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A Quarta Filosofia
de Josefo

 

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Seleções de Flávio Josefo

 


No livro XVIII das "Antiguidades Judaicas", após ter descrito as três "filosofias dos judeus" (Saduceus, Fariseus e Essênios), vigentes antes da revolta de 66-70, Flávio Josefo admite uma "quarta filosofia" (os Zelotas) que teria sido introduzida por Judas, um gaulanita de Gamala.
Judas liderou uma revolta contra o censo de Cireneu, governador da Síria, em 6 dC, pregando que a submissão ao censo equivalia à escravidão.

Como devemos entender essa "quarta filosofia"?
Josefo refere-se ao Zelotas sempre em tom pejorativo, atribuindo-lhes a responsabilidade pelo desastre que se abateu sobre os judeus, com a destruição do templo de Jerusalém, pelos romanos.
Mas será que os Zelotas constituíam uma seita ou um movimento político-religioso organizado e uniforme?

Durante a guerra, encontramos entre os líderes radicais um certo Manaém, que era filho ou neto de Judas, o que indica uma certa continuidade no movimento rebelde.
Porém, durante a defesa de Jerusalém, percebe-se a presença de pelo menos cinco facções que rivalizam pela condução da luta: os sicários, os zelotas, os idumeus, os seguidores de João de Giscaia e os seguidores de Simão Bar-Giora.
Parece, então, que os Zelotas eram apenas um dos vários grupos que se articulavam fora do contexto onde Josefo enquadra as três "filosofias" e cujo traço comum é o de estarem mais próximos das camadas inferiores da sociedade judaica, sobretudo dos camponeses.

Podemos, então, entender os vários conflitos havidos naquele período como expressões de um único  movimento popular, que não conseguiu articular-se sob um única liderança, salvo, em certa medida, no tempo de Simão Bar-Kokba, que dirigiu a última grande revolta contra Roma (132-135).

Nesse sentido, o movimento liderado por Jesus de Nazareth pode ser colocado ao lado do de João Batista, de Teudas, dos sicários da década de 50, das várias facções revolucionárias da primeira guerra contra Roma e do movimento liderado por Simão, saudado como o messias "filho da estrela", pelo rabino Akiba.

O movimento de Jesus sobreviveu à sua morte, transformando-se em contestação ao status quo vigente na Judéia. Ainda em Jerusalém, seus seguidores questionavam a legitimidade do Templo (sermão de Estêvão, em At 7) e de suas autoridades, a quem convidavam a arrepender-se de suas iniqüidades (sermão de Pedro, em At 4,8-12).
A resposta a esse convite foi a repressão: Estêvão e os dois Tiagos, um dos quais tido por "irmão do Senhor", foram mortos.

Não sabemos se os "nazarenos" (como eram então chamados os seguidores de Jesus) deixaram a Palestina, nessa época, para fugir à repressão ou para não se envolverem com a revolta que explodiu em 66.
Sabemos apenas que, ao contrário dos essênios, ele não tomaram armas para lutar contra os romanos e que a fuga para o exterior contribuiu para a disseminação de sua doutrina, no mundo dos "gentios".

A partir desse momento, o que viria a ser chamado de Cristianismo desatrela-se da história judaica, deixando de ser um dos movimento populares que alimentavam a "quarta filosofia".

 

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