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A Estrela de Belém

 

 

Adoração dos Reis Magos na tela de Giotto

 

 

Que dizer da "estrela" do nascimento de Jesus (a estrela do  natal)?
 
Se ela fosse uma narrativa verdadeira e se a estrela fosse melhor caracterizada, ou mesmo descrita como um cometa, valeria muito aos que devessem esperar o Messias. Diz Mateus:
"E tendo nascido Jesus em Belém da Judéia no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo" (2, 1-2).
"Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera (2,7).
"E tendo eles ouvido o rei, partiram: e eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. E vendo eles a estrela, alegraram-se muito" (2, 9-10).
 
A narrativa da estrela do Natal contém vários elementos incoerentes:
Por que somente os magos tiveram na estrela um aviso e somente a eles servia?
E por que, situados no Oriente distante e sem serem judeus, sabiam que a estrela era do rei dos  judeus nascido mais a Ocidente?
Herodes era o rei. A ele e aos sacerdote é que deveria ter aparecido a estrela. O Messias parece nascer sem se anunciar adequadamente.
O contexto da narrativa mostra o menino em uma casa e não em uma gruta, o que permite interpretar que os magos teriam vindo algum tempo após o nascimento do mesmo. A estrela não é advertida pelo público em geral, embora tivesse parado sobre a casa onde estava menino.
 
Não se descreve a estrela de maneira a se poder identificá-la com um cometa. Mas como seria se tivesse sido um cometa?
Hoje se possuem conhecimentos astronômicos para dizer algo mais a propósito da narrativa. Em nosso sistema há 40 ou mais cometas e seu curso é de 3 a 150 anos, com ligeiras oscilações tanto no espaço como no tempo de retorno. Aumenta a cauda na proporção que se aproxima do sol. Torna-se o cometa praticamente invisível quando atravessa a uma distância maior, quer do Sol, que da Terra.
 
E por que um planeta seria o sinal do nascimento de Jesus, se ele passa periodicamente? E se os planetas são 40 ou mais, qual deles seria o arauto? O sinal é inadequado, em vista de serem muitos e passarem periodicamente; em vez de darem o sinal certo, poderiam dar alarme falso.
O cometa de Halley retorna num período 76,03 anos. Em dois milênios terão ocorrido portanto 26 retornos de Halley. Feitos os cálculos com relação a Jesus, teria passado pelo ano 11 a.C. e outra vez no ano 66 d.C.
Com período quase igual ao de Halley, o cometa de Olbers (período 72,4 anos) teria passado no ano 15 a.C.
O cometa  Herschel-Rigollet (período 150 anos) teria passado no ano 139.
Mais próximo ao nascimento de Jesus terão feito passagens os planetas de curto período.
 O cometa Comas Solá (período 8, 55 anos) terá passado no ano 1 a.C.; portanto, teria passado logo após o nascimento de Jesus e depois da morte de Herodes, este falecido no ano 4 a.C.
O cometa Schaumasse (período 8,7 anos) teria passado no ano zero entre as duas eras.
   
E quem teriam sido os magos a que se refere Mateus (2, 1-12)? As versões posteriores passaram a denominá-las fantasiosamente como reis, o que prestigiava ao episódio do nascimento de Jesus.
De fato, porém, pela expressão mago entendia-se um tipo social de homem dotado de saber, ao modo oriental, que se encontrava na Mesopotâmia. Também são de tradição tardia e dúbia seus três nomes: Gaspar, Baltasar, Melquior.

 

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