|
SENTIR O BRILHO DO SOL

Sentir que o sol brilha mas não
aquece,
sentir que sem partilha se empobrece,
sentir que o coração bate sem pressa;
sentir que a canção já não interessa.

Sentir que um dia a mais não adianta,
sentir que o por do sol já não espanta;
sentir que já a lágrima não sai,
sentir que fica só se ela cai.

Sentir a brevidade da permanência,
sentir a eternidade duma ausência;
sentir que há a dor sem haver queixa,
sentir a cicatriz que a ferida deixa.

Sentir no tempo a voz que ninguém chama,
sentir o espaço frio da minha cama;
sentir que a saudade me consome,
sentir ainda o eco do seu nome.

Sentir na noite o meu entardecer,
e a alma quase nua a desprender;
guardar da noite a minha madrugada,
e morrer quando da noite… não resta nada.
Deta
Junho 2003
|