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Sempre que morre alguém muito importante e famoso, não é raro que,
algum tempo depois, circulem lendas propagando sua não-morte. Com
Jesus, não foi diferente e, até há pessoas convencidas de que ele
não morreu na cruz.
Uma das histórias mais antigas foi difundida
por Basilides, intelectual de Alexandria, versado tanto em
escrituras hebréias quanto em Evangelhos cristão. Numa obra escrita
entre 120 e 130, ele afirmava que a crucificação fora uma farsa, que
em lugar de Jesus, quem morrera fora Simão de Cyrene, aquele que os
Evangelhos mencionam ter ajudado o Cristo em sua dolorosa caminhada
para o Calvário.
Em um dos Manuscritos de Nag Hammadi - o "Tratado do Grande Seth" -
também se lê que Jesus escapou da cruz, através de uma engenhosa
substituição, hipótese também adotada e difundida pela tradição
muçulmana.
Certas correntes cristãs, tidas como "heréticas", algumas das quais
com forte acento gnóstico, admitiam a morte de Jesus mas não a do
Cristo. Segundo elas, Cristo (o elemento divino) abandonara o corpo
de Jesus (o elemento humano), durante a agonia da crucificação.
Teria sido nesse momento que o agonizante Jesus pronunciara a frase:
Pai, por que me abandonastes?".
Há também outra história bastante insólita, sustentada pelo fundador
e primeiro "imperator" da ordem rosacruz "Amorc", Spencer Lewis.
Em seu livro "A vida secreta de Jesus", ele afirma (baseado em
supostos documentos antigos e secretos da Ordem) que Jesus era
essênio e teria escapado à morte na cruz, por receber o perdão, à
última hora, do imperador Tibério. Isso fez com que fosse retirado
da cruz, ainda vivo, e tratado em um mosteiro esseu, onde viveu por
muitos anos, até morrer, tranqüilamente, de morte natural.
Destaque-se que o único registro que dispomos sobre descrucificação
na Antiguidade, refere-se a dois homens, sendo que um deles morreu
logo após ser retirado da cruz , enquanto o outro sobreviveu.
Mas se Jesus não morreu na cruz, para onde ele foi depois daquele
trágico dia?
As lendas que tentam responder a essa pergunta são, em geral, tão
variadas quanto as que negam sua crucificação.
A Índia aparece como o local mais citado como
seu refúgio, após ter escapado da morte em Jerusalém. Mas há também
outros países do Extremo-Oriente, para onde se admite que ele tenha
viajado.
Em março de 1973, a edição brasileira da conceituada revista
francesa "Planeta", publicou esta pequena matéria:
"Em 1935, Hiromaro Takeuchi, morador da cidade
japonesa de Isohara, descobriu um velho documento em sua casa, onde
se lê que Jesus Cristo teria vivido na aldeia de Heral (atual Shingo),
perto da cidade de Hachinohe, na prefeitura de Aomori. De acordo com
o documento, ele morreu, pacificamente, com a idade de 106 anos".
O matéria diz ainda que, segundo o tal documento, Jesus já vivera no
Japão, entre os 12 e os 30 anos, no tempo do imperador Suinin, tendo
se torando aluno do sábio Etchu. "Terminada sua educação, ele
retornou a Jerusalém, onde espalhou seus conhecimentos sobre o Japão
- um país divino." (...)
"Ao contrário do que dizem os Evangelhos, Jesus não foi crucificado
no Gólgota. Foi seu irmão mais jovem que morreu em seu lugar."
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