Romantismo > Contexto Histórico Mundial

Liberalismo
O liberalismo econômico está diretamente ligado à escola fisiocrata. Esta última foi criada e teorizada pelos economistas franceses Quernay e Gournay. Ambos combatiam veementemente as práticas mercantilistas em seu pensamento, alegando que o individualismo econômico, devidamente estruturado sobre um governo em que a agricultura era o principal produtor de riquezas (fisiocracia), era o modelo ideal para o desenvolvimento estatal. O papel do governo era importantíssimo, emboravisto com descrédito, pois era responsável pela proteção dos cidadãos e dos bens pessoais, dever este assegurado legalmente. Os fisiocratas rejeitavam as atividades comerciais e manufatureiras. Porém, não é este aspecto o mais influente sobre o pensamento liberal, e sim o fato de os fisiocratos terem proposto a liberdade econômica e a livre concorrência. Foi influenciado por estes princípios que o economista escocês Adam Smith escreveu a obra A riqueza das nações, na qual descreve as diretrizes básicas do liberalismo. Smith defendia um modelo econômico em que a liberdade de concorrência era plena e total, sendo que a produção e distribuição de riquezas era controlada pela lei da oferta e da procura. Além disso, via no trabalho humano a verdadeira fonte de riqueza social, e era o interesse pelo trabalho, assim como sua necessidade, que impulsionava o homem a agir comunitariamente. O Estado funcionaria como um incentivador e controlador das atividades econômicas, sem, contudo, jamais ter o direito de intervir em seus mecanismos. O pensamento de Smith foi de gigantesca influência sobre todos os pensadores econômicos que vieram depois dele e seu modelo é, até hoje, o princípio básico sobre o qual se erguem todas as diretrizes econômicas do mundo capitalista.

Socialismo Cristão
Os bem-sucedidos movimentos sociais liberais do século XIX levaram a classe burguesa ao poder e acabaram de vez com a soberania absoluta e abusiva das monarquias que sangrentamente derrubaram. Contudo, a burguesia, ao assumir o comando dos diversos países europeus, preocupou-se unicamente em garantir seus próprios interesses e a tornar mais ferrenho o sistema capitalista de tais nações, esquecendo-se por completo daqueles que decisivamente participaram ao seu lado das sublevações que lhe garantiram a condição de líder: a classe operária. Cada vez mais, o proletariado urbano europeu via suas condições de vida e trabalho definharem, o que os fazia caminhar por uma via que seguramente os levaria à condição de miséria absoluta. Preocupada com essa situação, a Igreja passou a pregar uma doutrina que ficou conhecida como Socialismo Cristão (ou Catolicismo Social). Segunda ela, eram necessárias reformas urgentes na estrutura capitalista-burguesa, de modo que as relações e condições de trabalho fossem humanizadas e a exploração dos operários se tornasse menos ferrenha. Apesar de aparentemente bem-intencionado, este modelo foi em grande parte um pretexto por parte da Igreja no sentido de fazer valer sua palavra em sociedades nas quais sua influência cada vez mais era relegada a planos inferiores. O primeiro a propor as idéias básicas do socialismo cristão foi o padre francês Robert de Lamennais. Os princípios de sua proposta eram: a organização sindical, a aplicação dos dogmas cristãos na selvagem estrutura capitalista e a justiça social. Esses preceitos básicos foram desenvolvidos pelo papa Leão XIII, que propôs também a regulamentação do trabalho feminino e infantil, a limitação das jornadas de trabalho e o aumento dos salários. Eram propostas demagógicas, que atendiam aos interesses operários, mas que, ao mesmo tempo, rejeitavam profundas alterações na estrutura capitalista e a adoção do socialismo revolucionário (fim da propriedade privada dos meios de produção), única forma de se incrementar de fato as condições proletárias. Pregavam, em síntese, que os ricos deveriam ser menos ricos e os pobres menos pobres; não tinham como objetivo propor uma sociedade realmente igualitária e justa, tal como o faz o comunismo.

Socialismo e Comunismo
O socialismo, bem como a sua vertente mais bem acabada, o comunismo, é a mais importante proposta teórica revolucionária dos tempos modernos. Suas origens remontam ao início do século XIX, quando, do esforço burguês para apaziguar as agitações operárias, alguns membros reformadores da classe passaram a fazer experimentos que objetivavam modificar as relações de trabalho e torná-las mais justas, uma vez que elas haviam se tornado voltadas à exploração proletária após a Revolução Industrial. Um desses pioneiros, chamados socialistas utópicos, foi o inglês Robert Owen que, em uma de suas propriedades (uma fábrica de algodão na Escócia), estabeleceu uma jornada de trabalho diário de dez horas e meia por dia, abrindo ainda armazéns para os empregados e creches e escolas para os seus filhos. A princípio, a experiência prosperou, mas como colocava em jogo o princípio capitalista por excelência, a propriedade privada dos meios de produção, logo mostrou-se ineficáz. Outros reformadores da época tentaram revolucionar as relações de produção, como Blanqui, Proudhon, Saint-Simon e Fourier. No entanto, suas tentativas não progrediam, uma vez que pressupunham a existência de um modelo socialista numa sociedade em que imperava as normas capitalistas e burguesas. Eram, portanto, utópicos. Deste modo, logo tornou-se claro que as relações de produção socialistas só teriam efeito em uma sociedade regida por normas socialistas. Para tanto, as relações capitalistas deveriam ser destruídas e essa iniciativa, claro, não seria tomada pelo capitalista, e sim pela classe oprimida, o proletariado. Ou seja, haveria uma revolução social. No século XIX, então, surgiu uma teoria que propôs basicamente isso, que pressupunha a ação efetiva da classe trabalhadora. Seu principal articulador foi Karl Marx. Em estrita colaboração com Friedrich Engels, ele foi o introdutor do socialismo científico ao escrever três obras de suma importância para o pensamento político-social que viria após ele: “O Manifesto Comunista”, “O Capital” e “Contribuição À Crítica Da Economia Política”. Ao perceber que os mecanismos capitalistas eram absolutamente contraditórios, pois pressupunham que a classe dominante, em virtude dos avanços tecnológicos de que dispunha, cada vez mais enriqueceria, enquanto a classe explorada tornaria-se cada vez mais empobrecida e excluída, Marx viu que o proletariado era a força revolucionária máxima da sociedade e que, caso se unisse, seria inevitável a transformação das relações sociais: sua ascensão era inevitável e uma evolução do próprio capitalismo, que envolvia em si próprio sua extinção. De acordo com essa teoria, a base econômica da sociedade, que Marx chama de infra-estrutura, é responsável pela construção de sua superestrutura específica (Estado, leis, organização jurídica etc.) e da ideologia (filosofia, religião, moral, ciências etc.) que irá reger os mecanismos sociais. Somente através do conjunto formado pela infra-estrutura e pela superestrutura é possível conhecer-se como são organizadas as forças produtivas e, consequentemente, suas relações de produção. No capitalismo, duas forças produtivas lutam entre si quanto às relações de produção: a burguesia (formada pelos proprietários dos meios de produção) e o proletariado (formada por aqueles que possuem apenas sua força de trabalho). A minoria burguesa, por possuir os meios de produção, explora a maioria proletária, obrigada a vender sua força de trabalho em troca de um salário. Todavia, o montante pago pelo capitalista pelo trabalho executado pelo proletário é muito menor do que o valor final do que ele produziu. Esse excedente a mais que fica com o explorador é a chamada mais-valia (lucro), que é a base essencial do acúmulo de capital. Desta forma, os interesses das duas classes são diametralmente opostos e, em princípio, irreconciliáveis, o que gera a luta de classes (que, de acordo com Marx, é constante no regime capitalista). Para reverter sua condição, a classe proletária tem como única saída atacar a burguesia naquilo que mantém sua condição como tal: o modo capitalista de produção. Ao organizar-se em sindicatos e partidos revolucionários, a classe estaria contribuindo para a consciência de classe e agindo para uma eventual destruição do modelo socal vigente. Caso viesse a ocorrer de fato tal processo de mudança, seria implementado o socialismo, sistema em que a propriedade privada dos meios de produção seria substituída pela propriedade social dos meios de produção. Por fim, ao estender-se o processo revolucionário, chegaria-se ao comunismo. Nesse ponto, as classes sociais seriam extintas, assim como o próprio Estado, e as relações de produção seriam regidas de acordo com os interesses comunitários, sem que houvesse prejuízos para nenhum de seus setores. O pensamento marxista também é conhecido como materialismo histórico e foi a primeira análise científica séria e teoricamente embasada da evolução das sociedades humanas. Pode-se utilizar seus princípios para analisar qualquer evento histórico protagonizado pelo homem desde seu surgimento. Daí sua importância, abrangência e apuro intelectual.

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