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Monte Crista
O acesso ao local é feito pela BR-101, nas proximidades do Posto Fiscal, em Garuva. A trilha se inicia no Parque Aquático Monte Crista, no Rio Três Barras. Segue em meio ao que parece ser uma fazenda abandonada até chegar ao rio do Crista. A travessia é feita a pé. A partir daí começa-se a andar, por cerca de meia hora, até uma bifurcação. O caminho da esquerda é o tradicional, mais plano e longo. O da direita é mais curto e íngreme, só que fica intransitável depois da menor garoa (para uma melhor descrição, basta lembrar que este atalho é conhecido popularmente como “saboneteira”). Depois de mais ou menos uma hora caminhando, logo após a junção das trilhas, chega-se a uma clareira (que alguns farofeiros transformaram em depósito de lixo), com uma bela cachoeira cujo acesso se dá descendo uma trilha à direita. A partir daí, a trilha de terra começa a ser substituída pelas famosas escadarias. Encha seu cantil porque a próxima bica agora está longe, e se prepare para a etapa mais cansativa do percurso. O caminho tem cerca de um metro e meio de largura e impressiona pela engenhosidade: apesar de ser secular, apenas uns poucos metros foram perdidos pela ação do tempo, prova de que as estruturas foram brilhantemente arquitetados. Após cerca de uma hora e meia de escadarias, e já beirando os 700 m de altitude, chega-se ao mirante: um monolito enorme que salta da vegetação, e possibilita uma visão apenas parcial do topo do monte – uma injeção de ânimo depois de horas olhando apenas para os pés. Dez minutos de subida após o mirante está uma bica d’água, a última antes do topo do morro. A vegetação aqui já é bem diferente da exuberância tropical do início da trilha, e o clima agora já não é úmido como o de Joinville. Mais alguns minutos e a vegetação se abre completamente, ao pé do cume, deixando duas opções de trilha. A da direita, segue diretamente para o cume, e é bastante íngrime. A da esquerda, segue com as escadarias circundando a elevação até uma nova bifurcação, onde novamente a trilha da direita serve para visitar o topo do Monte Crista. A altitude lá é de 967 metros. O Monte Crista faz parte e serve de acesso aos campos do Quiriri, e seguindo a trilha pelo vale do Crista encontram-se vários bons locais para acampamento. A trilha marcada com degraus reaparece em vários locais, e leva até uma piscina natural formada no rio Três Barras, a cerca de 800 m de altitude. Não importa a estação do ano, se você pular vai conhecer o verdadeiro sentido da palavra frio. Místicos, iogues, pseudo-hippies e outros bichos-grilo afirmam que o Monte Crista é um “ponto de fontes energéticas siderais de comprovada eficácia” (segundo um “famoso” bicho-grilo chamado Sagy H. Yunna). Na verdade, uma pessoa que subisse de helicóptero ou teleférico ao topo do Monte Crista não veria nada de “energizante” nisso. Ocorre que a subida tradicional se traduz numa experiência singular de introspecção, proporcionada pelo relaxamento após o exaustivo percurso, ou pelo banho congelante, ou talvez pela sensação de se estar em uma dimensão paralela, longe do estresse constante da cidade. Meditar torna-se natural, mesmo para quem nunca se imaginou tentando. O tempo passa devagar, as coisas ficam mais claras, e a rotina da cidade cada vez mais sem sentido. Agora você é um bicho-grilo também. Ou montanhista, se preferir. A partir da piscina a trilha marcada com pedras desaparece, e é substituída por uma trilha de gado, mas esta pode ter surgido mais recentemente por cima de estradas seculares que especula-se terem existido na região. Grandes monolitos “marcando” a trilha acompanham boa parte do trajeto. Não é raro perder totalmente a visibilidade com uma neblina que pode baixar em minutos, e estes marcos são úteis para manter-se no caminho. Cerca de duas horas de trilha após a piscina, encontra-se uma nova bifurcação. O caminho da esquerda leva até uma fazenda, de onde pode-se chegar ao topo desta formação, um pico popularmente chamado de morro da Antena, beirando os 1500 m. O caminho da direita, liga-se a uma intrincada rede de trilhas, que adentram em território paranaense. Vários montanhistas já fizeram a travessia até Curitiba, mas este é apenas um dos itinerários do Peabiru (antiga malha de estradas que cortam todo o continente, amplamente utilizada pelos brasileiros por séculos antes da invasão européia à 500 anos). Outra trilha passa pelos montes Jurema e Garuva, descendo na BR – 101 quase em frente a entrada do município de Garuva. Como estamos no Brasil, é desnecessário dizer que o Monte Crista ainda não possui plano de manejo de trilhas ou qualquer tipo de infraestrutura, e a região vem sofrendo o impacto constante desta exploração desordenada. Sendo assim, evite acampar no Monte Crista em Feriados como Páscoa, 7 de setembro ou 9 de março. A não ser que você veja graça em dividir sua montanha favorita com outras 357 pessoas. Em tempo: seja responsável. O verdadeiro montanhista traz o seu lixo de volta, não faz fogueiras, não deixa marcas, e não traz nenhum tipo de recordações além de fotos e lembranças.
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