Romantismo > Contexto Histórico Brasileiro
Vinda da Família Real
Portuguesa ao Brasil
A
transferência da corte portuguesa para o Brasil
foi ocasionada por uma série de eventos e conflitos
europeus: o expansionismo da França, deflagrado
por Napoleão Bonaparte, chegava a alcançar
o território de Portugal. Os conflitos entre
a França e a Inglaterra, por outro lado, levaram
Napoleão a impor o bloqueio continental: a Inglaterra,
desta forma, estaria impedida de comerciar nas costas
européias. A Espanha foi facilmente dominada
sob esta tática, já que tratava-se de
uma aliada da França, e inclusive o irmão
de Napoleão veio a ser o rei da Espanha, entronado
pelo próprio estadista francês. No caso
de Portugal, importante ponto estratégico do
comércio do mediterrâneo, passando por
uma grave crise sob o reinado do indolente D. João
VI, houve declarada influência inglesa na fuga
da família real para o Brasil. Tal fato seria
vantajoso para a Inglaterra, pois com os portos europeus
fechados para os ingleses, estes teriam por outro lado
o privilégio de obter a costa brasileira à sua
disposição para o comércio.
Não houve grandes planos por parte da corte
portuguesa com relação à sua vinda
ao Brasil: as tropas de Napoleão já iam
invadindo Portugal enquanto a corte já embarcava às
pressas. Além da ameaça francesa, havia
também a ameaça do próprio povo
português, que ia sendo deixado à sua
própria sorte pela corte portuguesa. Portugal,
desta forma, foi facilmente invadido, com as tropas
francesas esfaimadas e exaustas, entrando no país
com uma vanguarda do exército de apenas 14 homens.
A corte chegou ao Brasil no ano de 1808, aportando
inicialmente na Bahia. Dois meses depois, a corte se
estabelece no Rio de Janeiro. Para o Brasil, também
houve vantagem na transferência da corte portuguesa:
a partir do estabelecimento desta corte em território
nacional, uma série de medidas veio a implementar
a economia local. Houve a partir daí a permissão
para o funcionamento de manufaturas nacionais, embora
estas enfrentariam a concorrência dos produtos
ingleses, a partir da abertura dos portos brasileiros "às
nações amigas", ou seja, à Inglaterra.
Assim inicia-se a fase imperial no Brasil, no ano de
1815, tendo D. João VI proclamado o Brasil como
Reino Unido. A maior autonomia brasileira veio a acelerar
o processo da independência do Brasil, tratando-se
de um caso bastante singular na América Latina:
a independência do Brasil fora proclamada pelo
próprio regente, D. Pedro I, e não através
da luta do povo local. D. João volta a Portugal
no ano de 1821, tendo realizado uma série de
medidas como a contensão do expansionismo francês
na América Latina (através do ataque à Guiana
Francesa, em 1809) e tendo sido responsável
pela elevação de seu filho à regência.
Peíodo Regencial do Brasil
O período
regencial no Brasil estendeu-se desde a abdicação
de D. Pedro I em 7 de abril de 1831 até o juramento
de D. Pedro II perante a Assembléia do Império,
em 23 de julho de 1840. No período da abdicação
de D. Pedro I, seu sucessor, D. Pedro II, ainda possuía
a idade de 5 anos, estando desta forma não habilitado
a assumir o trono. Desta forma, os parlamentares deste
período trataram de dar rumo a um novo governo
no Brasil. Pode-se dizer que o período regencial é marcado
pelas primeiras experiências republicanas no
Brasil: os membros do poder Executivo eram eleitos.
Simultaneamente, neste período ocorreram várias
rebeliões populares orientadas aos ideais democráticos
de descentralização do poder. Estas rebeliões
foram a Cabanagem (1834-1840), a Sabinada (1837-1838),
a Balaiada (1838-1841) e a Guerra dos Farrapos (1835-1845).
Apesar destes avanços de caráter liberal
na política da Regência, as forças
conservadoras acabaram por triunfar ao final do período
regencial, caracterizando assim a constante dos ideários
políticos que vigoraram no Segundo Reinado.
O período regencial é dividido em várias
regências: Regência Trina Provisória
(1831), Regência Trina Permanente (1831-1835)
e Regência Una (1835-1840).
Regência Trina Provisória
(1831)
Tratou-se
da primeira regência, cabendo a esta
a organização do novo governo. Medidas
importantes tomadas durante este regência foram
a anistia aos "agitadores" submetidos a processos
políticos, a reintegração do ministério
anteriormente demitido por D. Pedro I e o estabelecimento
das leis que regulavam o poder dos regentes. A primeira
medida tratou-se de uma manobra cujo objetivo orientava-se
na tentativa de contenção das agitações
políticas. Já as leis que regulamentavam
o poder regencial, estabelecidas antes da consolidação
da Regência Permanente, não concediam
aos regentes as mesmas atribuições de
poder do Imperador: era vetado aos regentes o usufruto
do poder Moderador, portanto aqueles não poderiam
fechar a Câmara em nenhuma hipótese. Os
membros da Regência Trina Provisória foram
os Senadores Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e
José Joaquim Carneiro de Campos (o Marquês
de Caravelas), além do Brigadeiro Francisco
de Lima e Silva.
Uma característica marcante desta Regência
foi o acirramento de divergências entre os políticos
de extração liberal: isto acarretou na
separação dos liberais em facções
dos "exaltados" e dos "moderados".
Por outro lado, os partidários de D. Pedro organizaram-se
sob o nome de "restauradores" (também
conhecidos como "Caramurus"), constituindo
assim as forças conservadoras no jogo político
do período.
Regência Trina Permanente
(1831-1835)
Após
o curto período da Regência
Provisória, a Regência Trina Permanente
foi eleita em 17 de junho de 1831. Um dos membros da
Regência anterior permaneceu: o Brigadeiro Francisco
de Lima e Silva, então apelidado "Chico
Regência" pela população carioca.
Outros membros eleitos foram os deputados João
Bráulio Muniz e José da Costa Carvalho
(que seria o futuro Marquês de Monte Alegre).
Neste período da Regência tomaram lugar
as rebeliões decorrentes sobretudo da grave
crise econômica que se instaurava no país.
Os protestos e conflitos tomavam as ruas da capital
e de outras diversas regiões.
No sentido de contenção das agitações
políticas que tomavam conta do país,
um novo Gabinete do governo foi organizado: a pasta
do Ministério da Justiça foi ocupada
pelo Deputado Padre Diogo Antônio Feijó,
futuro Regente Uno, ao qual foi conferida uma autonomia
de poder que se aproximava de feições
ditatoriais. O Padre Feijó foi o responsável
pela formação da Guarda Nacional, que
consistiu em um grupo de tropas particulares fiéis
aos grandes proprietários rurais. Estes proprietários
foram elevados à categoria de "coronéis",
fato do qual foi originado o termo " Coronelismo ",
vinculado historicamente a uma estrutura de poder no
Brasil formada por mandões regionais sobretudo
nas regiões rurais.
Ainda neste período, as grandes divisões
políticas resultaram em grupos de orientações
políticas diversas: os Restauradores, ou "Caramurus",
simpatizantes do Imperador e representantes das forças
políticas mais conservadoras; os Liberais Moderados,
também conhecidos por "Chimangos",
formados por grandes proprietários escravistas
e comerciantes; os Liberais Exaltados, formados sobretudo
por elementos das camadas urbanas médias (embora
também contassem com alguns latifundiários).
Todas estas facções possuíam seus
canais de imprensa, veiculando periódicos que,
tendo como tônica os ataques explícitos
a políticos e respectivos familiares, acirravam
cada vez mais as divergências políticas
neste cenário.
Através da promulgação do Ato
Adicional, que tratou-se de uma reforma na Carta Outorgada
de 1824, foram instituídos a futura Regência
Una, as Assembléias Legislativas Provinciais
(em substituição aos antigos Conselhos
Gerais das Províncias) e a extinção
do Conselho de Estado.
Para a Regência Una, a partir do Ato Adicional
ficou estabelecido o mandato de 4 anos para o Regente,
que seria eleito por voto popular. Tal medida, de certa
forma, tratou-se da primeira experiência republicana
no Brasil.
As Assembléias Legislativas Provinciais ficariam
encarregadas pela legislação regional
das províncias, regulando toda a organização
da vida civil local e portanto conferindo grande autonomia às
diversas regiões. Tal aspecto contrapõe-se
com os antigos Conselhos Gerais, que possuíam
poderes bastante reduzidos. A instituição
destas Assembléias Provinciais também
tratou-se de um importante passo em direção
aos ideais republicanos.
O antigo Conselho de Estado teve sua abolição
por simplesmente tratar-se então de um órgão
oficial ocioso, já que cuidava anteriormente
da assessoria ao governo imperial.
Regência Una (1836-1840)
A primeira eleição
brasileira para o poder Executivo levou o Padre Feijó à Regência,
em 1835.
Tomando posse do poder Executivo em 1836, o Regente
Feijó deparou-se com uma grande crise nacional:
eclodiam neste período um série de revoltas
populares que poderiam abalar a ordem política
vigente no Brasil. Tais revoltas ocorreram em diversas
regiões brasileiras: a Cabanagem no Pará,
a Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranhão
e a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. O governo
de Feijó não foi capaz de deter tais
rebeliões, tendo sido sufocadas só na
regência posterior, fazendo com que a facção
dos Liberais Exaltados praticamente abandonasse o cenário
político. Em processo de desgaste de sua sustentação
política, Feijó renúncia.
O quadro político no Brasil se alterava novamente
com o desaparecimento dos Exaltados do quadro político
e a divisão dos Moderados em duas facções.
Desta forma, surgem o Partido Conservador e o Partido
Liberal. A partir da renúncia de Feijó à Regência,
passam a predominar no poder os Conservadores. Para
o cargo da Regência foi eleito Pedro de Araújo
Lima, anterior regente substituto de Feijó.
As tendências liberais das regências anteriores
foram substituídas paulatinamente pelo conjunto
ideológico conservador através da chamada
Lei Interpretativa de 1840. Uma das medidas mais importantes
do Ato Adicional, a criação das Assembléias
Legislativas Provinciais, foi amplamente modificada
neste período. Desta forma, a autonomia das
províncias foi anulada, havendo então
grande retomada na centralização de poder.
Assim termina o período regencial: Pedro de
Araújo Lima deixa a Regência antes do
término de seu mandato previsto, renunciando
em decorrência da decretação da
Maioridade de D. Pedro II. As tentativas republicanas
do início do período regencial declinaram
finalmente em favor do projeto que determinaria, no
mesmo ano de 1840, a maioridade de D. Pedro II, com
a idade de apenas 14 anos. Iniciou-se então
o Segundo Reinado no Brasil.
SEGUNDO REINADO
É chamado Segundo Reinado o
período
compreendido entre 1840, final do período regencial
no Brasil, determinado pela legalização
da maioridade de D. Pedro II, então com a idade
de apenas 14 anos, e 1889, em 15 de novembro, mediante
a Proclamação da República e a
deposição do imperador pelas autoridades
militares.
O quadro político brasileiro, anteriormente
ao início deste novo período de grande
centralização do poder, apresentava as
facções liberais radicais tendendo ao
desaparecimento por decorrência de suas várias
derrotas frente às tentativas de rebelião:
o conservadorismo voltava a dominar hegemonicamente
a política brasileira tanto através dos
dissidentes regressistas do bloco moderado, que fundariam
mais tarde o Partido Conservador, quanto dos dissidentes
deste mesmo bloco, de tendências políticas
menos conservadoras, que formariam o Partido Liberal.
Os liberais, sobretudo, deram maior força aos
movimentos a favor da maioridade do imperador.
Já no poder, D. Pedro II não revelava
nenhum pendor político: logo em 1841 foi restaurado
o antigo Conselho de Estado, caracterizado por suas
fortes tendências ao conservadorismo, e o Ministério
do período de D. Pedro II foi na verdade o órgão
que esteve à frente de toda a política
durante este período. Também houve a
restauração do Poder Moderador, contraditoriamente
ao lado da instituição do regime parlamentarista
em 1847.
As províncias neste período se encontravam
em relativo estado de pacificação, causado
pelas sucessivas derrotas das rebeliões provinciais
no período regencial. Ocorrida em Pernambuco,
a Rebelião Praieira fora derrotada pelas forças
imperiais: desta forma, consolidam-se as forças
conservadoras e, por decorrência do fortalecimento
de sua base sócio-política, o Império
entra em uma fase de relativa estabilidade e consolidação.
Desta forma, o Império no Segundo Reinado tem
entrada e participação em conflitos externos
como a Guerra do Paraguai e Guerra da Cisplatina.
O avanço industrial já caracterizava
o quadro econômico europeu no século XIX,
enquanto o Brasil permanecia em grande estado de atraso
econômico, revelando-se essencialmente agrário
e ainda utilizando a mão de obra escrava. Uma
exceção na sociedade do segundo reinado,
dominada pelos latifundiários escravistas, residia
na figura de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão
de Mauá: a Tarifa Alves Branco, datada de 1844,
que consistia no aumento das tarifas alfandegárias
do país, favoreceram Mauá em seus empreendimentos
industriais no Brasil e, de maneira geral, favorecia
o surgimento de uma industrialização
no país. Apesar disso, Mauá não
tardou a ver a falência de seus negócios,
tendo que enfrentar grande concorrência estrangeira.
Apesar da instalação de uma incipiente
indústria brasileira que consistia na substituição
parcial das importações, a industrialização
era barrada pela própria política escravocrata
então vigente, regida pelas elites agrárias:
através do predomínio desta política,
reduzia-se grandemente o mercado consumidor, ao passo
que a implantação do trabalho livre favoreceria
o aumento do consumo. No entanto, no período
compreendido entre as décadas de 1830 e 1840,
o tráfico de escravos ainda aumentava no Brasil.
A redução do influxo de escravos no país
só entrou em declínio após a Lei
Eusébio de Queirós, em 1850. O capital
outrora utilizado no tráfico portanto passa
a ser empregado em outras atividades, gerando um período
de surto no desenvolvimento econômico do país.
A partir daí, um novo produto se configura nas
atividades econômicas do país: as lavouras
cafeeiras passam a ganhar destaque entre as demais
atividades agrárias, ao passo que desde o início
de sua expansão já enfrentava problemas
de mão de obra decorrentes da redução
do tráfico de escravos. O chamado sistema de
parceria foi uma tentativa de redução
dos problemas de mão de obra enfrentados, consistindo
num envolvimento misto de trabalhadores livres e escravos.
Porém o sistema de parceria se revelou um fracasso:
os trabalhadores livres eram recrutados na Europa mediante
grandes promessas. No entanto, quando os imigrantes
aqui chegavam, estes viam-se obrigados a pagar as grandes
despesas de transporte e ainda a consumir os produtos
dos próprios armazéns das fazendas onde
trabalhavam, pagando mais caro por isso. Os conflitos
não tardaram a surgir e outro sistema de trabalho
passou a ser procurado. A partir daí, o sistema
passou paulatinamente a se basear na imigração
subvencionada e no trabalho assalariado. Grandes fluxos
de imigrantes italianos tiveram entrada no Brasil,
causados pelos problemas econômicos no sul da
Itália e ainda pelas restrições
norte-americanas à imigração.
Assim, com o aumento do contingente de trabalhadores
livres assalariados no Brasil, a indústria brasileira
finalmente iniciou um inédito desenvolvimento
na história do país.
Apesar do relativo progresso econômico do período,
o Império entra em declínio a partir
de uma série de fatores: as Guerras da Cisplatina
e do Paraguai haviam contribuído no grande aumento
de despesas do Império, tratando-se ainda de
elementos que vieram a solapar ainda mais a impopularidade
do regime ; os movimentos abolicionistas e republicanos
caminharam lado a lado, configurando também
uma crise política no interior do Império,
pois a partir da abolição da escravatura
o regime perde as classes dominantes escravistas como
sua base de sustentação; as indisposições
entre o clero católico e o Império, pois
a Igreja, até então era relegada a segundo
plano na política, era contrariada pela própria
classe dominante, cujos membros participavam em grande
número das lojas maçônicas condenadas
pelo poder central da Igreja através de uma
bula papal não aprovada pelo próprio
Império; a classe militar, tendo seu prestígio
fortalecido após a vitória do exército
brasileiro na Guerra do Paraguai, passa a se indispor
com a classe política intencionava limitar alguns
direitos legalmente garantidos aos militares, gerando
a chamada Questão Militar. Desta forma, enfraquecido
o poder imperial, o Segundo Reinado tem fim com o movimento
militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca e
posterior Proclamação da República
na Câmara do Rio de Janeiro.
Guerra do Paraguai
Conflito ocorrido a partir de 1865 até 1870
entre o Paraguai e os países da então
formada Tríplice Aliança (Argentina,
Uruguai e Brasil). Foi o maior conflito armado na história
da América Latina, tendo sido responsável
pela aniquilação de mais de dois terços
da população paraguaia e ainda levado
o Paraguai a uma grave condição de atraso
e pobreza.
Anteriormente ao conflito, o Paraguai encontrava-se
em uma fase de amplo desenvolvimento: ainda que sob
um regime ditatorial, no período de governo
do patriarca da independência paraguaia (Dr.
José Gaspar Rodrigues Francia, de 1811 a 1840),
o país possuía o mais bem treinado e
equipado exército nacional em solo sul-americano.
A atividade agrícola no Paraguai se desenvolvia
grandemente com as chamadas "fazendas da pátria",
terras de grande produtividade em que agricultores
trabalhavam para o Estado. O analfabetismo e a escravidão
no Paraguai haviam sido praticamente erradicados, o
que demonstrava um alto grau de modernidade em relação
aos demais países da América Latina.
Tais características tiveram prosseguimento
no período do governo sucessor de Carlos Antonio
López. No entanto, o Paraguai mantinha uma política
de isolamento com relação aos demais
países da América e ainda em relação
aos países europeus que expandiam suas atividades
comerciais às terras americanas.
Tendo em vista a necessidade de exportar excedentes
de produção, era imprescindível
a ruptura da política paraguaia de isolamento
em relação aos demais países,
assim como a necessidade da utilização
do Rio da Prata como meio de escoamento dos produtos
excedentes. Possuindo um forte exército e passando
a figurar entre as os países mais desenvolvidos
da América do Sul, o Paraguai passa a reivindicar
voz de comando nos assuntos políticos locais.
Estas reivindicações se fizeram presentes
através do oferecimento de Francisco Solano
López (sucessor de Carlos Antonio López
no governo) como mediador das questões entre
o Brasil e o Uruguai. As relações entre
estes países encontravam-se entre a cordialidade
e a agressão: o Paraguai passava a questionar
os limites territoriais entre os dois países,
vendo-se prejudicado na grande perda de terras e ainda
dependente da tolerância dos países que
dominavam os transportes fluvio-marítimos no
Rio da Prata. Assim, a intermediação
de Solano López é recusada pela diplomacia
brasileira. Não aceitando as condições
impostas pelo Império no Brasil, o Uruguai,
por sua vez, é invadido e tem seu governante
blanco Atanásio Aguirre deposto. Apoiando oficialmente
Aguirre, Solano López passa da postura diplomática à agressão,
ordenando a captura de uma embarcação
brasileira que trafegava no Rio Paraguai, o navio "Marquês
de Olinda", que ia a caminho do Mato Grosso. Posteriormente,
Solano López declara guerra ao Brasil, invadindo
os territórios do Mato Grosso e do Rio Grande
do Sul. O Paraguai, tendo um exército preparado
e contando com o fator da surpresa, acaba por vencer
as primeiras batalhas. Porém, contou ilusoriamente
com a neutralidade argentina e, tendo invadido os territórios
argentinos e uruguaios, Argentina e Uruguai acabam
por aliar-se ao Brasil na formação da
Tríplice Aliança em 1° de maio de
1865, na cidade de Buenos Aires. A participação
brasileira no conflito foi decisiva: a sorte paraguaia é revertida
quando o Brasil passa a importar armas e admitir o
alistamento dos "voluntários da Pátria",
cidadãos provenientes das camadas sociais mais
baixas, somando-se os negros, sob o jugo escravista,
que se alistaram perante a promessa de alforria, postergada
em muitos casos após o fim da guerra. Ao todo,
a soma de homens à disposição
da Aliança era de 27 mil, entre os quais 18
mil eram brasileiros.
A primeira grande virada da Aliança sobre o
Paraguai ocorreu com a famosa Batalha do Riachuelo,
em 1865, quando a esquadra paraguaia foi completamente
dizimada pelas forças navais brasileiras sob
os comandos do Almirante Tamandaré e de Francisco
Manuel Barroso da Silva, estas aliadas às forças
argentinas sob o comando do general Paunero.
As forças paraguaias, tendo em vista suas intenções
agora frustradas, passam da tática ofensiva à defensiva,
procurando resistir nos fortes localizados em regiões
estratégicas do território paraguaio.
Porém, seus exércitos já haviam
passado por uma série de desfalques, dando ainda
maior ânimo à Tríplice Aliança.
O território paraguaio não tardou a ser
invadido por tropas argentinas, sob o comando do general
Mitre. Também as forças brasileiras passam
a contar com os comandos de Luís Alves de Lima
e Silva, então Marquês de Caxias, futuro
Duque de Caxias, e ainda do Marechal Manuel Luís
Osório. As vitórias brasileiras em território
paraguaio sucederam-se inúmeras até o
cercamento do próprio Solano López, morto
em 1° de março de 1870, marcando o fim da
guerra.
O evento da Guerra do Paraguai gerou novas realidades
no Brasil: o prestígio do Exército brasileiro
que, a partir daí, passou a tomar parte decisiva
nos assuntos políticos brasileiros, além
do surgimento de abolicionistas entre os militares,
pois a participação dos negros no conflito
foi considerada decisiva. Os comandantes passaram a
apoiar os negros que retornaram ao país ainda
na condição de escravos reclamados pelos
senhores de terras. A luta abolicionista caminhou paralelamente à ação
republicana que então se insurgia no Brasil
e que, posteriormente, acarretou a Proclamação
da República.
Abolição da Escravatura
Dois conceitos históricos são entendidos
por abolição da escravatura: o conjunto
de manobras sociais e políticas empreendidas
entre o período de 1870 a 1888 em prol da libertação
dos escravos e a própria promulgação
da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel
em 13 de maio de 1888, promovendo a oficialização
da abolição do regime escravista.
Os movimentos pela abolição da escravatura
são iniciados a partir de alguns eventos ocorridos:
a cessação do tráfico negreiro
da África, em 1850; a volta vitoriosa de negros
da Guerra do Paraguai, que se estendeu de 1865 a 1870;
a criação da Lei do Ventre Livre pelo
Visconde do Rio Branco (liberdade aos filhos de escravos
nascidos após a data da promulgação
desta lei, em 28 de setembro de 1871; não obstante,
os filhos de escravos seriam mantidos sob a tutela
dos senhores escravistas até a idade de 21 anos);
a criação da Sociedade Brasileira contra
a Escravidão (tendo José do Patrocínio
e Joaquim Nabuco como fundadores); a Lei Saraiva-Cotegipe
(mais popularmente conhecida como a Lei dos Sexagenários,
de 1885, que concedia liberdade aos escravos com idade
acima de 65 anos, e somente através de uma indenização
ao proprietário). Cabe dizer que tais leis representavam
apenas um pequeno avanço, sem grandes efeitos,
pois os jovens nascidos após a Lei do Ventre
Livre simplesmente não encontravam respaldos
para sua própria sobrevivência após
sua libertação.Com relação à Lei
dos Sexagenários, além do próprio
obstáculo da indenização ao senhor
escravista para a libertação, os escravos
que conseguiam chegar até a idade dos 65 anos
constituíam uma exceção, num país
onde a expectativa média de vida permanecia
abaixo desta idade, enquanto a expectativa de vida
dos escravos, certamente, era ainda inferior.
As mudanças que iam ocorrendo, no entanto, ameaçavam
afetar diretamente a economia de produção,
justamente baseada no regime escravista neste período
da história do Brasil. Os negros chegaram a
participar da luta anti-escravista e, muitos deles,
perseguidos por seus atos insurrecionais ou mesmo fugindo
do jugo escravista, reuniam-se em povoados como os
quilombos (Quilombo dos Palmares, Quilombo de Jabaquara).
Após as medidas oficiais anti-escravistas determinadas
pela Lei Áurea, os senhores escravistas, insatisfeitos
com a nova realidade, tencionavam exigir indenizações
pelos escravos libertos, não obtendo nenhum
aval do Império. Desta forma, surgiram os movimentos
republicanos, que foram engrossados com a participação
dos mesmos senhores que eram antigos detentores da "mercadoria
escrava" e que, descontentes com as atitudes do
Império, acabaram por defender um novo sistema
de governo, decorrendo daí um dos principais
motivos da derrocada final do Império. Por outro
lado, a mão de obra proveniente das novas correntes
imigratórias passa a ser empregada. Os negros,
por um lado libertos, não possuíam instrução
educacional ou a especialização profissional
que passa a ser exigida, decorrendo destes aspectos
a permanência dos negros à margem da sociedade
frente à falta de oportunidades a eles oferecidas.
A liberdade dada aos negros anteriormente escravizados é relativa:
embora não mais escravizados, nenhuma estrutura
que garantisse a ascensão social ou a cidadania
dos negros foi oferecida.
Chegada dos imigrantes - A abolição
da escravidão pôs fim à estrutura
do sistema colonial. A mão-de-obra escrava foi
substituída, em parte, pela mão-de-obra
assalariada dos imigrantes europeus, que em sua maioria
era composta por italianos e portugueses.
A indústria - A princípio, a abertura
dos portos, aliada a uma série de fatores como
a deficiência de energia, a elevação
de tarifas alfandegárias etc., dificultaram
o crescimento da indústria nacional. Somente
no fim do Império é que se investiu nesse
ramo da economia e a indústria começou
a crescer.
O Romantismo no Brasil é considerado por muitos estudiosos o verdadeiro início da literatura brasileira. Essa tese gera muita polêmica, pois não podemos esquecer que, antes do movimento romântico, o Brasil teve escritores de destaque como o árcade Antônio Tomás de Gonzaga, Gregório de Mattos (o boca do inferno) e até mesmo o Padre José de Anchieta. No entanto, ela é sustentada porque, até antes do movimento romântico, o Brasil ainda não tinha liberdade de imprensa e, conseqüentemente, não tinha público leitor.
Para muitos estudiosos isso já seria o bastante,
pois literatura sem público leitor não é literatura.
Porém, a defesa dessa tese é engrossada
por dois fatos significativos: o Brasil ainda estava
sob dominação portuguesa e todos os nossos
intelectuais iam à Europa em busca de formação
superior. Ao retornar ao país estavam naturalmente
influenciados pelas idéias que corriam na Europa.
Esse panorama só começou a ser mudado
quando a Família Real veio para o Brasil, em
1808, e o Rio de Janeiro passou por um processo de
urbanização. Mas foi com a Proclamação
da Independência, em 1822, que homem brasileiro
passou a sentir necessidade de varrer para sempre a
imagem do português conquistador e auto-afirmar-se
membro de uma nova nação que estava se
formando.
Não importa aqui levantar argumentos para se
considerar ou não se o Romantismo é o
verdadeiro marco inicial de uma literatura genuinamente
nacional.
O importante é destacar que nesse período
houve o barateamento do papel e a difusão da
imprensa. Isso permitiu que os livros, jornais e revistas
fossem mais acessíveis ao público e,
conseqüentemente, a circulação aumentasse.
Além disso, nessa época, o brasileiro
estava inquieto, buscava uma consciência nacional,
pois não podia nem queria mais continuar a agir
como o colono do tempo do império e se considerar "europeu",
porém, não podia ser considerado indígena,
por causa dos costumes absorvidos da civilização
européia.
Quem era então esse homem? Essa era a pergunta
que perturbava os intelectuais da época. A literatura
nacional participou ativamente dessa "perturbação",
tendo grande importância na vida social e na
formação da conscientização
nacional. Ela, a literatura, passou a olhar para o
futuro e quando se remetia ao passado, não o
fazia como os românticos europeus, que se baseavam
na Idade Média. Mesmo porque o Brasil não
teve cavaleiros e damas medievais. O Brasil teve um
passado indígena que já estava totalmente
perdido e foi para esse passado que a literatura brasileira
voltou seus olhos.
Preliminares - Antes de iniciar o trabalho sobre o
Romantismo...
Momento histórico europeu - O Romantismo nasceu
na metade do século XVIII, junto com a Revolução
industrial...
Características gerais - O Romantismo, em seu
princípio, caracterizava-se por opor-se...
Romantismo no Brasil
O movimento romântico brasileiro
tem como marco inicial o ano de 1836, quando Gonçalves
de Magalhães
publicou, na França, um livro de poesias românticas
intitulado Suspiros poéticos e saudades. Ainda
nesse ano Gonçalves de Magalhães lançou,
juntamente com Araújo Porto Alegre, Torres Homem
e Pereira da Silva, a revista Niterói.
Esse movimento dura até cerca de 1881, quando foram lançados os primeiros livros que apresentavam tendências realistas e naturalistas: O mulato, de Aluísio Azevedo e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Para melhor explicar o Romantismo brasileiro, convêm dividi-lo em três grupos: poesia, prosa e teatro.
A importância do Romantismo
no Brasil
Na literatura
brasileira o movimento romântico
mundial adquiriu um reflexo excepcional porque coincide
com o momento decisivo da definição da
nacionalidade que tinha propósitos de reconhecer
e valorizar o nosso passado histórico, embora
recente, as nossas tradições e o nosso
folclore.
A Historiografia e crítica românticas
atestam o esforço de reconhecimento de uma tradição
literária brasileira, ainda que somente esboçada,
durante o seu processo de diferenciação
da literatura portuguesa.
Ao mesmo tempo em que se faz acentuadamente nacional,
pelos temas e pelo estilo, o Romantismo no Brasil,
progressivamente, também se preocupa com com
o sentido de sua universalidade.
Teatro
Desde a Independência, em 1822, um exacerbado
sentimento nacionalista tomou conta das nossas manifestações
culturais. Esse espírito nacionalista também
atingiu o teatro. No entanto, a literatura dramática
brasileira ainda estava no início e dependia
de iniciativas isoladas. Muitas peças, a partir
de 1838, foram influenciadas pelo Romantismo. O romancista
Joaquim Manuel de Macedo destacou alguns mitos do nascente
sentimento de nacionalidade da época: o mito
da grandeza territorial do Brasil, da abundância
da natureza, da igualdade de todos os brasileitos,
etc. Esses mitos nortearam a maioria dos artistas românticos
desse período. O primeiro passo para a implantação
de um teatro genuinamente brasileiro foi dado no dia
13 de março de 1838 quando foi encenado a tragédia "Antônio
José" ou "O Poeta e a Inquisição" de
Gonçalves de Magalhães. No mesmo ano,
a 4 de outubro, foi encenada pela primeira vez a comédia "O
Juiz de Paz da Roça", de Martins Pena.
A peça deu o pontapé inicial para consolidação
da comédia de costumes como gênero preferido
do público.
As peças de Martins Pena estavam integradas
ao Romantismo, portanto, eram bem recebidas pelo público.
O autor é considerado o verdadeiro fundador
do teatro nacional, não só pela quantidade
de peça que escreveu, mas também pela
sua qualidade. A importância de Martins Pena
foi tanta que o crítico Silvio Romero uma vez
escreveu: "Se se perdessem todas as leis, escritos,
memórias da história brasileira dos primeiros
cinquenta anos desde século XIX, e nos ficassem
somente as comédias de Martins Pena, era possível
reconstruir pr elas a fisionomia moral de toda essa época".