Comunicação Homilética

 
Lenildo Santana
[email protected]
Se o padre não for homem de oração, pode transformar-se em um propagandista de doutrinas ou negociante de objetos sagrados. Só é capaz de fazer juras de amor e manifestar efervescentemente o que sente quem acredita e ama realmente. Se amamos verdadeiramente, somos dinâmicos e comunicativos para apresentar este amor aos demais.
“ Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21) e “o amor de Cristo nos impulsiona” (2 Cor 5,14) nos move para a vivência e pregação da Palavra. Para que Deus se sirva de nós, devemos antes nós nos servir d’Ele, porque nos amou por primeiro. Para falar bem de Deus, precisamos antes falar - e muito - com Ele. Só assim, nossa comunicação homilética será não só ação para Deus (em seu favor), mas também, ação por Deus (por meio d’Ele).
Quando o padre comunica a Palavra de Deus é também comunicado, ensina e é ensinado, escuta e aprende com os fiéis. Ao pregar a palavra é também evangelizado; celebrando e santificando, o padre também ora e se santifica; servindo e coordenando a comunidade, torna-se epifania e sacramento do Bom Pastor.
Teria dito Santo Agostinho: “sabe viver bem, quem sabe rezar bem”. Parafraseando podemos dizer: sabe evangelizar e comunicar bem a Palavra de Deus, quem reza bem. O padre que não reza não vai longe ou não vai a fundo, ou seja, não mergulha na profundidade do mistério. Os que não rezam a Palavra de Deus, com sua comunicação evangélica, falam apenas o vazio que está dentro de si. Só se dá àquilo que se tem. Se tiver amor, dá amor.
Na condição de evangelizadores e comunicadores, os padres são mistagogos, no sentido que introduzem os fiéis pela palavra e pelo exemplo no mistério insondável de Deus. Portanto, o dia a dia do padre precisa ser marcado pela procura íntima com Cristo Jesus. Ser padre no século XXI é uma vocação de alto risco. Tem que ser um homem perspicaz espiritualmente para que desta forma possa comunicar e tornar Cristo mais amado e conhecido
Isso nos leva a pensar quanto à responsabilidade que temos em nossas mãos ao anunciar o Evangelho. Faz-nos recordar novamente Santo Agostinho: “atemoriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco”. Com as nossas palavras: para vós sou Bispo e convosco sou cristão.
Peçamos a Cristo uma só coisa: que cada um de nós saiba servir melhor, e de maneira eficaz; comunicando altruisticamente a presença do Bom Pastor no meio deste mundo pós-moderno. Que o Senhor nos ajude a sermos holofotes do Evangelho, de tal modo que os fiéis, ao nos escutar através da homilia, se convertam e, se convertendo, busquem seguir os ensinamentos de Jesus, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6).
Que o Senhor nos ajude a sermos melhores comunicadores do amor de Deus, capazes de externar para a comunidade dos fiéis que Deus ama mais a nós do que nós amamos a nós mesmos.

© 2007 - Todos os direiros reservados - Ágora on-line

Hosted by www.Geocities.ws

1