Bravo!
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A minha história preferida, e que não me cansava de
ouvir, era a daquele Rei com quem me orgulhava de partilhar o nome e que
nasceu quatro séculos certos, dia por dia, antes de mim. Hoje concordo que nomen
est omen. E Catarina achava que, por S. Sebastião ter sido mártir da
Cristandade, o rei meu homónimo se sentiu provavelmente obrigado a lançar-se
numa absurda batalha contra os árabes, em pleno deserto, no mês de agosto,
sob um sol de quarenta graus. Com arrepiantes requintes, Catarina descrevia
o massacre sofrido pelo luso exército, que incluía milhares de mercenários
vindos de variados países. Vendo-me mortificado por tão terrível sina, a
avó dava-me alento dizendo que um dia o Rei voltaria, numa certa madrugada,
no meio da neblina.
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Desde aí gosto de acordar em manhãs de nevoeiro.
Sinto-me protegido da nitidez excessiva das formas e dos ruídos, que me
chegam abafados como debaixo de um lençol. Assaltado pelo supersticioso
receio de não viver mais que D. Sebastião, e mergulhado em súbita
melancolia perante a precariedade da vida, refugiei-me há um mês, durante
o Natal do ano passado, na ermida da Peninha. Os primeiros solitários
escolheram este sítio oito séculos atrás. Percebo que o fizessem. Diz-se
que o fundador do eremitério aguentou, metido numa gruta, isolado no alto
da Serra, entre a aspereza dos penedos, trinta e cinco anos seguidos. Não
pretendo atingir tal meta. Só quero repensar, até ao ameaçador mês de
agosto, o que fiz e não fiz de mim.
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Destes cumes contemplo os lugares da minha meninice, a
Foz do Falcão perdida na névoa, manchas brancas de casas, um telhado
caiado lá para os lados das Azenhas do Mar. Em dias claros vê-se a Pedra
de Alvidrar saindo do mar em que me perco a olhar. Comecei a reconstruir uma
antiga pousada de peregrinos, para nela atravessar a invernia. O trabalho
manual fatiga-me e faz esquecer outros mais agradáveis, em que porém suei
também, aperfeiçoando as minhas artes. De nada mais preciso neste vinte de
janeiro de mil novecentos e setenta e oito, dia do meu vigésimo quarto
aniversário.
- E é esta a misteriosa
história do meu nascimento!
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Parabéns por ter chegado ao fim
desta história interactiva!
- Como dizem: "A curiosidade aguça o
engenho!"
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- O Capítulo I termina aqui
convidámo-lo a ler os restantes capítulos da obra "O
Conquistador" de Almeida
Faria.
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