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O ministério de Jesus

 

A última ceia,
na tela de DaVinci

 


O encontro de Jesus com João Batista parece ter sido decisivo na orientação de seu ministério.
 
João, exemplo de profeta ascético e ardente, chefe de uma seita dissidente em relação aos meios judaicos oficiais, proclamava uma mensagem de arrependimento e um batismo de purificação, anunciando a breve chegada do "Reino".
 
Não reivindicava para si a dignidade messiânica e, não obstante o que narram os Evangelhos, parece não ter se convencido que Jesus fosse o messias esperado, tanto que manteve seu movimento independente após o encontro com Jesus, não se agregando aos discípulos do Galileu.
 
E quando foi morto, por ordem de Herodes Antipas, seus seguidores continuaram a formar uma seita à parte, cujos descendentes longínquos foram, erroneamente, identificados com a comunidade religiosa dos Mandeus.
 
Mas fosse qual fosse a opinião do Batista sobre Jesus, tem-se como certo que este tomou consciência de sua missão no momento em que foi batizado, às margens do Jordão.

O primeiro cenário da pregação de Jesus foi a Galiléia (região setentrional da Palestina), mais precisamente às margens do lago de Genezaré (ou de Tiberíades). Ali ele recrutou seus primeiros discípulos e foi ali que sua mensagem suscitou maior eco, sobretudo entre as camadas humildes da população.

Sua mensagem, apresentada sob a forma alegórica de parábolas, acompanhada por curas milagrosas e outros prodígios, despertou adesões entusiásticas, ainda que, com freqüência, efêmeras. Mas também despertou a desconfiança e a hostilidade das duas facções que disputavam a preponderância no mundo judeu: os saduceus e os fariseus.

As liberdades que Jesus tomava em relação à Lei, escandalizavam os fariseus, enquanto os saduceus, inimigos de tudo o que pudesse perturbar a ordem estabelecida, inquietavam-se com a propagação de qualquer movimento que tivesse características messiânicas.

A animosidade dos dirigentes judeus atingiu o ápice quando Jesus fez uma entrada triunfante em Jerusalém, e se insurgiu contra os mercadores do Templo  -  cambistas e vendedores de animais para o sacrifício, que exerciam seu comércio no santuário.
 
Ambos os episódios foram interpretados, tanto pelas autoridades quanto, provavelmente, pelos seguidores de Jesus, como prenúncio de seu propósito de instalar o "Reino", que iria mudar radicalmente a situação vigente.

Isso aconteceu às vésperas da festa da Páscoa (Pessach), tendo Jesus, após uma refeição com seus discípulos, retirado-se da cidade, decidindo passar a noite no horto das Oliveiras.

Não sabemos se ele pretendia seguir viagem, na manhã seguinte, para afastar-se de uma possível represália de seus inimigos, ou se estava disposto a desafiá-los, retornando a Jerusalém, para participar das festividades pascais. Qualquer que fosse seu intento, ele foi frustrado por sua prisão naquela mesma noite.
 
Conforme o relato dos evangelistas, Jesus foi submetido a um interrogatório por parte de membros do Sinédrio e, sem seguida, entregue ao governador romano, Pôncio Pilatos.

É muito difícil desvendar, com exatidão, a seqüência daqueles acontecimentos e as acusações que recaíram sobre Jesus, mas o que parece evidente é que ele foi vítima de um conluio entre os sacerdotes judeus e a autoridade romana.

Submetido a um julgamento sumário, foi condenado à morte, sendo a sentença executada imediatamente após proferida.

Jesus foi crucificado como criminoso político, provavelmente por se proclamar (ou admitir ser assim chamado) "rei dos judeus", o que implicava em contestação ao domínio romano. Junto com ele foram também crucificados mais dois homens, que os Evangelhos tratam como dois desconhecidos "ladrões", mas que podem ter sido capturados junto com ele, entre os que estavam em sua companhia, na noite de sua prisão.

Ao matarem Jesus, seus inimigos contavam abortar, no nascedouro, o movimento que ele liderava.
 
Não tardariam a descobrir o quanto estavam enganados.
 

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