|
Os
"testemunhos"
de Flávio Josefo
|
Muitos conhecem o trecho de
"Antiguidades Judaicas", onde Flávio Josefo refere-se a
Jesus (trecho que a maioria dos pesquisadores considera uma
interpolação tardia).
Mas poucos sabem de uma outra versão desse texto, encontrada
numa tradução russa de "A Guerra Judaica".
Leia, ao lado, as duas versões.
|
1. "Antiguidades judaicas", XVIII,3 - em grego.
"Apareceu, depois, Jesus, homem sensato, se é que se lhe pode mesmo
chamar homem; operava de fato ações extraordinárias, mestre de
homens que acolhem a verdade com prazer. E atraiu a si muitos judeus
e muitos também entre os gregos. Ele era o Messias (o "Cristo"). E
depois de Pilatos o ter punido com a cruz, por denúncia dos homens
principais entre nós, não desistiram os que o tinham amado desde o
princípio. Ele apareceu, efetivamernte, ao terceiro dia, novamente
vivo, tendo já anunciado os divinos profetas estas e milhares de
outras coisas maravilhosas sobre ele. E agora ainda não parou de
crescer a tribo daqueles que receberam dele o nome de cristãos"
2. "A Guerra Judaica" - 5 fragmentos de uma
tradução em páleo-eslavo (russo antigo), que remonta aos séculos XI-XIII
"Apareceu então um homem, se é que podemos chamar-lhe homem. A sua
natureza e as atitudes exteriores eram humanas mas a sua aparência e
as suas obras eram divinas. Os milagres que realizava eram grandes e
surpreendentes.
Uns diziam dele ' É o nosso primeiro legislador que ressuscitou dos
mortos e dá provas de suas capacidades, operando muitas curas ´.
Outros julgavam-no enviado por Deus. Opunha-se em muitas coisas à
Lei e não observava o sábado, segundo o costume dos antepassados;
todavia, não fazia nada de impuro, nem nenhum trabalho manual,
dispondo apenas da palavra.
Muitos entre a multidão o seguiam e escutavam seus ensinamentos; os
espíritos de muitos se agitavam pensando que, graças a ele, as
tribos de Israel se libertariam do jugo romano. Costumava estar, de
preferência, em frente da cidade, no Monte das Oliveiras.
Vendo a sua força e que, com as palavras, fazia tudo o que queria,
pediram-lhe para entrar na cidade, massacrar as tropas romanas e
Pilatos, e passar a governá-los. Mas ele não lhes dava ouvidos.
Mais tarde, os chefes dos hebreus vieram a saber de tudo aquilo,
reuniram-se com o Grande Sacerdote e disseram: ´ Somos impotentes e
fracos para resistirmos aos romanos, como um arco frouxo. Vamos
dizer a Pilatos o que ouvimos e não teremos aborrecimentos´. E foram
falar dele a Pilatos.
Este enviou homens, mandou matar muitos entre a multidão e prendeu o
doutor de milagres. Informou-se melhor sobre ele e vendo que fazia o
bem, e não o mal, que não era rico, nem ávido de poder real,
libertou-o; de fato, tinha curado a sua mulher, que estava
moribunda.
E regressado ao local habitual, retomou o cumprimento de suas obras,
e novamente um número maior de pessoas se aglomerou em torno dele.
Os doutores da Lei, feridos pela inveja, deram trinta talentos a
Pilatos, para que o mandasse matar. Este aceitou-os e deu-lhes
autoridade para serem eles próprios a fazer o que desejavam.
Desse modo, apossaram-se dele e o crucificaram, apesar da lei dos
antepassados."
|