OS EVANGELHOS DE NAG HAMMADI

O Evangelho de Tomé é um dos 52 textos da Biblioteca de Nag Hammadi, encontrada numa caverna no Egito em 1947. Este Evangelho, escrito em copto, a língua do Alto Egito no início de nossa era, é uma tradução de um original grego, provavelmente escrito em meados do primeiro século. Portanto, ele é um dos documentos mais antigos de nossa tradição cristã, já que os quatro Evangelhos incluídos na Bíblia foram escritos provavelmente entre os anos 80 e 120 de nossa era. Não é propriamente um evangelho destinado a apresentar, em seqüência natural, a vida e os ensinamentos de Cristo, mas um grupo ou antologia de 114 lógios ou ditos atribuídos a Jesus. Tanto assim que ficou também conhecido pelo nome de "ditos de Jesus", que guarda certas semelhanças com o assim chamado Evangelho de "Q" (inicial de Quelle, alemão para ‘fonte’), que os eruditos bíblicos acreditam teria sido a fonte de parte dos ditados incluídos em Mateus e Lucas. Os estudiosos acreditam que as versões dos ditados de Jesus encontradas em Tomé seriam, em geral, versões mais originais do que a dos evangelhos canônicos, que teriam sofrido modificações e editorações ao longo dos séculos.

Sua autoria é atribuída a Tomé, que é chamado logo no início do texto de "irmão gêmeo" de Jesus. Este parentesco deve ser entendido no seu sentido esotérico. Tomé seria um discípulo que havia alcançado um estado de realização interior que o tornava um gêmeo espiritual do Salvador. O caráter esotérico do Evangelho é reiterado no primeiro versículo, em que é dito que quem descobrir o significado dos ensinamentos de Jesus ali contidos, não provará a morte. Essa era a postura gnóstica daquele tempo e que continua válida em nossos dias.

Como os ensinamentos de Jesus eram velados em linguagem simbólica e para descobrir a sua interpretação o discípulo teria que alcançar um elevado estado de consciência, no qual recebia a gnoses, ou seja, o conhecimento direto da verdade, uma verdadeira revelação espiritual, que conferia um estado de unidade com o Todo e a experiência da verdadeira natureza do ser, que é a alma. Como a alma é imortal, quem se identifica com a alma não experimenta a morte, ainda que inevitavelmente seu corpo físico, a vestimenta de carne da alma, venha a perecer.

No Evangelho de Tiago encontra-se a vida de Maria, seu nascimento de Ana e Joaquim, sua educação no Templo, seu casamento com Jose, um viúvo e pai de Judas, Josetos, Tiago, Simão, Ligia e Lídia, e o nascimento de Jesus numa caverna essênia, com o auxilio de uma parteira essênia.

No Evangelho de Pedro encontram-se narrativas sobre o jovem Jesus com os sábios do Templo e o relacionamento do Mestre com seu pai.

Nos documentos Apócrifos foram registradas também ocorrências diárias da vida de Maria Madalena. Ao contrário do que escreveram os católicos, Madalena era discípula de Jesus de altíssima elevação espiritual e conhecedora das leis divinas. Talvez este seja o mais revelador dos documentos encontrados.

Magdalena nasceu em Magdala, um vilarejo às beiras do oceano a 200 km de Jerusalém, morava com suas irmãs, sobrinhos e mãe. Um dia, a cidade recebe as palavras do Mestre Jesus e Maria (ou Miriam) abandona sua família para segui-lo e ser iniciada nos mistérios dos essênios. Maria tinha, nesta época, 16 anos e já era considerada “velha” para o casamento, pela visão da sociedade da época, que casava a mulher aos 13 anos.

Nos livros apócrifos de Mateus e Felipe, Jesus e Maria mantinham horas de conversas e ela era a confidente fiel do Mestre, que a ela destinava suas mais secretas experiências místicas, visto que recebia dela a compreensão não encontrada nos demais apóstolos.

Pedro mantinha por Maria sentimentos de ciúmes e desconfiança, pois naquela época a mulher era encarada com muitos preconceitos. Vários debates entre eles estão registrados nos documentos apócrifos de Qumran e de Aquimim (escrito em grego antigo – cocta – ocasião em que os gregos invadiram o Egito).

Com os apócrifos, podemos chegar a conclusão de que houve realmente grande injustiça à Maria Magdalena. Na época de Jesus o nome Maria ou Miriam era muito comum, os escribas que escreveram a bíblia católica responsabilizaram Magdalena(aquela nascida em Magdala) por fatos ocorridos com outras Marias. Por exemplo, a Maria que molha os pés de Jesus e enxuga com os cabelos, logo após ter sido salva de ser apedrejada, foi realmente uma mulher prostituta de Jerusalém. A Maria que procurou o corpo de Jesus para unção, antes de ser submetido ao funeral, foi Maria, irmã de Isabel. A Maria, de Magdala (ou Magdalena) foi uma mulher comum que aos 16 anos juntou-se ao Mestre Jesus para ser iniciada, que debatia junto aos apóstolos, que pregava às mulheres em todos os locais por onde andavam, a mesma que amou e viu Jesus na cruz e após sua morte, em plano astral.

Partes de trechos apócrifos que demonstram a irritação de Pedro:

Salvador disse: " Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem umas das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."
Pedro lhe disse: " Já que nos explicaste tudo, dize-nos isso também: o que é o pecado do mundo?"
Jesus disse: "Não há pecado ; sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado 'pecado'. Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem."
Por isso adoeceis e morreis [...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra. Essa é a razão por que vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."
Maria Madalena se levantou, cumprimentou a todos e disse a seus irmãos: "Não vos lamentais nem sofreis, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens". Após Maria ter dito isso, eles entregaram seus corações a Deus e começaram a conversar sobre as palavras do Salvador.
Maria Madalena respondeu dizendo: " Esclarecerei a vós o que está oculto". E ela começou a falar essas palavras: "Eu" tive uma visão do Senhor e contei a Ele: 'Mestre, apareceste-me hoje numa visão'. Ele respondeu e me disse: 'Bem aventurada sejas, por não teres fraquejado ao me ver. Pois, onde está a mente há um tesouro'. Eu lhe disse: 'Mestre, aquele que tem uma visão vê com a alma ou como espírito?' Jesus respondeu e disse: "Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência, que está entre ambos - assim é que tem a visão [...]E o desejo disse à alma: 'Não te vi descer, mas agora te vejo subir. Por que falas mentira, já que pertences a mim?' A alma respondeu e disse:'Eu te vi. Não me viste, nem me reconheceste. Usaste-me como acessório e não me reconheceste.' Depois de dizer isso, a alma foi embora, exultante de alegria.
"De novo alcançou a terceira potência , chamada ignorância. A potência, inquiriu a alma dizendo: 'Onde vais? Estás aprisionada à maldade. Estás aprisionada, não julgues!' E a alma disse: ' Por que me julgaste apesar de eu não haver julgado? Eu estava aprisionada; no entanto, não aprisionei. Não fui reconhecida que o Todo se está desfazendo, tanto as coisas terrenas quanto as celestiais.Quando a alma venceu a terceira potência, subiu e viu a quarta potência, que assumiu sete formas. A primeira forma, trevas,; a segunda , desejo; a terceira, ignorância,; a quarta, é a comoção da morte; a quinta, é o reino da carne; a sexta, é a vã sabedoria da carne; a sétima, a sabedoria irada. Essas são as sete potências da ira.
Elas perguntaram à alma: ´De onde vens, devoradoras de homens, ou onde vais, conquistadora do espaço?' A alma respondeu dizendo: ' O que me subjugava foi eliminado e o que me fazia voltar foi derrotado..., e meu desejo foi consumido e a ignorância morreu. Num mundo fui libertada de outro mundo; num tipo fui libertada de um tipo celestial e também dos grilhões do esquecimento, que são transitórios. Daqui em diante, alcançarei em silêncio o final do tempo propício, do reino eterno'."
Depois de ter dito isso, Maria Madalena se calou, pois até aqui o Salvador lhe tinha falado. Mas André respondeu e disse aos irmãos:"Dizei o que tendes para dizer sobre o que ela falou. Eu, de minha parte, não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois esses ensinamentos carregam idéias estranhas". Pedro respondeu e falou sobre as mesmas coisas.
Ele os inquiriu sobre o Salvador:"Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher e não abertamente conosco? Devemos mudar de opinião e ouvirmos ela? Ele a preferiu a nós?" Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: "Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?"
Levi respondeu: "Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou."
Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar...

O Evangelho de Felipe é explícito: “Existem três que sempre caminharam com o Senhor: Maria , sua mãe e sua irmã e Madalena, chamada sua companheira." Segundo um pesquisador, a palavra "companheira" deve ser traduzida por esposa. Certamente, existem razões para faze-lo, pois o Evangelho de Felipe se torna mais explícito:

E a companheira do Salvador, é Maria Madalena. Mas Cristo a amava mais que a todos os seus discípulos e a beijava na boca freqüentemente. O restante dos discípulos ficava ofendido com isso e expressavam sua desaprovação. Eles lhe disseram:

" Por que mais do que a todos nós?" O Salvador respondeu e lhes disse: " Por que eu não te amo como a ela?" ( O Evangelho de Maria, O Evangelho de Felipe , em Nag Hammadi Library in English, p.472, 140, 138).

Sabemos hoje, devido aos Pergaminhos de Qumran, que Madalena foi uma praticante dos métodos usados por Jesus, como fizeram os apóstolos, tendo sido a mais próxima de Jesus, pela sua elevação espiritual e conhecimento. Jesus mantinha com Madalena uma relação de união espiritual, além de carnal.

Em 1994, o papirólogo alemão Carsten Peter Thiede, revendo fragmentos antigos do Novo Testamento, deparou-se com os do Evangelho de São Mateus guardados no Magdalen College, em Oxford, na Inglaterra.

Trata-se de três fragmentos do capítulo 26 de S. Mateus, escritos na frente e no verso. Constatou que deveriam ter sido escritos no máximo pelo ano 50 d.C., e não no início do século passado, conforme foi pensado anteriormente. Estes fragmentos pertenciam a uma cópia do Evangelho de Mateus, o que significa que o original era ainda anterior a esta data.

Nos livros apócrifos de Mateus e Felipe, Jesus e Maria mantinham horas de conversas e ela era a confidente fiel do Mestre, que a ela destinava suas mais secretas experiências místicas, visto que recebia dela a compreensão não encontrada nos demais apóstolos.

Segundo o apócrifo de Mateus, Jesus casou-se com Maria e costumavam estar sempre abraçados. Muitos apóstolos testemunharam beijos ente os dois. Enfim, eram pessoas que se amavam e mantinham relacionamento comum. O apócrifo de Felipe (enviarei trechos depois) conta uma passagem sobre os filhos que tiveram juntos e, inclusive, dois deles eram seus apóstolos.

Conta Mateus que Pedro mantinha por Maria sentimentos de ciúmes e desconfiança, pois naquela época a posição da mulher era preconceituosa perante os homens. Vários debates entre eles estão registrados nos documentos apócrifos de Qumran e de Aquimim (escrito em grego antigo – cocta – ocasião em que os gregos invadiram o Egito).

PAZ PROFUNDA!

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