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A
verdadeira função do espírito na vida
Nas esferas ilustradas, ali onde a cultura alcança suas mais altas manifestações,
isto é, na arte, na ciência,na literatura e na filosofia, o espírito tem sido
e é sempre, sem variação, o principal colaborador, ainda que permaneça como
incógnita aos olhos do mundo.
Casual e excepcionalmente, é reconhecido como legítimo autor de alguma obra
extraordinária.
Sempre se prestigiou a inteligência, o gênio, quando o homem conseguiu alcançar
a auréola da glória.
Poder-se-ia dizer que a inteligência e o gênio são parte do espírito; que são
sua manifestação mais eloqüente naquelas vidas que têm ultrapassado as condições
comuns.
Estou de acordo, mas também é certo que em nenhum caso se observam indícios
de que existe uma consciência cabal da atividade do espírito ou, melhor ainda,
a consciência de sua intervenção direta no desenvolvimento das idéias até
sua objetivação final.
Não há dúvida de que se tem estado ali em contato com o espírito, mas
involuntariamente, sem se ter, como disse antes, consciência cabal do fato.
(...)
Em realidade, o que o espírito quer é assumir plena e conscientemente a
condução de nossa vida; de modo que, enquanto não alcancemos a convicção de
que devemos aceder a tão benevolente exigência, será muito difícil encarar
com possibilidades de êxito a tarefa do próprio aperfeiçoamento.
A fisiologia é, com respeito à vida do corpo físico, o que a psicologia,
exaltada a sua finalidade transcendente, é para a vida do espírito.
Por conseguinte, constitui uma aberração o fato de que o espírito permaneça
alheio ao que forma parte de sua própria natureza. (...)
A inteligência, com seu vastíssimo campo de atividade e suas imensas
possibilidades extrafísicas no mundo mental é, queira-se ou não, o
“nervo-maior” psíquico do espírito.
Mas forçosamente devo fazer aqui uma ressalva, para dizer que quando a inteligência
funciona inconscientemente, fica freqüentemente anulada pela inércia mental e
afetada de forma direta pela ignorância.
Outra coisa é quando ela vence, instada por íntimos e elevados anelos, a
pertinaz oposição de certos pensamentos, como os que fomentam a dúvida, a
indiferença, o pessimismo e muitos outros que travam seu magnífico mecanismo.
Então, tudo muda e se transforma no pensar e sentir do homem; numa palavra,
os
pensamentos e os sentimentos se “hierarquizam” e deixam de satisfazer os
prazeres da Terra para buscar as alturas límpidas do mundo superior.
É ali quando o espírito começa a nos governar, podendo comprovar-se que este
é muito mais acessível do que supúnhamos.
Nós mesmos o havíamos tornado inacessível ao encantoá-lo no lugar menos
pensado e sentido de nosso ser.
(Carlos Bernardo Gonzalez Pecotche)
Trecho do Livro : O Senhor de Sándara
Logosofia
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