Galera, a pedalada até Salesópolis foi muito cansativa, mas valeu a pena!! Eu tinha combinado com o Kenji de encontrá-lo em Suzano, por volta de 9:00h da manhã. Para isso, o plano inicial era sair umas 6:00h de casa, em São Benardo do Campo. Mas, como sempre, a ansiedade nao deixou o sono vir na noite anterior e, além disso, eu precisava preparar a bicicleta para a pedalada. Na verdade, eu precisava fazer uma revisão, e instalar alguns ítens de segurança, como os refletores dianteiro e traseiro, e ainda separar o "Kit estrada", que são algumas ferramentas e peças sobressalentes para algum caso de necessidade. Então, já que eu não dormi a noite toda, depois de regular os freios, lubrificar alguns pontos, conferir regulagens de câmbio e etc, resolvi sair um pouco mais cedo. Assim eu teria mais tempo para chegar a Suzano e poderia fazer um rítmo mais leve. Saí de casa umas 5:15h da manhã. O combinado era telefonar para o Kenji na hora em que eu fosse sair, mas como era mais cedo que o planejado, deixei para ligar mais tarde, quando fosse umas 6h. Ainda estava escuro. Meu odômetro total marcava 3999 km e eu estava de olho nele, porque sempre que ele vira 1000 km eu faço uma pequena comemoração (besteira minha, mas já virou uma tradição.. Eu me lembro de todas as ocasiões). A uns 800 metros de casa, virou. Fiz a minha pequena comemoração e continuei. O céu estava bem estrelado, e o ar estava um pouco gelado, mas assim era melhor para pedalar, porque logo que aqueci, fiquei numa temperatura agradável! Não tinham uito movimento pelas ruas, o que também era bom, mas lá pelas 5:50 h eu estava entre os centros de Santo André e Mauá, e via muita gente nos pontos de ônibus. Mas dava pra ver muito bem que não eram pessoas que iam trabalhar, mas sim a garotada voltando da "balada".. Hehe. Muitos caras na faixa dos 17 e muitas meninas também por aí. A maioria estava congelando, sentada no meio fio. Alguns conversavam, outros quase dormiam... Meu tempo de "balada" já foi.. Não tenho mais essa tolerância de ficar passando frio e sono para passar algumas horas pulando com som alto bebendo e batendo papo com os amigos ou paquerando as meninas.. hehe. Entre Santo André e Mauá, começou a baixar uma neblina. Isso não significava que o tempo ia fechar, mesmo porque é normal aconteer isso naquela região, que fica bem mais próxima da serra do mar. Quando cheguei ao centro de Mauá, eram mais ou menos 6:00 h. Pedalei até um posto, esperei um pouco, e telefonei para o celular do Kenji. Chamou 4 vezes e ele não atendeu, então desliguei. Logo em seguida ele me ligou. Tinha acabado de acordar. Hehe. Falei que estava saindo (assim eu poderia ir bem tranquilamente), e ele perguntou a que horas eu chegava. Eu disse que no máximo às 9:00 h. Bom, ainda faltava uns 25 km por estradas meio ruins, então eu poderia ir na boa. Continuei, passando pelo centro de Mauá. Já estava clareando. Peguei uma estrada que vai para Ribeirão Pires, e dela, peguei uma estrada que vai para Suzano, chamada Estrada do Sapopemba. Essa estrada é bem esburacada no início, e tem sítios de plantação de verduras e legumes em volta, sem acostamento. Parei para tirar algumas fotos em alguns lugares. Um pouco adiante, percebi que meu pneu traseiro estava baixo. Achei estranho, porque tinha calibrado os pneus uns dois dias antes. Fiquei na dúvida se estaria furado, e fiquei observando enquanto continuava a pedalar. Ele se mantinha com a mesma pressão, então achei que não deveria estar furado, porque normalmente quando fura ele murcha mais ou menos rápido. Apesar de eu estar com a minha bomba, preferi esperar chegar até um posto para calibrar o pneu. Eu observava a paisagem, e os produtores da área rural, que pareciam estar trabalhando normalmente, apesar de ser feriado. Na minha opinião, esses são os verdadeiros trabalhadores. Eles produzem o que é mais essencial para os humanos, que é a comida. As cidades não podem se sustentar sem o campo, mas o campo pode se sustentar sem a cidade. Chegando à área urbana de Suzano, procurei um posto para calibrar meu pneu traseiro. O dianteiro estava normal. Depois de calibrado, não ouvi nenhum som de vasamento, nem percebi que ele estivesse murchando. Continue normalmente, até o centro. Cheguei àquele restaurante que eu já mencionei em outra pedalada com o Maurício Y e o Alberto, e tentei ligar para o Kenji. Por alguma razão meu celular não completava a ligação. Resolvi me procimar mais do centro e ver se resolvia. Funcionou. Falei com ele, e marcamos de nos encontrarmos onde eu estava, um posto BR na Av. General Glicério. Esqueci de propor que eu fosse tomar um lanche até ele chegar. Quado ele chegou, tiramos umas fotos, e ele foi calibrar os pneus dele, mas estava tendo dificuldades por causa do tipo de bico da câmara dele. Enquanto ele foi a outro posto, eu fui comprar um x-salada (leia-se veneno) numa padaria que tinha visto perto dali. Até que o lanche estava bom, mas viver disso é impossível! hehe.. Lanches não têm tudo o que nosso organismo precisa. Comi só para "forrar" o estômago.. hehe. Nos reencontramos no posto e partimos. Eram umas 9:00h. Se não fossem esses contra- tempos, poderíamos ter saído mais cedo. Mas tudo bem, ainda estávamos nos planos. Passamos pelo centrão de Suzano e pegamos uma avenida que vai para Mogi das Cruzes. Fomos conversando, e entre os planos de como irmos até Salesópolis (que eu pretendia fazer num rítmo baixo), entramos nos assuntos de Física e Biologia.. Hehe. Ele me disse que participa das olimpíadas de Física e de Matemática, e que até já venceu uma de Matemática!!! Meus parabéns!! Hehe.. Em um ponto da avenida, surgiram uns caras de bikes, com os trajes característicos. Um deles nos alcançou, e começou a conversar com o Kenji. Eu fui pedalando e não percebi que eles ficaram meio para trás. Os colegas do cara também tinham ficado bem para trás. Quando percebi, baixei a velocidade para esperá-los, mas eles pararam, e se despediram. Então o Kenji veio, e continuamos. Perguntei o que ele disse e, segundo Kenji, o cara disse que eles estavam vindo de São Paulo. Não lembro com ceteza qual era o objetivo deles, mas acho que eles iam descer a Mogi-Bertioga. Eram uns 5 ou 6 caras. Uns quilometros adiante, chegamos a um ponto onde não é permitido continuar de bicicleta. Eu tinha visto o aviso uma outra vez, mas não tinha prestado muita atenção. A placa dizia "Proibido bicicletas. Utilize a Av. Anchieta." Da outra vez e achei que se referia à Mogi-Bertioga, e que a indicação era para se usar a Via Anchieta... Hehehe.. Eu bem que achei que tinha alguma coisa estranha. Acho que da outra vez eu já estava bem cansado por causa do calor. Eu ia tirar fotos dessa placa, se fosse referente à descida da serra, mas ficou claro que não era. O Kenji me explicou que tem uma avenida mais ou menos paralela à principal (que é justamente a Av. Anchieta), que tem uma ciclovia, e por isso que é proibido ir pela principal. Na verdade é uma ciclofaixa, e não uma ciclovia. Tirei uma foto. As condições dessa ciclofaixa não são lá muito boas, mas fomos por ela mesmo. Aliás, ela é mais plana e retilínea que a avenida principal que íamos percorrer. Seguimos por ela até o ponto onde ela deixa de ser asfaltada, passando a ser de paralelepípedos, então subimos até a avenida principal. Antes desse ponto, pude avistar o viaduto que termina na avenida que dá acesso à Mogi- Bertioga, que era o meu objetivo da última vez em que eu pedalei por lá, em março, se não me engano. Paramos por uns 5 minutos num posto que fica sob esse viaduto, para o Kenji usar o banheiro. Seguimos pela avenida até o centro, e me lembrei de quando fui a Salesópolis de moto, no ano passado, com alguns amigos, por esse caminho. Na ocasião, nóes tivemos um pouco de problemas para encontrar a estrada que vai de Mogi à Rod. Tamoios, e Salesópolis, que era justamente por onde íamos dessa vez. Paramos e perguntei para um cara o caminho. Ele explicou direitinho. O Kenji disse em Suzano que o pai dele tinha explicado qual era o caminho, mas eu tinha esquecido disso.. hehe. Seguimos a indicação do homem, e eu fui me lembrando mais ou menos do caminho que tinha feito de moto, e conseguimos chegar facilmente à estrada. Eu estava com receio de que a estrada ainda tivesse aocstamento de terra, como me lembrava da outra vez. Infelizmente, essa era a realidade. Mas fomos andanto pelo cantinho da faixa, com cuidado. O movimento de carros não era tão intenso. Os piores momentos era quando vinha caminhões. Alguns pareciam que queria mesmo tirar um pedaço da manopla. Nós procurávamos sair da pista quando vinham carros e principalmente quando vinha caminhão, mas nem sempre o acostamento permitia a saída de uma forma fácil. Às vezes eu preferia ficar bem no cantinho da pista. O Kenji se importava menos em sair para o acostamento. Alguns lugares eram de terra um pouco fofa, outros com irregularidades, outros com poças d'água e alguns muito poucos com terra plana batida e seca. Eu achei que se ficasse saindo para o acostamento toda hora ia acabar me cansando muito. Por isso eu saía menos. Chegamos a um posto e paramos novamente. Tirei algumas fotos das bikes enquanto o Kenji usava o banheiro. Depois ele tirou uma foto minha, e eu fui usar o banheiro também.. hehe. Ele tinha dito que esse banheiro era até razoável, já que tinha papel toalha, mas eu achei horrível!! Hehehe... Tinha papel mesmo, mas o cheiro era atordoante.. hehehe!! Eu tinha até brincado dizendo que o ele ia fazer um guia banheiro cinco estralas de postos.... hehehe. Depois de uns 10 minutos de parada, voltamos à estrada. Numa casa antiga eu vi um trator muito antigo, daqueles que nem usavam pneus ainda. Não parei porque ficava do outro lado da pista, e íamos ter que voltar um pouco, mas disse que na volta pararia para tirar fotos do trator. Depois desse ponto, começou um trecho muito longo e plano de estrada. Tinha curvas, mas era bem plano!! Naquele momento estava bem fácil pedalar por ali!! Se fosse assim o caminho todo iria ser bem fácil ir para qualquer lugar!! Hehehe.. O vento estava levemente a favor, o sol, apesar de estar bem alto e o céu limpo, não incomodava, pois o ar estava bem fresco, uma temperatura ótima. O clima estava perfeito para pedalar. Passamos um bom tempo conversando e pedalando sem precisar de técnica nenhuma, porque não havia subidas nem descidas.. hehehe. Era só manter.. Eu até quase esquecia que estava pedalando. Depois de muito tempo, parecia que Mogi não terminava mais, até que vimos uma placa de limite de município com Biritiba Mirim. O Kenji ficou impressionado como Mogi é grande! Hehehe.. Fomos pedalando até encontrarmos um lugarejo, com um posto. Paramos no posto para descansar um pouco e também para perguntar algumas coisas para os frentistas. Eu não estava me lembrando daquele trecho na ocasião em que passei de moto. Estava meio e dúvida. A estrada fazia uma curva acentuada um pouco adiante, e subia por um pequeno morro... Perguntamos para um frentista se aquela estrada era a que ia para a nascente do rio Tietê em Salesópolis. Ele confirmou que sim. Perguntamos qual era a distância até Salesópolis e, por referência, qual era a distância até a nascente e até a Tamoios. Ele e um outro frentista nos disseram as distâncias. Eu não me lembro muito bem, mas acho que ele disse que Salesópolis ficava a 12 km, a nascente uns 20 km a frente de Salesópolis (contando com a estrada de terra que dá acesso), e a Tamoios uns 40 km (não me lembro se do posto ou de Salesópolis). Perguntei da entrada da estrada da Petrobrás (que era o nosso objetivo), e ele disse que ficava uns 3 km depois de Salesópolis. Fiquei animado. O Kenji foi ao banheiro de novo, eu fiquei descansando, bebendo água e comendo umas balas de goma que eu levei. Tiramos fotos. Tirei foto do velocímetro do Kenji, que marcava a hora (11:14h), e do meu, que marcava a distância da minha casa até lá (80,83 km). Esqueci de mencionar que da minha casa até o posto BR em Suzano, meu odômetro marcou aproximadamente 41 km. No total, ficamos no post ouns 20 minutos. Pegamos a estrada novamente. Um pouco adiante, passamos por uma ponte sobre o rio Tietê. Resolvi tirar mais algumas fotos. Sei que o rio não é clarinho, mas acho que as fortes chuvas dos dois dias anteriores deixaram o ri oum pouco mais alto e barrento. Continuamos pedalando até que chegamos à placa do limite de município de Salesópolis!!!! Mais fotos!! Hehehe... Pelo menos até Salesópolis já tínhamos conseguido chegar!! Depois eu reparei que eu parei antes da placa. Na foto, o Kenji quis estar em dois municípios diferentes ao mesmo tempo, e como eu não tinha passado a placa ainda, ele chegou a Salesópolis bem antes de mim!!! Hahaha! Mais alguns quilômetros (do posto em diante o caminho não era mais plano), vimos uma placa dizendo "Descida de serra!! Desça engrenado!! Teste os freios!!" Tomamos um susto!!!! Eu não lembrava daquilo, e também não estava lembrando do trecho. Não me lembrava de ter descida de serra até ande íamos. Tudo bem que o terreno já não era plano, com vários morros os quais a estrada contornava, passando entre eles, mas descida de serra ...???... Cheguei a achar que tinha errado o aminho, mas não tinha como!! Bom, seguimos em frente,e sperando encontrar logo algum lugar onde pudéssemos parar e perguntar. Depois de um descidão, vi um lugar com placas anunciando "caldo de cana", "suco de laranja", maracujá, etc... E fiz sinal para o Kenji entrar lá (estávamos a uns 60 km/h). Paramos lá, e só faltou passar um feno de moita seca rolando perto de nós, dado o deserto que estav lá!! Hehehe. Ninguém!! As bancas que tinham lá estavam vazias!! Eu brinquei dizendo "bom, pelo menos já temos onde dormir!!".. hehe. Ficamos na dúvida entre continuar ou voltar. Tanto um quanto outro seria em subida. Resolvemos continuar. Pegamos a estrada com uma subida em curva, e um pouco depois avistamos uma igreja e umas casas. Vi um cara sentado na varanda de uma casa, e paramos para perguntar. Ele confirmou que Salesópolis estava adiante. Eu perguntei sobre o portal da cidade, e ele disse que está logo à frente. Nos animamos novamente! Hehe. Esse trecho tem subidas e descidas. A seguir vinha uma boa descida. O Kenji ficava preocupado com a volta, porque seria uma subida. Eu nem pensava nisso! O negócio, para mim, era curtir a descida!! Hehe.. Logo chegamos ao portal!! E mais fotos!! O Kenji quis tirar uma foto carregando a bike!! Eu estava animado e gostei da idéia, como é possível ver nas fotos!!! Hahaha... Continuando, um pouquinho depois chegamos à cidade. Tinha uma bifurcação com um posto no meio, então paramos no posto para perguntar. O certo era acompanhar o rio pela avenida à esquerda. Seguimos. Logo adiante, o trecho urbano terminou, e caímos na estrada novamente. Nem rodamos tanto, e logo chegamos à sonhada estrada da Petrobrás!!! haha!! Digo sonhada pelo objetivo de chegar a ela!! Hehehe.. Fotos e mais fotos!! Seguindo um plano traçado no posto de Biritiba (ou um pouco antes, não lembro), fomos almoçar num ótimo restaurante bom e barato que tem logo depois da entrada da estrada da BR!! Até tirei foto da fachada desse restaurante, mas ficou muito longe. O nome dele é Nhá Luz! Entramos, deixamos as bikes no fundo (que tem um belo jardin gramado), e fomos atendidos por um cara mutio legal (e que me lembra um grande amigo). O restaurante é be rústico, e a comida é muuuuuuuuuuuuuuito boa!!!! Não pude deixar de tirar fotos!!! Fogão a lenha de verdade, onde vc pega a comida nos tachos de barro. Oito reais por pessoa, e sirva-se à vontade!! Bebida à parte, claro! hehe.. Mas vale a pena, e muuuuuuito!!! hehehe... Eram mais ou menos 13:15h quando chegamos. Comi até às 14:05h!! Hehehe.. O Kenji pegou uma feijoada, mas não quis abusar por causa da volta!! hehehe... Eu confessei à ele que não ia me conter e não sentiria constrangimento nenhum por isso!! Haha!! Enchi a pança mesmo!! Disse pra ele que na volta a gente faria um rítmo mais leve, mesmo porque agora já não estávamos descansados como na vinda! Meu odômetro parcial marcava 107,75 km (de São Bernardo), e média de 19 km/h. Dadas as condições da estrada e considerando que eu estava com uma mochila razoavelmente pesada nas costas (acho que uns 8 kg), acredito que a média estava boa! O Kenji não marcou a distância, porque sem querer ele tinha zerado o odômetro dele em algum lugar (ou deixado desligado, não lembro). Então ele ia zerar lá, e medir a distância na volta. Depois do almoço (que para mim foi maravilhoso!!), descansei uns 10 minutos (entre pagar a conta, dar gorgeta pro garçon gente boa, pegar as bikes, colocar capacete, etc), montamos nas bikes umas 14:15h, e pegamos a estrada de volta!! Aquelas subidas logo de cara estavam cruéis!! hehehe.. No começo, eu pedi pro Kenji maneirar na velocidade, apesar de estarmos a 10 km/h na subida.. hehehe... Eu estava sentindo o peso do almoço, e não queria passar mal. Além disso, era bom ir devagar para fazer um aquecimento lento.. Fomos conversando inclusive sobre o caso do Luciano, quando ele tentou ir até Ilha Bela mas passou mal na Tamoios... Eu expliquei que queria muito evitar passar por isso também.. hehehe. Mas o rítmo estava bom. Não estava tão baixo, nem tão alto. Como tinha muitas subidas, não ia dar pra ir rápido mesmo. Logo estávamos pedalando num rítmo melhor. A volta, pelo menos para mim, costuma ser triste. Já conhecemos o caminho, as distâncias, e assim parece que a paisagem não muda. Ficamos apenas esperando terminar cada trecho já bem conhecido, e costumamos pensar no quanto ainda falta. Na ida também pensamos no quanto falta, mas além de estarmos mais animados, não conhecemos muito bem as distâncias, então temos a esperança de ser menos do que a gente imagina, enquanto que na volta isso não acontece. A paisagem não é mais novidade, e o que temos a fazer é esperar concluirmos cada trecho. Isso não é bom no cicloturismo. Não sei ainda (que estou aqui em casa escrevendo e não li o relato do Kenji) como o Kenji vê esse lado. Mas eu tenho uma estratégia, que é olhar para o chão, esquecer o percurso, não pensar no caminho de volta, principalmente nas distâncias, e apenas pedalar. Pensar na bike como uma máquina, e pensar em si mesmo montado na bike como um conjunto biomecânico que vence cada metro. Aí começo a pensar em cada sistema da bike, o funcionamento, as regulagens, outros equipamentos existentes, como eles funcionam.... O funcionamento orgânico do corpo, dos músculos... aproveitamento de energia, rendimento. Por um bom trecho, fiquei calado. Tanto o cansaço quanto esses pensamentos me fazem distrair da pedalada e também acabo falando menos, para cansar menos também. Espero que o Kenji não tenha ficado incomodado por isso! Eu gosto de conversar, e às vezes é até melhor do que pensar como eu penso, mas depende muito do que se conversa. Além disso, como não tínhamos um acostamento descente, não podíamos ficar lado a lado para conversar, e ficar gritando é incômodo para mim. Mas às vezes íamos conversando. Nesse rítmo fomos voltando até que rápido. Eu comentava com ele que ficava surpreso de já estarmos e determinado local. Bom, para mim parecia rápido porque eu estava mesmo me distraindo com pensamentos. Paramos novamente naquele posto em Biritiba Mirim, para descansar um pouco, tomar água. O trecho não plano foi meio cansativo, depois dos 107 km da ida. Um dos frentistas do posto ainda estav lá, mas acho que não estava mais e mhorário de serviço. Ele perguntou se tínhamos ido até onde íamos, e respondemos que sim. Ele ficou surpreso. Disse que tinha sido muito rápido. Acho que as pessoas de lá fazem esse caminho às vezes, mas vão bem na boa. Eu usei o banheiro, que era terrível também. O Kenji já o tinha usado pela segunda vez.. hehe. Ficamos uns 15 minutos. Minhas pernas estavam começando a travar. Ainda bem que dali em diante a estrada era meio plana. Saímos, e eu sentia que minhas pernas me dariam um pouco de trabalho. Por isso, precisei baixar o rítmo, avisando o Kenji da situação. Era melhor chegar um pouco mais tarde, do que correr o risco de não chegar. Além disso, eu ainda teria 40 km a mais que ele a percorrer. Continuamos assim. Eu não tinha perna para acelerar forte, entào tinha que ir pegando embalo e cambiando para manter uma certa faixa de rotação. Meu joelho esquerdo também estava começando a doer. Percorremos todo o trecho plano entre Biritiba e Mogi sem parar. Eu procurei manter uma velocidade em torno de 23 km/h, que era uma velocidade cuja rotação dos pedais não me forçava muito. Só paramos por uns cinco minutos naquela casa antiga, para tirar fotos do trator antigo. Ao descer eu vi que a situação se agravava aos poucos. O Soljá estava meio baixo, que para mim é um horário triste... Não sei, não gosto de pedalar à tardinha... É sempre meio triste. Chegamos à área urbana de Mogi. Paramos num posto. Eu estava com dores nas coxas, no joelho esquerdo e nas costas (sem falar das palmas das mãos... hehe). Eu deitei um pouco no chão para esticar as costas. Eu estava muito cansado e bateu um sono forte! O Kenji permanecia em pé. Ele não parecia estar tão cansado. Àquele ponto, acho que eu tinha pedalado uns 150 km, e o Kenji, uns 110km. Dois caras de bikes boas e equipamentos apareceram. Eles disseram para onde iam, mas eu não lembro. Eles estavam fazendo umas pedaladas por lá. O Kenji disse que estávamos indo para Suzano. Eles acharam uma boa pedalada. Saímos de lá e continuamos. Minhas coxas doíam menos, porque eu tinha diminuído o rítmo antes de paramos. Dependendo de como eu pisava no pedal, o joelho esquerdo doía menos também. Atravessamos o centro, pegamos a avenida principal, depois desviamos para a ciclofaixa. Paramos novamente naquele posto sob o viaduto, porque percebi que meu pneu traseiroestava baixo outra vez. Então achei que talvez a válvula não estivesse boa. Calibrei os pneus e continuamos. Como eu fazia um rítmo constante e não muito alto nem muito baixo, a sensação de estafa foi passando lentamente. Finalmente sabíamos que estávamos em Suzano quando passamos por um empresa com esse nome, na avenida que liga as duas cidades. O Kenji que disse que ali já era Suzano, com certeza. Que bom! Hehe.. O Sol já tinha se escondido, e já estava ficando escuro. Eu fui levando, até chegarmos ao centro de Suzano. Então perguntei ao Kenji se ele queria desviar para a casa dele (que não sei onde fica), mas ele disse que já tínhamos passado, e que ele ia me acompanhar até o restaurante que eu fui com o Maurício e o Alberto, que fica no alto da cidade. Chegando lá, nos despedimos. Eu estava preocupado com a estrada do Sapopemba naquela escuridão, mas... Para mim não tinha muito jeito. E eu tinha dito ao Kenji que eu tinha uma meta: chegar em casa! Hehehe... Então fui andando devagar. Não sou familiarizado com aquele bairro de Suzano, então não sabia se aquele lugar era perigoso à noite. mesmo assim, fui andando. Entrei na estrada do Sapopemba, que logo de início tem umas subidas bem fortes. Fui subindo lentamente, mas não empurrei a bike em nenhum momento. Talvez se eu tivesse forçado um pouco mais antes, eu não conseguiria subir pedalando esse trecho. Mas estava conseguindo. Os postes acabavam, e as luzes dos carros passavam a iluminar a estrada, que tinha lombadas, valetas e buracos. Uns trechos eram totalmente escuros e outros tinham iluminação novamente. Mas eram poucos. Nas descidas, se não tinha iluminação, eu tinha que descre cautelosamente, não podendo aproveitar muito a descida para diminuir o tempo de percurso. Quando tinha iluminação na descida, eu soltava os freios, pois não via a hora de chegar em casa!! Na área mais rural da estrada, eu ouvia som de movimento em alguns arbustos à beira da estrada. Provavelmente eram gatos, ou ratos, ou outros pequenos animais. Eu me acostumava com a escuridão, e conseguia ficar tranquilo. Às vezes aparecia algum carro, aí atrapalhava porque eu estava acostumado com a escuridão. Alguns carros ajudaram quando passaram em buracos, e então eu sabia que ali tinha buracos.. hehe. Só teve um buraco que eu não vi e parecia que a bike tinha sumido debaixo de mim!! Mas eu estava devagar, e nem cheguei a me desequilibrar. Foi só um leve susto. Teve um carro que passou por mim, e depois ficou acendendo e apagando o farol... Acho que o cara estava pensando "Tem um louco andando de bicicleta nessa estrada nessa escuridão!! Como pode?? Será que dá para enxergar alguma coisa??" e apagava o farol.. Mas logo em seguida acendia de novo! Hehehe... Ao terminar a estrada do Sapopemba, caí na estradinha que vai para um bairro de Mauá, sobe um morro, desce outro, e sobe e desce, e assim vai.. Hehe. Incrível a quantidade de igrejas evangélicas naquela região!! Era bem a hora dos cultos (umas 19:00 h). Às vezes dava para ouvir de longe a voz de alguém cantando. Eu me perguntava "Será que é outra igreja ou será que é karaokê?? Hehehe..." Não importa, as vozes eram igualmente desafinadas.. hahahaha... Bom, cheguei ao centro de Mauá, fui subindo para Santo André (a av. da Pirelli), chegando ao centro de Santo André umas 20 e alguma coisa. Estava pensando se já não ia encontrar aquela moçada nos pontos de ônibus outra vez, agora indo para as "baladas".. Hehehe... Depois do centro de Santo André, fiz o mesmo caminho que faço todo dia na volta do trabalho. Finalmente cheguei em casa, às 21:15h!!! Encostei a bike na sala de casa e fui pro banheiro! Tomei um banho e caí na cama! Só tirei o velocímetro da bike para nã correr o risco de perder os dados da pedalada! Esqueci de mencionar que os câmbios estavam uma porcaria!! Acho que de poeira, sei lá. Muito duros, já desde Mogi das Cruzes, na volta. Tinha que usar a palma da mão para mudar as marchas!! Mas na sexta-feira nem me passava pela cabeça encostar na bike!! hehehe.. Eu estava mesmo "estragado"!! Haha! Tanto que fui à bicicletaria à pé!! hehe.. Até o Ciro, que é o dono da bicicletaria, estranhou! Ah!! Só fui ver o pneu no sábado! Estava murchão! Tinha furado mesmo!! Por muita sorte ou muito azar, foi um furinho bem pequeno!! Azar porque adivinhem o que causou o furo: uma pedrinha minúscula, que tinha uma ponta!!! Acreditem se quiser! Parecia uma miniatura de uma ponta de lança do homem das cavernas.. hehe!! Bom, aí vão os dados do meu velocímetro: Odômetro parcial ---- 213,59 km Tempo de percurso --- 11:48:01 h Velocidade média ---- 18,0 km/h Velocidade máxima --- 56 km/h ------------------ saída ------ chegadaa Odômetro total --- 3999km ----- 4212 km Relógio ---------- 5:15 h ----- 21:15 h É isso aí!! Espero que depois de um texo tão longo, chato e mal escrito, vcs não desistam da leitura!!! hehehehe.. Abração a todos!!! Alexandre