Viktor Frankl: Uma Apresentação

Por Ronaldo de Oliveira Vicente

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“O futuro da humanidade está nas mãos
daqueles que souberem dar, às gerações de amanhã,
razões de viver e de esperar” (Gaudium et Spes, 31).

 

Viktor Emil Frankl, fundador da “terceira escola vienense de psicoterapia” (a primeira é a Psicanálise de Sigmund Freud e a segunda a Psicologia Individual de Alfred Adler), nasceu no dia 26 de março de 1905, em Viena. Seus pais, judeus, foram Gabriel Frankl e Elsa Lion.
Durante a primeira Guerra Mundial, a família Frankl passou por um difícil momento de restrição econômica e, por causa disso, Viktor e seus dois irmãos tiveram que mendigar o pão para o sustento familiar. Durante o ginásio Viktor Frankl, dedicou-se ao estudo dos filósofos naturalistas Wilhelm Ostwald e Gustav T. Fechener e começou a freqüentar as aulas de psicologia aplicada e experimental na Universidade Popular de Viena. Nesse período tomou conhecimento da psicanálise e passou a participar das aulas de Paul Schilder, um discípulo de Freud, chegando a corresponder-se e conversar pessoalmente com o fundador da Psicanálise.
Já em 1921, Frankl, realiza a sua primeira conferência intitulada “O Sentido da Vida”. Em 1924, ele inicia os estudos de medicina e se aproxima das idéias de Adler. Dessa época até 1942, quando é feito prisioneiro, dedicou-se apaixonadamente ao estudo, aos cursos e conferências e à atuação na prevenção de suicídios, que na época atingira um nível altíssimo. A elaboração dos princípios da Logoterapia ou Análise Existencial (nomes dados à teoria frankliana) datam dessa época, bem como o estudo da obra de Max Scheler e a sua expulsão da sociedade adleriana.
Em setembro de 1942, nove meses após o seu casamento com Tilly Grosser, foi feito prisioneiro e transportado para o campo de concentração de Theresienstadt e, depois, transferido para Auschwitz. De 1942-1945, Frankl, experimentou o drama da mísera vida nos campos de concentração. Quando chegou a Auschwitz ele portava um manuscrito intitulado Ärtzliche Seelsorge (Cura médica de almas), que continha os conceitos essenciais da logoterapia, este lhe foi tirado pelos guardas da S.S.; fato que lhe custou muito.
Nos campos de concentração por onde passou, Frankl, viveu como um simples prisioneiro, submetido a duros trabalhos, somente nos último meses, atuou como médico, ajudando a amenizar os efeitos da febre tifóide e dos ataque de piolhos. Além disso, ele tentou reanimar muitos colegas que pensavam em desistir, isto é, entregar-se ao extermínio na câmara de gás ou suicidar-se. Frankl prometeu para si mesmo nunca desistir. Para conseguir a realização de tal intento ele se apoiava na esperança de reencontrar a sua esposa e de reescrever e publicar o seu livro, a fim de ajudar muitas pessoas a encontrarem o sentido de sua vida. Ele procurava inculcar esse desejo de continuar vivo em todos os seus companheiros do campo, falando-lhes do futuro, apesar da terrível situação na qual viviam. Mais tarde, ele constatará em um de seus livros: “A observação psicológica dos reclusos, no campo de concentração, revelou em primeiro lugar que somente sucumbe às influências do ambiente no campo, em sua evolução de caráter, aquele que entregou os pontos espiritual e humanamente. Mas somente entregava os pontos quem não tinha mais em que se segurar interiormente”.
Foi sustentado pelo desejo de nunca desistir que, Viktor Frankl, conquistou a liberdade no dia 27 de abril de 1945. A partir desse momento começou para ele uma nova vida de dedicação à divulgação de suas teses, confirmadas nos campos de concentração, e a ajudar outras pessoas: “Encontrai o significado da minha vida, ajudando os outros a encontrarem o sentido de suas vidas”, dirá ele.
Viktor Frankl morreu aos 92 anos, no 02 dia de setembro de 1997 e pode ser considerado “um dos homens realmente grandes deste século. Acabo de escrever isto e já tenho uma dúvida: não sei se o médico judeu austríaco Viktor Frankl pertenceu mesmo a este século. Pois ele só viveu para devolver aos homens o que o século XX lhes havia tomado...” (Olavo de Carvalho).
A logoterapia, desenvolvida por Frankl, está centrada no conceito “vontade de sentido (logos)”, isto significa que o homem pode suportar tudo, menos viver sem um sentido para a sua vida. Frankl diz, parafraseando Nietzsche, que “o homem pode suportar qualquer como quando tem um porque”. Ao contrário de Freud, o Fundador da Logoterapia, fundamenta sua teoria na filosofia, especialmente na antropologia, pois a questão do sentido da vida é tanto psicológica quanto filosófica. Para ele é necessário que se tenha uma imagem bem coerente do homem ao qual se quer tratar, pois se esta imagem estiver pautada em conceitos reducionistas, o psicoterapeuta não atingirá o âmago do problema humano, não ajudará o paciente e só dissimulará a questão. O reducionismo antropológico, em última instância conduz ao niilismo, ao negar o verdadeiro significado do ser humano: “Hoje, a máscara do niilismo é o reducionismo”, argumenta Frankl. E é justamente do niilismo, do vazio existencial, que é a angústia de quem não tem claro o sentido da vida, que a logoterapia quer curar a pessoa.
Ricardo Peter resume em quatro premissas o sistema flankliano (a sua visão de homem): 1) o homem é um ser espiritual; 2) é capaz de autodeterminar-se (dimensão da liberdade fundamental); 3) orienta-se, primariamente, para o significado e os valores; 4) a autotranscendência pertence de maneira essencial ao ser do homem.
Em suma, Viktor Frankl, defende que o homem é livre apesar de todos os condicionamentos que a vida possa lhe impor. Essa liberdade, porém, se traduz, na prática, em outra palavra: responsabilidade. O homem realmente livre é aquele que tomou sobre si a responsabilidade da sua vida, e a dos demais, e decidiu levá-la a termo. É aquele que descobriu um sentido para o qual viver e não age simplesmente movido por condicionamentos e pulsões: “você não pode dizer às pessoas que façam tudo o que têm vontade de fazer, quando elas nem mesmo sabem, o que querem, para começar!” (Thomas Merton). A mensagem de Viktor Frankl é clara: é preciso buscar um sentido para viver, pois a vida só vale a pena quando tem um porque.

 

 

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