Domingo, dia 18 de abril, 5:40h da manhã. O rádio-relógio dispara, me avisando que é hor de levantar para me preparar para encontrar o Maurício na casa dele, às 6h. Às 6:20h estava combinado um encontro em frente à casa do Marcus. O Maurício e eu atrasamos um pouco para chegar à casa do Marcus, mas não muito. Acho que uns 10 ou 15 minutos. A manhã estava limpa, céu azul, apenas nuvens Cirrus, esparsas. O Maurício com sua Yamaha DT 180 Z e eu com minha Agrale SXT 27.5 chegamos à casa do Marcus, em Mauá. Ele, com sua Agrale Elefant 16.5, e o Paulo, com uma Honda NX 350 Sahara já nos esperavam na rua. Encostamos as motos e tiramos umas fotos antes da saída. Para visualizar as fotos ampliadas, clique nelas. Depois clique em voltar, para voltar ao texto.
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Em frente à casa do Marcus, preparando para a saída. |
| Sorrisos para a foto |
Discutimos o nosso destino, porque estávamos em dúvida se íamos a Salesópolis e desceríamos a estrada de manutenção da Petrobrás, chegando a Caraguatatuba, ou se desceríamos a serra pela Mogi - Bertioga, indo até a Barra do Una, em São Sebastião. Como o título da página já prediz, Barra do Una foi a nossa escolha, mesmo porque essa estrada da Petrobrás requer uma boa disposição para encarar seus 60 km de terra, fora a volta. E eu infelizmente não me sentia disposto o suficiente para um passeio tão cansativo. Mas, como veremos, foi uma boa escolha a que fizemos... Hehehe.
Seguimos por ruas tortuosas atravessando a cidade de Mauá, passando até por uma estrada meio serrana na própria cidade, chamada estrada do Sapopemba. Saímos por outra estrada, também asfaltada, mas em mal estado de conservação, e cujo nome eu não lembro, que vai cortando sítios de produção de verduras (o cheiro das alfaces era forte! Ainda mais pela manhã!) , chegando a Suzano. De Suzano a Mogi das Cruzes, passamos por ruas e avenidas, sem notar a divisa entre uma cidade e outra. Paramos em uma rua, depois que o cabo da embreagem da Agrale do Marcus quebrou. Nenhuma grande surpresa, nem preocupação, porque eu tinha um cabo de embreagem reserva (que aprendi a importância de se ter depois de duas vezes ficar sem a embreagem por causa de cabo quebrado), e ele também tinha um cabo reserva. Ele disse que já estava de olho desde que pegou a moto, porque o cabo já tinha um fiozinho quebrado.
Resolvido o caso do cabo, onde o Marcus quase ficou com uma chave minha (mania de mecânicos... Hehehe), seguimos em frente. Depois de rodarmos um tanto, paramos em uma padaria, não sei em qual das duas cidades, mas acho que em Mogi, para tomarmos um café.
Durante o cafezinho, uma observação interessante e verdadeira feita pelo Paulo: "Curioso como o simples pãozinho com manteiga da padaria fica muito mais saboroso do que quando a gente tenta fazer em casa..." Concordo!! Hehehe... E, mais uma vez, na base do improviso é que decidimos definitivamente se iríamos para Caraguá ou Barra do Una. Já estava decidido, mas agora era certeza.. hehehe.. Pegamos as motos e fomos seguindo pela longa avenida. Saída para a estrada Mogi - Bertioga à direita, seguindo um viaduto. A partir desse ponto, o caminho era novo, pelo menos para mim, que nunca tinha descido por essa estrada, e já planejava percorrê-la a tempos. Durante os kilômetros que seguimos em direção à estrada, vimos que na região parece ser comum o movimento nesse sentido naquele horário, umas 8h do domingo, num dia de sol. Havia carros e pickups com pranchas de surf no teto ou na caçamba, pessoal na faixa dos 20 e poucos, já com som alto, vidros abertos e óculos escuros. Entre uma curva e outra, vejo morros com subidas e descidas, cobertos por vegetação baixa. Lembra bem o visual da rodovia Ayrton Senna, depois de Jacareí. Mas a distância de Mogi ao começo da descida não é muito grande. Pouco antes, uma bela reta, com uma descida pouco acentuada, boa pra testar a esperteza de minha 27.5 . O Marcus, que vinha atrás de mim, já me fazia lembrar de sua existência fazendo o motor de sua 16.5 berrar por brincadeira, ameaçando me passar. Era um ronquinho estridente e bem saudável de um motorzinho de 125 cm3, mas muito valente. Tão valente que encara de frente sua rival direta, a DT 180, e não faz feio!! Na reta seguinte, uma nova baixada, e a curiosidade de ver minha 27.5 de 190 cm3 acelerando ao lado da grande Sahara, enquanto logo atrás um outro duelo estava proposto, entre uma 125 cm3 e uma 180 cm3. De repente, pelo espelho vejo o começo do duelo das duas pelo retrovisor, e começo a acelerar também. Elas já estavam chegando em mim, mas não me ultrapassaram. O Paulo também acelerou, mas acho que ele demorou mais para perceber. Nenhum de nós é piloto, e essa brincadeira não nos levou a mais do que 110 ou 120 km/h, e segundos depois já estávamos novamente nos nossos 80 km/h. Da mesma forma que o Paulo demorou para começar a acelerar, ele demorou para começar a frear, passando por mim a uns 110 km/h, enquanto eu já devia estar a uns 90 ou 80 km/h. Bom, o teste de motor na minha SXT estava feito, e das outras também. Inclusive depois o Paulo disse que a Sahara começou a balançar bastante lá pelos 110 km/h. Foi o momento em que ele passou por mim, e freou mais adiante.
A descida da serra se aproxima, placas avisam "Atenção!! Teste os freios". Bombeiei o freio dianteiro várias vezes, fazendo a frente da SXT afundar cada vez mais. Vi que o Paulo me viu fazendo isso e fez também... Estava engraçado, parecia uma coreografia. Então começou a descida mais acentuada, mas não surpreendia. Curvinhas pra direita, depois pra esquerda... Muito gostoso. Experimentei fazer algumas um pouco mais rápido, deitando sobre a moto e me pendurando ao lado dela, naquelas manobras chamadas de "pêndulo", usadas em competições para se fazer uma curva em velocidade um pouco maior. Até que não é tão difícil. É mais intuitivo do que eu imaginava. Mas a altura do banco à pedaleira nas motos de estilo trail dificulta a manobra, que deve ser muito mais fácil em uma esportiva. O Maurício tem uma esportiva, que pegou a pouco tempo. Ele diz que precisa aprender a fazer isso. Então eu olhei pra ele depois de fazer uma curva assim, e ele estava rindo... hehehe..
Passamos por alguns lugares que tinham uma bela vista, mas não tinha acostamento. Eu queria tirar umas fotos. Nesse momento eu não estava na frente. Minha buzina é um pouco baixa. Eu queria avisar o Marcus e o Paulo, mas eles não ouviam. Então acelerei um pouco e fiz sinal de que queria tirar fotos. Mas depois disso, só encontramos um lugar, onde paramos, que tinha um monumento e a vista estava fechada pela mata. Mesmo assim paramos para tirar algumas fotos.
E falando em pista, pouco depois que saímos desse lugar, em uma curva vi uma R1 me passando! O cara estava devidamente equipado, com aquelas roupas coloridas, e estava fazendo a curva daquele jeito, com uma manobra de pêndulo... Na parada seguinte o Maurício e o Marcus comentaram não só a ultrapassagem meio perigosa (o cara me passou numa curva meio estreita, a uma velocidade razoavelmente alta), como também a posição do cara. Mas, o importante mesmo dessa segunda parada era a vista. De lá víamos boa parte da serra, uma bela cachoeira, e a baixada de Bertioga, inclusive o mar, e um pouco de cidade.
Saímos do mirante cheio de gente, e um pouco depois chegamos ao plano da baixada. Eu, que estava na frente, errei uma entrada. O Paulo, logo atrás, me seguiu. O Marcus e o Maurício pararam na bifurcação, esperando por nós. Tinha um posto da polícia rodoviária bem na bifurcação, então eu achei melhor não voltar pelo acostamento. Fui a pé até eles. Eles me explicaram, e eu ia voltar com o Paulo, empurrando as motos, mas o Marcus e o Maurício entraram pelo caminho que erramos, para fazer um retorno mais adiante. Fizemos o retorno na Rio - Santos, e seguimos em direção a São Sebastião. Fazia muito tempo que eu não passava pela Rio - Santos, porque da última vez que passei por ela, estava muito esburacada. Isso deve fazer uns 4 ou 5 anos. Agora ela está em condições bem melhores. As pistas continuam com apenas uma faixa em cada sentido, numa pista de mão dupla, mas o asfalto está bem melhor. Depois de uns 15 ou 20 km, o asfalto novo acaba, e lá está o velho asfalto que conhecia. Mas naquele trecho não estava tão ruim. E logo chegamos à Barra do Una. Eu via aquela areia branca na beira do asfalto e lembrava da minha infância, quando ia para o litoral norte de São Paulo todo ano, no verão, quase sempre acampar com meus pais em Ilha Bela. Eu não conhecia a Barra o Una. Esse local fazia parte da adolecência do Marcus, que tinha uma prima que tinha casa lá. Ele foi nos guiando pelo local, também removendo as teias de suas lembranças para tentar achar a praia onde sempre ficava. Chegamos lá. Foi uma lavagem na alma ver aquele clima denovo. Ainda mais com um bom sol e calor, como estava no domingo. Como não é verão, as pessoas lá pareciam ser residentes ou frequentadores assíduos, que conhecem bem o lugar e até as pessoas do local. Elas nos olhavam como se fôssemos estrageiros. Mas hoje em dia as motos não trazem boas impressões às pessoas que não conhecemos, então um olhar meio suspeito eu também percebia no ar. E como só o Marcus conhecia aquele lugar, nós outros três ficávamos olhando, capturando detalhes do lugar. Às vezes parecia que eu podia ouvir mentalmente um olhar de alguém dizendo "De onde serão esses caipiras??" Hehehehe...
Agora a dúvida era se ficávamos nessa praia, se procurávamos algum lugar para comer alguma coisa, se víamos algum lugar melhor pra deixar as motos (ali era passagem de muita gente). Mas o Marcus viu uma casa, e se lembrou de uma estrada que passva por trás das casas e comércio do outro lado do rio, e do local da casa da prima dele, e ficou curioso para procurar o tal lugar, ver se tinha alguém lá, etc. Pegamos as motos e fomos até lá, passando por um pequeno vilarejo local, atravessando por uma ponte meio perigosa para motos, porque a ponte só tinha táboas nos "trilhos" dos carros, ficando vigas transversais expostas no meio e nos cantos, sem qualquer corrimão que fosse nas laterais. Tudo bem, cada trilho tinha 3 táboas de uns 10 cm cada, mas só o perigo de queda em caso de desequilíbrio parecia me puxar para a catástrofe... Hehehe... Sei que isso é sintoma de fobia... Acho que tenho mesmo. Então eu procurei ficar calmo e passar numa boa, sem pensar em possibilidades de desequilíbrio sobre a ponte. Depois da ponte passamos por umas ruas meio estreiras, de terra, e chegamos a uma grande subida, bem inclinada, com um asfalto velho, que dava acesso à entrada de algumas casas nos morros. Então o Marcus parou na entrada de uma casa, e reconheceu o lugar. Ele disse que fazia uns 15 ano que ele não ia lá. Mas a casa estava fechada, com aparência de abandono. Achamos uma placa de vende-se deitada no chão, ao lado do portão. O Tatu (Marcus) nos contou algumas histórias rápidas, e levantou a idéia de juntar um pessoal pra alugar algum dia uma casa por lá. Alguém, não me lembro se foi o Maurício ou o Paulo, levantou até a idéia de comprar a casa, se estivesse ao alcance... Depois pegamos as motos e continuamos pela estrada, subindo o morro, para ver como seria a próxima praia. Paramos num local de onde dava pra ver do alto a praia em que estávamos.
Bom, está bem tarde... Tem mais fotos e mais fatos. Um outro dia eu continuo a história. Fiquem com as fotos:













Alexandre
20/04/2004