ALOPECIA

REVISTA NOVA BELEZA, 1997

Cabelos em queda livre

"Júlia, 23 anos, bonita, entrou no meu consultório, tirou a peruca e começou a chorar. A cabeça era lisinha, tinha apenas um tufo de cabelos ralos bem no topo. Eles começaram a cair há cerca de dois meses, após seu marido quase Ter morrido em uma cirurgia séria no coração. Desde então, não largava a peruca e entrava em pânico sempre que as amigas tocavam em assunto de cabelo. Sentia como se tivessem roubado sua feminilidade. Depois de um longo tratamento, melhorou muito, mas sempre que enfrentava situações estressantes tinha recaídas ... e o pesadelo recomeçava", conta a dermatologista paulista Denise Steiner.

Júlia sofre de alopecia areata (a mesma doença que tem feito a princesa Caroline de Mônaco desfilar com turbantes e chapéus nos últimos meses), uma doença determinada por fatores genéticos, não contagiosa, que pode provocar a perda de todos os pêlos do corpo. As causas ainda são desconhecidas, mas acredita-se que seja uma doença auto- imune - o sistema imunológico se descontrola e o organismo passa a produzir anticorpos contra o próprio corpo; no caso da alopecia o foco é o pêlo, o que provoca a inflamação da raiz, impedindo que cresça. "O stress emocional é o principal fator desencadeante da doença, que pode durar de seis meses a três anos", diz o dermatologista carioca Walter Guerra Peixe.

A alopecia areata faz parte do grupo das alopecias não cicatriciais, que costumam ser reversíveis em 70% dos casos e que inclui a alopecia por tração (mais freqüente em cabelos afros, por causa dos penteados que puxam excessivamente os cabelos, para alisá-los) e o eflúvio telógeno (um desequilíbrio que ocorre entre as fases de crescimento, descanso e morte dos fios; pode acontecer depois de situações prolongadas de stress, no pós- parto, em cirurgias, dietas rigorosas, anemias graves, diabete mal controlada, hipo ou hipertireoidismo, uso ou suspensão de anticoncepcionais e uso de anticonvulsivos).

Existem ainda as alopecias cicatriciais a ausência ou diminuição dos pêlos por causa da destruição total de suas raízes. Elas são provocadas por diversos fatores, entre eles o câncer de pele e as infecções por fungos, vírus ou bactérias. Nesse caso a doença é irreversível.

A CURA POR UM FIO

O meio mais eficiente de tratar a alopecia é primeiro tentar descobrir e depois combater os agentes desencadeantes. Os tratamentos mais utilizados são os corticóides (via oral e injetáveis), que funcionam como imunossupressores e lutam contra os anticorpos dos pêlos; o minoxidil (uso tópico), para aumentar a circulação de sangue no couro cabeludo; e os complexos vitamínicos, como o Pill Food e o Pantogar, que contêm vitaminas, aminoácidos, queratina e cálcio.

 

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