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O impacto do fogo na rebrota de algumas espécies de árvores do cerrado - Marcio Silveira Armando O trabalho aborda o impacto do fogo sobre a regeneração de nove espécies de árvores do cerrado, analisando o efeito acumulado de queimadas em anos subsequentes (1989 e 1990) na sobrevivência e crescimento das plantas. A área de estudo situa-se a 35 km ao sul de Brasília, a 15o 56’ 41’’ e 47o 51’ 02’’ nas faixas tampão do Projeto Roncador que engloba áreas da Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília e da Reserva Ecológica do IBGE. A área disponível com fisionomia de "arvoredo de escrube-e-árvores" foi utilizada extensivamente, tendo sido estudados, sem o estabelecimento de parcelas, cerca de 7 hectares. A classe de amostragem adotada abrangeu todos os indivíduos com tamanho máximo de 5 cm de circunferência a 30 cm de altura, não havendo tamanho mínimo. As plantas foram marcadas junto à sua base, com estacas de ferro com etiquetas de alumínio numeradas, medidas, catalogadas e identificadas por espécie. No total 1470 plantas foram marcadas para monitoramento. As queimadas foram realizadas com o apoio da Brigada de Incêndio da Reserva do Roncador e as queimadas foram iniciadas, via de regra, a favor do vento. Os indivíduos foram divididos em dois tratamentos: queimadas em dois anos seguidos (caso A) e queimada só no primeiro ano (caso B). As espécies estudadas são: Aspidosperma dasycarpon, Blepharocalyx salicifolius, Caryocar brasiliense, Dalbergia miscolobium, Hymenaea stignocarpa, Stryphnodendron adstringens, Sclerolobium paniculatum var. subvelutinum, Siphoneugenia densiflora e Virola sebifera. Um total de 640 plantas foram efetivamente monitoradas durante dois anos seguidos. As maiores taxas de mortalidade registraram-se para Dalbergia miscolobium (12%), Stryphnodendron adstringens (14%), Siphoneugenia densiflora (14%) e Sclerolobium paniculatum (15%), todas no caso A. No caso B ocorreu mortalidade somente para Dalbergia miscolobium (6%). A análise dos dados de sobrevivência demonstrou haver diferença significativa entre os casos estudados, quando tomadas todas as espécies em conjunto; ou seja, o eeito acumulado de duas queimadas aumentou a taxa de mortalidade à nível de comunidade. Um intervalo de onze meses para a rebrota não foi suficiente para a recuperação da altura pré-fogo nos indivíduos do caso A. A diferença média de altura de todas as espécies entre 1991 e 1990 foi de -9,1 cm (caso A) e de 6,9 cm (caso B). Como a altura anterior das plantas já era o resultado de rebrota após o fogo de 1989, houve uma redução real na altura atingida pela rebrota no tratamento com dois fogos seguidos, em relação ao tratamento com uma só queimada. As espécies que registraram maior diferença de crescimento entre os tratamentos foram Blepharocalyx salicifolius, Hymenaea stignocarpa, Siphoneugenia densiflora, Sclerolobium paniculatum e Virola sebifera. Embora algumas espécies registrem mortalidade nula durante o período do estudo, as suas taxas de crescimento indicam um impacto fisiológico negativo importante após a segunda queimada. O estudo conclui que a altura atingida pela rebrota das espécies arbóreas, dentro da classe de tamanho estudada, é reduzida com a ocorrência de queimadas em dois anos seguidos, e a mortalidade tende a aumentar no conjunto das queimadas estudadas, quando submetidas a fogo periódico de freqüência anual. |
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