seu rosto. Ele fala:
- Ela não está mais aqui... Na verdade, eeeu tentei salvá-la. O cruel Spock,
assessor do Alucard, desconfiou dela durante a festa. A ordem era que, no
momento em que ela saísse da festa, seria sequestrada e morta.
- E então ?
- Então eu fui até ela e a convenci a meeee acompanhar até o jardim. Eu queria
ajudá-la a pular o muro. Mas Spock, que é um sanguinário implacável, apareceu
com outros valetes. Para salvá-la eu injetei um soro que induz o processo de
catalepsia. Disse a eles que me senti ameaçado...
- E se eu fosse tola o suficiente para aaaacreditar num rato pelado como você...
Onde ela estaria agora ?
- Minha idéia era jogá-la em um terreno bbbaldio. Mas, neste momento, temo que
ela possa estar sendo retalhada na mesa do IML ... - respondeu ele, passando a
mão nos cabelos, em um gesto de ansiedade e aflição.
Neste momento, Lara tremeu e sentiu o impulso de matar Byte. Mas, retomando o
controle, puxou o celular com uma das mãos e discou três algarismos.
O quarto ficou em silêncio por alguns segundos, até ela dizer:
- Auxílio à lista ? Eu preciso do telefoooone do IML de S. Bernardo... Obrigada.
Lara olha para baixo, para entre as pernas de Byte, e pergunta:
- Por que esta tua "arma" estáááá apontando para mim ? Com toda esta
tensão ? Como consegue?
- Desculpe... - respondeu ele - Meu &;;quoot;trabuco" tem vontade
própria e um fraco por mulheres dominadoras vestindo roupas justas de couro...
- Incrível... - observou ela - Mas acho mmmelhor ele pensar em outra coisa, pois
se ela estiver morta, ele será um alvo fácil.
Ela disca um novo número no celular. Alguém parece atender do outro lado. Ela
pergunta:
- É do IML ? Estou procurando informaçõeeees sobre uma moça de cabelos
cumpridos, lisos, e trajando um vestido perolado...
Silêncio... Ela escuta ao telefone e aponta o cano para o baixo ventre de Byte.
Ele tenta fingir calma. Ela solta uma exclamação:
- Como ? A senhora está dizendo que ela sssaiu andando ? Acompanhada por outra
mulher ?
Byte sorri aliviado. Ela desliga abruptamente o telefone e fala:
- Perdi a vontade de te matar. Mas contiiiinuo não gostando de você. Para quem
você trabalha ?
Ele faz um semblante contrariado e pergunta:
- Posso antes me vestir ?
- De jeito nenhum. Não confio em você. AAAAlém do que... sei lá... dá um barato
legal dominar um homem pelado usando uma arma. Aliás, ainda não vi tua bund*...
Levante-se e, sem gestos bruscos, dê uma viradinha...
CENA
38
Quartel General da Irmandade, dentro da mansão Alucard. A decoração destoa do
restante da mansão, pois é moderna, "clean". Divisórias de vidro,
cadeiras futuristas, mesas metálicas (aço escovado) com tampos de cristal. São
Paulina, a secretária de Amiguinha, entra na divisória da chefe. A bela e alta
morena, que carrega uma agenda apertada contra o peito, avisa:
- San ligou da rua. Passou pelo IML paraaaa saber da autópsia daquela moça e
descobriu que ela, digamos assim... "ressuscitou".
Amiguinha sorri de lado e comenta:
- Caraca... Os planos do Alucard estão ddddando água por todos os lados...
- Como assim ?
- Ora... Se ela está viva é porque o Bytttte nos traiu.
- Será ? Mas então temos que...
- Temos que ficar bem quietinhas - interrrrrompeu Amiguinha. - Ao contrário do
Alu, não estamos aqui pelo dinheiro.
- Se bem - disse SP - que não era mal...... uns milhõezinhos de dólares...
- Claro ! O dinheiro ajudaria na segundaaaa parte do nosso plano, ano que vem.
Mas, para esta primeira fase, basta-nos enfraquecer o regime republicano...
Lançar a descrença geral, com este escândalo que haverá quando a troca do
presidente vier à tona.
- Ou seja - completou SP - mesmo que o AAAAlu se ferre, já estaremos no lucro.
- Exato. Mas não podemos descuidar do Byyyyte. Ele não ia para Paris, com a Lua
?
- Isso. Eu mesma cuidei da reserva do vôôôôo deles. E lá, acho que não nos trará
problemas.
- Esta ida a Paris... eu acho que não é sssó pelo jantar da caganeira. Será que
o Alucard está nos escondendo algo ?
CENA
39
[Não esqueçamos da bomba incendiária da Tina. Eu tinha planejado fazer uma cena
em que os carros das RGs saíam do edifício No.1 da Av. Rio Branco e este,
segundos depois, começava a pegar fogo nos andares mais altos. Mas a
administração do edifício ameaçou me processar, pois colocaria em risco a boa
fama do prédio, desvalorizando os contratos de locação. Optei, então, para uma
solução mais sutil, como se verá]
Pattye está parada sobre a estreita calçada de uma rua do centro do Rio de
Janeiro. Quem conhece bem a região perceberá, pelo tipo de casario antigo,
tratar-se da rua Regente Feijó, no trecho que fica fora do Saara e que é
conhecido pelos seus sebos de livros. Aliás, Pattye está justamente diante de
um sebo e olhando para o céu, para os rolos de fumaça negra que sobem para além
da Candelária.
Prinz, Tempus e Tina vem se aproximando. Bilau também, porém alguns metros
atrás. Pattye comenta:
- Caramba Tina... Acho que você exagerouuuu no tamanho da fogueira...
- Que nada... Eu estava cansada daquela dddecoração. Mal gosto puro. Que queime
bem, para não ter reparo.
- Onde está a Fadinha ? – perguntou Prinnnnz.
- Parece que foi soltar o namorado, que eeestá algemado na cama desde ontem...
- Vamos entrando então... – diz Bilau – MMMelhor não ficarmos de bobeira na rua.
Todos entram no sebo. Ao fundo, o Dr. Pangloss os vê e parece reconhecê-los.
Mas vira-se de costas, apanha um livro na estante e começa a espaná-lo. O grupo
passa por trás dele, sem cumprimentá-lo, e abre uma velha porta de madeira.
Alguns segundos depois, ouve-se de lá um barulho e a voz de alguém reclamando.
O velho Pangloss então fala alto, como se falasse consigo mesmo:
- Se me dessem dinheiro para reformar essssta ruína, o terceiro degrau não
estaria solto ! Esperem para ver o tamanho dos ratos...
CENA
40
Ainda na escada, Tempus comenta:
- Não sei porque este Pangloss ainda trabbbalha conosco... Parece um fóssil
vivo.
- Ele não tem para onde ir... – responde PPrinz - Muito antes de existirem as
Roofless Girls, existiram os Roofless Boys. Ele é o último... Ajudou a fundar a
Imobiliária, na década de 50. Nós somos da Era da Internet. Ele viveu a Era dos
Rádio-Amadores.
Pattye ri e comenta:
- Nem quero imaginar como ele ficava em rrroupas justas de couro !
- Na verdade, eles usavam chapéus de feltttro e ternos com ombreiras.
Tina sobe a escada na frente de todos. A câmera vai acompanhá-la, para que
tenhamos um panorama do segundo andar do casarão.
À princípio vemos uma ante-sala, da largura da casa e com uns quatro metros de
comprimento. Está repleta de livros velhos amontoados e empoeirados. O chão é
de tábuas corridas e as paredes brancas foram manchadas pela ação do tempo e
das infiltrações. Segue-se um corredor estreito, onde Tina entra, hesitante.
Existem algumas portas dos dois lados. Tina abre a primeira e vê-se uma
cozinha. Em outro cômodo vê-se um beliche antigo de ferro. Cada porta tem uma
placa, em homenagem a um escritor famoso. No final do corredor, Tina abre a
porta da “sala Voltaire”, o que lhe dá acesso às janelas da fachada do casarão.
Ela abre as cortinas, liga as câmeras de segurança que vigiam a rua e o sebo, e
volta ao corredor. Lá encontra Tempus que, saindo de um cômodo, resmunga:
- Voltei à Idade da Pedra... Aqui tem Inttternet com conexão discada e Pentium
II. Ainda bem que eu trouxe meu laptop.
De volta à ante-sala, Tina encontra Prinz e Bilau. Este último deita sobre a
pilha de livros uma grande mala metálica e a abre. É o seu laboratório
portátil. Prinz pergunta:
- E então ? A que conclusão você chegou ???
- Examinei o material trazido pela Tina. OO falso Presidente é um clone do Lula.
Mas suas células foram geneticamente preparadas para envelhecer mais depressa.
O que é bem lógico pois, do contrário, ele precisaria ter sido feito há vários
anos. A desvantagem é que no dia 19 ele terá o equivalente a 80 anos de
idade...
- Dia 19 ? – pergunta Prinz, para em seguuuida se lembrar - Ah, sim... O dia que
Alucard classificou como decisivo para os seus planos. A tal Medida
Provisória...
- Isso. – anuiu Bilau - Se eles pretendemmm usar um clone neste dia... terá que
ser um outro... que provavelmente já existe e está escondido em algum lugar.
- O que me leva a perguntar: Onde estará oo verdadeiro presidente Lula ?
- No momento – interrompe Tina – eu queriiia saber onde está a Lara !
- É verdade – concordou Prinz – Já mandeiii várias mensagens a ela. Mas a
teimosa não respondeu!
CENA
41
Byte agora está sentado na cama, de calça e vestindo as meias. Lara [que ainda
não nos disse se gostou do traseiro do doutor], sentada em uma cadeira à sua
frente, ainda segura a pistola, mas já não a aponta para ele. Ela pergunta
novamente:
- E afinal? Para quem você trabalha ?
> Ele responde, com aparente sinceridade:
-Eu trabalho para uma entidade suíça, forrrmada por bancos, e que tem por
objetivo detectar e neutralizar ações especulativas envolvendo o preço de
títulos, commodities e câmbio. Porque sempre que um sujeito como o Alucard age
e vence, prejudica a análise científica de investimentos e tira a credibilidade
do mercado.
- E como você conseguiu se infiltrar na ooorganização dele ?
- Bem... Simulando ser um comerciante de aarte, eu deixei ele saber que eu tinha
facilidade para contrabandear containers para a Europa. Isto porque eu sabia
que ele precisava enviar uma grande quantidade de equipamentos para lá...
- Que equipamentos ? - perguntou Lara. - ÉÉ isto que eu não sei ainda... Mas eu
ddiria que o maior lucro que ele pretende obter será na Europa. Ele está
trocando centenas de milhões de dólares por euros. E aposto que ele planeja, de
alguma forma, valorizar a moeda européia.
- E onde está o verdadeiro presidente Lullla ?
- Eu acho que está aqui nesta mansão. Masss em algum compartimento secreto... O
terceiro andar é muito vigiado e tem longos corredores sem portas.
- E a Blair ?
- Quem ?
- Uma guriazinha de cabelinhos cacheados -- explicou Lara.
- Ah... da Irmandade ? Foi considerada trrraidora. Fica trancada no seu quarto,
neste andar onde estamos. Mas é uma bagunça... pois volta e meia recebe visitas
das vagabondettes... é uma fofocada... E como riem !!!
CENA
41
Byte agora está sentado na cama, de calça e vestindo as meias. Lara [que ainda
não nos disse se gostou do traseiro do doutor], sentada em uma cadeira à sua
frente, ainda segura a pistola, mas já não a aponta para ele. Ela pergunta
novamente:
- E afinal? Para quem você trabalha ?
> Ele responde, com aparente sinceridade:
-Eu trabalho para uma entidade suíça, forrrmada por bancos, e que tem por objetivo
detectar e neutralizar ações especulativas envolvendo o preço de títulos,
commodities e câmbio. Porque sempre que um sujeito como o Alucard age e vence,
prejudica a análise científica de investimentos e tira a credibilidade do
mercado.
- E como você conseguiu se infiltrar na ooorganização dele ?
- Bem... Simulando ser um comerciante de aarte, eu deixei ele saber que eu tinha
facilidade para contrabandear containers para a Europa. Isto porque eu sabia
que ele precisava enviar uma grande quantidade de equipamentos para lá...
- Que equipamentos ? - perguntou Lara. - ÉÉ isto que eu não sei ainda... Mas eu
ddiria que o maior lucro que ele pretende obter será na Europa. Ele está
trocando centenas de milhões de dólares por euros. E aposto que ele planeja, de
alguma forma, valorizar a moeda européia.
- E onde está o verdadeiro presidente Lullla ?
- Eu acho que está aqui nesta mansão. Masss em algum compartimento secreto... O
terceiro andar é muito vigiado e tem longos corredores sem portas.
- E a Blair ?
- Quem ?
- Uma guriazinha de cabelinhos cacheados -- explicou Lara.
- Ah... da Irmandade ? Foi considerada trrraidora. Fica trancada no seu quarto,
neste andar onde estamos. Mas é uma bagunça... pois volta e meia recebe visitas
das vagabondettes... é uma fofocada... E como riem !!!
- Bem - disse Lara com o semblante indifeeerente, mas levemente irônico - Agora
que já sei tudo do que preciso já posso te matar...
Byte riu-se e depois falou:
- Sério... Não podemos ficar aqui para seeempre. Temos que confiar um no outro. Eu
preciso viajar hoje com a Lua para Paris!
- Mas eu ainda não confio em vc... - retooorquiu Lara. - Em situações normais,
eu te levaria preso e a Tina te interrogaria, amarrando-o na mesa de
fonoaudiologia. Ela tem métodos treinados e aprovados em mais de 300
criancinhas...
Byte nada disse, ela prosseguiu:
- Eu vou então te espetar com um dardo trrranquilizante. Você dormirá uns 20
minutos e, quando acordar, eu já estarei muito longe daqui.
CENA
42
Tempus está sentado diante do computador, em um dos pequenos cômodos do
"Palácio dos Cupins". Ele digita apressadamente.
Ao seu lado, também sentado, está Prinz, com um olhar vago e distante. Ele puxa
a agenda e, discretamente, revela uma foto de Lili sorrindo, com casarios
antigos ao fundo. Com o polegar, ele acaricia o rosto da foto. Depois, coça os
olhos marejados e é despertado por Tempus, que fala:
- Pronto, já estou dentro da conta do Mallluf. Ou melhor, da conta que o Maluf
jura não ser sua... Tiro quanto ?
- Dez milhões está bom - responde Prinz --- Mas vai ser difícil ficar com tudo
isso... Pois logo esta movimentação será rastreada pela justiça suiça.
- É... Eu acho que consigo embolar um pouuuco... Mas em 48 horas eles nos
"pegam".
- Tudo bem. Destes 10 milhões, deposite 999 num banco lá fora e duas parcelas de
500 mil em contas fantasmas nossas aqui no Rio. Depois, ligue para estes dois
bancos no Rio e avise que precisamos sacar o dinheiro amanhã, em espécie. Se
tiver algum obstáculo, vc conhece os meus contatos, pode falar em meu nome.
- É ... - comentou Pattye, chegando naqueeele instante - acho que com um milhão
dá para vivermos um tempinho na clandestinidade.
- Disse bem - concordou Tempus - somos agggora uma organização clandestina.
Prinz então olhou para a agenda fechada, de onde saía uma ponta da foto. Deu um
longo e dolorido suspiro, e disse:
- Bem... São quase quatro horas da tarde..... Eu vou descansar um pouco na minha
sala. Lá pelas seis horas nos reunimos para traçar os próximos passos.
- Era bom arrumarmos algo para comer... --- resmungou Tempus.
Prinz vai ao corredor e encontra Tina. Esta comenta:
- Consegui falar com a Indiazinha. Ela essstá p*t* da vida com o Bilau. Disse
que ficou toda roxa... Disse também que a Radical esteve no IML, mas ainda não
deu notícias.
Prinz balança a cabeça e entra na sua sala.
CENA
43
Lara está engatinhando pelo duto do ar-condicionado central da mansão Alucard.
Guiada pelo ruído de vozes, ela leva o rosto até uma grade de saída de ar.
Olhando pelas frestas, ela distingue uma sala onde Alucard conversa com
Amiguinha e alguns membros da Irmandade (São Paulina, Sheila, San, Eletric).
Amiguinha diz:
- Meu contato dentro do palácio do Planalllto disse que Lula irá amanhã, dia 15,
para Paris. Isto não estava nos nossos planos... O “Presidente” precisa estar
em Brasília no dia 19, para assinar a Medida Provisória...
Alucard retruca:
- Ele pode assinar a MP em qualquer lugarrr do mundo. E acho que em Paris o
impacto será maior. Além do mais, eu preciso resolver alguns problemas na
Europa. Por isso decidi levar o “Presidente” para lá. Como você sabe, este
clone não sabe que é um clone. Ele se acha o verdadeiro... Então, não posso
perder ele de vista.
- Aliás... – observou Sheila – este cloneee já está bem velhinho...
- Exato – anuiu Alucard – Pretendo substiiituí-lo por outro, assim que eu o
encontrar em Paris. Será mais fácil fazer isso lá do que em Brasília, sob os
olhares do Zé Dirceu.
- Sei, sei... – disse Amiguinha – E quandddo nós embarcamos para a França ?
- Nós ? – espantou-se Alucard – Vocês nãooo precisam ir. Os contatos da
Irmandade... ou melhor dizendo... os escravos sexuais da Irmandade em Brasília
foram utilíssimos... O papel de vocês acabou. No dia 17 receberão a parcela de
30 milhões de dólares e quando tudo acabar, os outros 70 milhões. Como
combinamos.
- Mas eu quero ir assim mesmo – enfatizouuu Amiguinha.
- Podem ir, então... Mas não cabem no meuuu jato particular. Terão que ir por
conta própria.
- Hummm .... E o “Presidente” irá ao jantttar da Comunidade Econômica Européia ?
- Sim. Mas ainda não sei se o deixarei cooomer a comida contaminada... Preciso
dele inteiro no dia seguinte.
Amiguinha franziu o cenho, pensativa. Alucard despediu-se:
- Bem... agora preciso ir. Parto amanhã pppela manhã.
Alucard sai da sala. San diz:
- Que canalha! Aposto que está nos enganaaando.
- Se bem que nós também o estamos enganannndo... – comentou São Paulina.
- Mas não é por isso que vamos dar a nossssa cara a tapa. – reagiu Amiguinha,
para depois perguntar:
- Quem mais estará neste jantar da Comuniiidade Européia ?
- O presidente da Rússia e representantesss dos países produtores de petróleo –
respondeu Sheila, sem pestanejar.
Amiguinha colocou Tico e Teco em funcionamento e perguntou ainda:
- O Alucard ganharia alguma coisa com mudddanças súbitas no preço do petróleo ?
- Não – disse Sheila – Suas atividades eccconômicas não são afetadas por esta
commodite.
- Mas tem algo aí... – reagiu a chefe. Vaaamos todos para PARIS. Inclusive a
Blair.
- Levar a traidora ? – retrucou San.
> - Isso. Depois eu explico o porquê.
A Cena acaba com a câmera mostrando o vulto discreto de Lara por trás da grade
do ar-condicionado.
CENA
44
A câmera mostra Tina por trás, sentada, observando os vídeos de segurança do
“Palácio dos Cupins”. Um relógio digital no canto direito, em segundo plano,
marca quase seis horas da tarde. Ela não se surpreende quando Fadinha surge e
coloca a mão sobre seu ombro. Sem tirar os olhos dos vídeos, Tina comenta:
- E então ? E o namorado ?
- Já estava com os pulsos roxos... Coitadddo... Ele é distraído, mas já está
começando a desconfiar. Nem tive tempo de recompensá-lo direito!
Tina descreve o que vê no vídeo:
- Hi, o Dr. Pangloss já está se preparandddo para fechar o sebo. Coitado... Acho
que aquela porta de ferro é mais pesada do que ele...
Fadinha sorri, mas Tina continua:
- Ah... Duas clientes estão querendo entrrrar...
Fadinha aproxima o rosto do vídeo. Nossa câmera agora foca na tela, onde uma
imagem em preto e branco permite distinguir Pangloss conversando com duas
mulheres. Ele aponta para o fundo. Tina pergunta:
- Aquela não é Radical Chic ?
- Não sei – responde Fadinha – eu não traaabalhei com ela. Só conheço por fotos.
- Espera! – exclama Tina, levando a mão ààà boca – e a outra mulher ? É a ...
Antes que Fadinha pudesse dizer qualquer coisa, Tina salta da cadeira e corre
para a sala de Prinz, que está escura. Ele dorme, sentado em um sofá. Ela grita
com ele:
- Prinz ! Prinz ! Acorda ! Acorda !
- O que houve ? – ele pergunta, sonolentooo.
- A Radical está lá embaixo com...
- Com ?
- Com uma moça... uma moça de cabelos commmpridos...
Agora é Prinz que pula, movido por uma esperança louca, ilógica. Ele corre pelo
corredor e some escada abaixo.
CENA
45
Prinz chega ao térreo do sebo e pára, incrédulo. Lili se vira então para ele. O
olhar dela está diferente. Ao vê-lo, ela sorri aliviada, mas suas palavras caem
como um balde de água fria:
- Professor Johann Mauritz ? Como é bom eeencontrar alguém conhecido...
- Professor ? - Ele pergunta, confuso. Raddical Chic coloca a mão sobre o ombro
dela e depois, dando três passos na direção dele, comenta de forma discreta:
- A cabeça dela está confusa. Ela não se llembra de nada do que se passou nos
últimos dois anos... Pela conversa que tivemos no carro, você ainda é o
professor visitante da universidade dela. Ela nunca ouviu falar na
"Imobiliária"... Expliquei-lhe que ela agora trabalha no Rio,
contigo. Ela ficou muito surpresa...
Prinz olhou para Lili e percebeu que esta estava muito cansada. Ela disse:
- Sinto muito professor... Eu realmente nnnão me lembro de nada... E a Radical
me disse que a tal Imobiliária onde trabalhamos pegou fogo... É por isso que o
senhor está aqui ?
Prinz sorriu, feliz por vê-la viva. Ele respondeu:
- É um pouco complicado... Venha, vamos sssubir... Você certamente quer tomar um
banho. As meninas vão te arrumar uma roupa adequada. Amanhã será um dia
melhor... Posso segurar no teu braço para te ajudar na escada ?
- Obrigada.
CENA
46
Lili chega ao segundo andar do casarão em meio à perplexidade de todos. Fadinha
a abraçou, mas logo percebeu que isto a deixou constrangida. Prinz explicou:
- Ela não lembra de nenhum de vocês... - MMe desculpem... - completou Lili. -
Mass prometo que voltarei logo ao normal... Só estou um pouco confusa... Não se
morre todo dia...
- Tudo bem - disse Fadinha. - Mas o que pppodemos fazer por você agora ?
- Eu vou mostrar a ela o chuveiro e arrummmar um lugar tranquilo para ela
dormir. - interrompeu Prinz - Agradeço se vocês ppuderem arrumar umas roupas.
- Claro - disse Tina.
Prinz, virando-se para Fadinha, pediu:
- Esta noite quero me dedicar a ela. Dar---lhe toda a atenção. Então, peço que
você fique no comando, aconteça o que acontecer.
- Pode deixar - respondeu a Roofless Girlll.
Prinz e Lili somem no corredor. Todos se entreolham, ainda surpresos. Tina
comenta:
- Bem... Parece que a tal reunião gorou..... Vou levar então um lanchinho lá em
baixo para o simpático doutor Pangloss. Acho uma maldade ele ficar abandonado
naquele quartinho escondido e abafado do térreo.
Tina desce a escada, com um prato de comida coberto por um pano bordado.
Radical fala:
- E eu preciso ir. Cumpri a minha parte. NNão pertenço mais à Imobiliária, desde
a s*canagem... a injustiça que fizeram com a Lunnah.
Fadinha aquiesceu, constrangida.
cena
47
Fadinha e Pattye estão sentadas na sala do fundo, com um olho nos vídeos de
segurança e outro na novela das oito. Pattye comenta:
- Meu ferimento inflamou... O Dr. Bilau iiinjetou um antinflamatório, mas a dor
está ficando insuportável...
- Por que você não toma um analgésico ? ––– pergunta Fadinha.
- Ele está procurando naquela bagunça da ccozinha... Mas talvez não tenha.
Neste instante, toca o celular que está pousado sobre a mesa de reunião.
Fadinha o atende no viva-voz. [A tela do “cinema” se divide em dois quadros. Um
ocupado por Fadi e outro por miss Croft ]. Lara, em voz baixa e caminhando
pelos imensos jardins da mansão Alucard, pergunta:
- A Lili ! Vocês tem notícias dela ?
- Sim – responde Fadinha – está tudo bem... Ela está conosco e apenas perdeu a
memória...
- Ufa... É assim mesmo... Mas o Byte me gggarantiu que vai voltar.
- Bytestream ? – reagiu Fadinha – Você faaalou com aquele calhorda ?
- Depois eu explico. O importante agora ééé que vocês saibam que o Alucard, o
“Presidente” e toda a Irmandade estão indo amanhã para PARIS. Parece que a tal
caganeira coletiva esconde mais coisas do que imaginávamos... Assim que eu sair
daqui, faço um relatório.
- Venha logo para cá... Não para a Imobillliária, pois pusemos fogo nela.
Estamos clandestinos, no “Palácio dos Cupins”.
Lara fala ainda mais baixo:
- Um momentinho... [o quadro da Fadinha ssse fecha, para mostrar apenas a câmera
sobre Lara]
Ela se aproxima por trás de um valete de Alucard, armado com um fuzil, sob uma
árvore. Está muito escuro. Após prender o celular ao cinto, ela o puxa pelos
cabelos e lhe dá dois murros certeiros que o prostram no chão. Depois,
correndo, lança-se na direção do muro de três metros que limita a lateral da
propriedade Alucard. Sobe-o com a destreza de um gato. Senta-se no topo, pula
sobre o capô de um carro estacionado (disparando o alarme deste) e depois sai
caminhando tranqüilamente sobre o asfalto da rua. Pega o celular e continua:
- Pronto... Tive que dar um pulinho... Onnnde estávamos...?
- Esqueça o que eu disse sobre vir para cccá – arremata Fadinha. – Vá direto
para Paris. Encontre-nos no Hotel La Chate Pourrie. Iremos todos.
- Certo – anui Lara – Vou desligar então...
Pattye, que tudo escutara no viva-voz, pergunta:
- Não é melhor deixarmos o Tempus aqui nooo Brasil? Para o caso de precisarmos
de algo?
- Hummm... Pergunta interessante – responnnde Fadinha. – Terei que respondê-la
com modernas técnicas de gestão de pessoal. Vejamos... Meu namorado não poderá
ir a Paris... No dia 17 eu estarei ovulando o que, no meu caso, significa dizer
que estarei no cio. Paris tem homens bonitos. Mas, é sempre conveniente ter um
aperitivo à mão. Logo, portanto e por conseguinte, Tempus irá conosco.
- Brilhante raciocínio – analisou Pattye –– em outros países, é sempre bom ter
uma comidinha caseira.
CENA
48
Um cômodo pequeno e escuro, iluminado apenas pela luz indireta de um abajour.
Uma cama de ferro, onde Lili está deitada de lado, com as costas voltadas para
a parede. Ela parece dormir.
Prinz está sentado no chão, mas com os braços e o queixo apoiados sobre o colchão
dela. Ele a observa em silêncio e coloca sua mão bem próxima à dela, porém sem
tocá-la. Mas, também cansado, adormece, fazendo com que seu rosto deslize e
repouse sobre o lençol.
Ela então abre os olhos, acaricia o rosto dele e diz:
- Psiu... ô moço... não fique aí no chão...
Ele abre os olhos, ela convida:
- Venha cá. Deita comigo...
- Melhor não - responde ele, com ternura... - É muito perigoso eu dividir uma
cama contigo.
Ela retruca:
- Eu posso não me lembrar do que aconteceeeu nestes dois anos... Mas meu corpo
todo dá sinais de que lembra muito bem do teu. Vem! Por favor. Deita aqui
comigo.
Prinz parece não acreditar, e se deita ao seu lado. Se olham agora de muito
perto. Se acariciam. Ele a abraça, suas pernas se enroscam. Ela se sente
protegida, amada. Ficam assim por alguns minutos. Até que ele levanta o queixo
dela com o indicador e a beija na boca. Levando a mão à nuca dele, ela
corresponde. As línguas se tocam, num beijo ardente, que se arrasta pelo
pescoço, ombro, orelha. Ela esfrega seu corpo ao dele e, num arrepio intenso,
guia o rosto dele até os seios, onde ele mergulha em êxtase.
[A câmera então se afasta, perde foco e escurece.]
CENA
49
A câmera mostra o quarto de Pangloss, nos fundos do térreo do sebo. Todo
mobilhado por móveis antigos (cristaleira, cômoda com tampo de cristal bisoté,
baú trabalhado de jacarandá, cadeira de balanço, etc...), está impecavelmente
limpo e iluminado por um belo lustre.
A cena passa a impressão de que Tina e Pangloss já conversam a alguns minutos,
pois ele está arrumando uma pequena mesa para o jantar. Sobre a toalha de linho
bordado, colocou dois pratos “descasados” de porcelana inglesa.
- Desculpe não serem iguais os pratos – elle diz – mas os comprei assim mesmo,
em um antiquário.
Tina sorri condescendente e diz:
- Mas porque dois pratos ? Eu trouxe a commida para você apenas...
- Pelo que muito lhe agradeço, menina. Mass cabe à senhorita provar a comida que
eu lhe preparei.
- Para mim ? Mas como sabia que eu viria ??
- Eu não sabia. Mas eu tinha já me decididdo a correr o risco de convida-la.
- Risco ? Não seria risco algum...
Pangloss tosse. Tosse bastante.
- Desculpe-me. Estes livros, que tanto amoo, não me fazem muito bem. O amor tem
destas coisas... Um momentinho, por favor.
Ele some na direção da cozinha. Ouve- se a torneira ligada, um ruído de
geladeira abrindo e fechando. Ele volta com uma garrafa de vinho e diz:
- Quando eu voltei ao Brasil, em 1979, troouxe dez garrafas de vinho da
Bourgogne... Todos da região de Hautes-Côtes-de-Beaune. Até hoje só abri 6
garrafas, todas em ocasiões especiais.
Tina sorri novamente, bastante encabulada.
- Vou pegar agora o teu prato – diz ele. -- Um momento.
Ele leva um dos pratos de porcelana e volta com este cuidadosamente servido à
francesa. Com carne ao molho de poivre, legumes cozidos, um montinho de arroz
branco enfeitado por uma única pimenta vermelha. Ele adverte:
- Não coma esta pimenta agora. Eu lhe ensiinarei mais tarde como comê-la.
Sente-se, por favor.
Ela obedece, mas comenta:
- Ah... Mas agora estou envergonhada... Viim lhe fazer uma surpresa e é você
quem me surpreende. Fico assim encabulada.
- A surpresa maior ainda é minha, por perdderes teu tempo e tua juventude com um
velho como eu...
- Velho? Perder tempo? Eu é que quero sabeer porque queria me convidar...
- Muitas mulheres bonitas já entraram nestte sebo. Porém, nenhuma com tanta
luz...
- Bem... – responde ela - estou tão encabuulada que... é melhor comer.
- E não esqueçamos o vinho. Vou servi-lo.<
CENA
50
Fadinha está de pernas para o ar, lendo uma revista, quando ouve gemidos de
mulher:
- Hummm... Hummmm... Aaaah, Aaaaah...
Ela comenta, um pouco irritada:
- Estes dois não se cansam ?
Ela vai para o corredor, mas os gemidos não vêm do quarto de Lili, mas sim da
sala de computador. Indiscretamente, ela abre a porta de supetão e encontra
Pattye sentada, apenas de blusa e calcinha e examinando com Bilau e Tempus o
curativo da perna.
- O que está acontecendo aqui ? - perguntoou Fadinha.
- O ferimento dela piorou um pouco. - resppondeu Bilau - Já injetei um poderoso
antinflamatório... Mas estamos sem analgésico. Esta noite ela vai sofrer,
coitada...
- Ora - disse Tempus - por que não ligamoss para uma farmácia ?
- De jeito nenhum - discordou Fadinha - Deevemos estar sendo procurados pela
ABIN. Não podemos dar bandeira de deixar alguém entrar aqui. Esta rua é deserta
à noite. Ninguém mora aqui. Seria chamar muita atenção...
- Você diz isto, porque não é a tua perna ! - reclamou Pattye.
- Dr. Bilau - perguntou Fadinha - Você nãoo conhece nenhuma outra opção para
aliviar a dor ?
Bilau levou a mão ao queixo e disse:
- Bem... Há um recente estudo da Universiddade Federal de Pelotas que demonstra
que fortes estímulos sexuais aliviam a dor, ou até a mitigam ao prazer. Daí
termos uma série de obsessões sexuais que exploram este aparente paradoxo.
- O que você está sugerindo com isso ? – pperguntou Fadinha, surpresa.
- Bem – interrompeu Tempus, solicito. – Nóós poderíamos nos revezar e... com
todo respeito, estimula-la sexualmente até amanhã de manhã.
- Nós quem ? – irritou-se Fadinha.
- Eu tinha pensado no Bilau e eu... – reaggiu Tempus – Mas se você também quiser
ajudar...
- Cruzes !!! – exclamou Fadinha, saindo daa sala e batendo a porta.
Bilau olhou Pattye, e disse:
- O Tempus entendeu a minha idéia. E não hhá nenhuma intenção oculta da nossa
parte, a não ser te ajudar.
Pattye o olhou com um misto de incredulidade e curiosidade.
- Sei, sei... Bonzinhos... E como vão fazeer isso ?
- Bem – respondeu Bilau. Eu poderia começaar por um estímulo mamário, enquanto o
Tempus buscaria um estímulo clitoriano. Está bom para você assim ?
- Só se for agora – respondeu Pattye, tiraando a calcinha.
Tempus, sem perder tempo, lançou-se de cara entre as coxas generosas da nossa
Roofless Girl, enquanto Bilau, com a boca, iniciou um científico processo de sucção
mamária. Pattye, ao que parece, sentiu um alívio imediato, mudando o tom dos
gemidos.
CENA
51
O prato de Tina já está praticamente vazio. Ela olha a pimenta e pergunta:
- E agora ?
- Agora a menina precisa morder... mas apeenas um pedacinho.
Ela sorri e, com toda classe, obedece.
O homem aproxima a cadeira da dela e adverte:
- Ela demora um pouquinho para arder e é mmuito saborosa. Tome um gole de vinho.
Ela obedece novamente mas, antes que pudesse engolir o líquido, sacode a mão
junto à boca, dando sinais de que a pimenta fizera efeito. Fica aflita e, sem
querer, deixa uma gota de vinho escorrer por entre os lábios. Pangloss, ao ver
o vinho chegar ao queixo, é tomado por um inesperado reflexo e beija a gota.
Eles então se olham assustados por alguns segundos, até que suas bocas se unem
ardentemente.
CENA 52
E é com beijos igualmente quentes que Prinz passeia pelas coxas e pelo ventre
de Lili, antes de se deitar sobre ela. Ele a toma pelos cabelos, morde seu
pescoço e, em movimentos compassados, a possui apaixonadamente.
CENA
53
Enquanto isso, Pattye cura a sua dor. Montada sobre Bilau, ela se move
freneticamente enquanto que, com as mãos, acaricia o pênis de Tempus Edax.
Depois, enterrando o membro de Bilau profundamente, ela pára de se mover para
abocanhar e melhor saborear o órgão do outro homem. Tempus fecha os olhos, a
agarra pelos cabelos, e tenta segurar o gozo. Em vão...
CENA 54
Fadinha tenta dormir, atordoada com os gemidos que vêm dos quartos de Lili e
Pattye. Pensando alto, comenta:
- E a Tina está demorando... O que tanto cconversam ? Aposto que estão vendo TV.
CENA 55
Manhã do dia 15. Todos, inclusive Fadinha, se cruzam pelo estreito corredor do
segundo andar com profundas olheiras, a denotar uma noite mal dormida.
Tempus se prepara para ir ao banco, enquanto os outros aprontam as poucas
bagagens para Paris.
Reescrevendo
a Cena
CENA 55
[Em marcha acelerada, vemos o Centro do Rio saindo da escuridão, o sol nascendo
ao fundo até dominar o céu. Dia bonito, com umas poucas nuvens passeando pelo
azul. Com a câmera acelerada, vemos também as sombras que se projetam dos
prédios maiores, movendo-se como em gigantescos relógios de sol]
As pessoas custam a acordar no "Palácio dos Cupins". Tina é a
primeira. Subindo as escadas, vinda do quarto de Pangloss, tem um terno sorriso
nos lábios. Ela segue até a cozinha e começa a preparar o café.
Fadinha vem em seguida, curada do mal humor da véspera, já acha graça do que se
passou:
- Êta gente maluca... Parece um bando de ccoelhos !!! Quando eu vi... Aliás... -
pergunta, mudando o tom para a ironia - Como você passou a noite ?
- Acordada... - responde Tina, agora com uum largo sorriso. - Ou quase.
- Nossa... E não foi vendo TV, certo ?
>
- Certo... Mas também não foi exatamente ccomo você está pensando... Ficamos
"namorando"... Somos um pouco antiquados.
- Hummm... Sei. E isto terá continuação ?<
Neste momento, Prinz aparece, olha ao redor e pergunta, ansioso :
- Temos algo para comer ? Estou faminto....
- Bom dia também se diz... - brinca Tina -- Dormiu bem ?
- Ah sim... Como há muito tempo não dormiaa.
- Tá bom. Banqueteou-se. - reagiu Fadinha,, com ar de reprovação - E o que vai
acontecer quando a Lili se lembrar porque vocês se afastaram ?
Prinz fica em silêncio, contrangido. Ela prossegue:
- Acha mesmo que foi honesto o que fez ? SSeduzir uma moça confusa ?
Ele continua em silêncio, até que Lili também entra e o abraça por trás. Ela
sente algo no ar. O pega pelo queixo, carinhosamente, e pergunta:
- O que houve, meu príncipe encantado ? Quue cara carrancuda é esta ?
Ele tenta sorrir e responde:
- Nada. Tudo bem... Aliás... - e virando-sse para Fadinha - Tudo bem ? Novidades
enquanto eu dormia ?
- Ah, sim - respondeu ela com indiferença - Vamos todos a Paris.
- Oh! Viu Lili ? Vamos a Paris ?
Lili ri e responde, incrédula:
- Ah sim... Claro!
- É verdade - enfatiza Fadinha - Vamos messmo. Todos. Mas precisamos acordar o
Tempus! Ele tem que ir ao banco, pegar aqueles trocados !
- E por que ele ainda não acordou ?
- Ah, coitado! - disse Fadinha - Imagina qque ele e o Bilau passaram a noite
abnegadamente cuidando da perna da Pattye.
CENA
56
Sala do computador. Roupas espalhadas para todo lado. Há uma cueca sobre o
monitor. Tempus dorme nú, de bruços, no chão. Pattye tenta reanimar Bilau,
manipulando seu bilau:
- Vamos, vamos !! Levanta isso aí... Tenhoo certeza que, espremendo, ainda sai
alguma coisa !!
Bilau tenta, e conversa com bilau:
- Vamos, meu amigão. Não nega fogo !!! Queem dá 12 dá 13 !
- Ah, cansei - diz ela - O bichinho adormeeceu. Então vem cá e faz aquela
estimulação mamária que só você sabe fazer...
Mas eis que batem na porta e se ouve a voz de Prinz:
- Vamos acordar para viver ! Tem muito traabalho pra hoje ! Paris nos aguarda !
E o dinheiro no banco também !
- Hummm... Pensou no que eu pensei ? - perrgunta Pattye.
- Suruba em Paris ? - responde Bilau - Uebba !
CENA
57
San entra em um pequeno quarto. Blair está sentada, com um pulso algemado à
cabeceira da cama. Ele abre a algema e diz:
- Levante-se. Venha comigo.
- Aonde eu vou ? - pergunta ela.
Ele responde:
- Digamos que você vai fazer uma longa viaagem.
- Não! - diz ela, se jogando de joelhos noo chão - Eu sou muito jovem para
morrer ! Pleeeease ! Ainda nem pude conhecer o Caíque Brito e a Sandy &
Júnior !!!
- Bah !!!! Levanta daí... Não esta viagem,, ainda. Nós vamos para Paris !
CENA
58
Tempus sobe as escadas do Palácio dos Cupins acompanhado por Bilau. Os dois
carregam, cada um, duas sacolas de couro. Fadinha e Tina os olham com
curiosidade. Eles não esperam ser questionados. Tempus fala:
- O dinheiro está aqui. Deu tudo certo. Umma parte já convertida em Euros para a
viagem.
- Ótimo ! – reage Fadinha – E nós já comprramos as passagens de avião. Mas,
devido à correria, não conseguiremos ir todos no mesmo vôo. Vocês dois tomarão
um vôo que sai do Rio e passa por São Paulo, antes de ir para Paris. O resto do
grupo irá diretamente do Rio. Assim, nos encontraremos lá no Hotel “La Chate
Pourrie”.
- Certo... – anuiu Bilau – Temos que ver eentão com o Dr. Pangloss um bom lugar
para escondermos parte do dinheiro.
- Isso – disse Tina – Mas não o atrapalhe muito, pois ele está arrumando sua
mala.
- Mala dele ? – reagiu Bilau – O velho vaii ? Pra que ?
- Expliquei ao Prinz – disse Tina, sem escconder segundas intenções – que
precisaremos de pessoas que falem perfeitamente o francês. Ele será o
intérprete dos monoglotas sentetistas...
Fadinha sorri, e comenta:
- Prinz e Lili, Tina e Pangloss, Pattye e seus PFs... Salvaremos o Brasil entre
uma fornicação e outra...
- Ora, que absurdo – rebate Bilau, indignaado – Tudo o que fizemos foi ajudar
uma amiga a ultrapassar um apuro... Não buscamos nisto prazer algum... Nossos
orgasmos foram apenas para induzir nela espasmos uterinos. Gozadas
terapeuticas...
- E a Lara ? – perguntou Tempus, tentando mudar de assunto.
- Ela pegará um outro vôo, diferente dos nnossos. - respondeu Fadinha, ainda
rindo da resposta de Bilau – Penso que até as 2 horas da tarde de amanhã (dia
16) estaremos todos no Hotel.
- E chegando lá, o que faremos ? – indagouu Tempus.
- Vocês homens ? – questionou Pattye, entrrando em cena. – Nada ! Ou quase nada
!
- É isto mesmo – respondeu Fadinha – É traabalho para as Roofless Girls.
Vocês, como sempre, darão apoio administrativo, científico, logístico e, nas
horas vagas, sexual.
- Eu, aliás, abro mão dos outros apoios, sse puder ficar com bastante do último
- completou Pattye.
CENA
59
Uma câmera colocada em um helicóptero mostra três taxis amarelos seguindo em
fila indiana pela chamada Linha Vermelha, via expressa da cidade do Rio de
Janeiro. Há um corte na cena e vemos estes três taxis parando no setor de
embarques internacionais do aeroporto Tom Jobim (“Galeão”).
Prinz, Lili, Fadinha, Tina, Pattye, Pangloss, Bilau e Tempus descem dos
veículos e pegam suas bagagens (menos Fadinha, que contrata um rapaz para
carregar suas cinco malas e duas frasqueiras).
Prinz conversa reservadamente com Tina:
- Talvez tenha sido um erro trazer a Lili.... Ela vai nos atrapalhar... Sabe que
é uma viagem de trabalho, mas ignora a natureza dela.
- Mas também não podíamos deixá-la aqui, ddeste jeito – ponderou ela. – E não se
culpe por nada. Vai dar tudo certo.
O grupo entra nas dependências do aeroporto. Lili se aproxima de Prinz,
dando-lhe tempo apenas de sussurrar às pressas no ouvido de Tina:
- Chegando a Paris, precisamos arrumar umaa forma de seqüestrar o falso
Presidente ou Alucard. A chefe da Irmandade pode ser um alvo, mas secundário. É
a única forma de parar...
Antes que ele terminasse a frase, Lili se enrosca no seu braço e pergunta, em
tom de brincadeira:
- De segredinhos, é ?
- Trabalho, Xuxu. Trabalho.
CENA 60
Um enorme avião de passageiros cortando os céus.
Em seguida, o interior do avião, com suas poltronas azuis, dezenas de rostos
entediados, e outros tantos a rir ou conversar.
Um lento zoom nos leva à poltrona de Prinz e Lili. Ela com a cabeça recostada
sobre o ombro dele, que a acaricia. Ele, com gestos protetores e carinhosos,
mas sem esconder no rosto uma grande preocupação.
CENA
61
A câmera mostra outro avião, mas este está pousado.
Corte.
Vemos agora o interior da aeronave, com suas poltronas cor de vinho. Bilau está
junto à janela, e Tempus à sua direita, na poltrona do corredor. Novos
passageiros começam a entrar e se espalhar pelos lugares vazios. Bilau olha o
exterior e comenta:
- Sum Paulo... Felizmente não trocaremos dde aeronave.
Tempus toma um susto e começa a se encolher na cadeira. Ele fala:
- Putz ! Veja lá... A líder da Irmandade, Amiguinha.
Bilau levanta-se ligeiramente e confirma:
- Ela mesma. Pô... Tem uma carinha zangadaa... Mas dá um tremendo caldo. Vocês
se conhecem? Por que você está se escondendo ?
- Só a conheço por fotos, como você - resppondeu Tempus. - O problema é que a
Blair está junto... E esta eu já vi duas vezes lá na Imobiliária.
- Hummm... Então troca de lugar comigo. Accho que ela não me conhece não. Mas...
por que será que a Blair está aqui? Ela não é das nossas ?
Tempus resmunga de novo:
- Caraca... Olha! A Irmandade tá toda aquii... São Paulina, Sheila, San... os
outros eu não lembro os nomes. Mas tenho arquivados no meu laptop.
- Uma coincidência como esta não devia serr desperdiçada... - murmura Bilau.
CENA
62
O avião de Bilau e Tempus já está no ar, sobrevoando o oceano. Escureceu. As
luzes internas foram apagadas, restando apenas a iluminação de segurança e um
ou outro passageiro assistindo vídeos acoplados às poltronas.
Amiguinha e Blair estão sentadas juntas, apenas duas poltronas à frente de B. e
T..
Bilau sussurra:
- Veja. A Amiguinha colocou uma pasta entrre as pernas. Deve ser algo muito
importante para ficar assim, fora do maleiro.
Tempus se inclina na direção do corredor, olha e diz:
- Poxa... Se pudéssemos ver o que há...
- Como ? – pergunta Tempus.
- Eu primeiro injetaria em nós este antídooto. Depois, com um spray especial, eu
jogaria no ar um sonífero, que faria todos dormirem por 15 minutos, em um raio
de 10 metros.
- Hummm... Você então iria lá – completou Tempus – pegaria a pasta e nós a
examinaríamos rapidamente.
- Exato ! Topas ?
- Claro.
Bilau espeta em si e no amigo o antídoto (duas agulhas descartáveis, claro) e
depois espalha pelo ar o inodoro sonífero. Ouvem-se bocejos. Cabeças desabam
sobre o peito e mãos caem para fora dos encostos. Bilau se levanta, sem perder
tempo, vai até a poltrona de Amiguinha e se ajoelha. Mas, quando ia agarrar a
pasta...
Amiguinha
abriu os olhos e exclamou:
- O que significa isso ?
Bilau a olhou apreensivo. Tinha apenas dois segundos para se safar daquela
situação. Ele disse:
- Me desculpe... Mas desde que você entrouu neste avião... há algo que eu
preciso fazer...
E dito isso, Bilau levantou a saia de Amiguinha e enterrou seu rosto entre as
coxas da mulher. Amiguinha soltou um gemido e, finalmente, adormeceu.
Tempus, ultra concentrado na missão, apanhou a pasta por entre Amiguinha e
Bilau, abriu-a com uma chave mestra, e começou a examinar seu interior. Leu
rapidamente alguns papéis e encontrou um palmtop. Com a ajuda de um cabo USB,
transferiu informações do palmtop para o seu próprio PC. Só então percebeu que
Bilau continuava enfiado entre as pernas de Amiguinha.
Foi lá e bateu nas costas do amigo:
- Ei... Tá bom! Ela já dormiu. Pode sair.<
Bilau, com a voz abafada, respondeu:
- Nem morto. Isso aqui é o paraíso!
Tempus se irrita:
- Cara, sai logo ! Já se passaram uns 5 miinutos...
- Então, ainda tenho mais dez !!!
- P*rra, seu maluco, larga - disse Tempus,, tentanto puxar Bilau.
Bilau se agarra às coxas de Amiguinha e, ainda abafado lá no meio, resmunga:
- Arre ! Você quer é tomar o meu lugar! Saai fora urubu!
Tempus o puxa pelas pernas, fazendo Amiguinha escorrer desacordada pelo chão.
Bilau se agarra ainda mais, como um carrapato, sua cabeça oculta dentro da saia
da jovem. Esta, apesar do sonífero, abre os olhos por alguns instantes, geme de
prazer, e desmaia novamente.
Os três já estão no corredor. Bilau puxado pela perna. Tempus apoiando os pés
em outras poltronas, consegue finalmente arrancar o outro homem, que sai com a
cara toda amassada e vermelha.
- Tá, tá - resmunga Bilau - vamos recolocaa-la na poltrona.
- Agora não dá tempo - diz Tempus - recoloocando a pasta no lugar.
Os dois se sentam, com cara de paisagem. Dois minutos depois Amiguinha acorda e
se assusta ao se ver deitada no chão, com a saia levantada.
Ela se levanta e, ainda zonza, senta-se na poltrona e adormece.
CENA
63
Sobre o oceano, o céu, em variados tons de amarelo e vermelho, dá sinais de um
novo dia.
Blair, em sua poltrona, acorda, se espreguiça e, ao olhar para o lado,
depara-se com Amiguinha em estado de choque.
- O que houve ? – pergunta a menina.
Amiguinha, com os olhos arregalados, responde:
- Aconteceu algo muito estranho comigo estta noite. Um homem que está lá atrás
veio até aqui, levantou minha saia, enfiou a cara entre as minhas coxas... e me
chupou !!!
- Hehehehe !!! Essa é inédita... E você goostou ?
- Não sei ! – responde Amiguinha, com uma certa raiva.
- Como assim você não sabe !?
- Eu... eu desmaiei !
- Desmaiou ? – estranhou Blair. – Mas quemm fez isso, afinal ?
- O cara que está no corredor – sussurrou Ami – duas poltronas para trás.
Blair, descaradamente, se levanta e olha para Bilau [dormindo]. Mas, o que lhe
chama a atenção é Tempus que, ao cruzar o olhar com ela, disfarça e abre uma
revista, tentando esconder o rosto. A face de Blair se ilumina. Ela volta a se
sentar e fala, quase com indiferença:
- Orgasmo.
- O que ? – pergunta Ami.
- Você teve um tremendo orgasmo, instantânneo, e desmaiou. Simples !
- Como é que é ? Você está dizendo que eu tive o maior orgasmo da minha vida, à
ponto de desmaiar, e não lembro de nada ?
- Pois é... São as ironias desta vida...
- Com os outros homens não é. – retruca Bllair - Mas com este...
- Com este o que ? – pergunta Amiguinha – O que você quer dizer ?
- O óbvio. Ele é a tua alma gêmea sexual....
- Ah... – resmunga Ami – Deixa de falar boobagem...
- Tá bem, tá bem. Não está mais aqui quem falou... Deixa ir.
- Deixa ir o que? – irrita-se Amiguinha.
- Bah... Você não sabe o que está dizendo.. Além disso, eu não quero desmaiar.
- Claro, claro... É melhor mesmo você comeeçar a esquecer... pois, nunca mais...
- Chega! Não basta ser traidora ? Ainda teem que torrar o meu saquinho que eu
nem tenho...
CENA 64
O avião aparece pousado. Passageiros retiram objetos dos bagageiros. Falatório,
criança chorando, guardanapo no chão, fila para a saída da aeronave. Quando
Bilau ia passando pela poltrona de Amiguinha, esta o puxou pelo casaco, enfiou
alguma coisa no seu bolço e, com um olhar misterioso, lhe disse:
- Se quiser uma companhia para um café... Me ligue no Hotel Vandôme.
Bilau sorriu, sem esconder a surpresa, e continuou andando. Tempus, em voz
baixa, lhe diz:
- Pronto. Já sabemos onde encontrar a Irmaandade!
Bilau
então, deixando a modéstia de lado, comentou:
- Tsc... O que posso fazer ? É o meu magneetismo animal. Mesmo dormindo,
dopadas, elas não se esquecem de mim...
- Sei, sei... - retrucou Tempus, com uma pponta de inveja.
*******EXTRAS
Saiu
na edição desta semana da revista Carrapicho:
“Barraco durante as gravações do filme Roofless Girls, em Paris. Os atores se
irritaram com os boatos de que ficarão apenas três dias na capital francesa,
filmando cenas externas. Depois, voltariam para o Rio, onde rodariam as cenas
de tiroteio no Museu do Louvre em um estúdio improvisado dentro de uma escola
pública de Senador Camará. A escola já estaria sendo decorada com réplicas das
famosas obras de arte do museu francês, recriadas pelo artista plástico
maranhense Fernandinho do Abaeté.
Fernandinho, confirmando estes boatos, declarou ao TV FAMA que não pretende se
prender a nenhum “rigorosismo artístico” e que sua réplica da Mona Lisa “será
pós-punk-funk”. Disse ainda que está preparando uma versão cabocla da Vênus de
Milo, feita de lixo reciclado.
Em Paris, a atriz Fadinha recusa-se a acreditar nos boatos e diz que fica na
Cidade Luz "até o Natal". Mas sabe-se que se encontrará amanhã com a
diretora do filme (Meiga) para tratar do assunto.”
CENA
65
Dois taxis param diante do hotel "La Chate Pourrie", em uma estreita
rua parisiense. Descem Fadinha, Lili, Pattye, Tina e Prinz [esqueci de
alguém?].
Lara Croft, com casaco de couro negro, cachecol vermelho e botas de cano alto,
os aguarda junto à porta. Fadinha, deliciosamente vestida com um jeans de
cintura baixa com flores bordadas ao longo das pernas esguias, se aproxima da
amiga e a abraça. Lili, ainda que desmemoriada, olha Lara e faz semblante de
ter dela alguma lembrança.
[Todos vestem algum tipo de casaco, pois a ação se passa em novembro ou
dezembro. Existe decoração natalina na fachada do hotel, que é relativamente
estreito, tem oito ou nove andares e segue a arquitetura típica do período
Napoleão III - meados do séc.XIX].
Lara abraça Lili e diz:
- Eu sei que você ainda não se lembra de mmim. Mas saiba que pode contar comigo.
Um funcionário do hotel aparece para ajudar com as malas, que são transportadas
para o hall. Prinz se aproxima do recepcionista e, num francês impecável, diz:
- Eu gostaria de falar com madame Robinettte, por favor.
- Madame Robinette não é mais a responsáveel pelo hotel, senhor. A nova gerente
é madame Sonora. O sr. tem reservas ?
- Sim. Em nome de Johann Mauritz van Nassaau-Siegen.
o recepcionista examina e diz:
- Oh, sim senhor ! Prazer em tê-lo aqui noovamente, senhor. Já vou providenciar
os vossos quartos.
- Obrigado. Mas... há uma mudança. Poderiaa me disponibilizar uma cama de casal
?
Lili, ao ouvir isso, aproximou-se, tomou Prinz pelo braço e o beijou no rosto.
- Vc se importa em ficar no meu quarto, Xuuxu ? - pergunta Prinz.
Lili não responde. Apenas segura o rosto dele com as duas mãos e lhe dá um
beijo doce na boca.
CENA
66
Prinz e Lili estavam arrumando seus pertences no armário do quarto, situado no
oitavo andar do hotel. Pela janela, contemplavam os telhados de ardózia de
edifícios mais baixos e, ao longe, uma parte da Torre Eiffel e do Trocadero.
Fadinha e Tina abrem a porta com cuidado, conduzindo Bilau e Tempus. O rosto
dos quatro era de ansiedade, reprimida pela presença de Lili. Prinz, virando-se
para ela, pede licença e segue com o grupo para o corredor. Tempus fala baixo:
- Coincidência das coincidências... Viemoss no mesmo avião da Irmandade. E eu
consegui examinar por alguns minutos uma maleta da Amiguinha. Copiei dados do
palmtop dela, mais ainda não pude examiná-los. E copiei duas frases em latim,
escritas em um pedaço de papel. Vinha assim: AEIOU = Amiguinha Est Imperare
Orbi Universo = Amiguinha Erit In Orbe Ultima.
- Hummm... Vou discretamente pedir para a Lili traduzir. E, por favor,
transfira estes dados do teu laptop para o meu, para que eu possa examiná-los
mais tarde. Mas como vocês conseguiram enganar a líder da Irmandade ?
Bilau fez uma cara convencida e disse:
- Minha modéstia me impede de dizer... Mass não é só. Sabemos onde eles estão
hospedados. E a nossa Blair está com eles.
- Neste caso, precisamos resgatar a meninaa ainda esta noite. Ela deve saber
muita coisa. E, se possível...
- ... capturar a Amiguinha - completou Tinna.
- Isso.
- Eu tenho como me aproximar dela - disse Bilau, cheio de si.
- Então começaremos por aí - concluiu Prinnz.
CENA
67
[Um quarto de hotel impressionante, com móveis Luís XV e paredes com entalhes
em madeira e detalhes em dourado]
Amiguinha está ao telefone e caminha de um lado para o outro, falando em voz
baixa. Por vezes sorri, um tanto constrangida. Blair, Sheila e San, sentados em
um móvel chippendale, observam curiosos. Amiguinha então tampa o fone com a mão
e sussurra para os amigos:
- É ele! O cara do avião! Quer me ver hojee à noite.
Sheila, com semblante grave, faz “não” com o dedo indicador. Amiguinha
pergunta:
- Por que ?
- Está louca? Hoje é dia 16. Faltam poucoss dias para resolvermos tudo...
Encontre este sujeito no Brasil, mês que vem. Não se entregue de bandeja. Você
é a chefe. AEIOU, lembra ?
Amiguinha faz um ar desapontado.
-Ah... Mas estou muito curiosa em vê-lo. AAinda estou meio perturbada pelo que
aconteceu no avião.
Sheila, em tom autoritário, diz:
- Só se for aqui no restaurante do hotel. Para a tua segurança. Mas ainda acho
que você está sendo muito fácil. O cara parece ser um tarado... Imagina...
Invadir de boca as coxas de alguém, assim, dentro do avião!
Blair, rompendo o silêncio, diz:
- Então, se faça um pouco de difícil. Peçaa para ele trazer aquele amigo.
- Isso – diz San – Ele saberá que ainda esstá em fase de aprovação.
Amiguinha faz uma enorme careta para o grupo e retoma o telefone.
CENA
68
Bilau, em seu quarto de hotel, desliga o telefone um pouco desapontado. Prinz,
Lara, Tina, Tempus e Fadinha estão ao seu redor.
- O que houve – pergunta Fadinha – Ela nãoo aceitou ?
- Aceitou sim... para jantar no hotel delaa. Mas ela quer... que eu leve o
Tempus também.
Tempus cai na gargalhada:
- Kkkkkkkkkkkkkkkk !!!! Tem medo de você nnão dar conta e precisar de ajuda !!!
- Assim é até melhor – interrompe Lara – TTeremos vocês dois dentro do hotel
para ajudar na operação.
- É... - concordou Bilau – Mas onde eu colloco o Tempus na hora do lesco-lesco ?
- Lesco-lesco !? – irritou-se Fadinha. - VVocê acha que eu vou ficar na praça
Vendôme, pegando friagem, esperando você terminar o teu lesco-lesco ?! Vocês
homens não podem pensar em outra coisa ?! Não estamos te mandando lá para isso!
- Calma, Fadinha, calma – interrompeu Tinaa – É a Tensão Pré-Ovulacional. Amanhã
piora. Mas você tem razão. Estamos montando esta operação para capturar a
Amiguinha e salvar a Blair.
- Claro – concordou Prinz – Tudo o que preecisamos é que o Bilau convença a
Amiguinha a dar uma volta na praça após o jantar. O resto ficará por conta das
Roofless Girls.
- Ah, isso não vai dar certo – reagiu Fadiinha – É muita responsabilidade para
um homem...
- Não! – disse Tempus – Eu estarei lá. Vaii dar certo sim.
CENA
69
Prinz está no quarto do hotel, examinando os arquivos da Amiguinha no Laptop.
Lili está debruçada na janela, curtindo a visão da Torre Eiffel. Há um ligeiro
desapontamento no seu olhar.
- Não poderemos sair hoje?
Prinz fica em silêncio, absorto. Ela põe a mão no seu ombro e cochicha:
- Psiu! Moço ?
- Heim ? Sair ? Hoje não... Preciso ver issso daqui. Até o dia 22, mais ou
menos, ficarei um tanto ocupado.
- Pena... A cidade é linda.
- Vá dar uma volta - diz ele, colocando a mão sobre a dela. - Não se prenda por
mim.
- Amanhã, talvez. De noite, prefiro ficar aqui contigo - disse ela, para depois
completar, com um sorriso maroto - Pois sei que cedo ou tarde hei de te agarrar
e te dar um belo trato.
Ele sorri e a puxando para si, a beija longamente. Ela depois prossegue:
Só acho uma tortura trabalhar em Paris.
- É verdade.
- E os outros? Vi que saíram todos.
- Isso. Foram se encontrar com uma antiga funcionária nossa. A Blair.
- E por que nós não fomos?
- Por tua causa. Não queria te expor ao meeu ambiente de trabalho.
- Ah, mas era preferível do que ficar aquii...
- Aliás, - disse ele - acho que você podiaa me matar uma curiosidade. O que
significam estas duas frases em latim ?
Lili pega o papel que fora anotado por Tempus e o lê em voz alta:
- AEIOU = Amiguinha Est Imperare Orbi Univverso = Amiguinha Erit In Orbe Ultima.
Hummm... Eu diria que esta moça é bem ambiciosa. E até megalomaníaca.
- Por que ?
- Porque a primeira significa: Amiguinha eestá destinada a governar o mundo. E a
segunda frase: Amiguinha existirá até a borda... ou, melhor dizendo, até o fim
do mundo. Isso faz sentido?
- Hummmm... Pior que faz...
CENA
70
Hall do Hotel Vendôme. [Aqui se repete o estilo do quarto de Amiguinha.
Detalhes em dourado, colunas dóricas, formando ambientes de cadeiras, mesas
baixas e chippendales onde turistas esperam por amigos e familiares, de forma
sofisticada.]
Bilau e Tempus, muito bem vestidos, vêem Amiguinha saindo do elevador.
- Uau... Já fiquei de água na boca... - coomenta Bilau, em voz baixa.
- De fato... muito bonita. Mas... Isso aquui é trabalho! - repreende Tempus - E
repare nas pessoas ao nosso redor. Tem pelo menos quatro sujeitos da Irmandade
nos vigiando.
Amiguinha se aproxima e os cumprimenta, com beijos no rosto:
- Tudo bem com vocês, rapazes ? Vamos logoo ao restaurante do hotel ? Já
reservei nossas mesas.
- Claro ! -respondeu Bilau - Onde fica ?
[corte de cena.]
Todos já estão sentados. O garçon coloca um pouco de vinho na taça de Bilau.
Este fica parado por alguns segundos, até que Amiguinha o alerta, com um
sorriso maroto:
- Ele está esperando você provar o vinho....
- Ih.... Como faço? - reage Bilau, constraangido.
Tempus, já pegando o copo do amigo, pergunta:
- Posso ?
- Claro! Você entende alguma coisa de vinhhos ?
- Um pouco - responde Tempus que, tomando o copo pelo pé, gira delicadamente o
cálice e, olhando para Amiguinha através do cristal, fala:
- Hummm... Belle robe rouge grenat avec dees reflets pourpres, limpide et
transparente...
Em seguida, sem tirar os olhos da moça, ele toma um gole, saboreando antes de
engolir.
- l’attaque est franche et souple. - diz eele, com satisfação - Il présente une
bonne structure avec des tannins dominants en milieu de bouche. Et se termine
par une vivacité fruitée assez marquée... Muito bom!
E fazendo um gesto de cabeça, intima o garçon a servir o grupo. Amiguinha fica
visivelmente impressionada e sorri para ele. Bilau olha o amigo com
desconfiança.
CENA
71
Lara e Fadinha estão sentadas em um banco da praça Vendôme, diante do Hotel.
Pattye, que estava oculta atrás da famosa coluna que orna a praça, se aproxima
e senta com elas.
- E então ? - pergunta ela.
- Estão os três de risinhos lá no restauraante, tomando vinho e comendo caviar -
respondeu Fadinha, indignada, apoiando a escuta eletrônica contra o ouvido.
- E nós aqui, neste frio - resmungou Lara..
- Arre! Estou quase invadindo esta porcariia e detonando a cabeça desta polaca
com um teco entre os olhos! - vociferou Fadinha, expondo toda a sua TPO.
- Calma! - reagiu Pattye.
Fadinha prosseguiu:
- São nove horas da noite. Aqueles dois b**b*cas ainda nem pediram o prato
principal ! Antes das onze não darão as caras por aqui. E a temperatura é de 7
graus. E caindo!
- Coitada da Tina - arrematou Pattye - Esttá lá no telhado do Hotel. Pelo menos
levou uma garrafa de vinho...
- Eu também trouxe algo para nós - disse LLara, mostrando uma sacola - Vinho,
pão e paté.
- Bah! - exclamou Fadinha - Acho melhor coomeçarmos a pensar num plano B. Eu não
vou ficar aqui até às 2 da manhã enquanto aqueles dois imprestáveis enchem o
bucho com iguarias.
- Podíamos era ir para o carro, nos aqueceer - disse Pattye.
- Aliás, - comentou Lara - já disse que esstá aí o nosso ponto fraco. Prendê-la
pode ser fácil, mas evacuá-la daqui rapidamente é que será o problema. Com todo
aquele séquito de vagabonds que ela tem...
- Por isso sou a favor de esparramar os miiolos dela pela mesa do jantar -
complementou Fadinha.
- Nossa - disse Pattye - se você está assiim hoje... nem quero te ver amanhã, em
plena ovulação.
CENA
71
No restaurante, após o caviar e a entrada, o garçon finalmente trás o prato
principal que, no caso de Amiguinha, é um minúsculo filé de vitela, com algumas
batatas noisettes, decoradas com folhinhas verdes, fatias finas de um vegetal
alaranjado e artísticas pinceladas de molho.
- Nooossa – reage a moça – ainda bem que nnão estou com muita fome! Hehehe. Mas
parece estar muito bom.
- Se quiser – diz Tempus – há um excelentee restaurante italiano do outro lado
da praça.
- Não... Aqui está ótimo. E a conversa tammbém. Vocês dois são tão simpáticos
que é difícil até saber qual eu... eu... Como direi ?
- ...mandará servir em uma bandeja, como ssobremesa ? – complementou Bilau, com
malícia.
- Hummm... Talvez. – respondeu ela com iguual malícia, para depois arrematar com
cautela – Mas acho que hoje me contentarei com a vitela.
- E onde está a tua amiga ? – perguntou Teempus.
- Ah... Ela “preferiu” ficar no quarto. Laamento desapontá-lo...
- Não estou desapontado – disse Tempus, ollhando-a nos olhos e segurando sua mão
– Apenas pensei em não deixar meu amigo Bilau sozinho no final da noite.
Ela ficou pensativa por alguns segundos e girou a cabeça pelo salão, como se a
procura de ajuda. Vê Sheila, conversando com Fluminense, em outra mesa do
restaurante. Ela então fala:
- Vocês podiam me dar licença um instante ?
CENA 72
Amiguinha, ansiosa, aperta Sheila contra a parede do hall que dá acesso ao
restaurante.
- Me ajuda! Me ajuda! O que eu faço ?
- Mande eles embora!
- Como é ? – questiona Amiguinha, falando apressadamente - Estou subindo pelas
paredes ! Tive, ao que tudo indica, um orgasmo maravilhoso com este tal de
Bilau... Não lembro de nada, mas estou excitadíssima só de imaginar... E agora
tem este Tempus, que é um gato e provou o copo de vinho com tanto erotismo que
tive vontade de sentar na mesa e abrir as pernas pra ele! Eu não vou conseguir
dormir deste jeito! Nem pensar!
- Calma, calma... – reagiu Sheila.
- Não consigo... Minha calcinha está enchaarcada... Minhas pernas tremem... Eu
acho que vou chorar...
- Façamos assim. – diz Sheila - Teu quartoo é enorme. Tem até sala de estar.
Convide-os para subir, para conversar. Quem sabe você se acalma? Mas deixe a
porta aberta! Eu esperarei alguns minutos, enquanto você se decide por um, por
nenhum, ou...
- Ou ?
- Ou pelos dois! – arremata Sheila.
- Nooooooooooooossa... Já pensou ? Vontadee eu tenho. Mas, coragem...
CENA
73
Pattye dá uma mordida no pão com paté, seguida de um gole de vinho. Depois,
comenta:
- Eles já entraram há quase duas horas... Meus dedos da mão estão congelados.
- É o que dá - diz Lara Croft - deixar umaa responsabilidade desta nas mãos de
homens...
Fadinha, ainda com o ponto eletrônico no ouvido, faz gestos com a mão, pedindo
que as amigas se calem. Depois fala:
- O Tempus está dizendo que os dois foram convidados para o quarto dela... no
sexto andar.
- Os dois ? O que isso significa ? - perguunta Pattye.
- Significa que teremos que passar para o plano B - diz Fadinha.
- Mas não há plano B ! - insiste Lara.
CENA
74
Tempus e Bilau entraram na suíte de Amiguinha. Passando a antesala, chegaram a
uma sala de estar de cerca de 40 m2, finamente decorada com poltronas, mesas,
aparelho de som, TV de cristal líquido, bar, quadros, etc... Amiguinha disse:
- Será que vocês poderiam me preparar um ddrink, enquanto eu visto algo mais
confortável?
Os dois homens, como que atingidos por uma corrente elétrica, se precipitam na
direção do bar, e quase tropeçam um sobre o outro. Amiguinha sorri, deliciada
pela disputa traçada entre os machos. Tempus chega primeiro e, em voz alta,
pergunta:
- Alguma preferência?
Amiguinha, já sumindo para dentro do quarto, responde:
- Não... quero ver a imaginação de vocês.... Quem será que faz mais gostoso ?
- Quem faz mais gostoso ? - resmunga Bilauu em voz baixa - Ah... Eu vou mostrar
a esta mulher e é agora!
Tempus olha para o lado e vê Bilau espreitando a porta do quarto, que ficara
semiaberta.
Tempus, sem perder a calma, continua preparando a bebida, falando para si
próprio:
- Sujeitinho trapaceiro...
CENA
75
[A câmera está dentro do quarto de Amiguinha. Por um ângulo artístico, vemos
que ela deixa o vestido deslizar pelo corpo até o chão. Só então se senta na
vasta cama de casal para tirar os sapatos de salto alto.]
Bilau a observa pela fresta da porta. Ela percebe, mas finge não ver. Jogando o
peito para frente, solta o soutien e fica apenas de meia-calça. As pernas,
entreabertas, apoiadas no chão pela ponta dos dedos.
Finalmente, ela se vira para a porta e, sorrindo, provoca o homem:
- Hummm... Que menino curioso...
Bilau entra, silenciosamente, hipnotizado pelos seios desnudos da mulher.
- Não, não... - reage ela, dengosamente - Eu ainda não me vesti.
E dizendo isso, puxa do armário um roupão de seda.
O homem segura as mãos dela, impedindo que se vista. Depois, sem notar muita
resistência, a empurra pelos pulsos, deitando-a na beira da cama e forçando-a a
um beijo demorado. Depois de descolar os lábios do dela, ele comenta:
- Boca deliciosa... Mas estou com saudadess mesmo de outros lábios.
E dizendo isso, ele vai para o chão, arranca a meia-calça e começa a beijar sua
b*ceta. Ela sente um pequeno choque, que desce pelas coxas até os dedos
fincados no chão. À língua do homem, logo se juntam os dedos que, lubrificados
por saliva, invadem cuidadosamente seu sexo.
Amiguinha fica indecisa, entre deitada e sentada. Ela quer puxar a cabeça dele,
comandar aquela língua que a enlouquece. Mas quer também ficar prostrada na
cama, curtindo o momento. E eis que surge uma terceira opção, melhor do que as
outras duas...
Sem ela perceber, Tempus entra no quarto, totalmente nu. Ele se senta atrás
dela e lhe serve de apoio. Recostada assim, ela tem Bilau entre as coxas e
Tempus a lhe acariciar os seios e a lhe beijar a nuca, o pescoço, a orelha...
Passando a mão para trás, ela procura o pênis de Tempus e já o encontra duro e
pulsante. Ela o alisa maravilhada, enquanto Bilau chupa seu clitóris e bebe do
mel abundante que escorre das suas entranhas. O contato da glande de Tempus com
as suas costas causa-lhe uma aflição inédita.
Amiguinha sente-se prestes a enlouquecer... Todo seu corpo está sendo
explorado, tocado, beijado....
Entre gemidos, ela pede que alguém aperte seus mamilos.
Tempus obedece e, unindo polegar e indicador, aperta um após o outro, até
ficarem entumecidos. A menina geme, se contorce, esfrega a boca de Bilau contra
a b*ceta e implora para ser penetrada.
- Não... ainda não...
- Por favor! Por favor! Me f*dam... Me commam bem gostoso... Eu não aguento mais
!
– Melhor não... – diz Tempus, com um certo sadismo – ela ainda não implorou o
bastante!
- Ah, então deixa ao menos eu chupar este teu cac*te gostoso...
Tempus, magnânimo, sai da sua posição e, em pé ao lado dela, se deixa chupar,
enquanto Bilau mantém seu ritmo entre as coxas. Ela toma o membro ereto, o
beija na ponta com carinho, o rodeia com a língua e, em seguida, o introduz com
volúpia na boca.
Bilau manda então que ela fique de quatro. Ela obedece imediatamente, mas sem
deixar de sugar o pênis de Tempus. Este a toma pelos cabelos e se delicia com a
visão da poderosa mulher a lhe dar prazer.
Bilau abaixa as calças até os joelhos e “brinca” de passar o cacete duro pela
pele de Amiguinha. Passa pela bunda, pela entrada da vagina, pelo rabinho
convidativo. Depois, a segurando pela cintura, introduz o membro com vontade na
b*ceta, arrancando da mulher um gemido longo que a obriga, por alguns
instantes, a tirar o pênis do outro homem da boca.
Bilau impõe seu ritmo, e este é acelerado. O prazer de ter a bela loura à sua
mercê lhe tira todo o discernimento. Tempus dá mostras de que já não consegue
mais se segurar. A moça percebe as primeiras pulsações que precedem o gozo, mas
está tão envolvida, que não consegue tirá-lo da boca. E quando o esperma, em
jatos, se projeta contra a garganta, ela pode apenas entreabrir a boca e
deixá-lo escorrer para fora.
Ela também está no limite do orgasmo, e sonha em tê-lo ao mesmo tempo que
Bilau.
Mas eis que um barulho forte a traz de volta à realidade. Uma janela do quarto
se quebrara e três mulheres hostis estavam agora no seu quarto, dando ordens.
Ela demora um pouco para entender o que se passa. Os homens se afastam
constrangidos e... o orgasmo não vem.
***
Antes que me critiquem:
A cena não é pornográfica, nem gratuita. O erotismo é aqui simbólico. Traz uma
profunda reflexão sobre o Poder.
Amiguinha representa o Poder, que deixa de ser exercido após um conflito
íntimo, onde ela percebe que o Prazer não pode ser obtido em toda a sua
magnitude sem entrega. O Poder lhe dá os homens, mas não pode lhe dar o orgasmo
pleno.
O sêmen em sua boca é o climax desta descoberta, desta submissão. Mas ela não o
engole, pois é incapaz de absorver algo que, pela origem, lhe parece inferior.
Na verdade, os homens são para ela objetos, brinquedos. Engoli-los é, pois,
impensável.
Em suma: A cena de sexo está inserida no enredo e é essencial para o desenrolar
da trama e da personagem.
CENA
76
- Bando de irresponsáveis – vocifera Fadinnha, com uma pistola em cada mão – Dá
vontade de abater estes teus pintos a tiros !!!
Bilau e Tempus tremem da cabeça à cabeça e, com as mãos entre as pernas, se
afastam de Amiguinha. Esta, ainda de quatro, parece não acreditar... Seu sexo
ainda pulsa no ritmo das estocadas de Bilau... tão próximo estava do gozo. Ela
ouve as vozes, mas mal consegue compreende-las.
Lara a cutuca no ombro, com a ponta da pistola:
- Anda, anda ! Coloca o vestido ! Rápido.<
Amiguinha se senta na cama e coloca a mão entre as pernas, inconformada. Depois
resmunga:
- Cacete! Vocês são umas #%&@*& !!!! Não dava para esperar dois minutos
?
- É bom que não os devolva com nenhum defeeito ! – reclama Pattye para Amiguinha
– Pois eles não terminaram de fazer a minha fisioterapia com sexo.
- Homens, homens ! – diz Fadinha – Não sãoo confiáveis...
- Anda, anda – insiste Lara – Vistam-se loogo.
Amiguinha recoloca o vestido, um tanto amassado pelos pés de Tempus. Pattye lhe
pergunta:
- Onde está a Blair ? Em que andar ?
- No terceiro – responde a vagabondete.
Lara, com o semblante pensativo, pergunta a Fadinha:
- E neste teu plano "B"... Como fazemos para deixar o Hotel com eles
e elas ?
- Ué... Pela porta da frente !
CENA
77
Prinz passa as mãos pelos cabelos, para escorrer a água. Abre a porta do box e
dá dois passos até a toalha de banho, na qual se enrola. Depois, passando para
o quarto, encontra Lili mexendo no armário. Ela tira um vestido do cabide, o
dobra sem muito cuidado, e o joga na mala que está aberta sobre a cama.
- O que está acontecendo?
Ela o olha contrariada, volta até o armário, pega algumas blusas na gaveta, e
repete o gesto de encher a mala.
Ele parece já perceber o que houve, mas insiste:
- O que houve ?
- Lembrei-me de tudo. Foi isso. Olhava teuu relógio sobre a mesa e, de repente,
lembrei-me de tê-lo dado, no teu aniversário. E isso foi como uma linha, a
puxar todo o resto.
Ele se senta na beirada da cama, passa a mão pelo rosto, angustiado.
- E por que você vai embora?
- Porque agora a mágoa é maior. Você estavva me reconquistando, como da primeira
vez. Era eu, novamente, a tola estudante universitária, com sonhos românticos,
a espera de um príncipe encantado. Aquela disposta a abandonar tudo por um
amor. Mas, eu já sei o final disso tudo... Já sei que o príncipe vai virar um
sapo, incapaz de compromissos, incapaz de cumprir suas promessas. E o pior...
Ela faz uma pausa, como para tomar fôlego. Mas ele, de cabeça baixa, não pode
esperar:
- O que é o pior ?
- O pior foi o teu cinismo, desta vez. Esttávamos rompidos. Você não tinha o
direito de tirar proveito da minha falta de memória.
Prinz parece não ter argumentos. Lança então o único, e sincero:
- Mas eu te amo. E não posso aceitar a idééia de que vai virar as costas para
tudo de bom que aconteceu nos últimos dois anos. Fizemos coisas fantásticas,
não foi? Conhecemos tantas pessoas, tantos lugares...
- Mas não encontrei aquilo que eu procuravva. Quero mais.
- Você está certa! Procure. Nunca deixe dee procurar. Mas vai largar também suas
amigas? As pessoas que te deram tanto apoio, que foram teu ombro... Tua
história com elas não serviu de nada ? É capaz de apagar tudo isso, como se
nunca tivesse acontecido ? Como se fosse tudo sujo e sem sentido ?
- Isso eu ainda não sei – respondeu ela, ffechando a mala e a tomando pela alça.
– Mas você e teu poder sobre mim estão mortos. Para sempre.
Ela passa por ele carregando seus pertences, sem trocar um olhar sequer, e bate
a porta atrás de si.
CENA
78
Lara, Fadinha, Pattye, Tempus e Bilau estão na ante-sala da suíte de Amiguinha.
Esta está algemada, com as mãos para frente, com um casaco sobre o vestido, que
cobre parcialmente a algema.
Pattye, com a orelha colada à porta, diz:
- Hummm... O elevador se abriu. Ouço uma vvoz... Ouço várias vozes! Homens e
mulheres... e...
Toc, toc, toc... [batem na porta]
Pattye murmura:
- E agora ?
Fadinha e Lara levantam suas pistolas e recuam três passos, sem tirar os olhos
da porta.
Com um gesto de mão, Lara manda Tempus, Bilau e Amiguinha para a sala de estar.
Entre dentes, comenta:
- Se afastem, taradinhos... O assunto agorra é de mulher.
Toc, toc, toc...
Ouve-se a voz de Sheila:
- Amiguinha! Tudo bem aí? Eu trouxe a Blaiir...
- O que eu faço? – insiste Pattye.
Fadinha faz um gesto com o punho, como quem abre uma porta.
Pattye faz um ar contrariado, mas diz:
- Tudo bem... Vou abrir a caixa de Pandoraa...
[agora a câmera, postada atrás do ombro de Fadinha, pega a porta se abrindo, e
a transformação no rosto de Sheila, Blair, Elefantinho, San e Átomo. De
descontraídos, alguns passam a surpresos, outros a irados. Pattye fica oculta,
atrás da porta.]
- Não se movam – diz Lara, empunhando a piistola – estamos com ela.
Mas, antes que ela pudesse terminar a frase, Átomo e Elefantinho puxam suas
armas. Tiros saem dos dois lados:
Pou ! Pou! Pou! Pou!
ou,
se preferirem, Bang, Bang, Bang!
[aqui, teremos que fazer a cena em câmera lenta, mas nada de Matrix, please !
Teremos mais de uma câmera filmando, da forma seguinte:]
[câmera um: é aquela por trás do ombro de Fadinha]
Fadinha e Lara atiram. Vê-se os cartuchos das pistolas saltando, em câmera
lenta. Átomo toma um tiro no estômago. O sangue espirra, em meio a uma
expressão de profunda dor, antes que outros tiros o atinjam no ombro e no
pescoço. Elefantinho, San e Sheila se escondem atrás da porta de entrada, que
recebe dois tiros vindos de Lara, lançando no ar lascas de madeira. Enquanto
isso acontecia, um tiro disparado por Elefantinho passa por baixo do braço de
Fadinha, esfacelando a manga da blusa e extraindo algumas gotas de sangue.
Pattye, atrás da porta, tenta fecha-la, mas é impedida pelo peso dos vagabonds.
Colada à parede, aproxima-se de Lara e puxa sua pistola.
Blair se joga no chão e rasteja na direção de Átomo, tentando reanimá-lo. A
cena é dramática, pois ele já está visivelmente morto. Mas ela, ainda assim,
puxa seu corpo para o corredor do elevador.
[câmera dois: sem câmera lenta. Está no teto do corredor, focalizando Blair com
Átomo, e a lateral de Sheila, San e Elefantinho, que estão atirando para dentro
do quarto.]
Blair tenta reanimar Átomo, com respiração boca a boca. Com uma das mãos, tenta
estancar o sangue que espirra do pescoço. Elefantinho leva a mão ao peito, dá
dois passos de costas e cai sentado no chão.
[volta à câmera um. volta à câmera lenta]
Fadinha, Patthye e Lara continuam atirando, mas sua visão é reduzida pela porta
do quarto, que está parcialmente fechada, e já crivada por vários disparos.
Nisso, Amiguinha consegue se desvencilhar de Bilau e Tempus [homem é um bicho
muito incompetente] e corre em direção à porta gritando [fim da câmera lenta]:
- Parem ! Parem !
Lara, esticando o braço, agarra a loura pelos cabelos e a pesca de volta. Mas,
com isso, o tiroteio pára.
Amiguinha grita para os amigos:
- Parem! Não é a hora para isso! Deixem elles passarem comigo!
- Não podemos deixar que te levem! - Reagee Sheila.
- Vocês já tem tudo o que precisam! - retrruca a chefinha - É só continuarem o
plano! Amiguinha Erit In Orbe Ultima !!! Nada vai mudar !
Sheila olha San e depois olha para Elefantinho, que parece estar bastante
ferido. Blair chora sobre o corpo de Átomo.
- Está bem - disse Sheila. - Vamos para juunto do elevador, para evacuar o
Elefantinho. Vocês terão que descer pela escada.
Lara pega Amiguinha pela cintura e, com a pistola apontada para a sua cabeça,
sai da suite para o corredor. É seguida pelos outros.
No corredor, antes de tomar a escada, Pattye olha para Blair e pergunta:
- Afinal... Vai ficar de que lado? Levantaa e vem logo para cá.
A menina, transtornada e com a roupa ensanguentada, repousa com carinho a
cabeça de Átomo no chão e, se levantando, junta-se as Roofless Girls.
CENA
ZY
A câmera mostra Prinz dentro do elevador do hotel “La Chate Pourrie”. Seu
semblante é tenso, porém resignado. É como se estivesse disposto a virar aquela
página de sua vida sentimental.
Prinz sai do elevador e se vê no hall do hotel. As luzes estão quase todas
apagadas, à exceção da recepção, onde uma mulher de ar misterioso finge ignorar
sua presença. Prinz aproxima-se dela e pergunta:
- Madame Sonora ? A nova gerente do hotel ?
- Isso mesmo – respondeu ela, com um leve sorriso e um olhar profundo – O
senhor deve ser Le Prince Jean Maurice...
- Isto mesmo mas, por favor, pode me chamaar apenas de Mauritz ou Maurice, se
preferir.
- E eu posso ajudá-lo com alguma coisa ?
Ela faz um ar pensativo e depois fala:
- Ele saiu cerca de meia hora depois das mmoças que estão com o senhor. Não
teria ido encontrá-las ?
- Não. Penso que não...
- Ah... – interrompeu ela, como se se lembbrasse de algo – Eu já reservei mais
um quarto para o senhor.
- Isso... Obrigado. É possível que ainda eesta noite uma ou duas amigas cheguem
aqui. Elas estarão muito cansadas. Então ficaria grato se elas pudessem
preencher a ficha de hospedagem no quarto.
- Bem, senhor Mauritz, isto fere as normass francesas de hotelaria... E nós
somos muito rigorosos neste aspecto... Mas farei uma exceção para o senhor.
- Muito obrigado.
- O senhor já viu a caixa que chegou doo BBrasil ? – pergunta ela, se debruçando
sobre o balcão e, com a mão, apontando para um canto escuro do hall.
Prinz se vira intrigado e, percebendo uma grande caixa de madeira (um metro x
um metro) com pequenos furos, se aproxima dela e, após alguns segundos de
hesitação, exclama sorridente:
- Oh! Estas meninas... são as melhores amiigas do mundo. A senhora teria uma
fita bem grande e larga ?
- Como de presente ? Huuum... Posso tentarr providenciar.
CENA
80
O Edifício é antigo e típico do século XIX francês. As escadas que ligam os
andares ao térreo são de mármore, com corrimão de ferro fundido e madeira.
As Roofless Girls descem apressadas, arrastando Amiguinha algemada, até que
ouvem passos em sentido contrário. Debruçando-se no corrimão, Lara distingue no
andar de baixo dois homens de preto, armados e com discretos microfones presos
à cabeça [estilo Madona].
- Seguranças - sussurra ela - escondam as armas e as algemas da Amiguinha.
Os seguranças surgem e perguntam às moças:
- O que está acontecendo?
- Um tiroteio terrível ! - responde Pattyee que, apontando para Blair manchada
de sangue, complementa - Nossa amiga foi ferida e vamos levá-la a um hospital.
- E estes homens ? - pergunta o segurança nº1, apontando para Tempus e Bilau.
- Homens? - responde Fadinha, em estado dee TPO - Não chegam a tanto...
- Teremos que revistar os dois - diz o seggurança nº 2, se aproximando deles.
- Por que esta discriminação? - interrompee Fadinha - Você acha que eu sou
frágil demais para empunhar uma arma ?
- Calma Fadinha - diz Pattye - Os rapazes nos encontram depois... Precisamos
levar nossa amiga ao hospital!
- Isso - diz Lara, em português, empurranddo o grupo para baixo - vamos embora
daqui ! Os meninos são os únicos desarmados aqui. Não terão problemas!
- Caramba! Esquecemos da Tina no telhado.... - lembra Pattye.
CENA 81
San e Sheila carregam Elefantinho para fora do elevador, onde são recebidos por
um médico do luxuoso hospital. O ferido é colocado sobre um sofá e começa a
receber os primeiros socorros. Neste momento San vê as Roofless Girls saindo da
escada com Amiguinha e Blair e correndo para a porta do hotel.
- Veja, Sheila! Lá se vão eles...
- Deixemos o Elefantinho aqui e vamos seguui-los! - responde ela.
CENA
82
Tina desce praguejando a íngrime e estreita escada de incêndio do Hotel
Vandôme.
- Aquelas @# %$ !!! Foram embora e me deixxaram aqui no alto do telhado ! Neste
frio ! Mandaram só uma mensagenzinha &*$# % dizendo que "já cumpriram
a missão"... que já estão "voltando ao Hotel"... Vacas !!!
Desce mais uma dezena de degraus, chegando quase à calçada, e volta resmungar:
- Nem sei se tenho dinheiro para pegar um taxi...
Neste momento, uma mão aberta em concha surge diante da sua vista e uma voz
soa, gentilmente:
- Posso ajudar a senhorita a descer ?
Tina olha, incrédula. É o Dr. Pangloss.
- Como... Como o Sr. sabia que eu estava aaqui ?
- Senhor ? Penso que já proibi a senhoritaa de se referir a mim nestes termos...
Mas, respondendo a tua pergunta... Eu diria que olhei para o Hotel e vi uma
estrela a brilhar... depois... apenas segui o teu perfume natural.
Tina sorriu constrangida e, apoiando-se na mão do vetusto e alquebrado
cavalheiro, desceu à calçada.
- Você me leva então ao nosso Hotel ?
- Penso ser isto despiciendo - ponderou elle. - Já há gente demais para
interrogar a prisioneira. Acho que a senhorita está a merecer um bom jantar !
Vamos ?