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Efeitos de longo prazo do fogo periódico sobre a fitossociologia da camada lenhosa de um cerrado em Brasília, DF. Regina Helena Rosa Sambuichi: O presente trabalho trata do censo completo da camada lenhosa de dois hectares próximos de cerrado, situados no Jardim Botânico de Brasília, DF, um sob regime de queima mais ou menos bianual e o outro sem influência do fogo por mais de vinte anos. Através da comparação entre os dados obtidos em cada hectare, pretendeu-se quantificar os efeitos de longo prazo do fogo periódico sobre a fitossociologia da camada lenhosa do tipo de cerrado estudado. Com os dados obtidos, pretendeu-se, ainda, contribuir para a definição de uma política de uso de fogo adequada para ser usada no manejo de parques e reservas de cerrado. Na camada lenhosa do hectare sem influência recente do fogo, aqui chamado de não queimado (NQ) foram encontrados um total de 5788 indivíduos, 11,7 m2 de área basal e 26,5 m3 de volume cilíndrico, distribuídos entre 92 espécies diferentes. Dalbergia violacea foi a espécie mais importante no hectare, com cerca de 8,45% de importância. Entre as árvores em separado, a espécie mais importante foi Styrax ferruginea. O índice de diversidade da camada lenhosa do hectare foi igual a 3,43 nats (Brillouin). Na camada lenhosa do hectares sob regime de queima periódica, aqui chamado de queimado (Q), foram encontrados um total de 1663 indivíduos, 3,9 m2 de área basal e 9,1 m3 de volume cilíndrico, distribuídos entre 57 espécies diferentes. A espécie mais importante da camada lenhosa do hectare foi Ouratea castaneifolia, com 10,6% de importância. Entre as árvores em separado, Pterodon pubescens foi a espécie mais importante. O índice de diversidade da camada lenhosa do hectare foi igual a 3,10 nats. Foi observada uma acentuada redução na camada lenhosa em decorrência do fogo. As porcentagens de redução quantificadas, do hectare NQ para o hectare Q, foram de 71% para número de indivíduos, 67% para área basal, 66% para volume cilíndrico e 38% para o número de espécies. Houve redução no número de caules por indivíduo e um aumento na quantidade de volume cilíndrico por indivíduo. Os arbustos meio finos foram os mais negativamente afetados. Foi observada, também, uma redução no recrutamento, principalmente de árvores e arbustos grossos. Observou-se uma mudança na composição florística da camada lenhosa. Os índices de similaridade de Sorensen entre os dois hectares foram de 68,5% (qualitativo), 41,4% (quantitativo para número de indivíduos) e 43,7% (quantitativo para volume cilíndrico). As espécies mostraram uma ampla variação no grau de tolerância e suscetibilidade ao fogo, com porcentagens de mudança em densidade, do hectare NQ para o hectare Q, que variaram de +146% (mais no hectare Q) a -100% (ausente no hectare Q). A diversidade de espécies diminuiu, assim como a riqueza de espécies por área e por número de indivíduos contados, enquanto o grau de uniformidade nas quantidades das espécies aumentou. Concluiu-se que: 1) o fogo periódico raleia a camada lenhosa e diminui a diversidade de espécies nesta; 2) para fins de manejo, se o interesse for ter um maior número de espécies da camada lenhosa conservado por área, deve-se então, salvo em casos especiais, manter as áreas de parques e reservas de cerrado livres da ação do fogo pelo maior tempo possível.