| O Baile de Fantasias | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Ent�o, minha amiga e eu decidimos ir ao Baile de Fantasias da faculdade. N�o � sempre que eventos como esse acontecem na cidade. Muito pelo contr�rio, tudo gira em torno do ano escolar. O fato � que decidimos de �ltima hora. Ainda sem ingressos e sem fantasias, resolvemos procurar algo interessante nas lojas depois do hor�rio de aula. J� era quase 5:30 e as lojas fechavam �s 6. T�nhamos ent�o pouco tempo para decidir. Felizmente, minha amiga havia conseguido partes da fantasia que ela queria, isto �, j� tinha as orelhas, o chap�u e a saia. Ela pretendia ir de gnomo. Eu queria ir de eg�pcia, estava t�o fan�tica pelo Yu-gi-oh que queria de qualquer forma, ter uma roupa como a Ishizu. A fantasia consistia de uma t�nica branca e alguns colares. Procuramos muito nas duas ruas de lojas de roupas da cidade. Ela finalmente encontrou uma blusa daquelas do tipo indiana que as meninas costumam usar muito ultimamente. A verdade � que ela pagou at� um pouco mais caro porque na loja seguinte, ela encontrou mais barato. O incr�vel foi que a dona da loja em quest�o foi rude com ela. N�o acreditei que ela tivesse realmente comprado l�. A conversa das duas foi algo do tipo: -Nossa, tem que ter dinheiro pra fazer essas tran�as no cabeleireiro? � ela falou ao ver minha amiga com um monte de trancinhas. -Eu mesma fiz. � respondeu ela. -� falta do que fazer mesmo, n�o �? N�o me lembro mais o que ela respondeu. Algum coment�rio positivo com certeza n�o saiu da boca daquela mulher. Ainda faltava a minha fantasia e t�nhamos apenas 10 min. Passamos ent�o por uma pequena loja escondida que costumava vender m�scaras. Sei l�, talvez eu encontrasse alguma interessante. Um rapaz muito alegre veio nos atender e quando lhe dissemos que quer�amos uma fantasia, ele todo empolgado foi procurar. A minha decep��o foi quando ele voltou com orelhas de zebra, de vaca e de on�a. Eu realmente n�o queria nenhuma daquelas fantasias. De certa forma, parecia um pouco vulgar. O que realmente me matou foi que minha amiga me incentivava a comprar. Tinha at� o rabinho da zebra. Acho que talvez para crian�as, ia ficar muito legal, mas, eu definitivamente n�o ia usar aquilo! Olhei ent�o para uma estante e vi um chap�u de bruxa. Na falta de tempo e op��o, levei aquele ali mesmo. O vendedor pareceu um pouco desapontado, queria me convencer de levar as outras s� que desistiu, pois estava com pressa de fechar. Minha amiga e eu nos despedimos e combinamos de nos encontrar na porta do clube do baile �s 11 da noite. Chegando l�, foi f�cil encontr�-la. N�o havia mais ningu�m al�m dela. Assim que cheguei perto, um rapaz vestido de Wolverine passou por n�s. A fantasia dele estava perfeita. E, realmente ele se parecia muito. O trabalho que n�o deve ter dado arrumar tudo aquilo, as garras, o cabelo, o uniforme. Minha amiga estava muito bem com a fantasia, ela parecia uma pequena elfa. Antes que eu dissesse qualquer coisa ela logo disse: -Ainda bem que voc� chegou. Estava preocupada. -Por que? Eu nem sequer me atrasei.-disse. -N�o tem mais ningu�m al�m de n�s. Achei que ela estava exagerando, pois, tinha acabado de ver um dos X-men. Fomos ao guich� para pegar os ingressos e a vendedora sendo muito sincera disse que n�o iria vender porque n�o havia realmente ningu�m no sal�o. Ela, pelo contr�rio, queria saber se os nossos amigos iriam chegar logo porque eles n�o estavam nem um pouco interessados em ter preju�zo. Dissemos que talvez as pessoas estivessem apenas um pouco atrasadas. Duvid�vamos disso, mas, t�nhamos que esperar. Do lado de fora, com um vento gelado, n�s duas ficamos um bom tempo em sil�ncio. O Wolverine passou por n�s e foi embora. Alguns carros passavam bem devagar pela nossa frente. -Por que ser� que esses carros passam t�o devagar e n�o param? Ser� que eles est�o esperando pra ver se aparecem mais pessoas? �perguntei a ela. Ela me olhou com uma cara de pena e disse: -Voc� n�o est� enxergando, n�o �? Sou m�ope e � noite, enxergo bem menos ainda. - Na verdade n�o, por que? - Os carros que voc� est� vendo ali est�o passando devagar por nossa causa. As pessoas dentro delas est�o chorando de rir com nossas fantasias. Est�o debochando de n�s, voc� realmente n�o v�? �disse ela quase chorando. S� ent�o percebi qu�o rid�cula era nossa cena. Afinal de contas, imagine uma bruxa e um gnomo lado a lado na rua, olhando para o nada. Certamente, uma coisa muito engra�ada. Fiquei com muita pena de minha amiga porque bastava eu tirar meu chap�u e estaria vestida normalmente (eu acho). Resolvi ligar para que minha m�e nos fosse buscar, fazia tanto frio. Estava discando quando minha amiga gritou: �Espere! Vem vindo algu�m�. Um grupo de pessoas chegou, todos vestidos de funcion�rios de manuten��o das estradas, os SOS da Rodovia. Pens�vamos que outros poderiam chegar e esperamos. N�o se passaram nem 15 min e eles tamb�m se foram. Um casal se aproximou de n�s e perguntou porque est�vamos vestidas assim. Contamos do baile e do furo que tinha acontecido. A mo�a do guich� se aproximou de n�s e disse que eles j� tinham uma explica��o para a aus�ncia das pessoas. A comiss�o da faculdade, resolvera fazer o baile, mas, de �ltima hora, eles haviam cancelado sem mesmo avisar oficialmente a diretoria do clube. Ao inv�s disso, todos da faculdade estavam numa fazenda conhecida da regi�o, numa esp�cie de Luau. O casal ent�o com pena nos convidou para ir a tal fazenda, j� que, est�vamos t�o tarde fora de casa. Eu queria seguir com eles quando minha amiga disse: -Voc� s� precisa tirar o chap�u e pode ir. Agora olha pra mim, como eu vou ir vestida desse jeito? -N�s passamos na sua casa e voc� troca de roupa. �eles disseram. -N�o, obrigada. Eu quero ir pra casa e dormir. �disse ela. Liguei ent�o para minha m�e e quando ela foi nos buscar j� passava da 1. Ao entrarmos no carro ela perguntou como tinha sido o baile. Respondi que n�o havia baile algum e que chegando em casa contaria tudo. Minha amiga estava muito triste, talvez muito decepcionada com tudo. Foi uma experi�ncia e tanto. Da pr�xima vez, vou realmente comprar uma m�scara. Se n�o houver fantasia posso facilmente tir�-la ou realmente cobrir meu rosto com ela. |
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