Jesus - Uma abordagem
do ponto de vista judaico


Escrito por: Paulo Dias
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    Os judeus, sobretudo os da Espanha, sefaradis, guardam muitas histórias e tradições relativas a Jesus. O escritor Scholem Asch [Xóleme Axe] consolidou a maioria delas em O Nazareno.

    Por exemplo, tanto os judeus quanto os evangelhos acentuam que Jesus menino recebeu elogios de Simeão, o maior rabino entre todos, que assinalou com clareza a sua missão profética (''despede agora o teu servo, porque meus olhos viram a salvação'').

    E tem histórias no Talmude: uma dessas do Talmude repreende um famoso rabino, Jesus de Perachia, por não aceitar Jesus de Nazaré, ''que estava próximo do Reino'' (do mesmo modo que Jesus elogia um rabino porque ''não estás longe do Reino'').

    Uma história que minha avó gostava de me contar: uma mãe, com o filho doente, saiu em busca de Jesus, mas ele visitou o menino antes que ela o encontrasse (do folclore judaico).

    Outra, no mercado (bazar) de Jerusalém os moradores aglomeravam-se em torno de um cão morto (era proibido haver cadáveres na cidade), comentando o mau-cheiro, o mau-aspecto; passou Jesus e disse, que belos dentes ele tem! Reluzentes como pérolas! E alguém disse, ''somente Jesus acharia beleza num cão morto'' (do folclore judaico).

    Contudo os judeus atribuem perfeição unicamente ao Eterno Deus, portanto são eminentemente críticos em relação aos homens e acham defeitos em todos os seus profetas: Moisés era coxo e gago, Jeremias tinha depressão, Isaías era medroso, Daniel colaborava com os persas, Abraão era fanático e quase matou o filho, etc., etc. tudo isso perfeitamente registrado no mesmo Livro que acentua as suas qualidades. Isso é feito para evitar o culto de santos ou qqer tipo de idolatria ou culto à personalidade.

    Nos evangelhos, por exemplo, Jesus elogia o escriba zeloso que retira sabedoria do Livro (parábola da rede), e ao mesmo tempo desanca os fariseus hipócritas; elogia Helil (amar ao próximo, é o maior mandamenteo: uma frase de Helil) mas rejeita a sua tese sobre o divórcio: ''o que o D/us juntou o homem não separe'': Helil ao oposto permitia o divórcio; e rejeitando o divórcio, Jesus aproxima-se dos saduceus, que proibiam divorciar-se; mas em outra hora, Jesus critica os saduceus, que rejeitavam a imortalidade, e ensina a imortalidade; tudo isso devidamente explicado tintim por tintim no evangelho de Mateus.

    Esse permanente exame das ideias é característico da cultura judaica.

    Muitos rabis antigos dizem de si mesmos, ''eu e o PaI SOMOS UM'', por exemplo, o Baal Shem cujo nome significa ''o nome de D/us''. Por usar esse nome, devemos crer que ela tenha sido um deus encarnado? No judaísmo, esta frase tem um sentido eminentemente simbólico, reflexivo e crítico.

    E' essa atitude crítica que, para os cristãos, faz pensar em que os judeus rejeitam Jesus. Duas histórias críticas: no Talmude, se diz que Jesus era ''mago''. Outra, do folclore: havia um mendigo em Jerusalém, a polícia o prendeu (era proibido mendigar na cidade) e ele disse, ''até ontem eu era um pacato vendedor de quinquilharias no templo, mas veio um peregrino e expulsou todos os vendedores, reduzindo-me a mendigar''. No mesmo trecho do Talmude, fica dito que a família de Jesus tinha a tarefa anual de lavar o Templo e oferecer as primícias, portanto, Jesus estava apenas cumprindo o seu dever ao impedir que os vendedores comerciassem, como relatado pelos evangelhos.

    Para cada história a favor de cada profeta, vc vai encontrar uma história contra, seja no Folclore, na Bíblia ou no Talmude. Não é diferente para Jesus: cada frase que o elogia tem sua contrapartida em outra frase, que critica.

    Nenhuma culpa temos se o cristianismo se desenvolveu no sentido de fazer culto à personalidade deste rabi. Até porque, *messias* é antes de tudo uma época, um tempo de paz universal que vem com o Reino de D- us; messias nunca foi um homem, embora, foi predito que um profeta traria esta épooca. Contudo, até onde podemos ver, não existe ainda a paz universal, portanto, o messias ainda não veio.

    Portanto, os judeus aceitam a profecia de Jesus e rejeitam o dogma de sua divindade. Nenhum deus existe além do D-us Uno. Os profetas são homens, com os defeitos e qualidades dos homens, numa palavra, almas em progresso, embora santas almas: pois o progresso é infinito, o que parece aos homens o último passo é apenas um comecinho.

    Um autor interessante seria Pinchas Lapide, ''Jesus; filho de José?'' onde ele examina o olhar judaico sobre Jesus ao longo do tempo.





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