
Conhecer o passado é dever de todos que almejam desenvolvimento intelectual e espiritual. Falaremos sobre um grande Mestre e alguns assuntos que envolvem sua história. Espero que apreciem a leitura.

Os Manuscritos do Mar Morto foram encontrados entre 1945 e 1956, , nas proximidades de Nag-Hammadi, no Egito, diversos manuscritos em língua copta, na sua maioria escritos antes da era cristã e guardados em rolos dentro de vasilhas de barro. Só alguns foram redigidos depois da crucificação de Jesus. A maior parte dos manuscritos do Mar Morto foi escrita com tinta sobre pele de carneiro. A língua usada nos manuscritos é o aramaico, uma língua morta. No trabalho de tradução recorre-se ao computador, que dispensa o manuseio (e a conseqüente deterioração) das peças originais. As dificuldades são muitas. Para se formar um rolo é preciso juntar-se grande número de fragmentos, porque as "folhas" originais estão ressequidas e partidas.
Os Manuscritos do Mar Morto indica que a forma com que a tradição cristã tratou Madalena está toda equivocada. “A interpretação feita pela Igreja de Lc 7, 36-50, que identificou a pecadora citada como sendo Maria Madalena, fez dela uma prostituta. Fato que ninguém mais ousou duvidar”diz. No evangelho de Madalena e em outros apócrifos recém descobertos, ela é apresentada como liderança forte, a principal discípula e companheira de Jesus e que ameaçava Pedro ao ponto dele tramar contra ela, pedindo a Jesus que a expulsasse do grupo dos apóstolos. “Com a divulgação destes evangelhos, é possível perceber também um outro perfil de Pedro, autoritário e detentor do modo patriarcal que imperava naquela época”.
A importância de saber que existiam diversos seguidores de Cristo ajuda a entender como uma única visão integrada surgiu. Com estas pesquisas pode-se descobrir que a Igreja dos séculos que se seguiram aos fatos narrados com Jesus acabou escolhendo uma verdade em seu interior, a que adequava aos seus objetivos. Podemos falar de vários cristianismos, aquele da comunidade de Marcos, de Mateus, de Lucas, de João, de Tiago, irmão de Jesus, de Maria Madalena, de Tomé, de Paulo, dos Atos dos apóstolos. Cada comunidade deu o seu tom ao seu escrito. Mateus enfocou o lado judeu de Jesus. Marcos, o Jesus missionário; Lucas, o Jesus salvador da humanidade; Atos dos Apóstolos, o Jesus da apostolicidade; Paulo, o Jesus ressuscitado. Maria Madalena procurou traçar o perfil de Jesus ressuscitado, humano e revelador de ensinamentos divinos. Tomé revelou o Jesus judeu revolucionário, anti-romano e místico. Tiago, o irmão de Jesus, anunciou o Cristo revolucionário, mas foi abafado.
O ano originalmente combinado para a divulgação do conteúdo dos manuscritos era 1970. Depois, os israelitas prometeram a sua publicação para 1997. As justificações para esta demora são essencialmente três:
Depois de provada a autenticidade dos pergaminhos, a primeira questão focalizada foi a da sua época, mas até hoje não chegaram a um acordo. Um pedaço de linho encontrado em uma cova foi submetido, pelo professor W. F. Libby, do Instituto para estudos Nucleares da Universidade de Chicago, ao método carbono 14, e a data estabelecida foi um período situado entre o ano 187 AC e 233 de nossa Era. Muito embora este resultado não estabelecesse uma data exata para os manuscritos, indicava, entretanto um período histórico geral, que apoiado principalmente em Flávius Josepho, historiador do primeiro século, e auxiliado por outros elementos, como o achado de moedas de diferentes períodos e o estudo do conteúdo dos próprios manuscritos, deram aos estudiosos do assunto maior possibilidade de bem situar o problema.
Os manuscritos do Mar Morto são considerados autênticos pela Escola Americana de Pesquisas Orientais de Jerusalém e pela comunidade arqueológica.
Entre I950 e 1956, arqueologistas e o beduíno foram procurar mais pergaminhos, e futuramente uma biblioteca de mais de oitocentos manuscritos diferentes foram recuperados. Em um caso, o beduíno explorou uma caverna, a mais rica, agora Caverna conhecida como 4, direita sob os narizes de arqueologistas que estavam escavando um local próximo à Qumran, visando aprender mais sobre os pergaminhos. Dos oitocentos manuscritos, menos que uma dúzia estava, em qualquer sentido intacto. Muitos fragmentos não eram maiores que uma unha. Adquirindo esses fragmentos do beduino despedido era mais complicado que adquirindo o pergaminho intacto do cachê inicial.
A igreja católica recusou liberar os textos dos pergaminhos fragmentados inéditos. Esta decisão, compreensivelmente, liderada por acusações de que os pergaminhos inéditos estavam sendo impedidos porque eles solapavam a fé Cristã. Finalmente a recusa para liberar os rolos, que os pergaminhos conta sobre o período de que ambas, Cristandade e Judaísmo andavam juntas.
A comunidade de Qumran, no Mar Morto, abrigava os essênios, grupo que também esperava um profeta cujas palavras teriam autoridade para substituir qualquer regulamento existente (veja 1QS 9.11), e outras declarações semelhantes são encontradas em outros trechos da literatura judaica antiga (veja 2Baruc 85.3 Oração de Azarias 15). Assim, escritos posteriores a cerca de 440 a.C. em geral não eram aceitos pelo povo judeu como obras dotadas de autoridade igual à do restante das Escrituras.
QS, 4Q255-264a, 5Q11: Isto estava entre os primeiros sete pergaminhos encontrados e é motivo central para discussões sobre os Manuscritos do Mar Morto. As cópias da Caverna 1 estiveram virtualmente intactas. Também, o número puro de cópias deste trabalho descoberto nas cavernas treze, quase como muitos como copia de Gênesis e Êxodo, e os outros livros da Bíblia ditam centralizou este trabalho na tentativa em compreender o fenômeno dos pergaminhos. Claramente sectário, e escrevendo em língua e imagem para expressar a mente-conjunto.
Durante este período, ele (mulheres não é especificamente mencionada) recebe instrução em conhecimento, segredos do grupo e passam progressivamente pelos mais altos estágios de pureza; Sua riqueza (segundo 7:6-8 ele não retém qualquer porção de seus bens) é fundida com o do grupo, uma prática parecida com os Cristãos descritos no Novo Testamento de Atos. Futuramente a associação designa a ele uma posição baseada na obediência à Lei de Moises.
A origem exata dos Essênios é motivo de especulação. A princípio acredita-se que seria uma seita judaica e teriam surgido durante o período de confusão depois da revolta dos Macabeus no segundo século antes de Cristo.
Os Essênios guardavam os sábados; Acreditavam na imortalidade da alma; Valorizavam o celibato; Acreditavam nos Anjos. Praticavam a cura através da fé. Adoravam um único Deus, Jeová; Seguiam o Velho Testamento e eram caridosos, piedosos e compartilhavam seus bens materiais.
Segundo Harvey Spencer Lewis, da Escola Secreta Rosacruz-AMORC, assim como muitos estudiosos do assunto, Jesus recebeu, na infância e na adolescência, educação conforme os preceitos Essênios. Foi preparado num colégio localizado no Monte Carmelo, na Palestina, para se tornar o Grande Mestre. Depois dessa preparação, o jovem mestre começou a estudar profundamente as antigas religiões e diversas seitas que influenciaram o desenvolvimento da civilização. Para isso foi para a Índia e o Tibet, onde conviveu durante alguns anos com os principais sábios budistas. Ao deixar a Índia, Jesus viajou para a Pérsia (atual Irã), onde esteve com os magos eruditos do país. Jesus aprendeu também com os sábios da Assíria e já nessa época atraia multidões à sua volta, por seus poderes de cura e suas palavras. Em seguida, Jesus atravessou a Babilônia, esteve na Grécia e por fim, no Egito, onde teria sido iniciado nos mistérios da Grande Fraternidade Branca ao título de Mestre, numa cerimônia realizada nas câmaras secretas da pirâmide de Quéops. Depois da cerimônia muitos mensageiros partiram do Egito para outros países a fim de proclamar a vinda do Salvador. Terminada toda essa preparação, Jesus voltou à Palestina, onde foi batizado por João (que também era um essênio).
Os capítulos locais compreendem ao menos dez homens que se encontram para refeições e estudo da Bíblia. A cada ano ele conduz uma revisão cheia do sócio. Naquele tempo a posição de um homem podia mudar, para melhor ou pior, segundo seu comportamento e compreensão bíblica. O uso de terminologia militar é notável. Membros são descritos como "voluntários" e são organizados dentro de grupos de milhares, centenas, cinqüentas, e dezenas. O grupo pensando em si mesmo como guerreiros, esperando sinal de Deus para começar a guerra final contra as nações e as maus dentre os Judeus.
Enquanto Isso eles procuraram viver em um estado maior de pureza . Dentre os nomes, a associação chama a si mesmo "O Caminho" (e.g., 9:18), designação que algum dos primeiros Cristãos também utilizavam (Atos 9:2). Eles tinham reposto a estrutura física em Jerusalem Isto foi uma idéia com uma implicação do transcendental, desde a Bíblia podia ser lida dizendo que Deus vivia no Templo Do Jerusalem. Para ambos destes grupos, Deus não fez moradia naquele edifício oco mero construído por mãos humanas. Ele viveu neles”.
A seita se havia estabelecido em algum lugar próximo ao vale de Achor ou, no mesmo vale, o atual Buqei’a, situado entre o mar Morto e Jerusalém. Este lugar é atualmente mencionado em um de seus documentos e parece que a seita o considerava como de especial importância para a história de Israel. Também nas palavras de Oséias encontramos razões para a eleição de Qumran com sede: "Portanto, Eu a atrairei e a conduzirei ao deserto, e falarei suavemente. E darei então suas vinhas e o próprio vale de Achor como porta de esperança; e cantará ali como nos dias de sua juventude, com no dia que veio do Egito (Os. 2: 14-15)."
Em documentos existentes em mosteiros na Índia há a versão de que Jesus teria vivido com o nome de Yuz Asaf, até a velhice, em Srinagar, capital de Cachemira, onde se casou e teve filhos. Há na cidade uma sepultura com a placa na qual se lê "Tumulo de Yuz Asaf". Nesses documentos, diz-se que Yuz asaf (em Persa quer dizer "líder dos curados de feridas") foi um homem que chegou a Índia no reino do rajá Gopadatta e passava os dias rezando a Deus e meditando. Ressalta também que ele "pregou a existência de um único Deus até a morte".
Havendo-lhe perguntado os fariseus quando chegaria o Reino de Deus, lhes respondeu Jesus: "O Reino de Deus vem sem se deixar sentir. E não dirão: '- Vede-o aqui ou ali, porque o Reino de Deus já está dentro de vós”.
É notável a semelhança entre o conteúdo desta sentença de Jesus com a máxima adotada por Sócrates, e que foi emprestada do pórtico do Templo de Apolo, em Delfos: "Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo". De igual forma, outro grande mestre do espírito humano, Buda, dizia que só o conhecimento de si levava à iluminação, do mesmo modo que Láo-Tsé dizia que apenas o conhecimento da ordem dentro de si levava à compreensão do Tao, do aspecto transcendente que a tudo engloba e vivifica.
Da mesma forma, os órficos falavam do processo evolutivo como uma tomada de consciência de que somos deuses por sermos filhos de Deus. Apenas não temos nem a percepção, nem a consciência disto. Tudo está ligado a tudo. O homem é um ser que depende da natureza e de outros homens para sobreviver. Tudo é um e temos de passar por várias etapas para adquirir a consciência disto. "Na casa de meu Pai há muitas moradas". Enfim, o Reino é o reconhecimento no coração de que todos somos filhos de um mesmo Pai, portanto, irmãos e irmãs, cada um refletindo o próprio Deus, portanto, a maior alegria é conviver com Deus que se reflete na presença do irmão.
Jesus, em sua vida, aboliu todo tipo de distinção de castas e de origens, devido à sua consciência de irmandade entre todos. Os discípulos dos discípulos tiveram uma noção apenas intelectual disto e não da vivência do estado de espírito ou da consciência cósmica vivenciada por Jesus. Uma vivência que foi plenamente vivida por um Francisco de Assis ou por um Mahatman Gandhi, e que é profundamente revolucionária. Este reino é como um tesouro enterrado num campo que é nossa alma; é como uma pérola de grande valor; é como voltar para casa. Quando o encontramos, encontramos a nós mesmos, tornamo-nos donos de uma riqueza infinita, é por isto que todos os místicos falam em perderem-se em Deus. "Eu e o Pai somo um", pois nossa personalidade é apenas uma máscara mutável, mas o self, como diria Jung, é a parte mais próxima do divino, em nós. Vivenciando o Deus que há em nós, poderemos reconhecer o Deus que há no outro e, assim, poderemos viver, naturalmente, devido à nosso grau de consciência, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. Jesus também reconhecia as verdades espirituais que foram ditas pelos outros Grandes Mestres da humanidade, em todas as épocas. É assim que se explica as grandes similaridades entre seus ensinamentos e os de Buda, por exemplo, que nasceu mais de 500 anos antes de Cristo.
Jesus enfatizava a importância da evolução e da transformação pessoal: "Não te maravilhes de eu ter dito: Necessário vos é nascer de novo (João, 3. 3-7)". Reconhecia a imortalidade da alma: "De fato, Elias há de vir e restabelecer todas as coisas. Eu, porém vos digo: Elias já veio e fizeram dele o que quiseram! E os discípulos compreenderam que era de João Batista de quem ele falava" (Mateus, 17, 11-13; Marcos, 9, 11-13).
Sendo assim, a única possibilidade real de Elias ter retornado à terra como João era a de que ele reencarnou como João, conhecido como O Batista, primo de Jesus. Esta idéia na reencarnação, conhecida ao tempo e na região de Jesus com o nome confuso de ressurreição (Mateus, 16.13-15), era familiar a inúmeros sistemas filosóficos da era helenística, e é encontrado em Pitágoras, Sócrates e Platão, sendo retomado por Amônio Sacas e por seu discípulo Plotino e, já na era cristã, por Orígenes de Alexandria, um dos pais da Igreja. Esta crença permaneceu mais ou menos atuante durante os primeiros séculos do cristianismo até que os interesses temporais e políticos a tornaram numa crença herética.
O Evangelho de Mateus afirma que Jesus era de sangue real, descendente de Salomão e Davi. Nos provérbios do Talmud Ele parece ter sido bem educado. Parece Ter recebido treinamento para rabino e Ter conversado tão freqüentemente com pessoas ricas e influentes quanto com os pobres.
Se Jesus era um aristocrata, e se ele foi casado com Madalena, é provável que ela fosse de situação social comparável. E, realmente, parecia ser. Entre suas amigas, estava a esposa de um importante oficial de Herodes. Nos documentos do Monastério do Sinai, Jerusalém - a Cidade Santa e capital da Judéia - tinha sido originariamente propriedade da tribo de Benjamim. Depois os benjamitas foram dizimados em uma guerra com as outras tribos de Israel, e muitos deles partiram para o exílio, embora alguns tenham permanecido. Um descendente desses remanescentes era Paulo, que afirma explicitamente ser um benjamita ( Romanos 11:1)
De acordo com todas as narrativas do NT, Jesus era da linha de Davi e, portanto, da tribo de Judá. Aos olhos dos benjamitas, que tiveram Saul deposto por Davi, isto pode tê-lo tornado um usurpador. Esta objeção poderia ser neutralizada se este fosse casado com uma mulher benjamita. Tal casamento teria constituído uma importante aliança dinástica, repleta de conseqüências políticas. Ela não só teria fornecido a Israel um poderoso rei-sacerdote, como também teria desempenhado a função simbólica de devolver a Jerusalém aos seus donos originais e legítimos. Tal homem teria sido realmente o "rei dos judeus".(trechos extraídos de Baigent, Leigh, e Lincoln, O Santo Graal e a Linhagem Sagrada).
De acordo com Lucas , Jesus , recém nascido , foi visitado por pastores; de acordo com Mateus, foi visitado por reis. Segundo Lucas a família de Jesus vivia em Nazaré e depois viajaram à Belém (a história refere que esse censo não ocorreu). Mateus dizia que a família de Jesus era rica , abastada e residira em Belém todo o tempo; Jesus havia nascido em caverna essênia, durante uma viagem dos seus pais.
Em 1958, o professor Norton Smith, da Universidade de Colúmbia, descobriu em um Monastério próximo a Jerusalém, uma carta que continha um fragmento inédito do Evangelho de Marcos. O Fragmento não tinha sido perdido, mas aparentemente suprimido, sob a instigação se não pedido expresso, do bispo Clemente de Alexandria, um dos mais venerados antigos padres da igreja. Ele reconhece livremente que existe um autêntico evangelho secreto de Marcos. E instruiu Theodore a negá-lo alegando " que nem todas as verdadeiras (coisas) devem ser ditas a todos os homens" e inclui a transcrição do texto, palavra por palavra, em sua carta:(Smith, Secret Gospel, p. 14 a 16).
“E eles chegaram a Betânia, e uma mulher cujo irmão havia morrido, estava lá. E, vindo, ela se prostrou ante Jesus e lhe disse: Filho de Davi tenha piedade de mim. Mas os discípulos a empurraram. E Jesus, ficando com raiva, foi com ela até o jardim onde estava a tumba. E imediatamente, um grande grito foi ouvido na tumba. E imediatamente, indo na direção de onde estava o jovem, ele estendeu sua mão e o levantou, segurando-o pela mão. Mas o jovem, olhando para ele, o amou e começou a implorar que pudesse segui-lo”.
E saindo da tumba eles foram para a casa do jovem, pois ele era rico. E depois de 6 dias, Jesus lhe disse o que fazer e à noite o jovem foi ter com ele, usando uma roupa de linho sobre seu corpo nu. E ele permaneceu com ele aquela noite, pois Jesus ensinou-lhe o mistério do reino de Deus. “E então, se levantando, ele retornou ao outro lado do Jordão”.
Se o Evangelho de Marcos foi tão dramaticamente expurgado, ele foi também carregado com adições espúrias. Em sua versão original ele termina com a crucificação, o enterro e a tumba vazia. Não existe a cena da ressurreição, ou a reunião com os discípulos. Algumas Bíblias mais modernas contêm um final mais convencional para o Evangelho de Marcos incluindo a ressurreição. Mas praticamente todos os estudiosos da Bíblia concordam em que este final expandido é uma adição posterior, datada do final do século II e anexada ao documento original. (Segundo o Codex Vaticanus e o Codex Sinaiticus, o Evangelho de Marcos termina em 16,8). Se o Evangelho de Marcos foi tão prontamente manuseado, é razoável assumir que os outros Evangelhos foram tratados de forma similar.
Os Evangelhos foram compostos para uma audiência greco-romana. Em conseqüência, era natural colocar os judeus no papel de vilões. Jesus não poderia ser retratado como uma figura política e o papel dos romanos no julgamento e execução de Jesus deveria ser limpa e apresentada de forma mais simpática possível. Assim, Pilatos é descrito nos Evangelhos como um homem responsável e tolerante, que reluta em consentir a crucificação.
Nos Evangelhos, a prisão e o julgamento de Jesus ocorrem à noite, antes do conselho. Pela lei judaica, o conselho é proibido de se reunir à noite, em casas particulares ou em qualquer outro lugar fora dos recintos do Templo.
Nos Evangelhos, o conselho é aparentemente desautorizado a votar uma sentença de morte - e esta seria a razão para levar Jesus ante Pilatos. Contudo, o conselho era autorizado a votar sentenças de morte - por apedrejamento, se não por crucificação. Desta forma, se o conselho tivesse desejado dispor de Jesus, ele teria autoridade para sentenciá-lo à morte por apedrejamento. Não haveria necessidade de envia-Lo à Pilatos.
De acordo com os Evangelhos de Marcos e Mateus, libertar um prisioneiro se a multidão assim o quisesse , é fantasioso. Os Evangelhos dizem que era costume do "festival dos judeus".(Brandon, Jesus and the Zealots, p.259., H.Cohn, Trial and Death of Jesus, p.166. e Winter, on the Trial of Jesus, p. 94). Haim Cohn é um ex-procurador geral de Israel, membro da Suprema Corte e professor de História Jurídica.Autoridades modernas concordam que tal política nunca existiu por parte dos romanos, e que a oferta para libertar Jesus ou Barrabás, é uma ficção.



A sentença abaixo se encontra gravada numa placa de cobre e, em ambos os lados, lê-se estas palavras: "uma placa igual foi encaminhada para cada Tribo" e foi encontrada dentro de um antigo vaso de mármore branco durante escavações realizadas em Áquila, reino de Nápoles, no ano de 1820, pelos comissionários de artes que acompanhavam o exército francês, após a expedição de Napoleão. O vaso encontrava-se dentro de uma caixa de ébano na sacristia dos Cartuxos, próximo a Nápoles; atualmente encontra-se na Capela de Caserte.
A tradução a seguir, feita a partir do original em hebraico, foi realizada pelos membros da Comissão de Artes. Após muitas súplicas, os Cartuxos conseguiram que a referida placa não fosse levada para a França, como reconhecimento dos inúmeros serviços que prestaram ao exército francês.
”....No ano dezessete do império de Tibério César, a vinte e cinco do mês de março, na Santa Cidade de Jerusalém, sendo sacerdotes e sacrificadores de Deus Anás e Caifás, Pôncio Pilatos, governador da baixa Galiléia, sentado na cadeira principal do pretório, Sentencia:
Jesus de Nazaré a morrer em uma cruz, com outros dois ladrões, afirmando os grandes e notórios testemunhos do povo que: Jesus é sedutor. É sedioso. É inimigo da lei. Chama-se falsamente Filho de Deus. Chama-se falsamente Rei de Israel.
Entrou no Templo, seguido por uma multidão com palmas na mão. Manda ao primeiro centurião, Quirilino Cornélio, que o conduza ao local de suplício. Fica proibido a qualquer pessoa, pobre ou rica, impedir a morte deste que se denomina Jesus.
As testemunhas que firmam a sentença contra Jesus são: Daniel Robian, fariseu. Joannas Zorobatel. Rafael Robani. Capeto, homem público. Jesus sairá da cidade de Jerusalém pela porta de Estruene...”
Basilides, um intelectual herege de Alexandria, versado tanto em escrituras hebréias quanto em Evangelhos cristãos, que também mergulhava no pensamento egípcio e helenístico e, segundo Irenaeus, promulgou a mais odiosa heresia. Basilides, escreveu entre 120 e 130 d.C, afirmando que a crucificação foi uma farsa, que Jesus não morreu na cruz, e que um substituto - Simão de Cyrene - tomou seu lugar. Tal afirmação pareceria estranha, mas ser revelou persistente e tenaz. Até o século VII o Alcorão mantinha precisamente o mesmo argumento: um substituto, tradicionalmente Simão de Cyrene, tomara o lugar de Jesus na cruz.
No Evangelho de Lucas consta que o corpo de Jesus foi retirado da cruz sem ter sido violado. Tal fato discorda dos costumes da época que usava quebra os ossos do crucificado e pendê-lo da cruz por vários dias, para descartar qualquer possibilidade de sobrevivência. Se observarmos os Evangelhos, nenhum deles afirma que Jesus morreu na cruz ou que já estava morto quando O removeram da cruz e O puseram na tumba.
Além de Basilides, Bárbara Thiering e diversos outros pesquisadores concluíram que Cristo não morreu na cruz. As pessoas crucificadas levavam de 30 a 40 horas para morrer, mas Jesus teria morrido entre 3 e 6 horas após o início de seu martírio. A explicação para isso seria que lhe deram algo, como por exemplo, um veneno, para encurtar seu sofrimento. A substância porém, não o matou. Ele simplesmente desfaleceu e foi tirado da cruz. Essa "morte" rápida surpreendeu as próprias autoridades, como se vê em Marcos (15:44): "E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto..."
O Evangelho de São João (XIX:33) diz que os soldados acreditaram que Jesus estivesse morto, porém São João não faz nenhuma afirmação em seu nome quando menciona a lança enfiada no corpo de Jesus, não há motivos para não acreditar que se tratasse de uma ferida superficial.
Porém, o corpo de Jesus teria sido reclamado por José de Arimatéia (membro do Sinédrio e amigo e seguidor dos ensinamentos de Jesus) à Pilatos que como era de costume, aceitou o pedido. For a levado então à sua casa, no Monte das Oliveiras, onde teria sido deixado em uma tumba dentro de suas terras. Cabe lembrar que os crucificados não podiam ser enterrados em cemitérios judeus nem dentro da Cidade Santa.
A sepultura é reconhecida como um monumento santo desde 1766.
O Evangelho de João informa que José de Arimatéia e Nicodemos foram ver Jesus na cruz, depois que todos já haviam partido e levaram panos finos e "umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés". O Evangelho de Lucas informa que José de Arimatéia trouxe aromas e bálsamos.
Mirza Ghulam Ahmad, o fundador da seita ahmadiyya , que chamou a atenção dos estudiosos para o ungüento usado para curar as feridas de Jesus, disse o seguinte : "A recuperação de Jesus após a crucificação é do nosso conhecimento. O ungüento conhecido como ‘marham-I-issa’ , registrado em centenas de livros médicos, foram compilados pelos cristãos, alguns pelos magi ou judeus e alguns por mulçumanos. A maior parte desses trabalhos é bastante antiga. Pesquisas demonstram que a preparação do ungüento era conhecida por milhares de pessoas por meio da tradição oral, e foi registrada um pouco depois da crucificação de Jesus, na farmacopéia latina. Também foi comunicado que o bálsamo foi preparado para curar as feridas de Jesus Cristo."
Ele mencionou esse ungüento em um tratado publicado em 1489 em latim com o título Liber Almansoris-Continens ( a tradução em inglês foi publicada em 1848). Sua enciclopédia médica original foi chamada de Havi-Kabir.
Segundo ele, os 12 ingredientes do ungüento de Jesus eram : 1) cera branca; 2) goma gugal, também conhecida como bálsamo dendron mukul; 3) plumbi oxidum; 4) mirra, também conhecida como bálsamo dendron myrrh; 5) galbanum; 6) aristoelchia longa; 7) subacetato de cobre; 8) goma ammonicum; 9) resina de pinus longifolia; 10) olíbano 11) aloés; 12) óleo de oliva.
Ao contrário do que nos foi ensinado, Jesus não foi o único a "levantar do seio dos mortos, nem tão pouco o único a ascender aos céus". Hoje sabemos, por meio de antigas crônicas, que os seguidores de Krishna também acreditavam que este ascendeu aos céus, assim como Jesus. Nessas crônicas, lemos que Krishna foi envolto em uma intensa e brilhante luz e assim retornou aos céus.
Em outras crônicas, temos que na última aparição de Budha sobre uma rocha no alto de uma montanha, cercado pelos seus seguidores, uma intensa luz o envolveu e ele desapareceu, em seu meio. Encontramos ainda em escritos pré-cristãos, que Zoroastro, outro grande Avatar, também ascendeu aos céus, ao fim de sua missão terrena. Existem registros de pelo menos vinte outros antigos Avatares que levantaram dos seios dos mortos e ascenderam aos céus.
As Sagradas Escrituras pouco mencionam José de Arimatéia. Somente em Mateus, Cap.27, v.55: "Ao cair da tarde, chegou um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também tornara discípulo de Jesus. Este homem foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos ordenou que lho entregasse. Tomando o corpo, José o envolveu num lençol limpo e depositou num túmulo totalmente novo, que mandara cavar para si no rochedo; a seguir, rolou uma grande pedra na entrada do túmulo e retirou-se. Entretanto, Maria de Mágdala e a outra Maria estavam ali sentadas em frente do sepulcro e foram untá-Lo com ervas e óleos especiais."
Alguns documentos registram a vida de Jesus, oculta pela igreja católica, como os referidos pergaminhos encontrados no Mar Morto, documentos apócrifos que trazem a vida de Jesus com os Essênios, no Tibete e Índia.
Com a morte de Jesus, os adeptos do cristianismo foram perseguidos e muitos foram mortos. Roma ordenou, além da morte de todos os parentes de Jesus, lançar ao mar, num pequeno bote sem remos, José de Arimatéia, Maria, Lázaro e Magdalena. Diz uma lenda que Arimatéia levou consigo o manto, o cálice sagrado e a coroa de espinhos, isto é, tudo o que restou do sangue de Jesus.
José de Arimatéia, cujo nome é mencionado no Livro Apócrifo Acta Pilati, foi um grande mercador de metais em Jerusalém, fazia comércio com o Império Romano e era proprietário de uma frota de barcos. Era prestigiado com concessões especiais em vários reinos. Era membro do Supremo Conselho ou Sanhedrin judeu e também do Nobilis Decurio, em Roma.
Como era tio de Maria, tomou a tutela do jovem Jesus com a morte de José. Jesus, então, passou a acompanhar Arimatéia em suas viagens de negócios.
O Evangelho de Pedro, cuja primeira cópia foi localizada em um vale do Alto Egito em 1886, embora ele seja mencionado pelo bispo da Antióquia em 180 d.C. de acordo com este Evangelho Apócrifo, José de Arimathéia era amigo íntimo de Pilatos, que a tumba onde foi enterrado Jesus, situa-se em um local chamado "O Jardim de José". E as últimas palavras de Jesus na cruz são particularmente chocantes:"Meu poder, meu poder, por que me desamparastes?" (Evangelho de Pedro 5:5).
Semanas depois, chegaram a Marselha, na França e encontram Felipe, o apóstolo, que pregava naquela região. Em sonho, José de Arimatéia recebe mensagem de Anjos que lhe dizem para se dirigir à Bretanha, na Inglaterra, e construir a primeira igreja. Ele recebe do Rei Arvigarus terras na Ilha de Glastonbury (Avalon), além de isenção de taxas. Ao chegar à nova terra com seus companheiros, José de Arimatéia deitou-se para descansar, deixando sua bengala de espinhos repousada no chão. Ao acordar, verificou espantado que a bengala criou raízes e floresceu. Ali ele construiria a primeira igreja, onde guardaria o Santo Graal. Conta a lenda que até hoje existe esta árvore cheia de espinhos, que floresce na época do Natal. (conto da Ilha Glastonbury).
Cerca do ano 65 d.C.Arimatéia fundou a primeira Igreja Cristã. Logo após, fundou o Mosteiro do Graal.
Robert de Boron conta que os judeus, ao descobrirem José de Arimatéia, prendem-no em uma cela sem janelas onde todos os dias uma pomba se materializa deixando-lhe uma hóstia, seu único alimento durante todo o cárcere, graças ao qual sobrevive. José esconde a taça que Jesus usou na Última Ceia, a mesma que ele próprio usou para recolher o sangue de Cristo antes de colocá-lo na tumba. Ao ser libertado, viaja para a Inglaterra com um grupo de seguidores e funda a Segunda Mesa da Última Ceia, ao redor da qual sentam doze pessoas (conforme a Távola Redonda). No lugar de Cristo é colocado um peixe. O assento de Judas Escariostes fica vazio e quando alguém tenta ocupá-lo é "devorado pelo lugar" de forma misteriosa.
A partir desse momento esse assento é conhecido como a Cadeira Perigosa (mesmo nome do assento da Távola Redonda que também ficava vazio e só poderia ser ocupado pelo "cavaleiro mais virtuoso do mundo". Em algumas versões, é o assento de Lancelot que sempre fica vazio. Lancelot, o mais dedicado cavaleiro, que assim como Judas em relaçao a Jesus, era o que mais amava Arthur e também o que o traiu). Depois de sua morte, seu genro ficou encarregado de zelar pelo Graal.
A tradição afirma que Madalena morreu em Axien - Provence ou em Saint-Baume, e Lázaro em Marselha, após haver fundado o primeiro Bispado.
