Romantismo > Momentos Históricos
O Início do Romantismo
no Brasil
1836: Marco inicial do Romantismo no Brasil, quando Gonçalves de Magalhães
publicou o livro de poesias Suspiros Poéticos e Saudades, e, aliado a
Porto Alegre, Torres Homem e Pereira da Silva, lançou a Niterói
- Revista Brasiliense, na qual teorizava a respeito de uma reforma nacionalista
e espiritualista da literatura brasileira.
1881: O Romantismo conhece o seu fim, quando Machado de Assis iniciou o movimento
realista com Memórias Póstumas de Brás Cubas.
A Importância da Independência
O Romantismo é tratado como um movimento que buscou força na
Independência política de 1822, estando distante dela pouco mais
de uma década. Apesar das influências européias, os românticos
brasileiros tencionavam construir uma literatura nacional, onde foram expressos
os propósitos de valorizar o passado histórico do país.
Seus primeiros artistas estavam empenhados em definir um perfil da cultura
nacional em vários aspectos: a língua, a etnia, as tradições,
o passado histórico, as diferenças regionais, a religião,
entre outros.
A partir de 1840, começa a despontar na economia brasileira o café,
produto que fez a prosperidade do Segundo Reinado e do qual o Brasil dependeria
por longos anos. O dinheiro trazido pela exportação cafeeira
fez surgir novas atividades que mudaram o panorama da vida social: o Brasil
se modernizou com algumas indústrias, bancos, companhias de comércio,
estradas de ferro, e assim a vida urbana passou a ter uma importância
cada vez maior, e não se pode pensar em literatura sem a consolidação
das cidades - onde se concentram os leitores.
Movimento Burguês
O Romantismo foi burguês. A Revolução Popular na França
proclamou os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, anteriormente forjados
no Iluminismo. Logo, o liberalismo político conduziu ao liberalismo
artístico, que derrotaria a rigidez exercida pela arte aristocrática,
o Classicismo, regida por normas inflexíveis e princípios inabaláveis.
Também à sociedade burguesa associa-se a disseminação
de que o indivíduo é onipotente em relação ao seu
próprio destino, capaz de determinar a trajetória de sua própria
vida. Tal fato acarretou a criação de um novo mundo de ilusões,
um mundo romântico, sobre o qual a nova estrutura do poder burguês
teve maior estabilidade. Surge, então, o escapismo, reforçado
em contínuas sugestões de que a vida é bem diferente da
vida que realmente se vive. Surgem também dois aspectos interessantes:
a idealização da realidade e, em contraposição,
a melancolia e o pessimismo, observadas quando o leitor se descobre no abismo
que distancia o sonho do real.
A Sociedade Brasileira
O país vivia um momento decisivo da definição da nacionalidade,
com propósitos expressos de reconhecer e valorizar o passado histórico.
Nas proximidades da Independência de 1822, mais recisamente em 1840,
começa a despontar na economia brasileira um produto que fez a prosperidade
do Segundo Reinado e do qual o Brasil dependeria por longos anos: o café.
Atribui-se ao lucro da exportação cafeeira o surgimento de novas
atividades que transformaram o panorama da vida social: indústrias,
bancos, companhias de comércios, estradas de ferro,
As Primeiras Escolas de Direito
A idéia de criação de um curso jurídico no Brasil
surgiu em 1822, logo após a Independência. Através da Lei
de 11 de Agosto de 1827, o Imperador D. Pedro I criou os dois primeiros cursos
de Ciências Jurídicas e Sociais, um na cidade de São Paulo
e outro na de Olinda, em Pernambuco. As famílias mais abastadas, até então,
enviavam seus filhos para estudar em Portugal, especialmente na Universidade
de Coimbra.
As duas escolas de Direito formavam não só advogados, mas futuros
dirigentes do país. Os jovens estudantes desenvolviam atividades políticas,
artísticas e intelectuais. Também discutiam filosofia e divulgavam
pelo Brasil as novas idéias que chegavam da Europa. Os alunos desempenhavam
o papel de unificadores da cultura, como defensores do novo estilo revolucionário,
o Romantismo.
Logo, seus estudantes, que cursavam ciências jurídicas e sociais,
oriundos de diversas regiões, bem como das demais províncias,
passaram a imprimir novos hábitos e gostos aos antigos costumes da população.
O choque de contradições entre o novo e o antigo era mais do
que certo. Das questões especificamente nacionais, a mais importante
era a escravidão. De sua solução dependia a democratização
da sociedade e do Estado nacional nascente. Tais questões eram debatidas
através do jornalismo e do teatro. São Paulo e Seu Legado
A província de São Paulo de 1800, que contava com nada mais do
que 10 mil habitantes, era uma espécie de entreposto de comércio
de tropas trazidas do sul e da passagem do açúcar vindo do interior.
Três décadas depois, quando o Romantismo despontava no Brasil,
ainda grassavam doenças e enchentes por entre a cidade.
Foi esta São Paulo que abrigou a Academia do Largo de São Francisco,
inaugurada em 1828. A insípida São Paulo, que não dispunha
de passeios que entretinham seus habitantes, que não contava com suficiente
beleza nas frontes juvenis às janelas, povoada por uma gente corriqueira
e pouco dada a convívio social, diferente do povo da corte, no Rio de
Janeiro; uma cidade "feia e esburacada", segundo Álvares de
Azevedo, onde comércio e iluminação eram precários
e pouco se sabia da existência de eatros e companhias de ofício
teatral.
A Faculdade do Largo de São
Francisco
As arcadas das Faculdades de Direito, tanto do Recife como de São Paulo,
foram testemunhas de diversos encontros literários e fonte de inspiração
para poetas e escritores. O Largo de São Francisco, especialmente, abrigou
em seus bancos escolares nomes como Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães,
Aureliano Lessa, José de Alencar, Castro Alves, Silveira e Sousa, Perdigão
Malheiros, João Cardoso de Meneses, José Bonifácio, França
Júnior, além de outros menos conhecidos, como Paulo Eiró,
Sizenando Nabuco de Araújo e Paulo Antônio do Vale.
A Imprensa e os Folhetins
O Romantismo também está relacionado com o surgimento de um novo
público leitor. Durante todo o período colonial até a
vinda de D. João VI, em 1808, a imprensa foi proibida. Portanto, jornais,
revistas e livros impressos no país era algo novo. Foram os primeiros
jornais, precários e primitivos, que iniciaram o hábito da leitura,
conquistando espaço pouco a pouco com a progressiva urbanização.
Em 1850, os jornais passaram a ser mais regulares, segundo as exigências
do público que crescia, veiculando a poesia romântica. O alargamento
do mercado consumidor também é resultado do baixo custo dos jornais.
Para atendê-lo foram publicados os folhetins, uma seção
literária que trazia romances em capítulos. Originalmente eram
traduzidos, mas logo passaram a ser escritos por brasileiros, como José de
Alencar e Joaquim Manuel de Macedo.
Esta proximidade entre escritor e público fez surgir novos estilos,
novos significados estéticos e novos gêneros literários.
Conclui-se, portanto, a significativa importância da imprensa para o
Romantismo, que tinha os folhetins como lazer doméstico principalmente
por mulheres e estudantes.