Romantismo > Características e Termos Gerais

Características e Termos Gerais

O Romantismo, em seu princípio, caracterizava-se por opor-se aos modelos da antigüidade clássica. Essa oposição tem um caráter ideológico muito importante, pois, ao opor-se aos clássicos, o artista Romântico estava abolindo todo tipo de padrão preestabelecido e opondo-se também aos nobres, que, até então, financiavam toda a produção artística. Graças a essa oposição, a arte perdeu o caráter erudito e nobre, passando a assumir um outro, mais popular.

Com isso, o trabalho do artista sofreu transformações: antes, com as obras de encomenda, ele sabia exatamente para quem estava compondo e seguia a forma e os temas tradicionais. Agora, com o Romantismo, seu público é amplo e anônimo e isso faz com que ele desenvolva uma nova linguagem, baseada na imaginação e nos sentimentos, resultando em uma interpretação subjetiva da realidade. A forma estética dos poemas talvez seja a maior expressão dessa ruptura entre o Romantismo e o Classicismo. O verso livre, sem métrica ou estrofação e o verso branco, sem rima, passam a ser usados em larga escala e transformaram-se na maior representação da liberdade idealizada pelos autores Românticos.

Quanto ao conteúdo, o período Romântico é caracterizado por uma evasão no tempo que remete à Idade Média. Essa exaltação ao passado histórico, além de tentar criar um herói nacional, não contaminado pela civilização, também serve para negar o paganismo pregado no período Clássico e afirmar o Cristianismo. Além disso, também há o culto à natureza. No período Árcade, a natureza era apenas um "pano de fundo", mas agora, com o Romantismo, ela é atuante, tem vários significados, chegando a fazer parte do poeta e de seu estado emocional.

O amor, outra caracterísitca fundamental do Romantismo, é visto como a coisa mais importante na vida. A realização do amor traz conseqüências extremas como o suícidio. Já a mulher, objeto do amor Romântico, é idelializada, ou seja, a mulher é um ser perfeito,asemelhando-se muitas vezes a uma deusa.

A característica que talvez seja a mais marcante de todo o período Romântico é o subjetivismo, ou seja, a supervalorização das emoções pessoais, uma espécie de busca do "eu" interior ou o verdadeiro "eu". À medida que essa busca se aprofunda, a concepção de beleza torna-se relativa e o poeta Romântico perde a consciência do coletivo, surgindo assim o egocentrismo (aquele que refere tudo ao próprio eu, tomado como centro de todo o interesse; personalista). Essa supervalorização do "eu" choca-se violentamente com o objetivismo do período Clássico, que era baseado na verossimilhança e na harmonia das formas.

O Egocentrismo choca-se também com a realidade do mundo exterior. Mundo esse que os Românticos ajudaram a construir, mas que não se parece nem um pouco com aquele que eles idealizavam. A derrota do ego é inevitável. Surgem então a melancolia, a angústia, a busca da solidão, a frustração e o tédio, que são seguidos das evasões românticas, ou seja, as fugas da realidade: o álcool; o ópio; as saudades da infância; as idealizações do amor, da sociedade e da mulher. Todas essas evasões, nas quais a emoção sempre supera a razão, têm ida e volta, porém, essa inadaptação à vida leva o Romântico à maior de todas as evasões: a morte.

Características Românticas

Subjetivismo: o romântico quer retratar em sua obra uma realidade interior e parcial. Trata os assuntos de uma forma pessoal, de acordo com o que sente, aproximando-se da fantasia.

Idealização: motivado pela fantasia e pela imaginação, o artista romântico passa a idealizar tudo; as coisas não são vistas como realmente são, mas como deveriam ser segundo uma ótica pessoal. Assim, a pátria é sempre perfeita; a mulher é vista como virgem, frágil, bela, submissa e inatingível; o amor, quase sempre, é espiritual e inalcançável; o índio, ainda que moldado segundo modelos europeus, é o herói nacional.

Sentimentalismo: exaltam-se os sentidos, e tudo o que é provocado pelo impulso é permitido. Certos sentimentos, como a saudade (saudosismo), a tristeza, a nostalgia e a desilusão, são constantes na obra romântica.

Egocentrismo: cultua-se o "eu" interior, atitude narcisista, em que o individualismo prevalece; microcosmos (mundo interior) X macrocosmos (mundo exterior).

Liberdade de criação: todo tipo de padrão clássico preestabelecido é abolido. O escritor romântico recusa formas poéticas, usa o verso livre e branco, libertando-se dos modelos greco-latinos, tão valorizados pelos clássicos, e aproximando-se da linguagem coloquial.

Medievalismo: há um grande interesse dos românticos pelas origens de seu país, de seu povo. Na Europa, retornam à Idade Média e cultuam seus valores, por ser uma época obscura. Tanto é assim que o mundo medieval é considerado a "noite da humanidade"; o que não é muito claro, aguça a imaginação, a fantasia. No Brasil, o índio representa o papel de nosso passado medieval e vivo.

Pessimismo: conhecido como o "mal-do-século". O artista se vê diante da impossibilidade de realizar o sonho do "eu" e, desse modo, cai em profunda tristeza, angústia, solidão, inquietação, desespero, frustração, levando-o, muitas vezes, ao suicídio, solução definitiva para o mal-do-século.

Escapismo psicológico: espécie de fuga. Já que o romântico não aceita a realidade, volta ao passado, individual (fatos ligados ao seu próprio passado, a sua infância) ou histórico (época medieval).
condoreirismo: corrente de poesia político-social, com grande repercussão entre os poetas da terceira geração romântica. Os poetas condoreiros, influenciados pelo escritor Victor Hugo, defendem a justiça social e a liberdade.

Byronismo: atitude amplamente cultivada entre os poetas da segunda geração romântica e relacionada ao poeta inglês George Gordon Byron. Caracteriza-se por mostrar um estilo de vida e uma forma particular de ver o mundo; um estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o vício e os prazeres da bebida, do fumo e do sexo. Sua forma de ver o mundo é egocêntrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, satânica.

Religiosidade: como uma reação ao Racionalismo materialista dos clássicos, a vida espiritual e a crença em Deus são enfocadas como pontos de apoio ou válvulas de escape diante das frustrações do mundo real.

Culto ao fantástico: a presença do mistério, do sobrenatural, representando o sonho, a imaginação; frutos da pura fantasia, que não carecem de fundamentação lógica, do uso da razão.
nativismo: fascinação pela natureza. O artista se vê totalmente envolvido por paisagens exóticas, como se ele fosse uma continuação da natureza. Muitas vezes, o nacionalismo romântico é exaltado através da natureza, da força da paisagem.

Nacionalismo ou patriotismo: exaltação da Pátria, de forma exagerada, em que somente as qualidades são enaltecidas.

Luta entre o liberalismo e o absolutismo: poder do povo X poder da monarquia. Até na escolha do herói, o romântico dificilmente optava por um nobre. Geralmente, adotava heróis grandiosos, muitas vezes personagens históricos, que foram de algum modo infelizes: vida trágica, amantes recusados, patriotas exilados.

< Voltar

Hosted by www.Geocities.ws

1