O Homem e a liberdade

Maurício dos Santos Maidana
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A liberdade é, sem dúvida, mais um problema filosófico. Muitos tentam resolvê-lo, porém a cada tentativa surgem mais complicações e possibilidades complexas de resolução.
Algumas pessoas dizem que liberdade é fazer tudo o que se quer, sem censura, sem proibições. Outras afirmam que a liberdade em si não existe, pois estamos envolvidos e cercados de todos os lados por uma “camisa de força” imposta pela ética, moral, Igreja e sociedade. Dizem outras ainda que a liberdade existe, mas termina quando começa a do outro. E há quem diga que a liberdade é não estar submetido a nenhuma vontade alheia e que nada lhes impeça a satisfação de desejos e inclinações.
Mas, o que é a liberdade? Tentamos responder dizendo que é a possibilidade de ir e vir, escolher ou não, enfim a possibilidade de pensar e agir conforme nossa consciência sem a imposição ou condicionamentos de outrem, todavia sem ferir os mesmos direitos que o outro também possui. A definição etimológica da palavra liberdade informa que ela vem do latim libertare que significa: 1) estado de pessoa livre. Isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2) poder de exercer livremente a sua vontade”[1].
Sabemos que a liberdade é inata no homem. Ela se encontra no mais íntimo do ser humano, portanto ela existe e tem limites. Está limitada pela verdade e pela consciência. Para ilustrar segue um exemplo: um homem é livre para pular de um avião em pleno vôo sem pára-quedas (o chão é o limite) e a verdade é que se ele não morresse ficaria no mínimo com algumas fraturas expostas. Somos livres e podemos optar por aquilo que acreditamos ser o melhor, todavia arcaríamos com as conseqüências. É como nos diz São Paulo: “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”[2]. ( 1Cor. 6, 12). Edith Stein (Santa Tereza Benedita da Cruz) nos diz que “... a liberdade pessoal é um grande mistério que até o próprio Deus respeita”[3]. Assim todo homem é livre e se defronta a cada instante com decisões a tomar. Ele é livre e ao mesmo tempo preso pela própria liberdade.
“O homem não ganha a liberdade pronta. Por ser-lhe inata, faz-se necessário que ele a desenvolva, que a conquiste. É o próprio homem que se faz livre depois de ter escolhido ser livre. Nada no mundo lhe garantirá que seja livre se ele próprio não se lançar atrevidamente na experiência da liberdade. O homem livre é, portanto, um homem interrogado pelo mundo e que a este dá respostas, é o homem responsável”[4].

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[1] V.V.A.A. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. 4 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1980. 2v. p. 1043.
[2] BÍBLIA DE ERUSALÉM. 9ª ed. São Paulo: Paulus, 2004.
[3] STEIN, Edith. A Ciência da Cruz. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2002. p. 135.
[4] MOUNIER, Emmanuel. Lisboa: Morais, 1979. p. 109.

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