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Efeito do fogo sobre regenerantes de Blepharocalyx salicifolius (H.B.K.) Berg. (Myrtaceae) em cerrado aberto, Brasília, DF. Mara Rojane Barros de Matos: Um estudo sobre a regeneração natural por sementes e sobre o efeito do fogo na regeneração de Blepharocalyx salicifolius num cerrado aberto foi realizada no período de maio de 1992 a março de 1993, dentro das parcelas do Projeto Fogo na Reserva Ecológica do IBGE, Brasília, DF. Foram acompanhados 5 coortes de plântulas, localizadas abaixo de 5 indivíduos adultos (matrizes) de B. salicifolius e em 5 transecções, dentro dos quais foram levantados todos os indivíduos desta espécie. A produção de sementes em 1992 foi muito maior do que em 1993, indicando variação anual da entrada de plântulas, a qual foi verificada no campo. Três matrizes e dois transectos foram localizados em áreas sem queima, e dois de cada em áreas submetidas a queimadas controladas. Em intervalos de aproximadamente 3 em 3 meses foram levantados: altura de cada indivíduo, diâmetro de base, presença de danos de herbívoros, ataque de fungo e presença de rebrota de cada indivíduo marcado. Um total de 2365 e 1277 indivíduos foram encontrados nas áreas sem e com queimada, respectivamente, sendo que mais de 85% sob as matrizes e aproximadamente 50% nos transectos são plântulas verdadeiras. Plântulas verdadeiras foram identificadas através da presença da reserva do embrião ainda no caule, enquanto indivíduos do mesmo tamanho, mas sem vestígio da reserva, foram considerados juvenis. O crescimento aéreo de B. salicifolius foi lento, e mais de 50% dos indivíduos permaneceram na mesma classe de altura desde a primeira medida até a última (nas parcela sem queima). A mortalidade nas parcelas sem queima, na época chuvosa, foi maior para plântulas (29%) do que para juvenis (6%). O mesmo padrão foi visto na época seca, apresentando valores de 13,5% para plântulas e 6% para juvenis. A maior taxa de mortalidade incidiu sobre indivíduos com até 5 cm de altura, tanto para plântulas verdadeiras quanto para juvenis. A mortalidade devido à ação do fogo foi maior que 90% para plântulas e menor que 50% para juvenis. O tamanho crítico estimado para sobreviver e rebrotar após um fogo foi estimado em 0,6 cm de diâmetro de base e 50 cm de altura. A presença de danos de herbívoros ou fungos nas folhas aparentemente não afetou a sobrevivência durante este estudo.